Foram encontradas 40 questões.
Em um concurso, o candidato percebeu que metade das questões da prova eram de matemática, a terça parte das
questões eram de português, e 20 questões eram de conhecimentos gerais. Sendo assim, assinale a alternativa que
apresenta o total de questões desta prova.
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Um neto recebe mensamente de seu avô o dobro do que recebe de sua avó. Se em seis meses esse neto recebeu R$
720,00, então, de seu avô, ele recebe, por mês:
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Quando Maria deu à luz a gêmeos, Marcelo, seu filho mais velho, já possuía 5 anos. Hoje, a soma das idades dos
três irmãos é 44 anos. Qual a idade de Marcelo?
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Em uma lanchonete, uma das porções mais pedidas é a porção de calabresa com cebola, onde é preparada com 2/3
de calabresa e 1/3 de cebola. O dono da lanchonete compra os produtos em embalagens de igual tamanho e massa.
Atualmente, a embalagem de calabresa custa R$ 18,00 e a de cebola, R$ 14,70. Na última compra o vendedor disse
que haverá uma alta no preço da embalagem de cebola no próximo mês, passando a custar R$ 15,30. O dono da
lanchonete não querendo aumentar o preço da porção, negociou com o vendedor uma redução no preço da
embalagem de calabresa. Sendo assim, assinale a alternativa que apresenta quanto deverá ser a redução, em real,
no preço da embalagem de calabresa.
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De médio e louco todo mundo tem um pouco – por Alisson Henrique Moretti
-
Você já se perguntou se existe uma forma de delimitar o campo daquilo que se entende por loucura? Quais
comportamentos seriam indicativos de insanidade mental? Que fazer com os reconhecidamente "desajustados"?
Um dos contos mais admiráveis de Machado de Assis, O alienista, é uma sátira acerca da inviabilidade de se
definir a esfera da loucura, sob pena de incorrer numa generalização. Afinal, como diz o ditado popular: "de
médico e louco todo mundo tem um pouco".
Machado de Assis conta a história de um médico, o Dr. Simão Bacamarte, obcecado por detectar enfermidades
psíquicas, passa a recolher os supostos enfermos num asilo por ele criado, a chamada "Casa Verde", com o
propósito de tratá-los, assim como de desenvolver suas teorias científicas.
No decorrer da narrativa, é apresentado ao leitor um fato inusitado: "quatro quintos da população da vila
estavam aposentados naquele estabelecimento", ou seja, na Casa Verde. A conclusão do Dr. Bacamarte é que
diante desse fato estatístico, a verdade é que não era a maioria da população constituída por loucos, mas o oposto,
e, portanto, que se devia admitir como normal e exemplar o desequilíbrio das faculdades, e como hipóteses
patológicas todos os casos em que aquele equilíbrio fosse ininterrupto.
Com isso, o protagonista resolve dar liberdade aos reclusos da Casa Verde, que já representavam a esmagadora
maioria da população local.
De acordo com o filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) o saber sobre a loucura, que se encerra no discurso
psiquiátrico, é extraído a partir de seu Sitz in Leben (expressão alemã utilizada na exegese de textos bíblicos.
Traduz-se comumente por "contexto vital"), o lugar de existência, a saber: as instituições de controle do louco que
são: família, igreja, justiça, hospital, etc., os saberes a elas relacionados e as estruturas econômicas e culturais da
época. Este lugar de existência é o que constitui para Foucault a episteme de uma época.
Dito de maneira mais simples, o que Foucault expressa é que a sociedade possui "instituições de controle"
(família, igreja, justiça etc.), são essas instituições que dizem como devemos agir, falar, nos vestir, enfim, como ser
"normal". Se você não se ajusta aos padrões impostos por essas instituições, logo, você é louco, desajustado.
A sociedade usa para avaliar a saúde mental dos indivíduos os mesmos critérios de avaliação da "saúde" de uma
peça pertencente a uma máquina. Peça "saudável" é aquela que não exige reparos e funciona sempre.
Para que isso aconteça é preciso que a peça esteja totalmente ajustada à ideia da máquina. Sendo assim, o
indivíduo saudável, ou seja, que não é louco é aquele que cuja alma está ajustada à alma da sociedade.
Ajustamento produz contentamento.
Rubem Alves, outro grande gigante da literatura brasileira, tratando sobre o mesmo tema diz em um dos seus
livros que ao longo da história sempre houve pessoas consideradas "desajustadas", mas que também eram
dotadas de uma genialidade singular.
As pessoas ajustadas são indispensáveis para fazer a máquina funcionar. Mas só as desajustadas pensam outros
mundos. A criatividade vem do desajustamento.
Agora imaginem que nossa sociedade é louca, as evidências apontam para esse diagnóstico. Estar ajustado a essa
sociedade é estar ajustado a sua loucura, logo, o que é padrão de sanidade na verdade é loucura, pois, a sociedade
que impõem esses padrões é louca.
Mas aqueles que possuem sensibilidade para perceber a loucura da sociedade e consequentemente sofrer com isso,
serão tidos como loucos, pois, serão "peças desajustadas" impedindo o funcionamento normal da máquina.
Talvez o Dr. Bacamarte estava certo na sua ideia inicial: são todos loucos.
Fonte: https://jornalnoroeste.com/pagina/penso-logo-existo/de-medico-e-louco-todo-mundo-tem-um-pouco
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De médio e louco todo mundo tem um pouco – por Alisson Henrique Moretti
-
Você já se perguntou se existe uma forma de delimitar o campo daquilo que se entende por loucura? Quais
comportamentos seriam indicativos de insanidade mental? Que fazer com os reconhecidamente "desajustados"?
Um dos contos mais admiráveis de Machado de Assis, O alienista, é uma sátira acerca da inviabilidade de se
definir a esfera da loucura, sob pena de incorrer numa generalização. Afinal, como diz o ditado popular: "de
médico e louco todo mundo tem um pouco".
Machado de Assis conta a história de um médico, o Dr. Simão Bacamarte, obcecado por detectar enfermidades
psíquicas, passa a recolher os supostos enfermos num asilo por ele criado, a chamada "Casa Verde", com o
propósito de tratá-los, assim como de desenvolver suas teorias científicas.
No decorrer da narrativa, é apresentado ao leitor um fato inusitado: "quatro quintos da população da vila
estavam aposentados naquele estabelecimento", ou seja, na Casa Verde. A conclusão do Dr. Bacamarte é que
diante desse fato estatístico, a verdade é que não era a maioria da população constituída por loucos, mas o oposto,
e, portanto, que se devia admitir como normal e exemplar o desequilíbrio das faculdades, e como hipóteses
patológicas todos os casos em que aquele equilíbrio fosse ininterrupto.
Com isso, o protagonista resolve dar liberdade aos reclusos da Casa Verde, que já representavam a esmagadora
maioria da população local.
De acordo com o filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) o saber sobre a loucura, que se encerra no discurso
psiquiátrico, é extraído a partir de seu Sitz in Leben (expressão alemã utilizada na exegese de textos bíblicos.
Traduz-se comumente por "contexto vital"), o lugar de existência, a saber: as instituições de controle do louco que
são: família, igreja, justiça, hospital, etc., os saberes a elas relacionados e as estruturas econômicas e culturais da
época. Este lugar de existência é o que constitui para Foucault a episteme de uma época.
Dito de maneira mais simples, o que Foucault expressa é que a sociedade possui "instituições de controle"
(família, igreja, justiça etc.), são essas instituições que dizem como devemos agir, falar, nos vestir, enfim, como ser
"normal". Se você não se ajusta aos padrões impostos por essas instituições, logo, você é louco, desajustado.
A sociedade usa para avaliar a saúde mental dos indivíduos os mesmos critérios de avaliação da "saúde" de uma
peça pertencente a uma máquina. Peça "saudável" é aquela que não exige reparos e funciona sempre.
Para que isso aconteça é preciso que a peça esteja totalmente ajustada à ideia da máquina. Sendo assim, o
indivíduo saudável, ou seja, que não é louco é aquele que cuja alma está ajustada à alma da sociedade.
Ajustamento produz contentamento.
Rubem Alves, outro grande gigante da literatura brasileira, tratando sobre o mesmo tema diz em um dos seus
livros que ao longo da história sempre houve pessoas consideradas "desajustadas", mas que também eram
dotadas de uma genialidade singular.
As pessoas ajustadas são indispensáveis para fazer a máquina funcionar. Mas só as desajustadas pensam outros
mundos. A criatividade vem do desajustamento.
Agora imaginem que nossa sociedade é louca, as evidências apontam para esse diagnóstico. Estar ajustado a essa
sociedade é estar ajustado a sua loucura, logo, o que é padrão de sanidade na verdade é loucura, pois, a sociedade
que impõem esses padrões é louca.
Mas aqueles que possuem sensibilidade para perceber a loucura da sociedade e consequentemente sofrer com isso,
serão tidos como loucos, pois, serão "peças desajustadas" impedindo o funcionamento normal da máquina.
Talvez o Dr. Bacamarte estava certo na sua ideia inicial: são todos loucos.
Fonte: https://jornalnoroeste.com/pagina/penso-logo-existo/de-medico-e-louco-todo-mundo-tem-um-pouco
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De médio e louco todo mundo tem um pouco – por Alisson Henrique Moretti
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Você já se perguntou se existe uma forma de delimitar o campo daquilo que se entende por loucura? Quais
comportamentos seriam indicativos de insanidade mental? Que fazer com os reconhecidamente "desajustados"?
Um dos contos mais admiráveis de Machado de Assis, O alienista, é uma sátira acerca da inviabilidade de se
definir a esfera da loucura, sob pena de incorrer numa generalização. Afinal, como diz o ditado popular: "de
médico e louco todo mundo tem um pouco".
Machado de Assis conta a história de um médico, o Dr. Simão Bacamarte, obcecado por detectar enfermidades
psíquicas, passa a recolher os supostos enfermos num asilo por ele criado, a chamada "Casa Verde", com o
propósito de tratá-los, assim como de desenvolver suas teorias científicas.
No decorrer da narrativa, é apresentado ao leitor um fato inusitado: "quatro quintos da população da vila
estavam aposentados naquele estabelecimento", ou seja, na Casa Verde. A conclusão do Dr. Bacamarte é que
diante desse fato estatístico, a verdade é que não era a maioria da população constituída por loucos, mas o oposto,
e, portanto, que se devia admitir como normal e exemplar o desequilíbrio das faculdades, e como hipóteses
patológicas todos os casos em que aquele equilíbrio fosse ininterrupto.
Com isso, o protagonista resolve dar liberdade aos reclusos da Casa Verde, que já representavam a esmagadora
maioria da população local.
De acordo com o filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) o saber sobre a loucura, que se encerra no discurso
psiquiátrico, é extraído a partir de seu Sitz in Leben (expressão alemã utilizada na exegese de textos bíblicos.
Traduz-se comumente por "contexto vital"), o lugar de existência, a saber: as instituições de controle do louco que
são: família, igreja, justiça, hospital, etc., os saberes a elas relacionados e as estruturas econômicas e culturais da
época. Este lugar de existência é o que constitui para Foucault a episteme de uma época.
Dito de maneira mais simples, o que Foucault expressa é que a sociedade possui "instituições de controle"
(família, igreja, justiça etc.), são essas instituições que dizem como devemos agir, falar, nos vestir, enfim, como ser
"normal". Se você não se ajusta aos padrões impostos por essas instituições, logo, você é louco, desajustado.
A sociedade usa para avaliar a saúde mental dos indivíduos os mesmos critérios de avaliação da "saúde" de uma
peça pertencente a uma máquina. Peça "saudável" é aquela que não exige reparos e funciona sempre.
Para que isso aconteça é preciso que a peça esteja totalmente ajustada à ideia da máquina. Sendo assim, o
indivíduo saudável, ou seja, que não é louco é aquele que cuja alma está ajustada à alma da sociedade.
Ajustamento produz contentamento.
Rubem Alves, outro grande gigante da literatura brasileira, tratando sobre o mesmo tema diz em um dos seus
livros que ao longo da história sempre houve pessoas consideradas "desajustadas", mas que também eram
dotadas de uma genialidade singular.
As pessoas ajustadas são indispensáveis para fazer a máquina funcionar. Mas só as desajustadas pensam outros
mundos. A criatividade vem do desajustamento.
Agora imaginem que nossa sociedade é louca, as evidências apontam para esse diagnóstico. Estar ajustado a essa
sociedade é estar ajustado a sua loucura, logo, o que é padrão de sanidade na verdade é loucura, pois, a sociedade
que impõem esses padrões é louca.
Mas aqueles que possuem sensibilidade para perceber a loucura da sociedade e consequentemente sofrer com isso,
serão tidos como loucos, pois, serão "peças desajustadas" impedindo o funcionamento normal da máquina.
Talvez o Dr. Bacamarte estava certo na sua ideia inicial: são todos loucos.
Fonte: https://jornalnoroeste.com/pagina/penso-logo-existo/de-medico-e-louco-todo-mundo-tem-um-pouco
I. No trecho "As pessoas ajustadas são indispensáveis para fazer a máquina funcionar", a palavra "indispensáveis" é morfologicamente um adjetivo.
II. Em "As pessoas ajustadas são indispensáveis para fazer a máquina funcionar", a palavra "indispensáveis" exerce a função sintática de predicativo do sujeito.
III. No trecho "A criatividade vem do desajustamento", a palavra "criatividade" é morfologicamente um adjetivo.
IV. Em "A criatividade vem do desajustamento", "desajustamento" exerce a função sintática de predicativo do objeto.
Está CORRETO o que se afirma em:
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comportamentos seriam indicativos de insanidade mental? Que fazer com os reconhecidamente "desajustados"?
Um dos contos mais admiráveis de Machado de Assis, O alienista, é uma sátira acerca da inviabilidade de se
definir a esfera da loucura, sob pena de incorrer numa generalização. Afinal, como diz o ditado popular: "de
médico e louco todo mundo tem um pouco".
Machado de Assis conta a história de um médico, o Dr. Simão Bacamarte, obcecado por detectar enfermidades
psíquicas, passa a recolher os supostos enfermos num asilo por ele criado, a chamada "Casa Verde", com o
propósito de tratá-los, assim como de desenvolver suas teorias científicas.
No decorrer da narrativa, é apresentado ao leitor um fato inusitado: "quatro quintos da população da vila
estavam aposentados naquele estabelecimento", ou seja, na Casa Verde. A conclusão do Dr. Bacamarte é que
diante desse fato estatístico, a verdade é que não era a maioria da população constituída por loucos, mas o oposto,
e, portanto, que se devia admitir como normal e exemplar o desequilíbrio das faculdades, e como hipóteses
patológicas todos os casos em que aquele equilíbrio fosse ininterrupto.
Com isso, o protagonista resolve dar liberdade aos reclusos da Casa Verde, que já representavam a esmagadora
maioria da população local.
De acordo com o filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) o saber sobre a loucura, que se encerra no discurso
psiquiátrico, é extraído a partir de seu Sitz in Leben (expressão alemã utilizada na exegese de textos bíblicos.
Traduz-se comumente por "contexto vital"), o lugar de existência, a saber: as instituições de controle do louco que
são: família, igreja, justiça, hospital, etc., os saberes a elas relacionados e as estruturas econômicas e culturais da
época. Este lugar de existência é o que constitui para Foucault a episteme de uma época.
Dito de maneira mais simples, o que Foucault expressa é que a sociedade possui "instituições de controle"
(família, igreja, justiça etc.), são essas instituições que dizem como devemos agir, falar, nos vestir, enfim, como ser
"normal". Se você não se ajusta aos padrões impostos por essas instituições, logo, você é louco, desajustado.
A sociedade usa para avaliar a saúde mental dos indivíduos os mesmos critérios de avaliação da "saúde" de uma
peça pertencente a uma máquina. Peça "saudável" é aquela que não exige reparos e funciona sempre.
Para que isso aconteça é preciso que a peça esteja totalmente ajustada à ideia da máquina. Sendo assim, o
indivíduo saudável, ou seja, que não é louco é aquele que cuja alma está ajustada à alma da sociedade.
Ajustamento produz contentamento.
Rubem Alves, outro grande gigante da literatura brasileira, tratando sobre o mesmo tema diz em um dos seus
livros que ao longo da história sempre houve pessoas consideradas "desajustadas", mas que também eram
dotadas de uma genialidade singular.
As pessoas ajustadas são indispensáveis para fazer a máquina funcionar. Mas só as desajustadas pensam outros
mundos. A criatividade vem do desajustamento.
Agora imaginem que nossa sociedade é louca, as evidências apontam para esse diagnóstico. Estar ajustado a essa
sociedade é estar ajustado a sua loucura, logo, o que é padrão de sanidade na verdade é loucura, pois, a sociedade
que impõem esses padrões é louca.
Mas aqueles que possuem sensibilidade para perceber a loucura da sociedade e consequentemente sofrer com isso,
serão tidos como loucos, pois, serão "peças desajustadas" impedindo o funcionamento normal da máquina.
Talvez o Dr. Bacamarte estava certo na sua ideia inicial: são todos loucos.
Fonte: https://jornalnoroeste.com/pagina/penso-logo-existo/de-medico-e-louco-todo-mundo-tem-um-pouco
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Questão presente nas seguintes provas
De médio e louco todo mundo tem um pouco – por Alisson Henrique Moretti
-
Você já se perguntou se existe uma forma de delimitar o campo daquilo que se entende por loucura? Quais
comportamentos seriam indicativos de insanidade mental? Que fazer com os reconhecidamente "desajustados"?
Um dos contos mais admiráveis de Machado de Assis, O alienista, é uma sátira acerca da inviabilidade de se
definir a esfera da loucura, sob pena de incorrer numa generalização. Afinal, como diz o ditado popular: "de
médico e louco todo mundo tem um pouco".
Machado de Assis conta a história de um médico, o Dr. Simão Bacamarte, obcecado por detectar enfermidades
psíquicas, passa a recolher os supostos enfermos num asilo por ele criado, a chamada "Casa Verde", com o
propósito de tratá-los, assim como de desenvolver suas teorias científicas.
No decorrer da narrativa, é apresentado ao leitor um fato inusitado: "quatro quintos da população da vila
estavam aposentados naquele estabelecimento", ou seja, na Casa Verde. A conclusão do Dr. Bacamarte é que
diante desse fato estatístico, a verdade é que não era a maioria da população constituída por loucos, mas o oposto,
e, portanto, que se devia admitir como normal e exemplar o desequilíbrio das faculdades, e como hipóteses
patológicas todos os casos em que aquele equilíbrio fosse ininterrupto.
Com isso, o protagonista resolve dar liberdade aos reclusos da Casa Verde, que já representavam a esmagadora
maioria da população local.
De acordo com o filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) o saber sobre a loucura, que se encerra no discurso
psiquiátrico, é extraído a partir de seu Sitz in Leben (expressão alemã utilizada na exegese de textos bíblicos.
Traduz-se comumente por "contexto vital"), o lugar de existência, a saber: as instituições de controle do louco que
são: família, igreja, justiça, hospital, etc., os saberes a elas relacionados e as estruturas econômicas e culturais da
época. Este lugar de existência é o que constitui para Foucault a episteme de uma época.
Dito de maneira mais simples, o que Foucault expressa é que a sociedade possui "instituições de controle"
(família, igreja, justiça etc.), são essas instituições que dizem como devemos agir, falar, nos vestir, enfim, como ser
"normal". Se você não se ajusta aos padrões impostos por essas instituições, logo, você é louco, desajustado.
A sociedade usa para avaliar a saúde mental dos indivíduos os mesmos critérios de avaliação da "saúde" de uma
peça pertencente a uma máquina. Peça "saudável" é aquela que não exige reparos e funciona sempre.
Para que isso aconteça é preciso que a peça esteja totalmente ajustada à ideia da máquina. Sendo assim, o
indivíduo saudável, ou seja, que não é louco é aquele que cuja alma está ajustada à alma da sociedade.
Ajustamento produz contentamento.
Rubem Alves, outro grande gigante da literatura brasileira, tratando sobre o mesmo tema diz em um dos seus
livros que ao longo da história sempre houve pessoas consideradas "desajustadas", mas que também eram
dotadas de uma genialidade singular.
As pessoas ajustadas são indispensáveis para fazer a máquina funcionar. Mas só as desajustadas pensam outros
mundos. A criatividade vem do desajustamento.
Agora imaginem que nossa sociedade é louca, as evidências apontam para esse diagnóstico. Estar ajustado a essa
sociedade é estar ajustado a sua loucura, logo, o que é padrão de sanidade na verdade é loucura, pois, a sociedade
que impõem esses padrões é louca.
Mas aqueles que possuem sensibilidade para perceber a loucura da sociedade e consequentemente sofrer com isso,
serão tidos como loucos, pois, serão "peças desajustadas" impedindo o funcionamento normal da máquina.
Talvez o Dr. Bacamarte estava certo na sua ideia inicial: são todos loucos.
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