Foram encontradas 50 questões.
Leia o texto abaixo para responder à questão.
Recentemente, conheci uma artista plástica que me disse:
“Voltei a pintar só agora, depois de 30 anos”. Eu perguntei o que
havia acontecido e ela me contou traumatizada: “Uma pessoa
disse que eu era ruim”. Uma pessoa? Pensei na quantidade de
gente que já fez textão pra me detonar e queria rir.
A artista contou que só conseguiu voltar porque “mudou
completamente”. Entendo. Eu começo a digitar meia palavra
numa crônica e fico meio enjoada. Até quando eu vou escrever
como eu escreveria? Daí tento ser diferente e acho tão chato que
preciso comer absolutamente tudo que tem em minha casa. Uma
semana antes da Flip, eu acordei desejando profundamente que
algo acontecesse e eu me visse livre da viagem. Podia inundar a
cidade, pegar fogo na pousada que me receberia, ter algum
desmoronamento na estrada. Lembrando que pensamentos
intrusivos não fazem de mim uma má pessoa. Outras coisas, sim.
A Flip é extraordinária, mas também o desfile máximo de
nossos egos e sombras. Você precisa estar lá e você precisa,
pelo amor de Deus, sair correndo de lá. Você adora aquelas
pessoas e você, nossa Senhora, tem pavor daquelas pessoas.
Você é celebrado e um lixo. Então, quatro dias antes da Flip,
brincando de cavalinho com uma criança de três anos, eu realizei
meu sonho. Meu disco rasgou, hérnia pra fora. O ortopedista do
hospital lamentou, enquanto me aplicava morfina e Diprospan:
“Esquece Paraty”. Eu andava pela casa como uma orangotango
idosa. Meus braços pendiam imensos e minha cabeça parecia
sair do meio do meu estômago. Eu estava tão feia e tão
desgraçada que não conseguia parar de fazer piadas. Minha filha
e meu namorado riam muito e comecei a gostar da situação.
Quando cheguei ao hospital, rapidamente vieram me trazer
uma cadeira de rodas, mas eu percebi que as pessoas na sala
de espera desviavam o olhar por incômodo e para não rir. Estava
feito o convite: eu precisava entregar o show. A orangotango
velha desfilou entre elas. Provocativa, dramática, “exposta”,
exagerada. As crianças riram muito, ainda que as mães
tentassem controlá-las. A força que isso foi me dando. O prazer
que a exposição ao ridículo me dá. (É assim que você escreve e
olha o que causa!) Não se curve! Não se curve!! Fiquei totalmente
de pé na manhã da viagem.
(Altos, baixos e curvados. Tati Bernardi para Folha de SP. Adaptado).
“Daí” tento ser diferente e acho tão chato que preciso comer absolutamente tudo que tem em minha casa.
De acordo com a norma padrão da Língua Portuguesa, quanto à significação das palavras e às classes de palavras, a palavra “daí” é utilizada no texto como
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Recentemente, conheci uma artista plástica que me disse:
“Voltei a pintar só agora, depois de 30 anos”. Eu perguntei o que
havia acontecido e ela me contou traumatizada: “Uma pessoa
disse que eu era ruim”. Uma pessoa? Pensei na quantidade de
gente que já fez textão pra me detonar e queria rir.
A artista contou que só conseguiu voltar porque “mudou
completamente”. Entendo. Eu começo a digitar meia palavra
numa crônica e fico meio enjoada. Até quando eu vou escrever
como eu escreveria? Daí tento ser diferente e acho tão chato que
preciso comer absolutamente tudo que tem em minha casa. Uma
semana antes da Flip, eu acordei desejando profundamente que
algo acontecesse e eu me visse livre da viagem. Podia inundar a
cidade, pegar fogo na pousada que me receberia, ter algum
desmoronamento na estrada. Lembrando que pensamentos
intrusivos não fazem de mim uma má pessoa. Outras coisas, sim.
A Flip é extraordinária, mas também o desfile máximo de
nossos egos e sombras. Você precisa estar lá e você precisa,
pelo amor de Deus, sair correndo de lá. Você adora aquelas
pessoas e você, nossa Senhora, tem pavor daquelas pessoas.
Você é celebrado e um lixo. Então, quatro dias antes da Flip,
brincando de cavalinho com uma criança de três anos, eu realizei
meu sonho. Meu disco rasgou, hérnia pra fora. O ortopedista do
hospital lamentou, enquanto me aplicava morfina e Diprospan:
“Esquece Paraty”. Eu andava pela casa como uma orangotango
idosa. Meus braços pendiam imensos e minha cabeça parecia
sair do meio do meu estômago. Eu estava tão feia e tão
desgraçada que não conseguia parar de fazer piadas. Minha filha
e meu namorado riam muito e comecei a gostar da situação.
Quando cheguei ao hospital, rapidamente vieram me trazer
uma cadeira de rodas, mas eu percebi que as pessoas na sala
de espera desviavam o olhar por incômodo e para não rir. Estava
feito o convite: eu precisava entregar o show. A orangotango
velha desfilou entre elas. Provocativa, dramática, “exposta”,
exagerada. As crianças riram muito, ainda que as mães
tentassem controlá-las. A força que isso foi me dando. O prazer
que a exposição ao ridículo me dá. (É assim que você escreve e
olha o que causa!) Não se curve! Não se curve!! Fiquei totalmente
de pé na manhã da viagem.
(Altos, baixos e curvados. Tati Bernardi para Folha de SP. Adaptado).
As crianças riram muito, ainda que as mães tentassem controlá-las.
De acordo com norma-padrão da Língua Portuguesa, quanto ao uso da vírgula, assinale a alternativa correta.
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“Voltei a pintar só agora, depois de 30 anos”. Eu perguntei o que
havia acontecido e ela me contou traumatizada: “Uma pessoa
disse que eu era ruim”. Uma pessoa? Pensei na quantidade de
gente que já fez textão pra me detonar e queria rir.
A artista contou que só conseguiu voltar porque “mudou
completamente”. Entendo. Eu começo a digitar meia palavra
numa crônica e fico meio enjoada. Até quando eu vou escrever
como eu escreveria? Daí tento ser diferente e acho tão chato que
preciso comer absolutamente tudo que tem em minha casa. Uma
semana antes da Flip, eu acordei desejando profundamente que
algo acontecesse e eu me visse livre da viagem. Podia inundar a
cidade, pegar fogo na pousada que me receberia, ter algum
desmoronamento na estrada. Lembrando que pensamentos
intrusivos não fazem de mim uma má pessoa. Outras coisas, sim.
A Flip é extraordinária, mas também o desfile máximo de
nossos egos e sombras. Você precisa estar lá e você precisa,
pelo amor de Deus, sair correndo de lá. Você adora aquelas
pessoas e você, nossa Senhora, tem pavor daquelas pessoas.
Você é celebrado e um lixo. Então, quatro dias antes da Flip,
brincando de cavalinho com uma criança de três anos, eu realizei
meu sonho. Meu disco rasgou, hérnia pra fora. O ortopedista do
hospital lamentou, enquanto me aplicava morfina e Diprospan:
“Esquece Paraty”. Eu andava pela casa como uma orangotango
idosa. Meus braços pendiam imensos e minha cabeça parecia
sair do meio do meu estômago. Eu estava tão feia e tão
desgraçada que não conseguia parar de fazer piadas. Minha filha
e meu namorado riam muito e comecei a gostar da situação.
Quando cheguei ao hospital, rapidamente vieram me trazer
uma cadeira de rodas, mas eu percebi que as pessoas na sala
de espera desviavam o olhar por incômodo e para não rir. Estava
feito o convite: eu precisava entregar o show. A orangotango
velha desfilou entre elas. Provocativa, dramática, “exposta”,
exagerada. As crianças riram muito, ainda que as mães
tentassem controlá-las. A força que isso foi me dando. O prazer
que a exposição ao ridículo me dá. (É assim que você escreve e
olha o que causa!) Não se curve! Não se curve!! Fiquei totalmente
de pé na manhã da viagem.
(Altos, baixos e curvados. Tati Bernardi para Folha de SP. Adaptado).
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Recentemente, conheci uma artista plástica que me disse:
“Voltei a pintar só agora, depois de 30 anos”. Eu perguntei o que
havia acontecido e ela me contou traumatizada: “Uma pessoa
disse que eu era ruim”. Uma pessoa? Pensei na quantidade de
gente que já fez textão pra me detonar e queria rir.
A artista contou que só conseguiu voltar porque “mudou
completamente”. Entendo. Eu começo a digitar meia palavra
numa crônica e fico meio enjoada. Até quando eu vou escrever
como eu escreveria? Daí tento ser diferente e acho tão chato que
preciso comer absolutamente tudo que tem em minha casa. Uma
semana antes da Flip, eu acordei desejando profundamente que
algo acontecesse e eu me visse livre da viagem. Podia inundar a
cidade, pegar fogo na pousada que me receberia, ter algum
desmoronamento na estrada. Lembrando que pensamentos
intrusivos não fazem de mim uma má pessoa. Outras coisas, sim.
A Flip é extraordinária, mas também o desfile máximo de
nossos egos e sombras. Você precisa estar lá e você precisa,
pelo amor de Deus, sair correndo de lá. Você adora aquelas
pessoas e você, nossa Senhora, tem pavor daquelas pessoas.
Você é celebrado e um lixo. Então, quatro dias antes da Flip,
brincando de cavalinho com uma criança de três anos, eu realizei
meu sonho. Meu disco rasgou, hérnia pra fora. O ortopedista do
hospital lamentou, enquanto me aplicava morfina e Diprospan:
“Esquece Paraty”. Eu andava pela casa como uma orangotango
idosa. Meus braços pendiam imensos e minha cabeça parecia
sair do meio do meu estômago. Eu estava tão feia e tão
desgraçada que não conseguia parar de fazer piadas. Minha filha
e meu namorado riam muito e comecei a gostar da situação.
Quando cheguei ao hospital, rapidamente vieram me trazer
uma cadeira de rodas, mas eu percebi que as pessoas na sala
de espera desviavam o olhar por incômodo e para não rir. Estava
feito o convite: eu precisava entregar o show. A orangotango
velha desfilou entre elas. Provocativa, dramática, “exposta”,
exagerada. As crianças riram muito, ainda que as mães
tentassem controlá-las. A força que isso foi me dando. O prazer
que a exposição ao ridículo me dá. (É assim que você escreve e
olha o que causa!) Não se curve! Não se curve!! Fiquei totalmente
de pé na manhã da viagem.
(Altos, baixos e curvados. Tati Bernardi para Folha de SP. Adaptado).
Você precisa estar lá e você precisa, peloamordeDeus, sair correndo de lá. Você adora “aquelas pessoas” e você, nossaSenhora, tem pavor daquelas pessoas.
De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa, quanto ao uso de pronomes, assinale a alternativa em que os termos destacados foram corretamente substituídos por um pronome pessoal.
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disse que eu era ruim”. Uma pessoa? Pensei na quantidade de
gente que já fez textão pra me detonar e queria rir.
A artista contou que só conseguiu voltar porque “mudou
completamente”. Entendo. Eu começo a digitar meia palavra
numa crônica e fico meio enjoada. Até quando eu vou escrever
como eu escreveria? Daí tento ser diferente e acho tão chato que
preciso comer absolutamente tudo que tem em minha casa. Uma
semana antes da Flip, eu acordei desejando profundamente que
algo acontecesse e eu me visse livre da viagem. Podia inundar a
cidade, pegar fogo na pousada que me receberia, ter algum
desmoronamento na estrada. Lembrando que pensamentos
intrusivos não fazem de mim uma má pessoa. Outras coisas, sim.
A Flip é extraordinária, mas também o desfile máximo de
nossos egos e sombras. Você precisa estar lá e você precisa,
pelo amor de Deus, sair correndo de lá. Você adora aquelas
pessoas e você, nossa Senhora, tem pavor daquelas pessoas.
Você é celebrado e um lixo. Então, quatro dias antes da Flip,
brincando de cavalinho com uma criança de três anos, eu realizei
meu sonho. Meu disco rasgou, hérnia pra fora. O ortopedista do
hospital lamentou, enquanto me aplicava morfina e Diprospan:
“Esquece Paraty”. Eu andava pela casa como uma orangotango
idosa. Meus braços pendiam imensos e minha cabeça parecia
sair do meio do meu estômago. Eu estava tão feia e tão
desgraçada que não conseguia parar de fazer piadas. Minha filha
e meu namorado riam muito e comecei a gostar da situação.
Quando cheguei ao hospital, rapidamente vieram me trazer
uma cadeira de rodas, mas eu percebi que as pessoas na sala
de espera desviavam o olhar por incômodo e para não rir. Estava
feito o convite: eu precisava entregar o show. A orangotango
velha desfilou entre elas. Provocativa, dramática, “exposta”,
exagerada. As crianças riram muito, ainda que as mães
tentassem controlá-las. A força que isso foi me dando. O prazer
que a exposição ao ridículo me dá. (É assim que você escreve e
olha o que causa!) Não se curve! Não se curve!! Fiquei totalmente
de pé na manhã da viagem.
(Altos, baixos e curvados. Tati Bernardi para Folha de SP. Adaptado).
Você precisa estar lá e você precisa, “peloamordeDeus”, sair correndo de lá. Você adora aquelas pessoas e você, “nossaSenhora”, tem pavor daquelas pessoas.
De acordo com a leitura do texto, assinale a alternativa que apresenta o efeito de sentido gerado pelo uso das palavras sem espaço entre elas nos trechos destacados.
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havia acontecido e ela me contou traumatizada: “Uma pessoa
disse que eu era ruim”. Uma pessoa? Pensei na quantidade de
gente que já fez textão pra me detonar e queria rir.
A artista contou que só conseguiu voltar porque “mudou
completamente”. Entendo. Eu começo a digitar meia palavra
numa crônica e fico meio enjoada. Até quando eu vou escrever
como eu escreveria? Daí tento ser diferente e acho tão chato que
preciso comer absolutamente tudo que tem em minha casa. Uma
semana antes da Flip, eu acordei desejando profundamente que
algo acontecesse e eu me visse livre da viagem. Podia inundar a
cidade, pegar fogo na pousada que me receberia, ter algum
desmoronamento na estrada. Lembrando que pensamentos
intrusivos não fazem de mim uma má pessoa. Outras coisas, sim.
A Flip é extraordinária, mas também o desfile máximo de
nossos egos e sombras. Você precisa estar lá e você precisa,
pelo amor de Deus, sair correndo de lá. Você adora aquelas
pessoas e você, nossa Senhora, tem pavor daquelas pessoas.
Você é celebrado e um lixo. Então, quatro dias antes da Flip,
brincando de cavalinho com uma criança de três anos, eu realizei
meu sonho. Meu disco rasgou, hérnia pra fora. O ortopedista do
hospital lamentou, enquanto me aplicava morfina e Diprospan:
“Esquece Paraty”. Eu andava pela casa como uma orangotango
idosa. Meus braços pendiam imensos e minha cabeça parecia
sair do meio do meu estômago. Eu estava tão feia e tão
desgraçada que não conseguia parar de fazer piadas. Minha filha
e meu namorado riam muito e comecei a gostar da situação.
Quando cheguei ao hospital, rapidamente vieram me trazer
uma cadeira de rodas, mas eu percebi que as pessoas na sala
de espera desviavam o olhar por incômodo e para não rir. Estava
feito o convite: eu precisava entregar o show. A orangotango
velha desfilou entre elas. Provocativa, dramática, “exposta”,
exagerada. As crianças riram muito, ainda que as mães
tentassem controlá-las. A força que isso foi me dando. O prazer
que a exposição ao ridículo me dá. (É assim que você escreve e
olha o que causa!) Não se curve! Não se curve!! Fiquei totalmente
de pé na manhã da viagem.
(Altos, baixos e curvados. Tati Bernardi para Folha de SP. Adaptado).
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Recentemente, conheci uma artista plástica que me disse:
“Voltei a pintar só agora, depois de 30 anos”. Eu perguntei o que
havia acontecido e ela me contou traumatizada: “Uma pessoa
disse que eu era ruim”. Uma pessoa? Pensei na quantidade de
gente que já fez textão pra me detonar e queria rir.
A artista contou que só conseguiu voltar porque “mudou
completamente”. Entendo. Eu começo a digitar meia palavra
numa crônica e fico meio enjoada. Até quando eu vou escrever
como eu escreveria? Daí tento ser diferente e acho tão chato que
preciso comer absolutamente tudo que tem em minha casa. Uma
semana antes da Flip, eu acordei desejando profundamente que
algo acontecesse e eu me visse livre da viagem. Podia inundar a
cidade, pegar fogo na pousada que me receberia, ter algum
desmoronamento na estrada. Lembrando que pensamentos
intrusivos não fazem de mim uma má pessoa. Outras coisas, sim.
A Flip é extraordinária, mas também o desfile máximo de
nossos egos e sombras. Você precisa estar lá e você precisa,
pelo amor de Deus, sair correndo de lá. Você adora aquelas
pessoas e você, nossa Senhora, tem pavor daquelas pessoas.
Você é celebrado e um lixo. Então, quatro dias antes da Flip,
brincando de cavalinho com uma criança de três anos, eu realizei
meu sonho. Meu disco rasgou, hérnia pra fora. O ortopedista do
hospital lamentou, enquanto me aplicava morfina e Diprospan:
“Esquece Paraty”. Eu andava pela casa como uma orangotango
idosa. Meus braços pendiam imensos e minha cabeça parecia
sair do meio do meu estômago. Eu estava tão feia e tão
desgraçada que não conseguia parar de fazer piadas. Minha filha
e meu namorado riam muito e comecei a gostar da situação.
Quando cheguei ao hospital, rapidamente vieram me trazer
uma cadeira de rodas, mas eu percebi que as pessoas na sala
de espera desviavam o olhar por incômodo e para não rir. Estava
feito o convite: eu precisava entregar o show. A orangotango
velha desfilou entre elas. Provocativa, dramática, “exposta”,
exagerada. As crianças riram muito, ainda que as mães
tentassem controlá-las. A força que isso foi me dando. O prazer
que a exposição ao ridículo me dá. (É assim que você escreve e
olha o que causa!) Não se curve! Não se curve!! Fiquei totalmente
de pé na manhã da viagem.
(Altos, baixos e curvados. Tati Bernardi para Folha de SP. Adaptado).
A Flip é extraordinária, mas também o desfile máximo de nossos egos e sombras.
De acordo com o que aparece no texto logo após o trecho, assinale a alternativa que apresenta a correta interpretação da frase acima.
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“Voltei a pintar só agora, depois de 30 anos”. Eu perguntei o que
havia acontecido e ela me contou traumatizada: “Uma pessoa
disse que eu era ruim”. Uma pessoa? Pensei na quantidade de
gente que já fez textão pra me detonar e queria rir.
A artista contou que só conseguiu voltar porque “mudou
completamente”. Entendo. Eu começo a digitar meia palavra
numa crônica e fico meio enjoada. Até quando eu vou escrever
como eu escreveria? Daí tento ser diferente e acho tão chato que
preciso comer absolutamente tudo que tem em minha casa. Uma
semana antes da Flip, eu acordei desejando profundamente que
algo acontecesse e eu me visse livre da viagem. Podia inundar a
cidade, pegar fogo na pousada que me receberia, ter algum
desmoronamento na estrada. Lembrando que pensamentos
intrusivos não fazem de mim uma má pessoa. Outras coisas, sim.
A Flip é extraordinária, mas também o desfile máximo de
nossos egos e sombras. Você precisa estar lá e você precisa,
pelo amor de Deus, sair correndo de lá. Você adora aquelas
pessoas e você, nossa Senhora, tem pavor daquelas pessoas.
Você é celebrado e um lixo. Então, quatro dias antes da Flip,
brincando de cavalinho com uma criança de três anos, eu realizei
meu sonho. Meu disco rasgou, hérnia pra fora. O ortopedista do
hospital lamentou, enquanto me aplicava morfina e Diprospan:
“Esquece Paraty”. Eu andava pela casa como uma orangotango
idosa. Meus braços pendiam imensos e minha cabeça parecia
sair do meio do meu estômago. Eu estava tão feia e tão
desgraçada que não conseguia parar de fazer piadas. Minha filha
e meu namorado riam muito e comecei a gostar da situação.
Quando cheguei ao hospital, rapidamente vieram me trazer
uma cadeira de rodas, mas eu percebi que as pessoas na sala
de espera desviavam o olhar por incômodo e para não rir. Estava
feito o convite: eu precisava entregar o show. A orangotango
velha desfilou entre elas. Provocativa, dramática, “exposta”,
exagerada. As crianças riram muito, ainda que as mães
tentassem controlá-las. A força que isso foi me dando. O prazer
que a exposição ao ridículo me dá. (É assim que você escreve e
olha o que causa!) Não se curve! Não se curve!! Fiquei totalmente
de pé na manhã da viagem.
(Altos, baixos e curvados. Tati Bernardi para Folha de SP. Adaptado).
A artista contou que “só” conseguiu voltar porque "mudou completamente".
De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa, quanto às classes de palavras, assinale a alternativa em que a palavra destacada ocupa a mesma classe que “só” destacada no trecho acima.
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“Voltei a pintar só agora, depois de 30 anos”. Eu perguntei o que
havia acontecido e ela me contou traumatizada: “Uma pessoa
disse que eu era ruim”. Uma pessoa? Pensei na quantidade de
gente que já fez textão pra me detonar e queria rir.
A artista contou que só conseguiu voltar porque “mudou
completamente”. Entendo. Eu começo a digitar meia palavra
numa crônica e fico meio enjoada. Até quando eu vou escrever
como eu escreveria? Daí tento ser diferente e acho tão chato que
preciso comer absolutamente tudo que tem em minha casa. Uma
semana antes da Flip, eu acordei desejando profundamente que
algo acontecesse e eu me visse livre da viagem. Podia inundar a
cidade, pegar fogo na pousada que me receberia, ter algum
desmoronamento na estrada. Lembrando que pensamentos
intrusivos não fazem de mim uma má pessoa. Outras coisas, sim.
A Flip é extraordinária, mas também o desfile máximo de
nossos egos e sombras. Você precisa estar lá e você precisa,
pelo amor de Deus, sair correndo de lá. Você adora aquelas
pessoas e você, nossa Senhora, tem pavor daquelas pessoas.
Você é celebrado e um lixo. Então, quatro dias antes da Flip,
brincando de cavalinho com uma criança de três anos, eu realizei
meu sonho. Meu disco rasgou, hérnia pra fora. O ortopedista do
hospital lamentou, enquanto me aplicava morfina e Diprospan:
“Esquece Paraty”. Eu andava pela casa como uma orangotango
idosa. Meus braços pendiam imensos e minha cabeça parecia
sair do meio do meu estômago. Eu estava tão feia e tão
desgraçada que não conseguia parar de fazer piadas. Minha filha
e meu namorado riam muito e comecei a gostar da situação.
Quando cheguei ao hospital, rapidamente vieram me trazer
uma cadeira de rodas, mas eu percebi que as pessoas na sala
de espera desviavam o olhar por incômodo e para não rir. Estava
feito o convite: eu precisava entregar o show. A orangotango
velha desfilou entre elas. Provocativa, dramática, “exposta”,
exagerada. As crianças riram muito, ainda que as mães
tentassem controlá-las. A força que isso foi me dando. O prazer
que a exposição ao ridículo me dá. (É assim que você escreve e
olha o que causa!) Não se curve! Não se curve!! Fiquei totalmente
de pé na manhã da viagem.
(Altos, baixos e curvados. Tati Bernardi para Folha de SP. Adaptado).
A artista contou que “só” conseguiu voltar porque "mudou completamente".
Assinale a alternativa que apresenta uma afirmação correta quanto à relação da frase dita pela artista plástica e da conclusão da autora.
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disse que eu era ruim”. Uma pessoa? Pensei na quantidade de
gente que já fez textão pra me detonar e queria rir.
A artista contou que só conseguiu voltar porque “mudou
completamente”. Entendo. Eu começo a digitar meia palavra
numa crônica e fico meio enjoada. Até quando eu vou escrever
como eu escreveria? Daí tento ser diferente e acho tão chato que
preciso comer absolutamente tudo que tem em minha casa. Uma
semana antes da Flip, eu acordei desejando profundamente que
algo acontecesse e eu me visse livre da viagem. Podia inundar a
cidade, pegar fogo na pousada que me receberia, ter algum
desmoronamento na estrada. Lembrando que pensamentos
intrusivos não fazem de mim uma má pessoa. Outras coisas, sim.
A Flip é extraordinária, mas também o desfile máximo de
nossos egos e sombras. Você precisa estar lá e você precisa,
pelo amor de Deus, sair correndo de lá. Você adora aquelas
pessoas e você, nossa Senhora, tem pavor daquelas pessoas.
Você é celebrado e um lixo. Então, quatro dias antes da Flip,
brincando de cavalinho com uma criança de três anos, eu realizei
meu sonho. Meu disco rasgou, hérnia pra fora. O ortopedista do
hospital lamentou, enquanto me aplicava morfina e Diprospan:
“Esquece Paraty”. Eu andava pela casa como uma orangotango
idosa. Meus braços pendiam imensos e minha cabeça parecia
sair do meio do meu estômago. Eu estava tão feia e tão
desgraçada que não conseguia parar de fazer piadas. Minha filha
e meu namorado riam muito e comecei a gostar da situação.
Quando cheguei ao hospital, rapidamente vieram me trazer
uma cadeira de rodas, mas eu percebi que as pessoas na sala
de espera desviavam o olhar por incômodo e para não rir. Estava
feito o convite: eu precisava entregar o show. A orangotango
velha desfilou entre elas. Provocativa, dramática, “exposta”,
exagerada. As crianças riram muito, ainda que as mães
tentassem controlá-las. A força que isso foi me dando. O prazer
que a exposição ao ridículo me dá. (É assim que você escreve e
olha o que causa!) Não se curve! Não se curve!! Fiquei totalmente
de pé na manhã da viagem.
(Altos, baixos e curvados. Tati Bernardi para Folha de SP. Adaptado).
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