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2183345 Ano: 2021
Disciplina: História
Banca: ASSEGE
Orgão: Pref. Aramari-BA

De acordo com Eric Hobsbawm, historiador marxista britânico, esta primeira etapa do século XIX é considerada a” Era das Revoluções”, justamente pela disseminação de ideais de liberdade por grupos organizados na Europa. Eles defendiam temas como direitos humanos, igualdade entre os cidadãos e soberania da população. Influenciados pela Revolução Francesa, ativistas de cunho nacionalista e liberal acirravam a revolução permanente. Sobre este período é correto afirmar:

 

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2183344 Ano: 2021
Disciplina: História
Banca: ASSEGE
Orgão: Pref. Aramari-BA

Observe a imagem abaixo:

Enunciado 3488208-1

A partir da análise da imagem e tendo como base os estudos sobre Brasil Colônia, no que se refere as principais características da colonização implantada no Brasil, pode-se citar:

I- Da mesma forma que a colonização espanhola, no Brasil também se utilizou o “Pacto Colonial”. Através dessa relação desigual entre colônia e metrópole assegurava-se o exclusivismo comercial, ou seja, Portugal tinha o monopólio da compra da produção colonial e, igualmente da venda de mercadorias na América portuguesa.

II- A produção era destinada ao mercado externo. A colonização portuguesa tinha um caráter de complementaridade, ou seja, os recursos oriundos da exploração se destinavam ao mercado externo, complementando a economia metropolitana. Por exemplo, mesmo produzindo uma grande quantidade de açúcar, como o interesse essa a exportação, por vezes, ocorreu a falta de açúcar nas colônias.

III- Utilização preponderante da mão-de-obra escava africana, negócio altamente lucrativo. Muitos comerciantes nativos se engajaram nesse lucrativo comércio. O próprio termo “brasileiro” surgiu para se referir aos comerciantes de escravos locais. No século XVIII, por exemplo, algumas praças de comércio de escravos, controladas pelos holandeses, proibiram o comércio com os portugueses, mas não com os “brasileiros”, que continuaram se valendo do lucrativo comércio de seres humanos.

IV- Altamente inócuo ao desenvolvimento colonial, à metrópole adotou a proibição em relação à instalação de manufaturas (com exceção da atividade manufatureira que envolvia a produção do açúcar). O objetivo era garantir, através do Pacto Colonial a venda de mercadorias sem qualquer tipo de concorrência por parte dos colonos.

Está correto o que se afirma em:

 

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2183323 Ano: 2021
Disciplina: História
Banca: ASSEGE
Orgão: Pref. Aramari-BA

As Grandes navegações contribuíram para uma radical transformação da visão da história da humanidade. Houve uma ampliação do conhecimento humano sobre a geografia da Terra e uma verdadeira Revolução Comercial, a partir da unificação dos mercados europeus, asiáticos, africanos e americanos. São transformações advindas das grandes navegações, EXCETO:

 

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2183282 Ano: 2021
Disciplina: História
Banca: ASSEGE
Orgão: Pref. Aramari-BA

O colonialismo é uma prática de dominação política, econômica e cultural de uma formação social sobre outra. O colonialismo se desenvolveu de maneira diferente ao longo do tempo e em cada um dos territórios explorados, assim como cada país desenvolveu modelos próprios de colonização. Partindo dos conhecimentos sobre colonialismo e imperialismo, analise a charge abaixo colocando V para as assertivas verdadeiras e F para as falsas.

Enunciado 3488206-1

( ) Durante muito tempo, as relações de colonialismo foram compreendidas sob a ideia de “pacto colonial”. Ou seja, a existência de um tipo de relação comercial em que a metrópole europeia exportava seus produtos a preços elevados para a colônia, que por sua vez, era obrigada a vender seus produtos à metrópole por preços baixos, relação típica do mercantilismo.

( )Embora esse sistema de comércio colonial com altos lucros fosse almejado pela metrópole, ele teve que se moldar às dinâmicas próprias da colônia, que nem sempre se adequavam ao desejo da metrópole.

( ) O imperialismo ocorreu em um momento da primeira Revolução Industrial, quando os respectivos países buscavam em outros territórios não apenas recursos para serem explorados, mas também mão de obra barata e pessoas que pudessem consumir as mercadorias excedentes. Vale ressaltar, que neste caso, o foco principal era a África e Ásia.

( ) O imperialismo é caracterizado por uma dominação direta tanto econômica quanto política, principalmente sobre territórios da América por parte dos países europeus.

( ) O imperialismo, está relacionado a expansão territorial, que ocorreu entre os séculos XIX e XX, de alguns países do Continente Europeu, Japão e Estados Unidos sobre os territórios da América, África e Ásia.

A alternativa que apresenta a sequência correta é:

 

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2183281 Ano: 2021
Disciplina: História
Banca: ASSEGE
Orgão: Pref. Aramari-BA

A Idade Moderna, ao contrário do que se pode imaginar, não se refere ao momento histórico em que vivemos atualmente, mas é um período da história ocidental compreendido entre os anos de 1453, com a tomada de Constantinopla pelo Império Otomano, e 1789, início da Revolução Francesa. Como todos os períodos em que geralmente se divide a história para facilitar sua compreensão, a Modernidade, como também é chamada, foi assim designada posteriormente, com o intuito de ressaltar certos aspectos em detrimento de outros. Dessa maneira, deve ser observada como um processo, que apresenta tanto continuidades quanto rupturas com o período anterior e o que a sucede. Podemos caracterizar a Idade Moderna a partir de algumas de suas peculiaridades principais que são:

I- Renascimento cultural: foi um movimento cultural que vigorou entre os séculos XIV e XVI, e influenciou diversos aspectos da sociedade europeia, se constituindo como grande precursor da Modernidade. Entre suas principais características, podemos mencionar o humanismo, o racionalismo, o desenvolvimento cultural e científico.

II- Renascimento comercial: o renascimento cultural foi acompanhado por um intenso renascimento comercial, possibilitado pela reconquista de antigas rotas comerciais com o Oriente e no Mar Mediterrâneo, o que possibilitou o surgimento da burguesia, classe social ligada à atividade comercial.

III- Descentralização do poder político: com as revoltas camponesas e o renascimento comercial, o feudalismo, antigo modelo de organização social, entrou em crise. Os senhores feudais perderam gradualmente seu poder, que se concentrou na mão dos reis, o que culminou com a formação dos Estados Modernos.

IV- Reformas religiosas: no aspecto religioso, a ascensão do Humanismo, entre outros fatores, teve impacto nas críticas à Igreja Católica, que culminaram com a Reforma Protestante no século XVI. A Igreja Romana, por sua vez, promoveu a Contrarreforma para evitar perder o poder que havia acumulado durante a Idade Média.

V- Expansão marítima: com a centralização política e a criação dos Estados Modernos, os reis passaram a financiar e incentivar grandes expedições marítimas que tinham por objetivo promover o comércio com a região das Índias. Posteriormente, essas expedições tiveram outros objetivos, e culminaram com o estabelecimento de colônias europeias no continente americano

Da análise das proposições podemos inferir que há:

 

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Considere o texto abaixo para responder as questões de 06 a 10

MISSA DO GALO

Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, _______ muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos ________ missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo ________ meia-noite.

A casa em que eu estava hospedado era ______ do escrivão Meneses, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas. A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem, quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, _________ estudar preparatórios. Vivia tranquilo, naquela casa assobradada da rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. s dez horas da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Meneses que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e __________ escravas riam _________ socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça; mas, afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito.

Boa Conceição! Chamavam-lhe "a santa", e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos. No capítulo de que trato, dava para maometana; aceitaria um harém, com as aparências salvas. Deus me perdoe, se a julgo mal. Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse amar.

Naquela noite de Natal foi o escrivão ao teatro. Era pelos anos de 1861 ou 1862. Eu já devia estar em Mangaratiba, em férias; mas fiquei até o Natal para ver "a missa do galo na Corte". A família recolheu-se _________ hora do costume; eu meti-me na sala da frente, vestido e pronto. Dali passaria ao corredor da entrada e sairia sem acordar ninguém. Tinha três chaves a porta; uma estava com o escrivão, eu levaria outra, a terceira ficava em casa.

- Mas, Sr. Nogueira, que fará você todo esse tempo? perguntou-me a mãe de Conceição.

- Leio, D. Inácia.

Tinha comigo um romance, os Três Mosqueteiros, velha tradução creio do Jornal do Comércio. Sentei-me __________ mesa que havia no centro da sala, e à luz de um candeeiro de querosene, enquanto __________ casa dormia, trepei ainda uma vez ao cavalo magro de D’Artagnan e fui-me às aventuras. Dentro em pouco estava completamente ébrio de Dumas. Os minutos voavam, ao contrário do que costumam fazer, quando são de espera; ouvi bater onze horas, mas quase sem dar por elas, um acaso. Entretanto, um pequeno rumor que ouvi dentro veio acordar-me da leitura. Eram uns passos no corredor que ia da sala de visitas à de jantar; levantei a cabeça; logo depois vi assomar à porta da sala o vulto de Conceição.

- Ainda não foi? Perguntou ela.

- Não fui; parece que ainda não é meia-noite.

- Que paciência!

Conceição entrou na sala, arrastando as chinelinhas da a1cova. Vestia um roupão branco, mal apanhado na cintura. Sendo magra, tinha um ar de visão romântica, não disparatada com o meu livro de aventuras. Fechei o livro; ela foi sentar-se na cadeira que ficava defronte de mim, perto do canapé. Como eu lhe perguntasse se a havia acordado, sem querer, fazendo barulho, respondeu com presteza:

- Não! qual! Acordei por acordar.

Fitei-a um pouco e duvidei da afirmativa. Os olhos não eram de pessoa que acabasse de dormir; pareciam não ter ainda pegado no sono. Essa observação, porém, que valeria alguma coisa em outro espírito, depressa a botei fora, sem advertir que talvez não dormisse justamente por minha causa, e mentisse para me não afligir ou aborrecer. Já disse que ela era boa, muito boa.

- Mas a hora já ___________ha de estar próxima, disse eu.

- Que paciência a sua de esperar acordado, enquanto o vizinho dorme! E esperar sozinho! Não tem medo de almas do outro mundo? Eu cuidei que se assustasse quando me viu.

- Quando ouvi os passos estranhei; mas a senhora apareceu logo.

- Que é que estava lendo? Não diga, já sei, é o romance dos Mosqueteiros.

- Justamente: é muito bonito.

- Gosta de romances?

- Gosto.

- Já leu a Moreninha?

- Do Dr. Macedo? Tenho lá em Mangaratiba.

- Eu gosto muito de romances, mas leio pouco, por falta de tempo. Que romances é que você tem lido?

Comecei a dizer-lhe os nomes de alguns. Conceição ouvia-me com a cabeça reclinada no espaldar, enfiando os olhos por entre as pálpebras meio-cerradas, sem os tirar de mim. De vez em quando passava a língua pelos beiços, para umedecê-los. Quando acabei de falar, não me disse nada; ficamos assim alguns segundos. Em seguida, vi-a endireitar a cabeça, cruzar os dedos e sobre eles pousar o queixo, tendo os cotovelos nos braços da cadeira, tudo sem desviar de mim os grandes olhos espertos.

- Talvez esteja aborrecida, pensei eu.

E logo alto:

- D. Conceição, creio que vão sendo horas, e eu...

- Não, não, ainda é cedo. Vi agora mesmo o relógio; são onze e meia. Tem tempo. Você, perdendo a noite, é capaz de não dormir de dia?

- Já tenho feito isso.

- Eu, não; perdendo uma noite, no outro dia estou que não posso, e, meia hora que seja, hei de passar pelo sono. Mas também estou ficando velha.

- Que velha o quê, D. Conceição?

Tal foi o calor da minha palavra que a fez sorrir. De costume tinha os gestos demorados e as atitudes tranquilas; agora, porém, ergueu-se rapidamente, passou para o outro lado da sala e deu alguns passos, entre a janela da rua e a porta do gabinete do marido. Assim, com o desalinho honesto que trazia, dava-me uma impressão singular. Magra embora, tinha não sei que balanço no andar, como quem lhe custa levar o corpo; essa feição nunca me pareceu tão distinta como naquela noite. Parava algumas vezes, examinando um trecho de cortina ou consertando a posição de algum objeto no aparador; afinal deteve-se, ante mim, com a mesa de permeio. Estreito era o círculo das suas ideias; tornou ao espanto de me ver esperar acordado; eu repeti-lhe o que ela sabia, isto é, que nunca ouvira missa do galo na Corte, e não queria perdê-la.

- É a mesma missa da roça; todas as missas se parecem.

- Acredito; mas aqui há de haver mais luxo e mais gente também. Olhe, a semana santa na Corte é mais bonita que na roça. São João não digo, nem Santo Antônio...

Pouco a pouco, tinha-se inclinado; fincara os cotovelos no mármore da mesa e metera o rosto entre as mãos espalmadas. Não estando abotoadas, as mangas, caíram naturalmente, e eu vi-lhe metade dos braços, muitos claros, e menos magros do que se poderiam supor. A vista não era nova para mim, posto também não fosse comum; naquele momento, porém, a impressão que tive foi grande. As veias eram tão azuis, que apesar da pouca claridade, podia contá-las do meu lugar. A presença de Conceição espertara-me ainda mais que o livro. Continuei a dizer o que pensava das festas da roça e da cidade, e de outras coisas que me iam vindo à boca. Falava emendando os assuntos, sem saber por quê, variando deles ou tornando aos primeiros, e rindo para fazê-la sorrir e ver-lhe os dentes que luziam de brancos, todos iguaizinhos. Os olhos dela não eram bem negros, mas escuros; o nariz, seco e longo, um tantinho curvo, dava-lhe ao rosto um ar interrogativo. Quando eu alteava um pouco a voz, ela reprimia-me:

- Mais baixo! Mamãe pode acordar.

E não saía daquela posição, que me enchia de gosto, tão perto ficavam as nossas caras. Realmente, não era preciso falar alto para ser ouvido; cochichávamos os dois, eu mais que ela, porque falava mais; ela, às vezes, ficava séria, muito séria, com a testa um pouco franzida. Afinal, cansou; trocou de atitude e de lugar. Deu volta à mesa e veio sentar-se do meu lado, no canapé. Voltei-me, e pude ver, a furto, o bico das chinelas; mas foi só o tempo que ela gastou em sentar-se, o roupão era comprido e cobriu-as logo. Recordo-me que eram pretas. Conceição disse baixinho:

- Mamãe está longe, mas tem o sono muito leve; se acordasse agora, coitada, tão cedo não pegava no sono.

- Eu também sou assim.

- O quê? Perguntou ela inclinando o corpo para ouvir melhor.

Fui sentar-me na cadeira que ficava ao lado do canapé e repeti a palavra. Riu-se da coincidência; também ela tinha o sono leve; éramos três sonos leves.

- Há ocasiões em que sou como mamãe: acordando, custa-me dormir outra vez, rolo na cama, à toa, levanto-me, acendo vela, passeio, torno a deitar-me, e nada.

- Foi o que lhe aconteceu hoje.

- Não, não, atalhou ela.

Não entendi a negativa; ela pode ser que também não a entendesse. Pegou das pontas do cinto e bateu com elas sobre os joelhos, isto é, o joelho direito, porque acabava de cruzar as pernas. Depois referiu uma história de sonhos, e afirmou-me que só tivera um pesadelo, em criança. Quis saber se eu os tinha. A conversa reatou-se assim lentamente, longamente, sem que eu desse pela hora nem pela missa. Quando eu acabava uma narração ou uma explicação, ela inventava outra pergunta ou outra matéria, e eu pegava novamente na palavra. De quando em quando, reprimia-me:

- Mais baixo, mais baixo...

Havia também umas pausas. Duas outras vezes, pareceu-me que a via dormir; mas os olhos, cerrados por um instante, abriam-se logo sem sono nem fadiga, como se ela os houvesse fechado para ver melhor. Uma dessas vezes creio que deu por mim embebido na sua pessoa, e lembra-me que os tornou a fechar, não sei se apressada ou vagarosamente. Há impressões dessa noite, que me aparecem truncadas ou confusas. Contradigo-me, atrapalho-me. Uma das que ainda tenho frescas é que, em certa ocasião, ela, que era apenas simpática, ficou linda, ficou lindíssima. Estava de pé, os braços cruzados; eu, em respeito a ela, quis levantar-me; não consentiu, pôs uma das mãos no meu ombro, e obrigou-me a estar sentado. Cuidei que ia dizer alguma coisa; mas estremeceu, como se tivesse um arrepio de frio, voltou as costas e foi sentar-se na cadeira, onde me achara lendo. Dali relanceou a vista pelo espelho, que ficava por cima do canapé, falou de duas gravuras que pendiam da parede.

- Estes quadros estão ficando velhos. Já pedi a Chiquinho para comprar outros.

Chiquinho era o marido. Os quadros falavam do principal negócio deste homem. Um representava "Cleópatra"; não me recordo o assunto do outro, mas eram mulheres. Vulgares ambos; naquele tempo não me pareciam feios.

- São bonitos, disse eu.

- Bonitos são; mas estão manchados. E depois francamente, eu preferia duas imagens, duas santas. Estas são mais próprias para sala de rapaz ou de barbeiro.

- De barbeiro? A senhora nunca foi a casa de barbeiro.

- Mas imagino que os fregueses, enquanto esperam, falam de moças e namoros, e naturalmente o dono da casa alegra a vista deles com figuras bonitas. Em casa de família é que não acho próprio. É o que eu penso; mas eu penso muita coisa assim esquisita. Seja o que for, não gosto dos quadros. Eu tenho uma Nossa Senhora da Conceição, minha madrinha, muito bonita; mas é de escultura, não se pode pôr na parede, nem eu quero. Está no meu oratório.

A ideia do oratório trouxe-me a da missa, lembrou-me que podia ser tarde e quis dizê-lo. Penso que cheguei a abrir a boca, mas logo a fechei para ouvir o que ela contava, com doçura, com graça, com tal moleza que trazia preguiça à minha alma e fazia esquecer a missa e a igreja. Falava das suas devoções de menina e moça. Em seguida referia umas anedotas de baile, uns casos de passeio, reminiscências de Paquetá, tudo de mistura, quase sem interrupção. Quando cansou do passado, falou do presente, dos negócios da casa, das canseiras de família, que lhe diziam ser muitas, antes de casar, mas não eram nada. Não me contou, mas eu sabia que casara aos vinte e sete anos.

Já agora não trocava de lugar, como a princípio, e quase não saíra da mesma atitude. Não tinha os grandes olhos compridos, e entrou a olhar à toa para as paredes.

- Precisamos mudar o papel da sala, disse daí a pouco, como se falasse consigo.

Concordei, para dizer alguma coisa, para sair da espécie de sono magnético, ou o que quer que era que me tolhia a língua e os sentidos. Queria e não queria acabar a conversação; fazia esforço para arredar os olhos dela, e arredava-os por um sentimento de respeito; mas a ideia de parecer que era aborrecimento, quando não era, levava-me os olhos outra vez para Conceição. A conversa ia morrendo. Na rua, o silêncio era completo.

Chegamos a ficar por algum tempo, - não posso dizer quanto, - inteiramente calados. O rumor único e escasso, era um roer de camundongo no gabinete, que me acordou daquela espécie de sonolência; quis falar dele, mas não achei modo. Conceição parecia estar devaneando. Subitamente, ouvi uma pancada na janela, do lado de fora, e uma voz que bradava: "Missa do galo! missa do galo!"

- Aí está o companheiro, disse ela levantando-se. Tem graça; você é que ficou de ir acordá-lo, ele é que vem acordar você. Vá, que hão de ser horas; adeus.

- Já serão horas? perguntei.

- Naturalmente.

- Missa do galo! repetiram de fora, batendo.

-Vá, vá, não se faça esperar. A culpa foi minha. Adeus; até amanhã.

E com o mesmo balanço do corpo, Conceição enfiou pelo corredor dentro, pisando mansinho. Saí à rua e achei o vizinho que esperava. Guiamos dali para a igreja. Durante a missa, a figura de Conceição interpôs-se mais de uma vez, entre mim e o padre; fique isto à conta dos meus dezessete anos. Na manhã seguinte, ao almoço, falei da missa do galo e da gente que estava na igreja sem excitar a curiosidade de Conceição. Durante o dia, achei-a como sempre, natural, benigna, sem nada que fizesse lembrar a conversação da véspera. Pelo Ano-Bom fui para Mangaratiba. Quando tornei ao Rio de Janeiro, em março, o escrivão tinha morrido de apoplexia. Conceição morava no Engenho Novo, mas nem a visitei nem a encontrei. Ouvi mais tarde que casara com o escrevente juramentado do marido.

Fonte: Contos Consagrados - Machado de Assis -

Coleção Pretígio - Ediouro - s/d.

Analise as proposições abaixo:

I- No período, “Vestia um roupão branco, mal apanhado na cintura. Sendo magra, tinha um...” a forma verbal destacada está conjugada no pretérito perfeito do indicativo.

II- No período, “Penso que cheguei a abrir a boca, mas logo a fechei para ouvir o que ela contava, ...” a forma verbal penso está conjugada no presente do indicativo, já a forma verbal fechei está conjugada no pretérito perfeito do indicativo e a forma verbal contava está conjugada no pretérito imperfeito do indicativo.

III- No período, “Em seguida referia umas anedotas de baile, uns casos de passeio, reminiscências de Paquetá...”a forma verbal destacada está conjugada no pretérito imperfeito do subjuntivo.

IV- No período, “Durante o dia, achei-a como sempre, natural, benigna, sem nada que fizesse lembrar a conversação da véspera. Pelo Ano-Bom fui para Mangaratiba. Quando tornei ao Rio de Janeiro, em março, o escrivão tinha...” a forma verbal fizesse está conjugada no pretérito imperfeito do subjuntivo, já a forma verbal fui está conjugada no pretérito perfeito do indicativo e a forma verbal tornei está conjugada no pretérito perfeito do indicativo.

Está ou estão correta(s)

 

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O texto abaixo é uma letra de música elaborada por Caetano Veloso. Segundo o cantor e compositor, a inspiração para essa composição surgiu quando ele fazia uma viagem de trem do Rio de janeiro para São Paulo na companhia da atriz Sônia Braga.

Leia o texto abaixo para responder as questões de 01 a 05

TREM DAS CORES

Caetano Veloso

A franja da encosta cor de laranja, capim rosa chá

O mel desses olhos luz, mel de cor ímpar

O ouro ainda não bem verde da serra, a prata do

trem

A Lua e a estrela, anel de turquesa

Os átomos todos dançam, madruga, reluz neblina

Crianças cor de romã entram no vagão

O oliva da nuvem chumbo ficando pra trás da

manhã

E a seda azul do papel que envolve a maçã

As casas tão verde e rosa que vão passando ao nos

ver passar

Os dois lados da janela

E aquela num tom de azul quase inexistente, azul

que não há

Azul que é pura memória de algum lugar

Teu cabelo preto, explícito objeto, castanhos lábios

Ou pra ser exato, lábios cor de açaí

E aqui, trem das cores, sábios projetos: Tocar na

central

E o céu de um azul celeste celestial.

Teu cabelo preto, explícito objeto, castanhos lábios

Ou pra ser exato, lábios cor de açaí

E aqui, trem das cores, sábios projetos: Tocar na central

E o céu de um azul celeste celestial.

Compositores: Caetano Veloso / Souza Andrade

Analise as proposições abaixo:

1- No início da canção, é possível perceber o olhar do sujeito enunciador que fita a paisagem nos instantes em que o sol desponta nas brumas da serra e colore-a de tonalidades claras.

2- Na canção, não apenas a natureza, mas também pessoas são percebidas pelo seu olhar em tons avermelhados.

3- No verso 1, em “a franja da encosta cor de laranja”, temos, na posição primeira do enunciado, o substantivo “franja”. Essa indicação (“franja”) personifica a natureza.

4- Ainda em relação ao primeiro verso da canção, há a referência de que o capim (gramínea), começando a iluminar-se pelos raios do sol que desponta, dota-se da cor “rosa chá”. Nesse contexto, o adjunto adverbial “chá”, ao qualificar o substantivo “rosa”, indica que a tonalidade dessa cor é, também, suave.

5- A escolha do léxico “chá”, em “rosa chá”, corrobora para construção discursiva de uma cena bastante amena e aprazível para o sujeito observador.

São verdadeiras:

 

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O recém empossado Presidente dos EUA assinou um pacote com 17 Decretos, que contemplam uma série de medidas de imigração. Dentre esses Decretos, um dos mais importantes e que vai de encontro como s ideais do Ex Presidente Donald Trump é:

 

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O texto abaixo é uma canção do Frejar, leia com atenção para responder a questão que segue.

POR VOCÊ

Frejat

Por você eu dançaria tango no teto

Eu limparia os trilhos do metrô

Eu iria a pé do Rio a Salvador

Eu aceitaria (como é?) A vida como ela é

Viajaria a prazo pro inferno

Eu tomaria banho gelado no inverno

Bonito

Por você eu deixaria de beber

Por você eu ficaria rico num mês

Eu dormiria de meia pra virar burguês

Eu mudaria até o meu nome

Eu viveria em greve de fome

Desejaria todo dia

A mesma mulher

Por você, por você

Por você, por você

Por você conseguiria até ficar alegre

Pintaria todo o céu de vermelho

Eu teria mais herdeiros que um coelho

Eu aceitaria…

A figura de linguagem que predomina no texto acima é:

 

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O texto abaixo é uma letra de música elaborada por Caetano Veloso. Segundo o cantor e compositor, a inspiração para essa composição surgiu quando ele fazia uma viagem de trem do Rio de janeiro para São Paulo na companhia da atriz Sônia Braga.


Leia o texto abaixo para responder as questões de 01 a 05


TREM DAS CORES

Caetano Veloso


A franja da encosta cor de laranja, capim rosa chá

O mel desses olhos luz, mel de cor ímpar

O ouro ainda não bem verde da serra, a prata do

trem

A Lua e a estrela, anel de turquesa


Os átomos todos dançam, madruga, reluz neblina

Crianças cor de romã entram no vagão

O oliva da nuvem chumbo ficando pra trás da

manhã

E a seda azul do papel que envolve a maçã


As casas tão verde e rosa que vão passando ao nos

ver passar

Os dois lados da janela

E aquela num tom de azul quase inexistente, azul

que não há

Azul que é pura memória de algum lugar


Teu cabelo preto, explícito objeto, castanhos lábios

Ou pra ser exato, lábios cor de açaí

E aqui, trem das cores, sábios projetos: Tocar na

central

E o céu de um azul celeste celestial.


Teu cabelo preto, explícito objeto, castanhos lábios

Ou pra ser exato, lábios cor de açaí

E aqui, trem das cores, sábios projetos: Tocar na central

E o céu de um azul celeste celestial.


Compositores: Caetano Veloso / Souza Andrade

Analise as proposições abaixo para responder a questão:

I- Trem das cores chama a atenção, já no título, para certas vivências. Desloca a atenção do ouvinte para um mundo vívido onde há deslocamentos e cores, pois temos respectivamente dois nomes assumindo a centralidade do enunciado, “trem” e “cores”.

II- Ainda que o título da canção seja constituído por duas palavras com forte carga semântica, estamos diante de um único objeto: um trem das cores. Nesse caso, o substantivo “cores”, ao exercer o papel de adjunto adnominal do substantivo “trem”, qualifica- o, modifica-o, funcionando, portanto, como um adjetivo.

III- Apesar do uso do segmento trem das cores para nomear o texto, não se trata de um trem colorido em si. Muito pelo contrário, pois encontramos a cor prata para designação da cor do trem, já na primeira estrofe da música.

IV- Cotejando o título da canção com sua letra, a direção interpretativa aponta para uma pluralidade de cores que emergem do andamento do trem. De uma série de acontecimentos que fazem na viagem, as cores tornarem-se centrais.

É verdade o que se afirma em:

 

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