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TEXTO
SONHOS PARA ADIAR O FIM DO MUNDO
Os seres humanos não têm certificado, podem dar
errado. Essa noção de que a humanidade é
predestinada é bobagem. Nenhum outro animal pensa
isso. Os Krenak desconfiam desse destino humano,
por isso que a gente se filia ao rio, à pedra, às plantas
e a outros seres com quem temos afinidade. É
importante saber com quem podemos nos associar,
em uma perspectiva existencial mesmo, em vez de
ficarmos convencidos de que estamos com a bola
toda. Foi esse ponto de observação que me fez afirmar
que nós não somos a humanidade que pensamos ser.
É mais ou menos o seguinte: se acreditamos que
quem apita nesse organismo maravilhoso que é a
Terra são os tais humanos, acabamos incorrendo no
grave erro de achar que existe uma qualidade humana
especial. Ora, se essa qualidade existisse, nós não
estaríamos hoje discutindo a indiferença de algumas
pessoas em relação à morte e à destruição da base da
vida no planeta. Destruir a floresta, o rio, as
paisagens, assim como ignorar a morte das pessoas,
mostra que não há parâmetro de qualidade nenhum na
humanidade, que isso não passa de uma construção
histórica não confirmada pela realidade.
O século XX, com todas as suas guerras,
demonstra bem isso. Foi preciso fazer uma espécie de
armistício, porque nos armamos a tal ponto que
seríamos capazes de destruir o planeta – várias vezes.
Se nossa técnica nos levou a isso, de fato já demos
prova suficiente de nossa desqualificação, de nosso
abuso dos outros seres: todos estão ofendidos com a
nossa grosseria. Na biosfera há milhões de seres
olhando a nossa baixaria e perguntando: “O que esses
humanos estão fazendo?”. Estamos vivendo uma
tragédia global. Mesmo que alguns coletivos
humanos pensem para além da linha-d’água, são
apenas uma amostra grátis dessa humanidade.
Precisamos evocar, do meio disso, alguma visão para
sairmos desse pântano.
Isso que as ciências política e econômica chamam
de capitalismo teve metástase, ocupou o planeta
inteiro e se infiltrou na vida de maneira incontrolável.
Mas, se enxergarmos que estamos passando por uma
transformação, precisaremos admitir que nosso sonho coletivo de mundo e a inserção da humanidade na
biosfera terão que se dar de outra maneira.
KRENAK, Ailton. A vida não é útil. Disponível em:
. <https://files.ufgd.edu.br/arquivos/arquivos/78/LAPRAFE/Acervo/Ailton%20Krenak%20-%20A%20vida%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20%C3%BAtil.pdf.>. Adaptado. Acesso em: 05 jan. 2026.
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SONHOS PARA ADIAR O FIM DO MUNDO
Os seres humanos não têm certificado, podem dar
errado. Essa noção de que a humanidade é
predestinada é bobagem. Nenhum outro animal pensa
isso. Os Krenak desconfiam desse destino humano,
por isso que a gente se filia ao rio, à pedra, às plantas
e a outros seres com quem temos afinidade. É
importante saber com quem podemos nos associar,
em uma perspectiva existencial mesmo, em vez de
ficarmos convencidos de que estamos com a bola
toda. Foi esse ponto de observação que me fez afirmar
que nós não somos a humanidade que pensamos ser.
É mais ou menos o seguinte: se acreditamos que
quem apita nesse organismo maravilhoso que é a
Terra são os tais humanos, acabamos incorrendo no
grave erro de achar que existe uma qualidade humana
especial. Ora, se essa qualidade existisse, nós não
estaríamos hoje discutindo a indiferença de algumas
pessoas em relação à morte e à destruição da base da
vida no planeta. Destruir a floresta, o rio, as
paisagens, assim como ignorar a morte das pessoas,
mostra que não há parâmetro de qualidade nenhum na
humanidade, que isso não passa de uma construção
histórica não confirmada pela realidade.
O século XX, com todas as suas guerras,
demonstra bem isso. Foi preciso fazer uma espécie de
armistício, porque nos armamos a tal ponto que
seríamos capazes de destruir o planeta – várias vezes.
Se nossa técnica nos levou a isso, de fato já demos
prova suficiente de nossa desqualificação, de nosso
abuso dos outros seres: todos estão ofendidos com a
nossa grosseria. Na biosfera há milhões de seres
olhando a nossa baixaria e perguntando: “O que esses
humanos estão fazendo?”. Estamos vivendo uma
tragédia global. Mesmo que alguns coletivos
humanos pensem para além da linha-d’água, são
apenas uma amostra grátis dessa humanidade.
Precisamos evocar, do meio disso, alguma visão para
sairmos desse pântano.
Isso que as ciências política e econômica chamam
de capitalismo teve metástase, ocupou o planeta
inteiro e se infiltrou na vida de maneira incontrolável.
Mas, se enxergarmos que estamos passando por uma
transformação, precisaremos admitir que nosso sonho coletivo de mundo e a inserção da humanidade na
biosfera terão que se dar de outra maneira.
KRENAK, Ailton. A vida não é útil. Disponível em:
. <https://files.ufgd.edu.br/arquivos/arquivos/78/LAPRAFE/Acervo/Ailton%20Krenak%20-%20A%20vida%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20%C3%BAtil.pdf.>. Adaptado. Acesso em: 05 jan. 2026.
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Os seres humanos não têm certificado, podem dar
errado. Essa noção de que a humanidade é
predestinada é bobagem. Nenhum outro animal pensa
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por isso que a gente se filia ao rio, à pedra, às plantas
e a outros seres com quem temos afinidade. É
importante saber com quem podemos nos associar,
em uma perspectiva existencial mesmo, em vez de
ficarmos convencidos de que estamos com a bola
toda. Foi esse ponto de observação que me fez afirmar
que nós não somos a humanidade que pensamos ser.
É mais ou menos o seguinte: se acreditamos que
quem apita nesse organismo maravilhoso que é a
Terra são os tais humanos, acabamos incorrendo no
grave erro de achar que existe uma qualidade humana
especial. Ora, se essa qualidade existisse, nós não
estaríamos hoje discutindo a indiferença de algumas
pessoas em relação à morte e à destruição da base da
vida no planeta. Destruir a floresta, o rio, as
paisagens, assim como ignorar a morte das pessoas,
mostra que não há parâmetro de qualidade nenhum na
humanidade, que isso não passa de uma construção
histórica não confirmada pela realidade.
O século XX, com todas as suas guerras,
demonstra bem isso. Foi preciso fazer uma espécie de
armistício, porque nos armamos a tal ponto que
seríamos capazes de destruir o planeta – várias vezes.
Se nossa técnica nos levou a isso, de fato já demos
prova suficiente de nossa desqualificação, de nosso
abuso dos outros seres: todos estão ofendidos com a
nossa grosseria. Na biosfera há milhões de seres
olhando a nossa baixaria e perguntando: “O que esses
humanos estão fazendo?”. Estamos vivendo uma
tragédia global. Mesmo que alguns coletivos
humanos pensem para além da linha-d’água, são
apenas uma amostra grátis dessa humanidade.
Precisamos evocar, do meio disso, alguma visão para
sairmos desse pântano.
Isso que as ciências política e econômica chamam
de capitalismo teve metástase, ocupou o planeta
inteiro e se infiltrou na vida de maneira incontrolável.
Mas, se enxergarmos que estamos passando por uma
transformação, precisaremos admitir que nosso sonho coletivo de mundo e a inserção da humanidade na
biosfera terão que se dar de outra maneira.
KRENAK, Ailton. A vida não é útil. Disponível em:
. <https://files.ufgd.edu.br/arquivos/arquivos/78/LAPRAFE/Acervo/Ailton%20Krenak%20-%20A%20vida%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20%C3%BAtil.pdf.>. Adaptado. Acesso em: 05 jan. 2026.
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errado. Essa noção de que a humanidade é
predestinada é bobagem. Nenhum outro animal pensa
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por isso que a gente se filia ao rio, à pedra, às plantas
e a outros seres com quem temos afinidade. É
importante saber com quem podemos nos associar,
em uma perspectiva existencial mesmo, em vez de
ficarmos convencidos de que estamos com a bola
toda. Foi esse ponto de observação que me fez afirmar
que nós não somos a humanidade que pensamos ser.
É mais ou menos o seguinte: se acreditamos que
quem apita nesse organismo maravilhoso que é a
Terra são os tais humanos, acabamos incorrendo no
grave erro de achar que existe uma qualidade humana
especial. Ora, se essa qualidade existisse, nós não
estaríamos hoje discutindo a indiferença de algumas
pessoas em relação à morte e à destruição da base da
vida no planeta. Destruir a floresta, o rio, as
paisagens, assim como ignorar a morte das pessoas,
mostra que não há parâmetro de qualidade nenhum na
humanidade, que isso não passa de uma construção
histórica não confirmada pela realidade.
O século XX, com todas as suas guerras,
demonstra bem isso. Foi preciso fazer uma espécie de
armistício, porque nos armamos a tal ponto que
seríamos capazes de destruir o planeta – várias vezes.
Se nossa técnica nos levou a isso, de fato já demos
prova suficiente de nossa desqualificação, de nosso
abuso dos outros seres: todos estão ofendidos com a
nossa grosseria. Na biosfera há milhões de seres
olhando a nossa baixaria e perguntando: “O que esses
humanos estão fazendo?”. Estamos vivendo uma
tragédia global. Mesmo que alguns coletivos
humanos pensem para além da linha-d’água, são
apenas uma amostra grátis dessa humanidade.
Precisamos evocar, do meio disso, alguma visão para
sairmos desse pântano.
Isso que as ciências política e econômica chamam
de capitalismo teve metástase, ocupou o planeta
inteiro e se infiltrou na vida de maneira incontrolável.
Mas, se enxergarmos que estamos passando por uma
transformação, precisaremos admitir que nosso sonho coletivo de mundo e a inserção da humanidade na
biosfera terão que se dar de outra maneira.
KRENAK, Ailton. A vida não é útil. Disponível em:
. <https://files.ufgd.edu.br/arquivos/arquivos/78/LAPRAFE/Acervo/Ailton%20Krenak%20-%20A%20vida%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20%C3%BAtil.pdf.>. Adaptado. Acesso em: 05 jan. 2026.
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Os seres humanos não têm certificado, podem dar
errado. Essa noção de que a humanidade é
predestinada é bobagem. Nenhum outro animal pensa
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por isso que a gente se filia ao rio, à pedra, às plantas
e a outros seres com quem temos afinidade. É
importante saber com quem podemos nos associar,
em uma perspectiva existencial mesmo, em vez de
ficarmos convencidos de que estamos com a bola
toda. Foi esse ponto de observação que me fez afirmar
que nós não somos a humanidade que pensamos ser.
É mais ou menos o seguinte: se acreditamos que
quem apita nesse organismo maravilhoso que é a
Terra são os tais humanos, acabamos incorrendo no
grave erro de achar que existe uma qualidade humana
especial. Ora, se essa qualidade existisse, nós não
estaríamos hoje discutindo a indiferença de algumas
pessoas em relação à morte e à destruição da base da
vida no planeta. Destruir a floresta, o rio, as
paisagens, assim como ignorar a morte das pessoas,
mostra que não há parâmetro de qualidade nenhum na
humanidade, que isso não passa de uma construção
histórica não confirmada pela realidade.
O século XX, com todas as suas guerras,
demonstra bem isso. Foi preciso fazer uma espécie de
armistício, porque nos armamos a tal ponto que
seríamos capazes de destruir o planeta – várias vezes.
Se nossa técnica nos levou a isso, de fato já demos
prova suficiente de nossa desqualificação, de nosso
abuso dos outros seres: todos estão ofendidos com a
nossa grosseria. Na biosfera há milhões de seres
olhando a nossa baixaria e perguntando: “O que esses
humanos estão fazendo?”. Estamos vivendo uma
tragédia global. Mesmo que alguns coletivos
humanos pensem para além da linha-d’água, são
apenas uma amostra grátis dessa humanidade.
Precisamos evocar, do meio disso, alguma visão para
sairmos desse pântano.
Isso que as ciências política e econômica chamam
de capitalismo teve metástase, ocupou o planeta
inteiro e se infiltrou na vida de maneira incontrolável.
Mas, se enxergarmos que estamos passando por uma
transformação, precisaremos admitir que nosso sonho coletivo de mundo e a inserção da humanidade na
biosfera terão que se dar de outra maneira.
KRENAK, Ailton. A vida não é útil. Disponível em:
. <https://files.ufgd.edu.br/arquivos/arquivos/78/LAPRAFE/Acervo/Ailton%20Krenak%20-%20A%20vida%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20%C3%BAtil.pdf.>. Adaptado. Acesso em: 05 jan. 2026.
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por isso que a gente se filia ao rio, à pedra, às plantas
e a outros seres com quem temos afinidade. É
importante saber com quem podemos nos associar,
em uma perspectiva existencial mesmo, em vez de
ficarmos convencidos de que estamos com a bola
toda. Foi esse ponto de observação que me fez afirmar
que nós não somos a humanidade que pensamos ser.
É mais ou menos o seguinte: se acreditamos que
quem apita nesse organismo maravilhoso que é a
Terra são os tais humanos, acabamos incorrendo no
grave erro de achar que existe uma qualidade humana
especial. Ora, se essa qualidade existisse, nós não
estaríamos hoje discutindo a indiferença de algumas
pessoas em relação à morte e à destruição da base da
vida no planeta. Destruir a floresta, o rio, as
paisagens, assim como ignorar a morte das pessoas,
mostra que não há parâmetro de qualidade nenhum na
humanidade, que isso não passa de uma construção
histórica não confirmada pela realidade.
O século XX, com todas as suas guerras,
demonstra bem isso. Foi preciso fazer uma espécie de
armistício, porque nos armamos a tal ponto que
seríamos capazes de destruir o planeta – várias vezes.
Se nossa técnica nos levou a isso, de fato já demos
prova suficiente de nossa desqualificação, de nosso
abuso dos outros seres: todos estão ofendidos com a
nossa grosseria. Na biosfera há milhões de seres
olhando a nossa baixaria e perguntando: “O que esses
humanos estão fazendo?”. Estamos vivendo uma
tragédia global. Mesmo que alguns coletivos
humanos pensem para além da linha-d’água, são
apenas uma amostra grátis dessa humanidade.
Precisamos evocar, do meio disso, alguma visão para
sairmos desse pântano.
Isso que as ciências política e econômica chamam
de capitalismo teve metástase, ocupou o planeta
inteiro e se infiltrou na vida de maneira incontrolável.
Mas, se enxergarmos que estamos passando por uma
transformação, precisaremos admitir que nosso sonho coletivo de mundo e a inserção da humanidade na
biosfera terão que se dar de outra maneira.
KRENAK, Ailton. A vida não é útil. Disponível em:
. <https://files.ufgd.edu.br/arquivos/arquivos/78/LAPRAFE/Acervo/Ailton%20Krenak%20-%20A%20vida%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20%C3%BAtil.pdf.>. Adaptado. Acesso em: 05 jan. 2026.
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predestinada é bobagem. Nenhum outro animal pensa
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por isso que a gente se filia ao rio, à pedra, às plantas
e a outros seres com quem temos afinidade. É
importante saber com quem podemos nos associar,
em uma perspectiva existencial mesmo, em vez de
ficarmos convencidos de que estamos com a bola
toda. Foi esse ponto de observação que me fez afirmar
que nós não somos a humanidade que pensamos ser.
É mais ou menos o seguinte: se acreditamos que
quem apita nesse organismo maravilhoso que é a
Terra são os tais humanos, acabamos incorrendo no
grave erro de achar que existe uma qualidade humana
especial. Ora, se essa qualidade existisse, nós não
estaríamos hoje discutindo a indiferença de algumas
pessoas em relação à morte e à destruição da base da
vida no planeta. Destruir a floresta, o rio, as
paisagens, assim como ignorar a morte das pessoas,
mostra que não há parâmetro de qualidade nenhum na
humanidade, que isso não passa de uma construção
histórica não confirmada pela realidade.
O século XX, com todas as suas guerras,
demonstra bem isso. Foi preciso fazer uma espécie de
armistício, porque nos armamos a tal ponto que
seríamos capazes de destruir o planeta – várias vezes.
Se nossa técnica nos levou a isso, de fato já demos
prova suficiente de nossa desqualificação, de nosso
abuso dos outros seres: todos estão ofendidos com a
nossa grosseria. Na biosfera há milhões de seres
olhando a nossa baixaria e perguntando: “O que esses
humanos estão fazendo?”. Estamos vivendo uma
tragédia global. Mesmo que alguns coletivos
humanos pensem para além da linha-d’água, são
apenas uma amostra grátis dessa humanidade.
Precisamos evocar, do meio disso, alguma visão para
sairmos desse pântano.
Isso que as ciências política e econômica chamam
de capitalismo teve metástase, ocupou o planeta
inteiro e se infiltrou na vida de maneira incontrolável.
Mas, se enxergarmos que estamos passando por uma
transformação, precisaremos admitir que nosso sonho coletivo de mundo e a inserção da humanidade na
biosfera terão que se dar de outra maneira.
KRENAK, Ailton. A vida não é útil. Disponível em:
. <https://files.ufgd.edu.br/arquivos/arquivos/78/LAPRAFE/Acervo/Ailton%20Krenak%20-%20A%20vida%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20%C3%BAtil.pdf.>. Adaptado. Acesso em: 05 jan. 2026.
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SONHOS PARA ADIAR O FIM DO MUNDO
Os seres humanos não têm certificado, podem dar
errado. Essa noção de que a humanidade é
predestinada é bobagem. Nenhum outro animal pensa
isso. Os Krenak desconfiam desse destino humano,
por isso que a gente se filia ao rio, à pedra, às plantas
e a outros seres com quem temos afinidade. É
importante saber com quem podemos nos associar,
em uma perspectiva existencial mesmo, em vez de
ficarmos convencidos de que estamos com a bola
toda. Foi esse ponto de observação que me fez afirmar
que nós não somos a humanidade que pensamos ser.
É mais ou menos o seguinte: se acreditamos que
quem apita nesse organismo maravilhoso que é a
Terra são os tais humanos, acabamos incorrendo no
grave erro de achar que existe uma qualidade humana
especial. Ora, se essa qualidade existisse, nós não
estaríamos hoje discutindo a indiferença de algumas
pessoas em relação à morte e à destruição da base da
vida no planeta. Destruir a floresta, o rio, as
paisagens, assim como ignorar a morte das pessoas,
mostra que não há parâmetro de qualidade nenhum na
humanidade, que isso não passa de uma construção
histórica não confirmada pela realidade.
O século XX, com todas as suas guerras,
demonstra bem isso. Foi preciso fazer uma espécie de
armistício, porque nos armamos a tal ponto que
seríamos capazes de destruir o planeta – várias vezes.
Se nossa técnica nos levou a isso, de fato já demos
prova suficiente de nossa desqualificação, de nosso
abuso dos outros seres: todos estão ofendidos com a
nossa grosseria. Na biosfera há milhões de seres
olhando a nossa baixaria e perguntando: “O que esses
humanos estão fazendo?”. Estamos vivendo uma
tragédia global. Mesmo que alguns coletivos
humanos pensem para além da linha-d’água, são
apenas uma amostra grátis dessa humanidade.
Precisamos evocar, do meio disso, alguma visão para
sairmos desse pântano.
Isso que as ciências política e econômica chamam
de capitalismo teve metástase, ocupou o planeta
inteiro e se infiltrou na vida de maneira incontrolável.
Mas, se enxergarmos que estamos passando por uma
transformação, precisaremos admitir que nosso sonho coletivo de mundo e a inserção da humanidade na
biosfera terão que se dar de outra maneira.
KRENAK, Ailton. A vida não é útil. Disponível em:
. <https://files.ufgd.edu.br/arquivos/arquivos/78/LAPRAFE/Acervo/Ailton%20Krenak%20-%20A%20vida%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20%C3%BAtil.pdf.>. Adaptado. Acesso em: 05 jan. 2026.
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SONHOS PARA ADIAR O FIM DO MUNDO
Os seres humanos não têm certificado, podem dar
errado. Essa noção de que a humanidade é
predestinada é bobagem. Nenhum outro animal pensa
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por isso que a gente se filia ao rio, à pedra, às plantas
e a outros seres com quem temos afinidade. É
importante saber com quem podemos nos associar,
em uma perspectiva existencial mesmo, em vez de
ficarmos convencidos de que estamos com a bola
toda. Foi esse ponto de observação que me fez afirmar
que nós não somos a humanidade que pensamos ser.
É mais ou menos o seguinte: se acreditamos que
quem apita nesse organismo maravilhoso que é a
Terra são os tais humanos, acabamos incorrendo no
grave erro de achar que existe uma qualidade humana
especial. Ora, se essa qualidade existisse, nós não
estaríamos hoje discutindo a indiferença de algumas
pessoas em relação à morte e à destruição da base da
vida no planeta. Destruir a floresta, o rio, as
paisagens, assim como ignorar a morte das pessoas,
mostra que não há parâmetro de qualidade nenhum na
humanidade, que isso não passa de uma construção
histórica não confirmada pela realidade.
O século XX, com todas as suas guerras,
demonstra bem isso. Foi preciso fazer uma espécie de
armistício, porque nos armamos a tal ponto que
seríamos capazes de destruir o planeta – várias vezes.
Se nossa técnica nos levou a isso, de fato já demos
prova suficiente de nossa desqualificação, de nosso
abuso dos outros seres: todos estão ofendidos com a
nossa grosseria. Na biosfera há milhões de seres
olhando a nossa baixaria e perguntando: “O que esses
humanos estão fazendo?”. Estamos vivendo uma
tragédia global. Mesmo que alguns coletivos
humanos pensem para além da linha-d’água, são
apenas uma amostra grátis dessa humanidade.
Precisamos evocar, do meio disso, alguma visão para
sairmos desse pântano.
Isso que as ciências política e econômica chamam
de capitalismo teve metástase, ocupou o planeta
inteiro e se infiltrou na vida de maneira incontrolável.
Mas, se enxergarmos que estamos passando por uma
transformação, precisaremos admitir que nosso sonho coletivo de mundo e a inserção da humanidade na
biosfera terão que se dar de outra maneira.
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por isso que a gente se filia ao rio, à pedra, às plantas
e a outros seres com quem temos afinidade. É
importante saber com quem podemos nos associar,
em uma perspectiva existencial mesmo, em vez de
ficarmos convencidos de que estamos com a bola
toda. Foi esse ponto de observação que me fez afirmar
que nós não somos a humanidade que pensamos ser.
É mais ou menos o seguinte: se acreditamos que
quem apita nesse organismo maravilhoso que é a
Terra são os tais humanos, acabamos incorrendo no
grave erro de achar que existe uma qualidade humana
especial. Ora, se essa qualidade existisse, nós não
estaríamos hoje discutindo a indiferença de algumas
pessoas em relação à morte e à destruição da base da
vida no planeta. Destruir a floresta, o rio, as
paisagens, assim como ignorar a morte das pessoas,
mostra que não há parâmetro de qualidade nenhum na
humanidade, que isso não passa de uma construção
histórica não confirmada pela realidade.
O século XX, com todas as suas guerras,
demonstra bem isso. Foi preciso fazer uma espécie de
armistício, porque nos armamos a tal ponto que
seríamos capazes de destruir o planeta – várias vezes.
Se nossa técnica nos levou a isso, de fato já demos
prova suficiente de nossa desqualificação, de nosso
abuso dos outros seres: todos estão ofendidos com a
nossa grosseria. Na biosfera há milhões de seres
olhando a nossa baixaria e perguntando: “O que esses
humanos estão fazendo?”. Estamos vivendo uma
tragédia global. Mesmo que alguns coletivos
humanos pensem para além da linha-d’água, são
apenas uma amostra grátis dessa humanidade.
Precisamos evocar, do meio disso, alguma visão para
sairmos desse pântano.
Isso que as ciências política e econômica chamam
de capitalismo teve metástase, ocupou o planeta
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Mas, se enxergarmos que estamos passando por uma
transformação, precisaremos admitir que nosso sonho coletivo de mundo e a inserção da humanidade na
biosfera terão que se dar de outra maneira.
KRENAK, Ailton. A vida não é útil. Disponível em:
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