Foram encontradas 575 questões.
A quantidade de horas que você precisa dormir pode estar nos seus genes
E pode ser graças a uma mutação ligada ao cérebro que aquele
seu amigo pilhado precisa de menos de 6 horas de sono.
Para ter uma passagem saudável pela Terra, a maioria das pessoas precisa ficar um terço da vida dormindo.
Das 24 horas de um dia, o ideal é que 8 delas sejam passadas na cama. É claro que muita gente não cumpre a recomendação
– e a tendência vista por médicos e cientistas é que estamos dormindo cada vez menos. Para a maioria das pessoas, isso não
poderia ser pior. Uma pessoa normal não fica nada bem dormindo repetidamente por menos de 7 horas. Ela fica mais burra,
literalmente – o prejuízo cognitivo é equivalente à de uma noite de bebedeira.
Noites mal dormidas levam a alterações de humor, prejuízos à memória e aprendizado, redução da atenção, enfraquecimento
do sistema imune e até riscos aumentados de desenvolver doenças psiquiátricas.
Apesar das 8 horas serem o consenso médico… Isso oficialmente não vale para todo mundo. Muito provavelmente você
tem aquele amigo que dorme 4 horas por dia e sempre está uma pilha, enquanto você, que tenta dormir ao menos 6, está
sempre cansado.
Neurologistas da Universidade da Califórnia, em São Francisco (UCSF), podem ter finalmente descoberto o motivo: genes
impactam diretamente no quanto alguém precisa dormir.
Na verdade, essa associação não é nova, começou em 2009. Naquele ano, a mesma equipe de pesquisadores descobriu
que pessoas que haviam herdado uma mutação específica em um gene chamado DEC2 precisavam, em média, de apenas 6,25
horas de sono por noite para estarem plenamente bem no outro dia. Enquanto isso, pessoas normais, sem essa mutação, precisavam
em média de 8,06 horas.
A descoberta de 2009 foi curiosa, mas até aí os próprios autores acreditavam que a mutação não passava de casualidade.
Até agora, quando descobriram um novo gene relacionado ao sono.
Esse segundo achado reforça a ideia de que as variações genéticas estão diretamente ligadas às quantidades de horas de
sono que o organismo precisa – e que são elas que podem explicar porque as pessoas relatam ter necessidades radicalmente
diferente umas das outras quando o assunto é sono.
No novo estudo, divulgado no periódico
Neuron
, a equipe investigou uma família de sono naturalmente curto – todos os
parentes dizem ficar muito bem com 6 horas de sono. O interessante é que nenhum deles apresentava a primeira mutação, no
gene DEC2.
Foi aí que eles tentaram procurar outra explicação – e encontraram uma coisa que todos os membros da família tinham
em comum no DNA: uma mutação em um gene chamado ADRB1, que é responsável pelos níveis de atividade dos neurônios
que ficam no tronco encefálico – mais especificamente na região dorsal dos núcleos da rafe, área conhecida por controlar os
estágios do sono.
Para testar se essa mutação tinha o mesmo efeito fora da família acordadinha, os cientistas desenvolveram uma série de testes
em camundongos geneticamente modificados com a variante mutada do ADRB1. Não deu outra: eles dormiram em média 55 minutos
a menos do que os camundongos comuns – o que sugere que, sim, esse gene está relacionado à falta de sono. A atividade dos
neurônios da região era aumentada nos ratos com genes mutantes, o que pode estar mediando o comportamento do sono curto.
(Ingrid Luisa. Editora Abril. Em: 19/08/2019. Fragmento.)
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A quantidade de horas que você precisa dormir pode estar nos seus genes
E pode ser graças a uma mutação ligada ao cérebro que aquele
seu amigo pilhado precisa de menos de 6 horas de sono.
Para ter uma passagem saudável pela Terra, a maioria das pessoas precisa ficar um terço da vida dormindo.
Das 24 horas de um dia, o ideal é que 8 delas sejam passadas na cama. É claro que muita gente não cumpre a recomendação
– e a tendência vista por médicos e cientistas é que estamos dormindo cada vez menos. Para a maioria das pessoas, isso não
poderia ser pior. Uma pessoa normal não fica nada bem dormindo repetidamente por menos de 7 horas. Ela fica mais burra,
literalmente – o prejuízo cognitivo é equivalente à de uma noite de bebedeira.
Noites mal dormidas levam a alterações de humor, prejuízos à memória e aprendizado, redução da atenção, enfraquecimento
do sistema imune e até riscos aumentados de desenvolver doenças psiquiátricas.
Apesar das 8 horas serem o consenso médico… Isso oficialmente não vale para todo mundo. Muito provavelmente você
tem aquele amigo que dorme 4 horas por dia e sempre está uma pilha, enquanto você, que tenta dormir ao menos 6, está
sempre cansado.
Neurologistas da Universidade da Califórnia, em São Francisco (UCSF), podem ter finalmente descoberto o motivo: genes
impactam diretamente no quanto alguém precisa dormir.
Na verdade, essa associação não é nova, começou em 2009. Naquele ano, a mesma equipe de pesquisadores descobriu
que pessoas que haviam herdado uma mutação específica em um gene chamado DEC2 precisavam, em média, de apenas 6,25
horas de sono por noite para estarem plenamente bem no outro dia. Enquanto isso, pessoas normais, sem essa mutação, precisavam
em média de 8,06 horas.
A descoberta de 2009 foi curiosa, mas até aí os próprios autores acreditavam que a mutação não passava de casualidade.
Até agora, quando descobriram um novo gene relacionado ao sono.
Esse segundo achado reforça a ideia de que as variações genéticas estão diretamente ligadas às quantidades de horas de
sono que o organismo precisa – e que são elas que podem explicar porque as pessoas relatam ter necessidades radicalmente
diferente umas das outras quando o assunto é sono.
No novo estudo, divulgado no periódico
Neuron
, a equipe investigou uma família de sono naturalmente curto – todos os
parentes dizem ficar muito bem com 6 horas de sono. O interessante é que nenhum deles apresentava a primeira mutação, no
gene DEC2.
Foi aí que eles tentaram procurar outra explicação – e encontraram uma coisa que todos os membros da família tinham
em comum no DNA: uma mutação em um gene chamado ADRB1, que é responsável pelos níveis de atividade dos neurônios
que ficam no tronco encefálico – mais especificamente na região dorsal dos núcleos da rafe, área conhecida por controlar os
estágios do sono.
Para testar se essa mutação tinha o mesmo efeito fora da família acordadinha, os cientistas desenvolveram uma série de testes
em camundongos geneticamente modificados com a variante mutada do ADRB1. Não deu outra: eles dormiram em média 55 minutos
a menos do que os camundongos comuns – o que sugere que, sim, esse gene está relacionado à falta de sono. A atividade dos
neurônios da região era aumentada nos ratos com genes mutantes, o que pode estar mediando o comportamento do sono curto.
(Ingrid Luisa. Editora Abril. Em: 19/08/2019. Fragmento.)
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Por uma cultura de paz permanente
O Brasil já teve um Ministério da Guerra, criado em 1891, no período republicano. Atualmente, temos apenas o Ministério
da Defesa, criado em 1999. Outros países também criaram seus ‘ministérios da guerra’. Mas não me recordo de um momento
histórico no Brasil ou em outros países que tenha sido criado um Ministério da Paz.
A violência nas escolas, contra estudantes e professores, não é uma exclusividade dos Estados Unidos que, ato contínuo,
atordoa o mundo há décadas. A própria situação contra a
Malala Yousafzai
demonstra isso: por defender o direito das mulheres
de terem acesso à educação foi vítima de um atentado em 2012, perpetrado pelo grupo fundamentalista Talibã.
Os exemplos de guerra e violência dentro e fora das escolas, associados ou não à educação, são milenares, globais. São
mazelas humanas que atingem a todos, independentemente de raça, credo, situação cultural, educacional ou financeira.
O que pode mudar nesse cenário são ações efetivas e transferíveis em escala e em todos os níveis, pois sabemos que a paz
e a cultura da paz nas escolas têm força, como o próprio exemplo da
Malala Yousafzai
sinaliza, ainda que em um certo contexto
que possa ser uma imagem enviesada, apesar do brutal atentado, ela sobreviveu e, em 2014, recebeu o Nobel da Paz.
Palavras leva o mar, se não estiveram associadas a ações e coragem. Mas palavras também são ferramentas para aprender
e ensinar. Uma educação para a paz pode começar pelo básico, pelos dicionários, livros repletos de palavras e significados. Ali
encontramos
insights
para o futuro das relações humanas. Estão lá os significados da empatia, socioemocional, escuta, diálogo,
acolhimento… Fácil encontrar um dicionário na escola, e na palma da mão, claro.
De fato, esse não é um tema simples, mas possível para a sociedade e para todo segmento educacional. Trata-se de olhar
para o passado, mas com uma visão para redesenhos futuros. Compreender o que passamos recentemente: um período doloroso, de afastamento físico e social durante a fase mais dura da pandemia, que afetou a muitos, desequilibrou a saúde mental
de estudantes, de professores e da sociedade em si.
Quando a pandemia foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), lembro que ouvi muito: depois disso tudo,
vamos sair melhores como seres humanos. Acredito nisto, pela própria força do verbo esperançar. Mas confesso que precisamos avançar muito mais ainda para que isso se torne realidade.
O fato concreto é que, enquanto isolados, passamos por sofrimentos, alguns por violência dentro de casa, muitos com medo do
desconhecido e todos com a percepção diuturna do risco de morte. E, de repente, como em um passe de mágica, todos então estaríamos prontos a voltar ao tempo de retomada social, de reestabelecimento de relações, de grupos e pessoas em sala de aula.
Tudo evolui o tempo todo, e a educação não está em uma bolha isolada. Andamos, de fato, mais devagar, porque já tivemos
muita pressa. Mas nada deixou de evoluir. E não vejo problema algum que os avanços tecnológicos sejam rápidos, acelerados. A
questão é como e com quais mecanismos podemos equilibrar essa evolução tecnológica acelerada com aspectos que abarquem seres
humanos melhores, mentalmente saudáveis, resilientes, empáticos, abertos ao diálogo, à divergência, à inclusão, à diversidade.
São muitos os pontos essenciais para criarmos uma cultura de paz nas escolas. Sei que um deles passa pelo diálogo, acompanhado pelo acolhimento do outro. Sei também que, hoje, as conexões são importantes, embora em tempos líquidos não há
vantagem em estar em várias conexões, porque é fácil conseguir desconectar-se dessas desconexões sem grandes perdas ou
custos.
É um tanto a diferença entre conexão e relacionamento, bem descrita pelo filósofo, sociólogo, professor e escritor polonês
Zygmunt Bauman
, para quem a sociedade, na atual contemporaneidade líquida, está cada vez mais vazia, repleta de amigos
on-line
, mas em conexões off-line. Do próprio
Bauman
, “um vazio que faz com que a sociedade entre em um espírito de substituição e medo da solidão, pois, antes de entrarem na busca por conexões já sabem o roteiro final: se uma pessoa/conexão se
vai, pode ser substituída por outra sem nenhum problema”.
Se nós, professores, educadores, entes que trabalhamos com e para a educação queremos criar uma cultura da paz nas
escolas , na outra ponta, na sociedade, nosso
zeitgeist
(do alemão “o espírito do tempo”) começa por uma reconstrução cotidiana de relacionamentos efetivos e afetivos, para se diferenciar e distanciar das conexões liga-desliga, nas quais não há entrega
de sentimentos e nem de confiança, pois se sabe que essa relação vai ter seu final cedo ou tarde.
Ou seja, uma cultura da paz precisa ser construída dentro de um novo espírito do tempo, de forma concretamente duradoura, permanente, e não líquida.
“A incerteza é o
habitat
natural da vida humana – ainda que a esperança de escapar da incerteza seja o motor das atividades humanas. Escapar da incerteza é um ingrediente fundamental, menos que apenas tacitamente presumido, de todas e quaisquer imagens compósitas de felicidade”,
Zygmunt Bauman
, 2009.
(Adriana Martinelli. Revista Educação. Em 09/05/2023. Adaptado.)
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Por uma cultura de paz permanente
O Brasil já teve um Ministério da Guerra, criado em 1891, no período republicano. Atualmente, temos apenas o Ministério
da Defesa, criado em 1999. Outros países também criaram seus ‘ministérios da guerra’. Mas não me recordo de um momento
histórico no Brasil ou em outros países que tenha sido criado um Ministério da Paz.
A violência nas escolas, contra estudantes e professores, não é uma exclusividade dos Estados Unidos que, ato contínuo,
atordoa o mundo há décadas. A própria situação contra a
Malala Yousafzai
demonstra isso: por defender o direito das mulheres
de terem acesso à educação foi vítima de um atentado em 2012, perpetrado pelo grupo fundamentalista Talibã.
Os exemplos de guerra e violência dentro e fora das escolas, associados ou não à educação, são milenares, globais. São
mazelas humanas que atingem a todos, independentemente de raça, credo, situação cultural, educacional ou financeira.
O que pode mudar nesse cenário são ações efetivas e transferíveis em escala e em todos os níveis, pois sabemos que a paz
e a cultura da paz nas escolas têm força, como o próprio exemplo da
Malala Yousafzai
sinaliza, ainda que em um certo contexto
que possa ser uma imagem enviesada, apesar do brutal atentado, ela sobreviveu e, em 2014, recebeu o Nobel da Paz.
Palavras leva o mar, se não estiveram associadas a ações e coragem. Mas palavras também são ferramentas para aprender
e ensinar. Uma educação para a paz pode começar pelo básico, pelos dicionários, livros repletos de palavras e significados. Ali
encontramos
insights
para o futuro das relações humanas. Estão lá os significados da empatia, socioemocional, escuta, diálogo,
acolhimento… Fácil encontrar um dicionário na escola, e na palma da mão, claro.
De fato, esse não é um tema simples, mas possível para a sociedade e para todo segmento educacional. Trata-se de olhar
para o passado, mas com uma visão para redesenhos futuros. Compreender o que passamos recentemente: um período doloroso, de afastamento físico e social durante a fase mais dura da pandemia, que afetou a muitos, desequilibrou a saúde mental
de estudantes, de professores e da sociedade em si.
Quando a pandemia foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), lembro que ouvi muito: depois disso tudo,
vamos sair melhores como seres humanos. Acredito nisto, pela própria força do verbo esperançar. Mas confesso que precisamos avançar muito mais ainda para que isso se torne realidade.
O fato concreto é que, enquanto isolados, passamos por sofrimentos, alguns por violência dentro de casa, muitos com medo do
desconhecido e todos com a percepção diuturna do risco de morte. E, de repente, como em um passe de mágica, todos então estaríamos prontos a voltar ao tempo de retomada social, de reestabelecimento de relações, de grupos e pessoas em sala de aula.
Tudo evolui o tempo todo, e a educação não está em uma bolha isolada. Andamos, de fato, mais devagar, porque já tivemos
muita pressa. Mas nada deixou de evoluir. E não vejo problema algum que os avanços tecnológicos sejam rápidos, acelerados. A
questão é como e com quais mecanismos podemos equilibrar essa evolução tecnológica acelerada com aspectos que abarquem seres
humanos melhores, mentalmente saudáveis, resilientes, empáticos, abertos ao diálogo, à divergência, à inclusão, à diversidade.
São muitos os pontos essenciais para criarmos uma cultura de paz nas escolas. Sei que um deles passa pelo diálogo, acompanhado pelo acolhimento do outro. Sei também que, hoje, as conexões são importantes, embora em tempos líquidos não há
vantagem em estar em várias conexões, porque é fácil conseguir desconectar-se dessas desconexões sem grandes perdas ou
custos.
É um tanto a diferença entre conexão e relacionamento, bem descrita pelo filósofo, sociólogo, professor e escritor polonês
Zygmunt Bauman
, para quem a sociedade, na atual contemporaneidade líquida, está cada vez mais vazia, repleta de amigos
on-line
, mas em conexões off-line. Do próprio
Bauman
, “um vazio que faz com que a sociedade entre em um espírito de substituição e medo da solidão, pois, antes de entrarem na busca por conexões já sabem o roteiro final: se uma pessoa/conexão se
vai, pode ser substituída por outra sem nenhum problema”.
Se nós, professores, educadores, entes que trabalhamos com e para a educação queremos criar uma cultura da paz nas
escolas , na outra ponta, na sociedade, nosso
zeitgeist
(do alemão “o espírito do tempo”) começa por uma reconstrução cotidiana de relacionamentos efetivos e afetivos, para se diferenciar e distanciar das conexões liga-desliga, nas quais não há entrega
de sentimentos e nem de confiança, pois se sabe que essa relação vai ter seu final cedo ou tarde.
Ou seja, uma cultura da paz precisa ser construída dentro de um novo espírito do tempo, de forma concretamente duradoura, permanente, e não líquida.
“A incerteza é o
habitat
natural da vida humana – ainda que a esperança de escapar da incerteza seja o motor das atividades humanas. Escapar da incerteza é um ingrediente fundamental, menos que apenas tacitamente presumido, de todas e quaisquer imagens compósitas de felicidade”,
Zygmunt Bauman
, 2009.
(Adriana Martinelli. Revista Educação. Em 09/05/2023. Adaptado.)
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Por uma cultura de paz permanente
O Brasil já teve um Ministério da Guerra, criado em 1891, no período republicano. Atualmente, temos apenas o Ministério
da Defesa, criado em 1999. Outros países também criaram seus ‘ministérios da guerra’. Mas não me recordo de um momento
histórico no Brasil ou em outros países que tenha sido criado um Ministério da Paz.
A violência nas escolas, contra estudantes e professores, não é uma exclusividade dos Estados Unidos que, ato contínuo,
atordoa o mundo há décadas. A própria situação contra a
Malala Yousafzai
demonstra isso: por defender o direito das mulheres
de terem acesso à educação foi vítima de um atentado em 2012, perpetrado pelo grupo fundamentalista Talibã.
Os exemplos de guerra e violência dentro e fora das escolas, associados ou não à educação, são milenares, globais. São
mazelas humanas que atingem a todos, independentemente de raça, credo, situação cultural, educacional ou financeira.
O que pode mudar nesse cenário são ações efetivas e transferíveis em escala e em todos os níveis, pois sabemos que a paz
e a cultura da paz nas escolas têm força, como o próprio exemplo da
Malala Yousafzai
sinaliza, ainda que em um certo contexto
que possa ser uma imagem enviesada, apesar do brutal atentado, ela sobreviveu e, em 2014, recebeu o Nobel da Paz.
Palavras leva o mar, se não estiveram associadas a ações e coragem. Mas palavras também são ferramentas para aprender
e ensinar. Uma educação para a paz pode começar pelo básico, pelos dicionários, livros repletos de palavras e significados. Ali
encontramos
insights
para o futuro das relações humanas. Estão lá os significados da empatia, socioemocional, escuta, diálogo,
acolhimento… Fácil encontrar um dicionário na escola, e na palma da mão, claro.
De fato, esse não é um tema simples, mas possível para a sociedade e para todo segmento educacional. Trata-se de olhar
para o passado, mas com uma visão para redesenhos futuros. Compreender o que passamos recentemente: um período doloroso, de afastamento físico e social durante a fase mais dura da pandemia, que afetou a muitos, desequilibrou a saúde mental
de estudantes, de professores e da sociedade em si.
Quando a pandemia foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), lembro que ouvi muito: depois disso tudo,
vamos sair melhores como seres humanos. Acredito nisto, pela própria força do verbo esperançar. Mas confesso que precisamos avançar muito mais ainda para que isso se torne realidade.
O fato concreto é que, enquanto isolados, passamos por sofrimentos, alguns por violência dentro de casa, muitos com medo do
desconhecido e todos com a percepção diuturna do risco de morte. E, de repente, como em um passe de mágica, todos então estaríamos prontos a voltar ao tempo de retomada social, de reestabelecimento de relações, de grupos e pessoas em sala de aula.
Tudo evolui o tempo todo, e a educação não está em uma bolha isolada. Andamos, de fato, mais devagar, porque já tivemos
muita pressa. Mas nada deixou de evoluir. E não vejo problema algum que os avanços tecnológicos sejam rápidos, acelerados. A
questão é como e com quais mecanismos podemos equilibrar essa evolução tecnológica acelerada com aspectos que abarquem seres
humanos melhores, mentalmente saudáveis, resilientes, empáticos, abertos ao diálogo, à divergência, à inclusão, à diversidade.
São muitos os pontos essenciais para criarmos uma cultura de paz nas escolas. Sei que um deles passa pelo diálogo, acompanhado pelo acolhimento do outro. Sei também que, hoje, as conexões são importantes, embora em tempos líquidos não há
vantagem em estar em várias conexões, porque é fácil conseguir desconectar-se dessas desconexões sem grandes perdas ou
custos.
É um tanto a diferença entre conexão e relacionamento, bem descrita pelo filósofo, sociólogo, professor e escritor polonês
Zygmunt Bauman
, para quem a sociedade, na atual contemporaneidade líquida, está cada vez mais vazia, repleta de amigos
on-line
, mas em conexões off-line. Do próprio
Bauman
, “um vazio que faz com que a sociedade entre em um espírito de substituição e medo da solidão, pois, antes de entrarem na busca por conexões já sabem o roteiro final: se uma pessoa/conexão se
vai, pode ser substituída por outra sem nenhum problema”.
Se nós, professores, educadores, entes que trabalhamos com e para a educação queremos criar uma cultura da paz nas
escolas , na outra ponta, na sociedade, nosso
zeitgeist
(do alemão “o espírito do tempo”) começa por uma reconstrução cotidiana de relacionamentos efetivos e afetivos, para se diferenciar e distanciar das conexões liga-desliga, nas quais não há entrega
de sentimentos e nem de confiança, pois se sabe que essa relação vai ter seu final cedo ou tarde.
Ou seja, uma cultura da paz precisa ser construída dentro de um novo espírito do tempo, de forma concretamente duradoura, permanente, e não líquida.
“A incerteza é o
habitat
natural da vida humana – ainda que a esperança de escapar da incerteza seja o motor das atividades humanas. Escapar da incerteza é um ingrediente fundamental, menos que apenas tacitamente presumido, de todas e quaisquer imagens compósitas de felicidade”,
Zygmunt Bauman
, 2009.
(Adriana Martinelli. Revista Educação. Em 09/05/2023. Adaptado.)
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Por uma cultura de paz permanente
O Brasil já teve um Ministério da Guerra, criado em 1891, no período republicano. Atualmente, temos apenas o Ministério
da Defesa, criado em 1999. Outros países também criaram seus ‘ministérios da guerra’. Mas não me recordo de um momento
histórico no Brasil ou em outros países que tenha sido criado um Ministério da Paz.
A violência nas escolas, contra estudantes e professores, não é uma exclusividade dos Estados Unidos que, ato contínuo,
atordoa o mundo há décadas. A própria situação contra a
Malala Yousafzai
demonstra isso: por defender o direito das mulheres
de terem acesso à educação foi vítima de um atentado em 2012, perpetrado pelo grupo fundamentalista Talibã.
Os exemplos de guerra e violência dentro e fora das escolas, associados ou não à educação, são milenares, globais. São
mazelas humanas que atingem a todos, independentemente de raça, credo, situação cultural, educacional ou financeira.
O que pode mudar nesse cenário são ações efetivas e transferíveis em escala e em todos os níveis, pois sabemos que a paz
e a cultura da paz nas escolas têm força, como o próprio exemplo da
Malala Yousafzai
sinaliza, ainda que em um certo contexto
que possa ser uma imagem enviesada, apesar do brutal atentado, ela sobreviveu e, em 2014, recebeu o Nobel da Paz.
Palavras leva o mar, se não estiveram associadas a ações e coragem. Mas palavras também são ferramentas para aprender
e ensinar. Uma educação para a paz pode começar pelo básico, pelos dicionários, livros repletos de palavras e significados. Ali
encontramos
insights
para o futuro das relações humanas. Estão lá os significados da empatia, socioemocional, escuta, diálogo,
acolhimento… Fácil encontrar um dicionário na escola, e na palma da mão, claro.
De fato, esse não é um tema simples, mas possível para a sociedade e para todo segmento educacional. Trata-se de olhar
para o passado, mas com uma visão para redesenhos futuros. Compreender o que passamos recentemente: um período doloroso, de afastamento físico e social durante a fase mais dura da pandemia, que afetou a muitos, desequilibrou a saúde mental
de estudantes, de professores e da sociedade em si.
Quando a pandemia foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), lembro que ouvi muito: depois disso tudo,
vamos sair melhores como seres humanos. Acredito nisto, pela própria força do verbo esperançar. Mas confesso que precisamos avançar muito mais ainda para que isso se torne realidade.
O fato concreto é que, enquanto isolados, passamos por sofrimentos, alguns por violência dentro de casa, muitos com medo do
desconhecido e todos com a percepção diuturna do risco de morte. E, de repente, como em um passe de mágica, todos então estaríamos prontos a voltar ao tempo de retomada social, de reestabelecimento de relações, de grupos e pessoas em sala de aula.
Tudo evolui o tempo todo, e a educação não está em uma bolha isolada. Andamos, de fato, mais devagar, porque já tivemos
muita pressa. Mas nada deixou de evoluir. E não vejo problema algum que os avanços tecnológicos sejam rápidos, acelerados. A
questão é como e com quais mecanismos podemos equilibrar essa evolução tecnológica acelerada com aspectos que abarquem seres
humanos melhores, mentalmente saudáveis, resilientes, empáticos, abertos ao diálogo, à divergência, à inclusão, à diversidade.
São muitos os pontos essenciais para criarmos uma cultura de paz nas escolas. Sei que um deles passa pelo diálogo, acompanhado pelo acolhimento do outro. Sei também que, hoje, as conexões são importantes, embora em tempos líquidos não há
vantagem em estar em várias conexões, porque é fácil conseguir desconectar-se dessas desconexões sem grandes perdas ou
custos.
É um tanto a diferença entre conexão e relacionamento, bem descrita pelo filósofo, sociólogo, professor e escritor polonês
Zygmunt Bauman
, para quem a sociedade, na atual contemporaneidade líquida, está cada vez mais vazia, repleta de amigos
on-line
, mas em conexões off-line. Do próprio
Bauman
, “um vazio que faz com que a sociedade entre em um espírito de substituição e medo da solidão, pois, antes de entrarem na busca por conexões já sabem o roteiro final: se uma pessoa/conexão se
vai, pode ser substituída por outra sem nenhum problema”.
Se nós, professores, educadores, entes que trabalhamos com e para a educação queremos criar uma cultura da paz nas
escolas , na outra ponta, na sociedade, nosso
zeitgeist
(do alemão “o espírito do tempo”) começa por uma reconstrução cotidiana de relacionamentos efetivos e afetivos, para se diferenciar e distanciar das conexões liga-desliga, nas quais não há entrega
de sentimentos e nem de confiança, pois se sabe que essa relação vai ter seu final cedo ou tarde.
Ou seja, uma cultura da paz precisa ser construída dentro de um novo espírito do tempo, de forma concretamente duradoura, permanente, e não líquida.
“A incerteza é o
habitat
natural da vida humana – ainda que a esperança de escapar da incerteza seja o motor das atividades humanas. Escapar da incerteza é um ingrediente fundamental, menos que apenas tacitamente presumido, de todas e quaisquer imagens compósitas de felicidade”,
Zygmunt Bauman
, 2009.
(Adriana Martinelli. Revista Educação. Em 09/05/2023. Adaptado.)
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Por uma cultura de paz permanente
O Brasil já teve um Ministério da Guerra, criado em 1891, no período republicano. Atualmente, temos apenas o Ministério
da Defesa, criado em 1999. Outros países também criaram seus ‘ministérios da guerra’. Mas não me recordo de um momento
histórico no Brasil ou em outros países que tenha sido criado um Ministério da Paz.
A violência nas escolas, contra estudantes e professores, não é uma exclusividade dos Estados Unidos que, ato contínuo,
atordoa o mundo há décadas. A própria situação contra a
Malala Yousafzai
demonstra isso: por defender o direito das mulheres
de terem acesso à educação foi vítima de um atentado em 2012, perpetrado pelo grupo fundamentalista Talibã.
Os exemplos de guerra e violência dentro e fora das escolas, associados ou não à educação, são milenares, globais. São
mazelas humanas que atingem a todos, independentemente de raça, credo, situação cultural, educacional ou financeira.
O que pode mudar nesse cenário são ações efetivas e transferíveis em escala e em todos os níveis, pois sabemos que a paz
e a cultura da paz nas escolas têm força, como o próprio exemplo da
Malala Yousafzai
sinaliza, ainda que em um certo contexto
que possa ser uma imagem enviesada, apesar do brutal atentado, ela sobreviveu e, em 2014, recebeu o Nobel da Paz.
Palavras leva o mar, se não estiveram associadas a ações e coragem. Mas palavras também são ferramentas para aprender
e ensinar. Uma educação para a paz pode começar pelo básico, pelos dicionários, livros repletos de palavras e significados. Ali
encontramos
insights
para o futuro das relações humanas. Estão lá os significados da empatia, socioemocional, escuta, diálogo,
acolhimento… Fácil encontrar um dicionário na escola, e na palma da mão, claro.
De fato, esse não é um tema simples, mas possível para a sociedade e para todo segmento educacional. Trata-se de olhar
para o passado, mas com uma visão para redesenhos futuros. Compreender o que passamos recentemente: um período doloroso, de afastamento físico e social durante a fase mais dura da pandemia, que afetou a muitos, desequilibrou a saúde mental
de estudantes, de professores e da sociedade em si.
Quando a pandemia foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), lembro que ouvi muito: depois disso tudo,
vamos sair melhores como seres humanos. Acredito nisto, pela própria força do verbo esperançar. Mas confesso que precisamos avançar muito mais ainda para que isso se torne realidade.
O fato concreto é que, enquanto isolados, passamos por sofrimentos, alguns por violência dentro de casa, muitos com medo do
desconhecido e todos com a percepção diuturna do risco de morte. E, de repente, como em um passe de mágica, todos então estaríamos prontos a voltar ao tempo de retomada social, de reestabelecimento de relações, de grupos e pessoas em sala de aula.
Tudo evolui o tempo todo, e a educação não está em uma bolha isolada. Andamos, de fato, mais devagar, porque já tivemos
muita pressa. Mas nada deixou de evoluir. E não vejo problema algum que os avanços tecnológicos sejam rápidos, acelerados. A
questão é como e com quais mecanismos podemos equilibrar essa evolução tecnológica acelerada com aspectos que abarquem seres
humanos melhores, mentalmente saudáveis, resilientes, empáticos, abertos ao diálogo, à divergência, à inclusão, à diversidade.
São muitos os pontos essenciais para criarmos uma cultura de paz nas escolas. Sei que um deles passa pelo diálogo, acompanhado pelo acolhimento do outro. Sei também que, hoje, as conexões são importantes, embora em tempos líquidos não há
vantagem em estar em várias conexões, porque é fácil conseguir desconectar-se dessas desconexões sem grandes perdas ou
custos.
É um tanto a diferença entre conexão e relacionamento, bem descrita pelo filósofo, sociólogo, professor e escritor polonês
Zygmunt Bauman
, para quem a sociedade, na atual contemporaneidade líquida, está cada vez mais vazia, repleta de amigos
on-line
, mas em conexões off-line. Do próprio
Bauman
, “um vazio que faz com que a sociedade entre em um espírito de substituição e medo da solidão, pois, antes de entrarem na busca por conexões já sabem o roteiro final: se uma pessoa/conexão se
vai, pode ser substituída por outra sem nenhum problema”.
Se nós, professores, educadores, entes que trabalhamos com e para a educação queremos criar uma cultura da paz nas
escolas , na outra ponta, na sociedade, nosso
zeitgeist
(do alemão “o espírito do tempo”) começa por uma reconstrução cotidiana de relacionamentos efetivos e afetivos, para se diferenciar e distanciar das conexões liga-desliga, nas quais não há entrega
de sentimentos e nem de confiança, pois se sabe que essa relação vai ter seu final cedo ou tarde.
Ou seja, uma cultura da paz precisa ser construída dentro de um novo espírito do tempo, de forma concretamente duradoura, permanente, e não líquida.
“A incerteza é o
habitat
natural da vida humana – ainda que a esperança de escapar da incerteza seja o motor das atividades humanas. Escapar da incerteza é um ingrediente fundamental, menos que apenas tacitamente presumido, de todas e quaisquer imagens compósitas de felicidade”,
Zygmunt Bauman
, 2009.
(Adriana Martinelli. Revista Educação. Em 09/05/2023. Adaptado.)
1. “Palavras leva o mar, se não estiveram associadas a ações e coragem.” (5º§)
2. “ De fato , esse não é um tema simples, mas possível para a sociedade e para todo segmento educacional.” (6º§)
3. “ Mas não me recordo de um momento histórico no Brasil ou em outros países que tenha sido criado um Ministério da Paz.” (1º§)
4. “ Ou seja , uma cultura da paz precisa ser construída dentro de um novo espírito do tempo, de forma concretamente duradoura, permanente, e não líquida.” (13º§)
( ) Reforço da ideia.
( ) Efeito contrastivo.
( ) Efeito reformulador.
( ) Introdução de hipótese.
A sequência está correta em
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Questão presente nas seguintes provas
Por uma cultura de paz permanente
O Brasil já teve um Ministério da Guerra, criado em 1891, no período republicano. Atualmente, temos apenas o Ministério
da Defesa, criado em 1999. Outros países também criaram seus ‘ministérios da guerra’. Mas não me recordo de um momento
histórico no Brasil ou em outros países que tenha sido criado um Ministério da Paz.
A violência nas escolas, contra estudantes e professores, não é uma exclusividade dos Estados Unidos que, ato contínuo,
atordoa o mundo há décadas. A própria situação contra a
Malala Yousafzai
demonstra isso: por defender o direito das mulheres
de terem acesso à educação foi vítima de um atentado em 2012, perpetrado pelo grupo fundamentalista Talibã.
Os exemplos de guerra e violência dentro e fora das escolas, associados ou não à educação, são milenares, globais. São
mazelas humanas que atingem a todos, independentemente de raça, credo, situação cultural, educacional ou financeira.
O que pode mudar nesse cenário são ações efetivas e transferíveis em escala e em todos os níveis, pois sabemos que a paz
e a cultura da paz nas escolas têm força, como o próprio exemplo da
Malala Yousafzai
sinaliza, ainda que em um certo contexto
que possa ser uma imagem enviesada, apesar do brutal atentado, ela sobreviveu e, em 2014, recebeu o Nobel da Paz.
Palavras leva o mar, se não estiveram associadas a ações e coragem. Mas palavras também são ferramentas para aprender
e ensinar. Uma educação para a paz pode começar pelo básico, pelos dicionários, livros repletos de palavras e significados. Ali
encontramos
insights
para o futuro das relações humanas. Estão lá os significados da empatia, socioemocional, escuta, diálogo,
acolhimento… Fácil encontrar um dicionário na escola, e na palma da mão, claro.
De fato, esse não é um tema simples, mas possível para a sociedade e para todo segmento educacional. Trata-se de olhar
para o passado, mas com uma visão para redesenhos futuros. Compreender o que passamos recentemente: um período doloroso, de afastamento físico e social durante a fase mais dura da pandemia, que afetou a muitos, desequilibrou a saúde mental
de estudantes, de professores e da sociedade em si.
Quando a pandemia foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), lembro que ouvi muito: depois disso tudo,
vamos sair melhores como seres humanos. Acredito nisto, pela própria força do verbo esperançar. Mas confesso que precisamos avançar muito mais ainda para que isso se torne realidade.
O fato concreto é que, enquanto isolados, passamos por sofrimentos, alguns por violência dentro de casa, muitos com medo do
desconhecido e todos com a percepção diuturna do risco de morte. E, de repente, como em um passe de mágica, todos então estaríamos prontos a voltar ao tempo de retomada social, de reestabelecimento de relações, de grupos e pessoas em sala de aula.
Tudo evolui o tempo todo, e a educação não está em uma bolha isolada. Andamos, de fato, mais devagar, porque já tivemos
muita pressa. Mas nada deixou de evoluir. E não vejo problema algum que os avanços tecnológicos sejam rápidos, acelerados. A
questão é como e com quais mecanismos podemos equilibrar essa evolução tecnológica acelerada com aspectos que abarquem seres
humanos melhores, mentalmente saudáveis, resilientes, empáticos, abertos ao diálogo, à divergência, à inclusão, à diversidade.
São muitos os pontos essenciais para criarmos uma cultura de paz nas escolas. Sei que um deles passa pelo diálogo, acompanhado pelo acolhimento do outro. Sei também que, hoje, as conexões são importantes, embora em tempos líquidos não há
vantagem em estar em várias conexões, porque é fácil conseguir desconectar-se dessas desconexões sem grandes perdas ou
custos.
É um tanto a diferença entre conexão e relacionamento, bem descrita pelo filósofo, sociólogo, professor e escritor polonês
Zygmunt Bauman
, para quem a sociedade, na atual contemporaneidade líquida, está cada vez mais vazia, repleta de amigos
on-line
, mas em conexões off-line. Do próprio
Bauman
, “um vazio que faz com que a sociedade entre em um espírito de substituição e medo da solidão, pois, antes de entrarem na busca por conexões já sabem o roteiro final: se uma pessoa/conexão se
vai, pode ser substituída por outra sem nenhum problema”.
Se nós, professores, educadores, entes que trabalhamos com e para a educação queremos criar uma cultura da paz nas
escolas , na outra ponta, na sociedade, nosso
zeitgeist
(do alemão “o espírito do tempo”) começa por uma reconstrução cotidiana de relacionamentos efetivos e afetivos, para se diferenciar e distanciar das conexões liga-desliga, nas quais não há entrega
de sentimentos e nem de confiança, pois se sabe que essa relação vai ter seu final cedo ou tarde.
Ou seja, uma cultura da paz precisa ser construída dentro de um novo espírito do tempo, de forma concretamente duradoura, permanente, e não líquida.
“A incerteza é o
habitat
natural da vida humana – ainda que a esperança de escapar da incerteza seja o motor das atividades humanas. Escapar da incerteza é um ingrediente fundamental, menos que apenas tacitamente presumido, de todas e quaisquer imagens compósitas de felicidade”,
Zygmunt Bauman
, 2009.
(Adriana Martinelli. Revista Educação. Em 09/05/2023. Adaptado.)
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Por uma cultura de paz permanente
O Brasil já teve um Ministério da Guerra, criado em 1891, no período republicano. Atualmente, temos apenas o Ministério
da Defesa, criado em 1999. Outros países também criaram seus ‘ministérios da guerra’. Mas não me recordo de um momento
histórico no Brasil ou em outros países que tenha sido criado um Ministério da Paz.
A violência nas escolas, contra estudantes e professores, não é uma exclusividade dos Estados Unidos que, ato contínuo,
atordoa o mundo há décadas. A própria situação contra a
Malala Yousafzai
demonstra isso: por defender o direito das mulheres
de terem acesso à educação foi vítima de um atentado em 2012, perpetrado pelo grupo fundamentalista Talibã.
Os exemplos de guerra e violência dentro e fora das escolas, associados ou não à educação, são milenares, globais. São
mazelas humanas que atingem a todos, independentemente de raça, credo, situação cultural, educacional ou financeira.
O que pode mudar nesse cenário são ações efetivas e transferíveis em escala e em todos os níveis, pois sabemos que a paz
e a cultura da paz nas escolas têm força, como o próprio exemplo da
Malala Yousafzai
sinaliza, ainda que em um certo contexto
que possa ser uma imagem enviesada, apesar do brutal atentado, ela sobreviveu e, em 2014, recebeu o Nobel da Paz.
Palavras leva o mar, se não estiveram associadas a ações e coragem. Mas palavras também são ferramentas para aprender
e ensinar. Uma educação para a paz pode começar pelo básico, pelos dicionários, livros repletos de palavras e significados. Ali
encontramos
insights
para o futuro das relações humanas. Estão lá os significados da empatia, socioemocional, escuta, diálogo,
acolhimento… Fácil encontrar um dicionário na escola, e na palma da mão, claro.
De fato, esse não é um tema simples, mas possível para a sociedade e para todo segmento educacional. Trata-se de olhar
para o passado, mas com uma visão para redesenhos futuros. Compreender o que passamos recentemente: um período doloroso, de afastamento físico e social durante a fase mais dura da pandemia, que afetou a muitos, desequilibrou a saúde mental
de estudantes, de professores e da sociedade em si.
Quando a pandemia foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), lembro que ouvi muito: depois disso tudo,
vamos sair melhores como seres humanos. Acredito nisto, pela própria força do verbo esperançar. Mas confesso que precisamos avançar muito mais ainda para que isso se torne realidade.
O fato concreto é que, enquanto isolados, passamos por sofrimentos, alguns por violência dentro de casa, muitos com medo do
desconhecido e todos com a percepção diuturna do risco de morte. E, de repente, como em um passe de mágica, todos então estaríamos prontos a voltar ao tempo de retomada social, de reestabelecimento de relações, de grupos e pessoas em sala de aula.
Tudo evolui o tempo todo, e a educação não está em uma bolha isolada. Andamos, de fato, mais devagar, porque já tivemos
muita pressa. Mas nada deixou de evoluir. E não vejo problema algum que os avanços tecnológicos sejam rápidos, acelerados. A
questão é como e com quais mecanismos podemos equilibrar essa evolução tecnológica acelerada com aspectos que abarquem seres
humanos melhores, mentalmente saudáveis, resilientes, empáticos, abertos ao diálogo, à divergência, à inclusão, à diversidade.
São muitos os pontos essenciais para criarmos uma cultura de paz nas escolas. Sei que um deles passa pelo diálogo, acompanhado pelo acolhimento do outro. Sei também que, hoje, as conexões são importantes, embora em tempos líquidos não há
vantagem em estar em várias conexões, porque é fácil conseguir desconectar-se dessas desconexões sem grandes perdas ou
custos.
É um tanto a diferença entre conexão e relacionamento, bem descrita pelo filósofo, sociólogo, professor e escritor polonês
Zygmunt Bauman
, para quem a sociedade, na atual contemporaneidade líquida, está cada vez mais vazia, repleta de amigos
on-line
, mas em conexões off-line. Do próprio
Bauman
, “um vazio que faz com que a sociedade entre em um espírito de substituição e medo da solidão, pois, antes de entrarem na busca por conexões já sabem o roteiro final: se uma pessoa/conexão se
vai, pode ser substituída por outra sem nenhum problema”.
Se nós, professores, educadores, entes que trabalhamos com e para a educação queremos criar uma cultura da paz nas
escolas , na outra ponta, na sociedade, nosso
zeitgeist
(do alemão “o espírito do tempo”) começa por uma reconstrução cotidiana de relacionamentos efetivos e afetivos, para se diferenciar e distanciar das conexões liga-desliga, nas quais não há entrega
de sentimentos e nem de confiança, pois se sabe que essa relação vai ter seu final cedo ou tarde.
Ou seja, uma cultura da paz precisa ser construída dentro de um novo espírito do tempo, de forma concretamente duradoura, permanente, e não líquida.
“A incerteza é o
habitat
natural da vida humana – ainda que a esperança de escapar da incerteza seja o motor das atividades humanas. Escapar da incerteza é um ingrediente fundamental, menos que apenas tacitamente presumido, de todas e quaisquer imagens compósitas de felicidade”,
Zygmunt Bauman
, 2009.
(Adriana Martinelli. Revista Educação. Em 09/05/2023. Adaptado.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Por uma cultura de paz permanente
O Brasil já teve um Ministério da Guerra, criado em 1891, no período republicano. Atualmente, temos apenas o Ministério
da Defesa, criado em 1999. Outros países também criaram seus ‘ministérios da guerra’. Mas não me recordo de um momento
histórico no Brasil ou em outros países que tenha sido criado um Ministério da Paz.
A violência nas escolas, contra estudantes e professores, não é uma exclusividade dos Estados Unidos que, ato contínuo,
atordoa o mundo há décadas. A própria situação contra a
Malala Yousafzai
demonstra isso: por defender o direito das mulheres
de terem acesso à educação foi vítima de um atentado em 2012, perpetrado pelo grupo fundamentalista Talibã.
Os exemplos de guerra e violência dentro e fora das escolas, associados ou não à educação, são milenares, globais. São
mazelas humanas que atingem a todos, independentemente de raça, credo, situação cultural, educacional ou financeira.
O que pode mudar nesse cenário são ações efetivas e transferíveis em escala e em todos os níveis, pois sabemos que a paz
e a cultura da paz nas escolas têm força, como o próprio exemplo da
Malala Yousafzai
sinaliza, ainda que em um certo contexto
que possa ser uma imagem enviesada, apesar do brutal atentado, ela sobreviveu e, em 2014, recebeu o Nobel da Paz.
Palavras leva o mar, se não estiveram associadas a ações e coragem. Mas palavras também são ferramentas para aprender
e ensinar. Uma educação para a paz pode começar pelo básico, pelos dicionários, livros repletos de palavras e significados. Ali
encontramos
insights
para o futuro das relações humanas. Estão lá os significados da empatia, socioemocional, escuta, diálogo,
acolhimento… Fácil encontrar um dicionário na escola, e na palma da mão, claro.
De fato, esse não é um tema simples, mas possível para a sociedade e para todo segmento educacional. Trata-se de olhar
para o passado, mas com uma visão para redesenhos futuros. Compreender o que passamos recentemente: um período doloroso, de afastamento físico e social durante a fase mais dura da pandemia, que afetou a muitos, desequilibrou a saúde mental
de estudantes, de professores e da sociedade em si.
Quando a pandemia foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), lembro que ouvi muito: depois disso tudo,
vamos sair melhores como seres humanos. Acredito nisto, pela própria força do verbo esperançar. Mas confesso que precisamos avançar muito mais ainda para que isso se torne realidade.
O fato concreto é que, enquanto isolados, passamos por sofrimentos, alguns por violência dentro de casa, muitos com medo do
desconhecido e todos com a percepção diuturna do risco de morte. E, de repente, como em um passe de mágica, todos então estaríamos prontos a voltar ao tempo de retomada social, de reestabelecimento de relações, de grupos e pessoas em sala de aula.
Tudo evolui o tempo todo, e a educação não está em uma bolha isolada. Andamos, de fato, mais devagar, porque já tivemos
muita pressa. Mas nada deixou de evoluir. E não vejo problema algum que os avanços tecnológicos sejam rápidos, acelerados. A
questão é como e com quais mecanismos podemos equilibrar essa evolução tecnológica acelerada com aspectos que abarquem seres
humanos melhores, mentalmente saudáveis, resilientes, empáticos, abertos ao diálogo, à divergência, à inclusão, à diversidade.
São muitos os pontos essenciais para criarmos uma cultura de paz nas escolas. Sei que um deles passa pelo diálogo, acompanhado pelo acolhimento do outro. Sei também que, hoje, as conexões são importantes, embora em tempos líquidos não há
vantagem em estar em várias conexões, porque é fácil conseguir desconectar-se dessas desconexões sem grandes perdas ou
custos.
É um tanto a diferença entre conexão e relacionamento, bem descrita pelo filósofo, sociólogo, professor e escritor polonês
Zygmunt Bauman
, para quem a sociedade, na atual contemporaneidade líquida, está cada vez mais vazia, repleta de amigos
on-line
, mas em conexões off-line. Do próprio
Bauman
, “um vazio que faz com que a sociedade entre em um espírito de substituição e medo da solidão, pois, antes de entrarem na busca por conexões já sabem o roteiro final: se uma pessoa/conexão se
vai, pode ser substituída por outra sem nenhum problema”.
Se nós, professores, educadores, entes que trabalhamos com e para a educação queremos criar uma cultura da paz nas
escolas , na outra ponta, na sociedade, nosso
zeitgeist
(do alemão “o espírito do tempo”) começa por uma reconstrução cotidiana de relacionamentos efetivos e afetivos, para se diferenciar e distanciar das conexões liga-desliga, nas quais não há entrega
de sentimentos e nem de confiança, pois se sabe que essa relação vai ter seu final cedo ou tarde.
Ou seja, uma cultura da paz precisa ser construída dentro de um novo espírito do tempo, de forma concretamente duradoura, permanente, e não líquida.
“A incerteza é o
habitat
natural da vida humana – ainda que a esperança de escapar da incerteza seja o motor das atividades humanas. Escapar da incerteza é um ingrediente fundamental, menos que apenas tacitamente presumido, de todas e quaisquer imagens compósitas de felicidade”,
Zygmunt Bauman
, 2009.
(Adriana Martinelli. Revista Educação. Em 09/05/2023. Adaptado.)
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