Foram encontradas 60 questões.
Texto para responder às questões de 9 a 13.
Por que quando rimos demais começamos a chorar?
1 Existem duas explicações para aquela lágrima
2 escorrer após uma boa gargalhada. A primeira é
3 emocional: choramos porque estamos alegres. Ao
4 soltar uma gargalhada daquelas, desencadeamos
5 uma reação no sistema límbico, região do cérebro
6 que controla as emoções.
7 A outra explicação é fisiológica. Algumas pessoas
8 têm no rosto uma distribuição incomum dos nervos.
9 Por causa disso, quando abrem a boca para rir (ou
10 o para bocejar), o conjunto de nervos que
11 liga a mandíbula às glândulas salivares acaba
12 estimulando a glândula lacrimal.
13 O hipotálamo é uma das regiões cerebrais que
14 compõem o sistema límbico. Ao detectar a emoção
15 de alegria, ele ordena a produção da acetilcolina,
16 um neurotransmissor que viaja pelo sistema
17 nervoso parassimpático, conectado à glândula
18 lacrimal.
19 Isso acontece porque tanto os nervos quanto as
20 glândulas lacrimais estão conectados ao sistema
21 nervoso parassimpático, parte do sistema nervoso
22 que estimula atividades relaxantes em glândulas e
23 músculos.
24 Os dois fenômenos podem ocorrer tanto sozinhos
25 como em conjunto. Nos dois casos, a glândula
26 lacrimal recebe os impulsos do sistema nervoso e
27 entra em ação, produzindo lágrimas que se
28 acumulam no lago lacrimal, até que transbordam,
29 fazendo a gente chorar.
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/por-que-quandorimos-demais-comecamos-a-chorar/ Acesso em: 10 de agosto de 2019 às 11h05min
De acordo com a função da linguagem, esse texto
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Texto para responder às questões de 9 a 13.
Por que quando rimos demais começamos a chorar?
1 Existem duas explicações para aquela lágrima
2 escorrer após uma boa gargalhada. A primeira é
3 emocional: choramos porque estamos alegres. Ao
4 soltar uma gargalhada daquelas, desencadeamos
5 uma reação no sistema límbico, região do cérebro
6 que controla as emoções.
7 A outra explicação é fisiológica. Algumas pessoas
8 têm no rosto uma distribuição incomum dos nervos.
9 Por causa disso, quando abrem a boca para rir (ou
10 o para bocejar), o conjunto de nervos que
11 liga a mandíbula às glândulas salivares acaba
12 estimulando a glândula lacrimal.
13 O hipotálamo é uma das regiões cerebrais que
14 compõem o sistema límbico. Ao detectar a emoção
15 de alegria, ele ordena a produção da acetilcolina,
16 um neurotransmissor que viaja pelo sistema
17 nervoso parassimpático, conectado à glândula
18 lacrimal.
19 Isso acontece porque tanto os nervos quanto as
20 glândulas lacrimais estão conectados ao sistema
21 nervoso parassimpático, parte do sistema nervoso
22 que estimula atividades relaxantes em glândulas e
23 músculos.
24 Os dois fenômenos podem ocorrer tanto sozinhos
25 como em conjunto. Nos dois casos, a glândula
26 lacrimal recebe os impulsos do sistema nervoso e
27 entra em ação, produzindo lágrimas que se
28 acumulam no lago lacrimal, até que transbordam,
29 fazendo a gente chorar.
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/por-que-quandorimos-demais-comecamos-a-chorar/ Acesso em: 10 de agosto de 2019 às 11h05min
A linguagem utilizada nesse texto é
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Texto para responder às questões de 9 a 13.
Por que quando rimos demais começamos a chorar?
1 Existem duas explicações para aquela lágrima
2 escorrer após uma boa gargalhada. A primeira é
3 emocional: choramos porque estamos alegres. Ao
4 soltar uma gargalhada daquelas, desencadeamos
5 uma reação no sistema límbico, região do cérebro
6 que controla as emoções.
7 A outra explicação é fisiológica. Algumas pessoas
8 têm no rosto uma distribuição incomum dos nervos.
9 Por causa disso, quando abrem a boca para rir (ou
10 o para bocejar), o conjunto de nervos que
11 liga a mandíbula às glândulas salivares acaba
12 estimulando a glândula lacrimal.
13 O hipotálamo é uma das regiões cerebrais que
14 compõem o sistema límbico. Ao detectar a emoção
15 de alegria, ele ordena a produção da acetilcolina,
16 um neurotransmissor que viaja pelo sistema
17 nervoso parassimpático, conectado à glândula
18 lacrimal.
19 Isso acontece porque tanto os nervos quanto as
20 glândulas lacrimais estão conectados ao sistema
21 nervoso parassimpático, parte do sistema nervoso
22 que estimula atividades relaxantes em glândulas e
23 músculos.
24 Os dois fenômenos podem ocorrer tanto sozinhos
25 como em conjunto. Nos dois casos, a glândula
26 lacrimal recebe os impulsos do sistema nervoso e
27 entra em ação, produzindo lágrimas que se
28 acumulam no lago lacrimal, até que transbordam,
29 fazendo a gente chorar.
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/por-que-quandorimos-demais-comecamos-a-chorar/ Acesso em: 10 de agosto de 2019 às 11h05min
Esse texto tem a finalidade de
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Texto para responder às questões de 1 a 7.
Cobrança
Moacyr Scliar
1 Ela abriu a janela e ali estava ele, diante da casa,
2 caminhando de um lado para outro. Carregava um
3 cartaz, cujos dizeres atraíam a atenção dos
4 passantes: "Aqui mora uma devedora
5 inadimplente".
6 ― Você não pode fazer isso comigo ― protestou
7 ela.
8 ― Claro que posso ― replicou ele. ― Você
9 comprou, não pagou. Você é uma devedora
10 inadimplente. E eu sou cobrador. Por diversas
11 vezes tentei lhe cobrar, você não pagou.
12 ― Não paguei porque não tenho dinheiro. Esta
13crise...
14 ― Já sei ― ironizou ele. ― Você vai me dizer que
15 por causa daquele ataque lá em Nova York seus
16 negócios ficaram prejudicados. Problema seu,
17 ouviu? Problema seu. Meu problema é lhe cobrar.
18 E é o que estou fazendo.
19 ― Mas você podia fazer isso de uma forma mais
20 discreta...
21 ― Negativo. Já usei todas as formas discretas que
22 podia. Falei com você, expliquei, avisei. Nada.
23 Você fazia de conta que nada tinha a ver com o
24 assunto. Minha paciência foi se esgotando, até que
25 não me restou outro recurso: vou ficar aqui,
26 carregando este cartaz, até você saldar sua dívida.
27 Neste momento começou a chuviscar.
28 ― Você vai se molhar ― advertiu ela. ― Vai acabar
29 ficando doente. Ele riu, amargo:
30 ― E daí? Se você está preocupada com minha
31 saúde, pague o que deve.
32 ― Posso lhe dar um guarda-chuva...
33 ― Não quero. Tenho de carregar o cartaz, não um
34 guarda-chuva. Ela agora estava irritada:
35 ― Acabe com isso, Aristides, e venha para dentro.
36 Afinal, você é meu marido, você mora aqui.
37 ― Sou seu marido ― retrucou ele ― e você é
38 minha mulher, mas eu sou cobrador profissional e
39 você é devedora. Eu avisei: não compre essa
40 geladeira, eu não ganho o suficiente para pagar as
41 prestações. Mas não, você não me ouviu. E agora
42 o pessoal lá da empresa de cobrança quer o
43 dinheiro. O que quer você que eu faça? Que perca
44 meu emprego? De jeito nenhum. Vou ficar aqui até
45 você cumprir sua obrigação.
46 Chovia mais forte, agora. Borrada, a inscrição
47 tornara-se ilegível. A ele, isso pouco importava:
48 continuava andando de um lado para outro, diante
49 da casa, carregando o seu cartaz.
O imaginário cotidiano. São Paulo: Global, 2001.
Na oração “Chovia mais forte, agora”.(linha 46), temos
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Texto para responder às questões de 1 a 7.
Cobrança
Moacyr Scliar
1 Ela abriu a janela e ali estava ele, diante da casa,
2 caminhando de um lado para outro. Carregava um
3 cartaz, cujos dizeres atraíam a atenção dos
4 passantes: "Aqui mora uma devedora
5 inadimplente".
6 ― Você não pode fazer isso comigo ― protestou
7 ela.
8 ― Claro que posso ― replicou ele. ― Você
9 comprou, não pagou. Você é uma devedora
10 inadimplente. E eu sou cobrador. Por diversas
11 vezes tentei lhe cobrar, você não pagou.
12 ― Não paguei porque não tenho dinheiro. Esta
13crise...
14 ― Já sei ― ironizou ele. ― Você vai me dizer que
15 por causa daquele ataque lá em Nova York seus
16 negócios ficaram prejudicados. Problema seu,
17 ouviu? Problema seu. Meu problema é lhe cobrar.
18 E é o que estou fazendo.
19 ― Mas você podia fazer isso de uma forma mais
20 discreta...
21 ― Negativo. Já usei todas as formas discretas que
22 podia. Falei com você, expliquei, avisei. Nada.
23 Você fazia de conta que nada tinha a ver com o
24 assunto. Minha paciência foi se esgotando, até que
25 não me restou outro recurso: vou ficar aqui,
26 carregando este cartaz, até você saldar sua dívida.
27 Neste momento começou a chuviscar.
28 ― Você vai se molhar ― advertiu ela. ― Vai acabar
29 ficando doente. Ele riu, amargo:
30 ― E daí? Se você está preocupada com minha
31 saúde, pague o que deve.
32 ― Posso lhe dar um guarda-chuva...
33 ― Não quero. Tenho de carregar o cartaz, não um
34 guarda-chuva. Ela agora estava irritada:
35 ― Acabe com isso, Aristides, e venha para dentro.
36 Afinal, você é meu marido, você mora aqui.
37 ― Sou seu marido ― retrucou ele ― e você é
38 minha mulher, mas eu sou cobrador profissional e
39 você é devedora. Eu avisei: não compre essa
40 geladeira, eu não ganho o suficiente para pagar as
41 prestações. Mas não, você não me ouviu. E agora
42 o pessoal lá da empresa de cobrança quer o
43 dinheiro. O que quer você que eu faça? Que perca
44 meu emprego? De jeito nenhum. Vou ficar aqui até
45 você cumprir sua obrigação.
46 Chovia mais forte, agora. Borrada, a inscrição
47 tornara-se ilegível. A ele, isso pouco importava:
48 continuava andando de um lado para outro, diante
49 da casa, carregando o seu cartaz.
O imaginário cotidiano. São Paulo: Global, 2001.
Marque a opção que apresenta a mesma relação de sentido que é estabelecida na oração “Não paguei porque não tenho dinheiro” (linha 12).
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Texto para responder às questões de 1 a 7.
Cobrança
Moacyr Scliar
1 Ela abriu a janela e ali estava ele, diante da casa,
2 caminhando de um lado para outro. Carregava um
3 cartaz, cujos dizeres atraíam a atenção dos
4 passantes: "Aqui mora uma devedora
5 inadimplente".
6 ― Você não pode fazer isso comigo ― protestou
7 ela.
8 ― Claro que posso ― replicou ele. ― Você
9 comprou, não pagou. Você é uma devedora
10 inadimplente. E eu sou cobrador. Por diversas
11 vezes tentei lhe cobrar, você não pagou.
12 ― Não paguei porque não tenho dinheiro. Esta
13crise...
14 ― Já sei ― ironizou ele. ― Você vai me dizer que
15 por causa daquele ataque lá em Nova York seus
16 negócios ficaram prejudicados. Problema seu,
17 ouviu? Problema seu. Meu problema é lhe cobrar.
18 E é o que estou fazendo.
19 ― Mas você podia fazer isso de uma forma mais
20 discreta...
21 ― Negativo. Já usei todas as formas discretas que
22 podia. Falei com você, expliquei, avisei. Nada.
23 Você fazia de conta que nada tinha a ver com o
24 assunto. Minha paciência foi se esgotando, até que
25 não me restou outro recurso: vou ficar aqui,
26 carregando este cartaz, até você saldar sua dívida.
27 Neste momento começou a chuviscar.
28 ― Você vai se molhar ― advertiu ela. ― Vai acabar
29 ficando doente. Ele riu, amargo:
30 ― E daí? Se você está preocupada com minha
31 saúde, pague o que deve.
32 ― Posso lhe dar um guarda-chuva...
33 ― Não quero. Tenho de carregar o cartaz, não um
34 guarda-chuva. Ela agora estava irritada:
35 ― Acabe com isso, Aristides, e venha para dentro.
36 Afinal, você é meu marido, você mora aqui.
37 ― Sou seu marido ― retrucou ele ― e você é
38 minha mulher, mas eu sou cobrador profissional e
39 você é devedora. Eu avisei: não compre essa
40 geladeira, eu não ganho o suficiente para pagar as
41 prestações. Mas não, você não me ouviu. E agora
42 o pessoal lá da empresa de cobrança quer o
43 dinheiro. O que quer você que eu faça? Que perca
44 meu emprego? De jeito nenhum. Vou ficar aqui até
45 você cumprir sua obrigação.
46 Chovia mais forte, agora. Borrada, a inscrição
47 tornara-se ilegível. A ele, isso pouco importava:
48 continuava andando de um lado para outro, diante
49 da casa, carregando o seu cartaz.
O imaginário cotidiano. São Paulo: Global, 2001.
Marque a alternativa em que a palavra faz o plural de acordo com a regra do plural da palavra “guarda-chuva”(linha 32).
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Texto para responder às questões de 1 a 7.
Cobrança
Moacyr Scliar
1 Ela abriu a janela e ali estava ele, diante da casa,
2 caminhando de um lado para outro. Carregava um
3 cartaz, cujos dizeres atraíam a atenção dos
4 passantes: "Aqui mora uma devedora
5 inadimplente".
6 ― Você não pode fazer isso comigo ― protestou
7 ela.
8 ― Claro que posso ― replicou ele. ― Você
9 comprou, não pagou. Você é uma devedora
10 inadimplente. E eu sou cobrador. Por diversas
11 vezes tentei lhe cobrar, você não pagou.
12 ― Não paguei porque não tenho dinheiro. Esta
13crise...
14 ― Já sei ― ironizou ele. ― Você vai me dizer que
15 por causa daquele ataque lá em Nova York seus
16 negócios ficaram prejudicados. Problema seu,
17 ouviu? Problema seu. Meu problema é lhe cobrar.
18 E é o que estou fazendo.
19 ― Mas você podia fazer isso de uma forma mais
20 discreta...
21 ― Negativo. Já usei todas as formas discretas que
22 podia. Falei com você, expliquei, avisei. Nada.
23 Você fazia de conta que nada tinha a ver com o
24 assunto. Minha paciência foi se esgotando, até que
25 não me restou outro recurso: vou ficar aqui,
26 carregando este cartaz, até você saldar sua dívida.
27 Neste momento começou a chuviscar.
28 ― Você vai se molhar ― advertiu ela. ― Vai acabar
29 ficando doente. Ele riu, amargo:
30 ― E daí? Se você está preocupada com minha
31 saúde, pague o que deve.
32 ― Posso lhe dar um guarda-chuva...
33 ― Não quero. Tenho de carregar o cartaz, não um
34 guarda-chuva. Ela agora estava irritada:
35 ― Acabe com isso, Aristides, e venha para dentro.
36 Afinal, você é meu marido, você mora aqui.
37 ― Sou seu marido ― retrucou ele ― e você é
38 minha mulher, mas eu sou cobrador profissional e
39 você é devedora. Eu avisei: não compre essa
40 geladeira, eu não ganho o suficiente para pagar as
41 prestações. Mas não, você não me ouviu. E agora
42 o pessoal lá da empresa de cobrança quer o
43 dinheiro. O que quer você que eu faça? Que perca
44 meu emprego? De jeito nenhum. Vou ficar aqui até
45 você cumprir sua obrigação.
46 Chovia mais forte, agora. Borrada, a inscrição
47 tornara-se ilegível. A ele, isso pouco importava:
48 continuava andando de um lado para outro, diante
49 da casa, carregando o seu cartaz.
O imaginário cotidiano. São Paulo: Global, 2001.
De acordo com o texto, marque a alternativa CORRETA.
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Texto para responder às questões de 1 a 7.
Cobrança
Moacyr Scliar
1 Ela abriu a janela e ali estava ele, diante da casa,
2 caminhando de um lado para outro. Carregava um
3 cartaz, cujos dizeres atraíam a atenção dos
4 passantes: "Aqui mora uma devedora
5 inadimplente".
6 ― Você não pode fazer isso comigo ― protestou
7 ela.
8 ― Claro que posso ― replicou ele. ― Você
9 comprou, não pagou. Você é uma devedora
10 inadimplente. E eu sou cobrador. Por diversas
11 vezes tentei lhe cobrar, você não pagou.
12 ― Não paguei porque não tenho dinheiro. Esta
13crise...
14 ― Já sei ― ironizou ele. ― Você vai me dizer que
15 por causa daquele ataque lá em Nova York seus
16 negócios ficaram prejudicados. Problema seu,
17 ouviu? Problema seu. Meu problema é lhe cobrar.
18 E é o que estou fazendo.
19 ― Mas você podia fazer isso de uma forma mais
20 discreta...
21 ― Negativo. Já usei todas as formas discretas que
22 podia. Falei com você, expliquei, avisei. Nada.
23 Você fazia de conta que nada tinha a ver com o
24 assunto. Minha paciência foi se esgotando, até que
25 não me restou outro recurso: vou ficar aqui,
26 carregando este cartaz, até você saldar sua dívida.
27 Neste momento começou a chuviscar.
28 ― Você vai se molhar ― advertiu ela. ― Vai acabar
29 ficando doente. Ele riu, amargo:
30 ― E daí? Se você está preocupada com minha
31 saúde, pague o que deve.
32 ― Posso lhe dar um guarda-chuva...
33 ― Não quero. Tenho de carregar o cartaz, não um
34 guarda-chuva. Ela agora estava irritada:
35 ― Acabe com isso, Aristides, e venha para dentro.
36 Afinal, você é meu marido, você mora aqui.
37 ― Sou seu marido ― retrucou ele ― e você é
38 minha mulher, mas eu sou cobrador profissional e
39 você é devedora. Eu avisei: não compre essa
40 geladeira, eu não ganho o suficiente para pagar as
41 prestações. Mas não, você não me ouviu. E agora
42 o pessoal lá da empresa de cobrança quer o
43 dinheiro. O que quer você que eu faça? Que perca
44 meu emprego? De jeito nenhum. Vou ficar aqui até
45 você cumprir sua obrigação.
46 Chovia mais forte, agora. Borrada, a inscrição
47 tornara-se ilegível. A ele, isso pouco importava:
48 continuava andando de um lado para outro, diante
49 da casa, carregando o seu cartaz.
O imaginário cotidiano. São Paulo: Global, 2001.
De acordo com o texto “Cobrança”, o autor
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Texto para responder às questões de 1 a 7.
Cobrança
Moacyr Scliar
1 Ela abriu a janela e ali estava ele, diante da casa,
2 caminhando de um lado para outro. Carregava um
3 cartaz, cujos dizeres atraíam a atenção dos
4 passantes: "Aqui mora uma devedora
5 inadimplente".
6 ― Você não pode fazer isso comigo ― protestou
7 ela.
8 ― Claro que posso ― replicou ele. ― Você
9 comprou, não pagou. Você é uma devedora
10 inadimplente. E eu sou cobrador. Por diversas
11 vezes tentei lhe cobrar, você não pagou.
12 ― Não paguei porque não tenho dinheiro. Esta
13crise...
14 ― Já sei ― ironizou ele. ― Você vai me dizer que
15 por causa daquele ataque lá em Nova York seus
16 negócios ficaram prejudicados. Problema seu,
17 ouviu? Problema seu. Meu problema é lhe cobrar.
18 E é o que estou fazendo.
19 ― Mas você podia fazer isso de uma forma mais
20 discreta...
21 ― Negativo. Já usei todas as formas discretas que
22 podia. Falei com você, expliquei, avisei. Nada.
23 Você fazia de conta que nada tinha a ver com o
24 assunto. Minha paciência foi se esgotando, até que
25 não me restou outro recurso: vou ficar aqui,
26 carregando este cartaz, até você saldar sua dívida.
27 Neste momento começou a chuviscar.
28 ― Você vai se molhar ― advertiu ela. ― Vai acabar
29 ficando doente. Ele riu, amargo:
30 ― E daí? Se você está preocupada com minha
31 saúde, pague o que deve.
32 ― Posso lhe dar um guarda-chuva...
33 ― Não quero. Tenho de carregar o cartaz, não um
34 guarda-chuva. Ela agora estava irritada:
35 ― Acabe com isso, Aristides, e venha para dentro.
36 Afinal, você é meu marido, você mora aqui.
37 ― Sou seu marido ― retrucou ele ― e você é
38 minha mulher, mas eu sou cobrador profissional e
39 você é devedora. Eu avisei: não compre essa
40 geladeira, eu não ganho o suficiente para pagar as
41 prestações. Mas não, você não me ouviu. E agora
42 o pessoal lá da empresa de cobrança quer o
43 dinheiro. O que quer você que eu faça? Que perca
44 meu emprego? De jeito nenhum. Vou ficar aqui até
45 você cumprir sua obrigação.
46 Chovia mais forte, agora. Borrada, a inscrição
47 tornara-se ilegível. A ele, isso pouco importava:
48 continuava andando de um lado para outro, diante
49 da casa, carregando o seu cartaz.
O imaginário cotidiano. São Paulo: Global, 2001.
Esse texto está escrito em um tom
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- Interpretação de TextosPressupostos e Subentendidos
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualTipologias Textuais
Texto para responder às questões de 1 a 7.
Cobrança
Moacyr Scliar
1 Ela abriu a janela e ali estava ele, diante da casa,
2 caminhando de um lado para outro. Carregava um
3 cartaz, cujos dizeres atraíam a atenção dos
4 passantes: "Aqui mora uma devedora
5 inadimplente".
6 ― Você não pode fazer isso comigo ― protestou
7 ela.
8 ― Claro que posso ― replicou ele. ― Você
9 comprou, não pagou. Você é uma devedora
10 inadimplente. E eu sou cobrador. Por diversas
11 vezes tentei lhe cobrar, você não pagou.
12 ― Não paguei porque não tenho dinheiro. Esta
13crise...
14 ― Já sei ― ironizou ele. ― Você vai me dizer que
15 por causa daquele ataque lá em Nova York seus
16 negócios ficaram prejudicados. Problema seu,
17 ouviu? Problema seu. Meu problema é lhe cobrar.
18 E é o que estou fazendo.
19 ― Mas você podia fazer isso de uma forma mais
20 discreta...
21 ― Negativo. Já usei todas as formas discretas que
22 podia. Falei com você, expliquei, avisei. Nada.
23 Você fazia de conta que nada tinha a ver com o
24 assunto. Minha paciência foi se esgotando, até que
25 não me restou outro recurso: vou ficar aqui,
26 carregando este cartaz, até você saldar sua dívida.
27 Neste momento começou a chuviscar.
28 ― Você vai se molhar ― advertiu ela. ― Vai acabar
29 ficando doente. Ele riu, amargo:
30 ― E daí? Se você está preocupada com minha
31 saúde, pague o que deve.
32 ― Posso lhe dar um guarda-chuva...
33 ― Não quero. Tenho de carregar o cartaz, não um
34 guarda-chuva. Ela agora estava irritada:
35 ― Acabe com isso, Aristides, e venha para dentro.
36 Afinal, você é meu marido, você mora aqui.
37 ― Sou seu marido ― retrucou ele ― e você é
38 minha mulher, mas eu sou cobrador profissional e
39 você é devedora. Eu avisei: não compre essa
40 geladeira, eu não ganho o suficiente para pagar as
41 prestações. Mas não, você não me ouviu. E agora
42 o pessoal lá da empresa de cobrança quer o
43 dinheiro. O que quer você que eu faça? Que perca
44 meu emprego? De jeito nenhum. Vou ficar aqui até
45 você cumprir sua obrigação.
46 Chovia mais forte, agora. Borrada, a inscrição
47 tornara-se ilegível. A ele, isso pouco importava:
48 continuava andando de um lado para outro, diante
49 da casa, carregando o seu cartaz.
O imaginário cotidiano. São Paulo: Global, 2001.
Esse texto, de acordo com o gênero textual, é um(a)
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