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Texto 3
Anteontem
Antonio Prata
No meio da frase, ao escrever "anteontem", empaquei.
"Anteontem" existe? Não tô falando de anteontem, o dia
antes de ontem. O dia, tenho certeza, existiu. Estive lá e
tenho inclusive testemunhas, um link do "meets" e recibos
do cartão de crédito.
Voltando ao assunto, escrevi "anteontem" e senti como
se tivesse escrito "memo", "tamo", "somo". Dei um google
rápido e, sim, surgiram várias frases com "anteontem".
Poxa, que interessante. Por que será que "antes de
ontem" conseguiu dicionarizar sua versão coloquial e, por
exemplo, "memo", "tamo" e "somo", não?
[...]
Li, ano passado, o belíssimo "Latim em Pó", de Caetano
Galindo. O livro traça os caminhos do português, desde a
cópula milenar do galego com o latim até os dias de hoje.
Termina assim: "Eu aqui me despeço e te digo em bom
latim clássico (saluare) mastigado pela plebe do Império
Romano (salvare), estropiado pelos celtiberos,
desentendido pelos germânicos, tingido pelos árabes
(salvar), imposto aos indígenas da América (sarvá) e
finalmente alterado pelos padrões silábicos dos idiomas
negros africanos:
Saravá.
Seja bem-vinda."
Ao dar um último google atrás da citação do Galindo, me
deparei com uma descrição mais precisa do "anteontem".
Não nasceu de uma corruptela de "antes de ontem". É
filha de uma linhagem mais nobre, irmã de "antebraço",
"anteparo", "antecipar’, "antessala", "anteceder". O que
me traz certa culpa por não ter, ao pesquisar melhor,
"antecipado". Não importa. Sigo defendendo a mesma
posição. De que a língua escrita se dobre à falada.
Saravá.
Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2025/07/anteontempagarai.shtml. Acesso em: 18 nov. 2025. [Adaptado].
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Texto 3
Anteontem
Antonio Prata
No meio da frase, ao escrever "anteontem", empaquei.
"Anteontem" existe? Não tô falando de anteontem, o dia
antes de ontem. O dia, tenho certeza, existiu. Estive lá e
tenho inclusive testemunhas, um link do "meets" e recibos
do cartão de crédito.
Voltando ao assunto, escrevi "anteontem" e senti como
se tivesse escrito "memo", "tamo", "somo". Dei um google
rápido e, sim, surgiram várias frases com "anteontem".
Poxa, que interessante. Por que será que "antes de
ontem" conseguiu dicionarizar sua versão coloquial e, por
exemplo, "memo", "tamo" e "somo", não?
[...]
Li, ano passado, o belíssimo "Latim em Pó", de Caetano
Galindo. O livro traça os caminhos do português, desde a
cópula milenar do galego com o latim até os dias de hoje.
Termina assim: "Eu aqui me despeço e te digo em bom
latim clássico (saluare) mastigado pela plebe do Império
Romano (salvare), estropiado pelos celtiberos,
desentendido pelos germânicos, tingido pelos árabes
(salvar), imposto aos indígenas da América (sarvá) e
finalmente alterado pelos padrões silábicos dos idiomas
negros africanos:
Saravá.
Seja bem-vinda."
Ao dar um último google atrás da citação do Galindo, me
deparei com uma descrição mais precisa do "anteontem".
Não nasceu de uma corruptela de "antes de ontem". É
filha de uma linhagem mais nobre, irmã de "antebraço",
"anteparo", "antecipar’, "antessala", "anteceder". O que
me traz certa culpa por não ter, ao pesquisar melhor,
"antecipado". Não importa. Sigo defendendo a mesma
posição. De que a língua escrita se dobre à falada.
Saravá.
Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2025/07/anteontempagarai.shtml. Acesso em: 18 nov. 2025. [Adaptado].
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Texto 2
O futuro sustentável sonhado pelo arquiteto chinês
que morreu no Pantanal
Eliane Trindade
Três meses antes de ser vítima de acidente aéreo no Brasil,
Kongjian Yu concedeu entrevista para documentário brasileiro
"Smart Cities – as Cidades do Futuro”. Acompanharam a
entrevista conduzida por mim, como roteirista do documentário,
o diretor Fábio Berringer, o produtor local Filipe Porto e o
cinegrafista chinês Zhang QinZheng. Em conversa inédita,
Kongjian Yu fala das perspectivas de construir um planetaesponja e uma nova civilização ecológica, amiga da água.
Discorreu por mais de uma hora sobre como tornar as cidades
e o planeta mais resilientes às intempéries climáticas. Ao final
do encontro, passeou com a equipe pelos corredores da
Turenscape, enfeitados por fotos de alguns dos projetos
urbanísticos e paisagísticos entre os mil que levam sua
assinatura.
Como o senhor resume o conceito de cidade-esponja?
É uma solução baseada na natureza para resolver problemas
de inundações e secas urbanas, ao criar cidades resilientes. É
uma solução holística, que usa a paisagem natural para
retenção da água, desacelerando seu fluxo. A chave de uma
cidade-esponja é a oposição à infraestrutura cinza
convencional, construída sobre um sistema de tubulações de
concreto e de drenagem. Uma cidade-esponja retém a água,
que não é inimiga.
Como nasceu o conceito?
Vem da cultura das monções. A ideia de cidade-esponja foi
inspirada por esse fenômeno atmosférico típico do Sul e
Sudeste asiático. Nasci em uma pequena vila na província de
Zhejiang, onde há tempestades durante a estação das
monções. Então, desde muito jovem aprendi como reter a água
no período de inundações para reutilização na estação seca. É
um conhecimento ancestral sobre como lidar com a alternância
de inundações e secas, de forma a manter o equilíbrio
hidrológico.
Então, o futuro também é ancestral?
Sim. Temos que olhar para o passado, para a experiência
acumulada ao longo dos séculos. Estamos falando de milhares
de anos de cooperação com a natureza, que nos mostram como
criar uma paisagem resiliente. É por isso que esses
conhecimentos ancestrais podem ser inspiração para tornar o
nosso planeta mais resiliente diante das mudanças climática.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/redesocial/2025/11/ofuturo-sustentavel-sonhado-pelo-arquiteto-chines-que-morreu-nopantanal.shtml. Acesso em: 17 nov. 2025. [Texto reduzido e adaptado].
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O futuro sustentável sonhado pelo arquiteto chinês
que morreu no Pantanal
Eliane Trindade
Três meses antes de ser vítima de acidente aéreo no Brasil,
Kongjian Yu concedeu entrevista para documentário brasileiro
"Smart Cities – as Cidades do Futuro”. Acompanharam a
entrevista conduzida por mim, como roteirista do documentário,
o diretor Fábio Berringer, o produtor local Filipe Porto e o
cinegrafista chinês Zhang QinZheng. Em conversa inédita,
Kongjian Yu fala das perspectivas de construir um planetaesponja e uma nova civilização ecológica, amiga da água.
Discorreu por mais de uma hora sobre como tornar as cidades
e o planeta mais resilientes às intempéries climáticas. Ao final
do encontro, passeou com a equipe pelos corredores da
Turenscape, enfeitados por fotos de alguns dos projetos
urbanísticos e paisagísticos entre os mil que levam sua
assinatura.
Como o senhor resume o conceito de cidade-esponja?
É uma solução baseada na natureza para resolver problemas
de inundações e secas urbanas, ao criar cidades resilientes. É
uma solução holística, que usa a paisagem natural para
retenção da água, desacelerando seu fluxo. A chave de uma
cidade-esponja é a oposição à infraestrutura cinza
convencional, construída sobre um sistema de tubulações de
concreto e de drenagem. Uma cidade-esponja retém a água,
que não é inimiga.
Como nasceu o conceito?
Vem da cultura das monções. A ideia de cidade-esponja foi
inspirada por esse fenômeno atmosférico típico do Sul e
Sudeste asiático. Nasci em uma pequena vila na província de
Zhejiang, onde há tempestades durante a estação das
monções. Então, desde muito jovem aprendi como reter a água
no período de inundações para reutilização na estação seca. É
um conhecimento ancestral sobre como lidar com a alternância
de inundações e secas, de forma a manter o equilíbrio
hidrológico.
Então, o futuro também é ancestral?
Sim. Temos que olhar para o passado, para a experiência
acumulada ao longo dos séculos. Estamos falando de milhares
de anos de cooperação com a natureza, que nos mostram como
criar uma paisagem resiliente. É por isso que esses
conhecimentos ancestrais podem ser inspiração para tornar o
nosso planeta mais resiliente diante das mudanças climática.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/redesocial/2025/11/ofuturo-sustentavel-sonhado-pelo-arquiteto-chines-que-morreu-nopantanal.shtml. Acesso em: 17 nov. 2025. [Texto reduzido e adaptado].
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O futuro sustentável sonhado pelo arquiteto chinês
que morreu no Pantanal
Eliane Trindade
Três meses antes de ser vítima de acidente aéreo no Brasil,
Kongjian Yu concedeu entrevista para documentário brasileiro
"Smart Cities – as Cidades do Futuro”. Acompanharam a
entrevista conduzida por mim, como roteirista do documentário,
o diretor Fábio Berringer, o produtor local Filipe Porto e o
cinegrafista chinês Zhang QinZheng. Em conversa inédita,
Kongjian Yu fala das perspectivas de construir um planetaesponja e uma nova civilização ecológica, amiga da água.
Discorreu por mais de uma hora sobre como tornar as cidades
e o planeta mais resilientes às intempéries climáticas. Ao final
do encontro, passeou com a equipe pelos corredores da
Turenscape, enfeitados por fotos de alguns dos projetos
urbanísticos e paisagísticos entre os mil que levam sua
assinatura.
Como o senhor resume o conceito de cidade-esponja?
É uma solução baseada na natureza para resolver problemas
de inundações e secas urbanas, ao criar cidades resilientes. É
uma solução holística, que usa a paisagem natural para
retenção da água, desacelerando seu fluxo. A chave de uma
cidade-esponja é a oposição à infraestrutura cinza
convencional, construída sobre um sistema de tubulações de
concreto e de drenagem. Uma cidade-esponja retém a água,
que não é inimiga.
Como nasceu o conceito?
Vem da cultura das monções. A ideia de cidade-esponja foi
inspirada por esse fenômeno atmosférico típico do Sul e
Sudeste asiático. Nasci em uma pequena vila na província de
Zhejiang, onde há tempestades durante a estação das
monções. Então, desde muito jovem aprendi como reter a água
no período de inundações para reutilização na estação seca. É
um conhecimento ancestral sobre como lidar com a alternância
de inundações e secas, de forma a manter o equilíbrio
hidrológico.
Então, o futuro também é ancestral?
Sim. Temos que olhar para o passado, para a experiência
acumulada ao longo dos séculos. Estamos falando de milhares
de anos de cooperação com a natureza, que nos mostram como
criar uma paisagem resiliente. É por isso que esses
conhecimentos ancestrais podem ser inspiração para tornar o
nosso planeta mais resiliente diante das mudanças climática.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/redesocial/2025/11/ofuturo-sustentavel-sonhado-pelo-arquiteto-chines-que-morreu-nopantanal.shtml. Acesso em: 17 nov. 2025. [Texto reduzido e adaptado].
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O futuro sustentável sonhado pelo arquiteto chinês
que morreu no Pantanal
Eliane Trindade
Três meses antes de ser vítima de acidente aéreo no Brasil,
Kongjian Yu concedeu entrevista para documentário brasileiro
"Smart Cities – as Cidades do Futuro”. Acompanharam a
entrevista conduzida por mim, como roteirista do documentário,
o diretor Fábio Berringer, o produtor local Filipe Porto e o
cinegrafista chinês Zhang QinZheng. Em conversa inédita,
Kongjian Yu fala das perspectivas de construir um planetaesponja e uma nova civilização ecológica, amiga da água.
Discorreu por mais de uma hora sobre como tornar as cidades
e o planeta mais resilientes às intempéries climáticas. Ao final
do encontro, passeou com a equipe pelos corredores da
Turenscape, enfeitados por fotos de alguns dos projetos
urbanísticos e paisagísticos entre os mil que levam sua
assinatura.
Como o senhor resume o conceito de cidade-esponja?
É uma solução baseada na natureza para resolver problemas
de inundações e secas urbanas, ao criar cidades resilientes. É
uma solução holística, que usa a paisagem natural para
retenção da água, desacelerando seu fluxo. A chave de uma
cidade-esponja é a oposição à infraestrutura cinza
convencional, construída sobre um sistema de tubulações de
concreto e de drenagem. Uma cidade-esponja retém a água,
que não é inimiga.
Como nasceu o conceito?
Vem da cultura das monções. A ideia de cidade-esponja foi
inspirada por esse fenômeno atmosférico típico do Sul e
Sudeste asiático. Nasci em uma pequena vila na província de
Zhejiang, onde há tempestades durante a estação das
monções. Então, desde muito jovem aprendi como reter a água
no período de inundações para reutilização na estação seca. É
um conhecimento ancestral sobre como lidar com a alternância
de inundações e secas, de forma a manter o equilíbrio
hidrológico.
Então, o futuro também é ancestral?
Sim. Temos que olhar para o passado, para a experiência
acumulada ao longo dos séculos. Estamos falando de milhares
de anos de cooperação com a natureza, que nos mostram como
criar uma paisagem resiliente. É por isso que esses
conhecimentos ancestrais podem ser inspiração para tornar o
nosso planeta mais resiliente diante das mudanças climática.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/redesocial/2025/11/ofuturo-sustentavel-sonhado-pelo-arquiteto-chines-que-morreu-nopantanal.shtml. Acesso em: 17 nov. 2025. [Texto reduzido e adaptado].
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Texto 1
O livro, o plástico e as 700 toneladas no lixo
O leitor entra na livraria, escolhe um título, paga, leva
para casa e rasga a película transparente que o envolve. Em
segundos, o plástico vai para o lixo. O gesto é banal, mas o
impacto é monumental.
Essa fina camada de filme termoencolhível – que
protege o livro de poeira e umidade – se tornou um dos maiores
símbolos de incoerência do mercado editorial brasileiro: um
setor que vive de ideias, mas ainda insiste num hábito
materialmente insustentável.
Segundo dados disponibilizados pela Câmara
Brasileira do Livro, o país imprimiu 366 milhões de exemplares
no último ano. Supondo que cerca de 70% desses livros foram
embalados individualmente, isso significa que 256 milhões de
unidades receberam plástico antes de chegar às prateleiras.
Cada invólucro pesa entre 1,4 g e 2,7 g, o que equivale a algo
em torno de 360 a 700 toneladas de lixo plástico por ano – um
resíduo de baixo valor comercial, raramente reciclado.
O argumento das editoras é pragmático: o plástico
protege os exemplares durante o transporte e a armazenagem.
Há, porém, uma causa mais profunda para a continuidade
dessa prática. Plataformas de e-commerce, que dominam o
mercado de venda ao consumidor, exigem que as editoras
entreguem os livros embalados individualmente em plástico.
Caso contrário, recusam o recebimento do material. E, para
atender a essa exigência, muitas editoras solicitam às gráficas
que enviem parte ou toda a tiragem já com o plástico. Cria-se,
assim, um círculo vicioso: as gráficas embalam para atender as
editoras; estas embalam para atender as plataformas; e estas
últimas embalam novamente para o envio ao consumidor.
O cenário precisa mudar e já temos exemplos para
seguir. Livrarias independentes já substituem o filme plástico
por faixas de papel reciclado, invólucros biodegradáveis, ou
simplesmente aboliram a embalagem. O debate sobre
sustentabilidade no livro não pode se limitar à origem do papel:
deve incluir também o material que o envolve. O livro é, por
natureza, um instrumento de consciência. E não há consciência
possível quando o conhecimento continua coberto por uma
camada de poluição invisível.
BORGES, Afonso. O livro, o plástico e as 700 toneladas no lixo. Folha de S.
Paulo, 16 nov. 2025, p. A6. [Adaptado].
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Texto 1
O livro, o plástico e as 700 toneladas no lixo
O leitor entra na livraria, escolhe um título, paga, leva
para casa e rasga a película transparente que o envolve. Em
segundos, o plástico vai para o lixo. O gesto é banal, mas o
impacto é monumental.
Essa fina camada de filme termoencolhível – que
protege o livro de poeira e umidade – se tornou um dos maiores
símbolos de incoerência do mercado editorial brasileiro: um
setor que vive de ideias, mas ainda insiste num hábito
materialmente insustentável.
Segundo dados disponibilizados pela Câmara
Brasileira do Livro, o país imprimiu 366 milhões de exemplares
no último ano. Supondo que cerca de 70% desses livros foram
embalados individualmente, isso significa que 256 milhões de
unidades receberam plástico antes de chegar às prateleiras.
Cada invólucro pesa entre 1,4 g e 2,7 g, o que equivale a algo
em torno de 360 a 700 toneladas de lixo plástico por ano – um
resíduo de baixo valor comercial, raramente reciclado.
O argumento das editoras é pragmático: o plástico
protege os exemplares durante o transporte e a armazenagem.
Há, porém, uma causa mais profunda para a continuidade
dessa prática. Plataformas de e-commerce, que dominam o
mercado de venda ao consumidor, exigem que as editoras
entreguem os livros embalados individualmente em plástico.
Caso contrário, recusam o recebimento do material. E, para
atender a essa exigência, muitas editoras solicitam às gráficas
que enviem parte ou toda a tiragem já com o plástico. Cria-se,
assim, um círculo vicioso: as gráficas embalam para atender as
editoras; estas embalam para atender as plataformas; e estas
últimas embalam novamente para o envio ao consumidor.
O cenário precisa mudar e já temos exemplos para
seguir. Livrarias independentes já substituem o filme plástico
por faixas de papel reciclado, invólucros biodegradáveis, ou
simplesmente aboliram a embalagem. O debate sobre
sustentabilidade no livro não pode se limitar à origem do papel:
deve incluir também o material que o envolve. O livro é, por
natureza, um instrumento de consciência. E não há consciência
possível quando o conhecimento continua coberto por uma
camada de poluição invisível.
BORGES, Afonso. O livro, o plástico e as 700 toneladas no lixo. Folha de S.
Paulo, 16 nov. 2025, p. A6. [Adaptado].
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O livro, o plástico e as 700 toneladas no lixo
O leitor entra na livraria, escolhe um título, paga, leva
para casa e rasga a película transparente que o envolve. Em
segundos, o plástico vai para o lixo. O gesto é banal, mas o
impacto é monumental.
Essa fina camada de filme termoencolhível – que
protege o livro de poeira e umidade – se tornou um dos maiores
símbolos de incoerência do mercado editorial brasileiro: um
setor que vive de ideias, mas ainda insiste num hábito
materialmente insustentável.
Segundo dados disponibilizados pela Câmara
Brasileira do Livro, o país imprimiu 366 milhões de exemplares
no último ano. Supondo que cerca de 70% desses livros foram
embalados individualmente, isso significa que 256 milhões de
unidades receberam plástico antes de chegar às prateleiras.
Cada invólucro pesa entre 1,4 g e 2,7 g, o que equivale a algo
em torno de 360 a 700 toneladas de lixo plástico por ano – um
resíduo de baixo valor comercial, raramente reciclado.
O argumento das editoras é pragmático: o plástico
protege os exemplares durante o transporte e a armazenagem.
Há, porém, uma causa mais profunda para a continuidade
dessa prática. Plataformas de e-commerce, que dominam o
mercado de venda ao consumidor, exigem que as editoras
entreguem os livros embalados individualmente em plástico.
Caso contrário, recusam o recebimento do material. E, para
atender a essa exigência, muitas editoras solicitam às gráficas
que enviem parte ou toda a tiragem já com o plástico. Cria-se,
assim, um círculo vicioso: as gráficas embalam para atender as
editoras; estas embalam para atender as plataformas; e estas
últimas embalam novamente para o envio ao consumidor.
O cenário precisa mudar e já temos exemplos para
seguir. Livrarias independentes já substituem o filme plástico
por faixas de papel reciclado, invólucros biodegradáveis, ou
simplesmente aboliram a embalagem. O debate sobre
sustentabilidade no livro não pode se limitar à origem do papel:
deve incluir também o material que o envolve. O livro é, por
natureza, um instrumento de consciência. E não há consciência
possível quando o conhecimento continua coberto por uma
camada de poluição invisível.
BORGES, Afonso. O livro, o plástico e as 700 toneladas no lixo. Folha de S.
Paulo, 16 nov. 2025, p. A6. [Adaptado].
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Texto 1
O livro, o plástico e as 700 toneladas no lixo
O leitor entra na livraria, escolhe um título, paga, leva
para casa e rasga a película transparente que o envolve. Em
segundos, o plástico vai para o lixo. O gesto é banal, mas o
impacto é monumental.
Essa fina camada de filme termoencolhível – que
protege o livro de poeira e umidade – se tornou um dos maiores
símbolos de incoerência do mercado editorial brasileiro: um
setor que vive de ideias, mas ainda insiste num hábito
materialmente insustentável.
Segundo dados disponibilizados pela Câmara
Brasileira do Livro, o país imprimiu 366 milhões de exemplares
no último ano. Supondo que cerca de 70% desses livros foram
embalados individualmente, isso significa que 256 milhões de
unidades receberam plástico antes de chegar às prateleiras.
Cada invólucro pesa entre 1,4 g e 2,7 g, o que equivale a algo
em torno de 360 a 700 toneladas de lixo plástico por ano – um
resíduo de baixo valor comercial, raramente reciclado.
O argumento das editoras é pragmático: o plástico
protege os exemplares durante o transporte e a armazenagem.
Há, porém, uma causa mais profunda para a continuidade
dessa prática. Plataformas de e-commerce, que dominam o
mercado de venda ao consumidor, exigem que as editoras
entreguem os livros embalados individualmente em plástico.
Caso contrário, recusam o recebimento do material. E, para
atender a essa exigência, muitas editoras solicitam às gráficas
que enviem parte ou toda a tiragem já com o plástico. Cria-se,
assim, um círculo vicioso: as gráficas embalam para atender as
editoras; estas embalam para atender as plataformas; e estas
últimas embalam novamente para o envio ao consumidor.
O cenário precisa mudar e já temos exemplos para
seguir. Livrarias independentes já substituem o filme plástico
por faixas de papel reciclado, invólucros biodegradáveis, ou
simplesmente aboliram a embalagem. O debate sobre
sustentabilidade no livro não pode se limitar à origem do papel:
deve incluir também o material que o envolve. O livro é, por
natureza, um instrumento de consciência. E não há consciência
possível quando o conhecimento continua coberto por uma
camada de poluição invisível.
BORGES, Afonso. O livro, o plástico e as 700 toneladas no lixo. Folha de S.
Paulo, 16 nov. 2025, p. A6. [Adaptado].
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