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Analise a frase a seguir.
Participaram da degustação dos pratos o organizador da competição e os jurados.
Analisando o verbo destacado, é CORRETO o que se afirma em:
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Perfeitos. Somos?
Não somos perfeitos, mas buscamos a perfeição nos outros;
Reiteramos “verdades absolutas”, mas nem mesmo sabemos interpretar a
nossa verdadeira essência.
Não somos belos o suficiente, e buscamos a beleza idealizada no outro.
(Afinal, o que é ser belo?)
Afirmamos a existência de um Deus onipotente, onipresente, onisciente,
Entretanto, queremos nós mesmos definir e julgar o propósito do outro.
Falamos de amor, união e fraternidade,
Todavia, definimos aqueles que são “os escolhidos”;
Chegamos a pronunciar “obrigado”, no entanto, esquecemo-nos
De exercer a verdadeira gratidão.
Quanto mais religiosos nos tornamos, menos espirituais
Ficamos. Já por outro lado, quanto mais
Espiritualidade buscamos, menos religiosidade queremos,
E mais aptos ficamos para exercer o “servir ao outro”
Sem se justificar. Na busca pelo futuro promissor,
Pela ciência a cada dia desvendando mistérios,
Oferecendo mais praticidade, revelando tudo o que nos falta.
Mas o que nos falta então?
Olhar para nós mesmos, bem para dentro de nós,
Para o centro de nosso ser
E olhar para aquele que está à nossa frente
E perceber que não somos só,
Nem somos sós
Somos nós e os nossos entornos. Somos.
Volto a perguntar: “O que nos falta?”
Talvez um espelho
Um espelho que nos mostre que somos tão importantes
Quanto o outro, e não mais importantes do que o outro.
Outros de nós mesmos.
(MENDONÇA, Tulius – Entreatos – Páginas Editora)
“E olhar para aquele que está à nossa frente
E perceber que não somos só”,
Nesses versos há duas orações destacadas. Tais orações são, respectivamente:
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Leia o texto de Rosely Sayão, colunista do jornal O Estado de S. Paulo
Um muro feito de ideias
Construímos uma sociedade que não admite aproximar as gerações
Rosely Sayão, O Estado de S. Paulo
14 de Fevereiro de 2021
Aniversário de um garoto de 10 anos. A comemoração acontece na pequena sala do apartamento em que ele mora com a mãe. Para comer, há bolo e alguns salgadinhos caseiros, para beber, refrigerante, suco e cerveja para os adultos. Na sala, umas 20 pessoas, em pé. Calma! A cena ocorreu antes da pandemia.
Cada convidado, ao chegar, oferece um presente ao aniversariante e espera que ele abra. Nesse momento, crianças e adultos rodeiam o garoto que celebra cada mimo com entusiasmo. Depois que todos chegaram, a mãe coloca uma música – e mães, pais e filhos, alegres, dançam juntos. Onde eu vi essa cena? Em um filme francês.
Aqui entre nós, dificilmente ela aconteceria. Eu mesma participei, há um tempo, de uma festa de casamento, numa pequena cidade do sul. Mas lá eu vi jovens convidando senhoras e senhores para dançar e não vi crianças brincando com crianças.
As últimas festas de aniversário de crianças em que estive presente foram bem mais grandiosas do que a do filme. A quantidade de comida doce e salgada e de bebida era uma coisa impressionante. Os aniversariantes não abriam os presentes recebidos, que eram colocados em um local próprio. Vi, sim, crianças rodeando os embrulhos, curiosas para saber o que havia dentro. Em duas dessas festas, os pais deixavam os filhos na porta e, como combinado no convite, viriam busca-los em um determinado horário. Os adultos ficavam em grupos só de adultos. E as crianças? Brincavam conduzidas por monitores ou recreacionistas.
Aos poucos, fomos tornando uma situação essencialmente afetiva – a celebração da vida uma pessoa querida – em um acontecimento impessoal e marcado pela reunião de grupos etários semelhantes: adulto com adulto, crianças com crianças. [...]
Aí está: construímos uma sociedade que evita o relacionamento intergeracional. Crianças mais velhas não aprendem a cuidar das menores e têm a sensação de que elas só atrapalham.
Há tempos, testemunhei uma cena em uma escola paulistana que tinha organização totalmente diferente das que conhecemos. As crianças não eram separadas por idade e todo o espaço da escola era compartilhado por todos, dos bebês aos já com 6 anos. E as brincadeiras eram criadas pelas próprias crianças.
Um grupo de meninos e meninas de mais ou menos 5 anos juntou-se para jogar o que eles chamavam de futebol – e eis que chegou ao local uma criança de 2 anos querendo jogar também. Sem saber como resolver a situação, as crianças foram conversar com a mentora da escola e ouviram dela que, se a criança menor não conseguia acompanhar as regras do jogo, eles deveriam mudar as regras para que ela pudesse jogar.
[...] Já nós, adultos, preferimos, por exemplo, deixar os velhos com outros velhos em atividades “próprias” da tal terceira idade, e separar, na escola, as crianças por idade. Como disse, o educador Sir Ken Robinson, será que o que há de mais importante para aproximar crianças com interesses semelhantes é a data da fabricação delas?
Se queremos uma sociedade mais amigável para a convivência intergeracional justa, cordial e solidária, precisamos repensar a maneira como vivemos nosso cotidiano, como organizamos as escolas e os eventos sociais que criamos.
(SAYÃO, Rosely – O Estado de S. Paulo)
“Depois que todos chegaram, a mãe coloca uma música – e mães, pais e filhos, alegres, dançam juntos. Onde eu vi essa cena?” A oração destacada expressa:
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Leia o texto de Rosely Sayão, colunista do jornal O Estado de S. Paulo
Um muro feito de ideias
Construímos uma sociedade que não admite aproximar as gerações
Rosely Sayão, O Estado de S. Paulo
14 de Fevereiro de 2021
Aniversário de um garoto de 10 anos. A comemoração acontece na pequena sala do apartamento em que ele mora com a mãe. Para comer, há bolo e alguns salgadinhos caseiros, para beber, refrigerante, suco e cerveja para os adultos. Na sala, umas 20 pessoas, em pé. Calma! A cena ocorreu antes da pandemia.
Cada convidado, ao chegar, oferece um presente ao aniversariante e espera que ele abra. Nesse momento, crianças e adultos rodeiam o garoto que celebra cada mimo com entusiasmo. Depois que todos chegaram, a mãe coloca uma música – e mães, pais e filhos, alegres, dançam juntos. Onde eu vi essa cena? Em um filme francês.
Aqui entre nós, dificilmente ela aconteceria. Eu mesma participei, há um tempo, de uma festa de casamento, numa pequena cidade do sul. Mas lá eu vi jovens convidando senhoras e senhores para dançar e não vi crianças brincando com crianças.
As últimas festas de aniversário de crianças em que estive presente foram bem mais grandiosas do que a do filme. A quantidade de comida doce e salgada e de bebida era uma coisa impressionante. Os aniversariantes não abriam os presentes recebidos, que eram colocados em um local próprio. Vi, sim, crianças rodeando os embrulhos, curiosas para saber o que havia dentro. Em duas dessas festas, os pais deixavam os filhos na porta e, como combinado no convite, viriam busca-los em um determinado horário. Os adultos ficavam em grupos só de adultos. E as crianças? Brincavam conduzidas por monitores ou recreacionistas.
Aos poucos, fomos tornando uma situação essencialmente afetiva – a celebração da vida uma pessoa querida – em um acontecimento impessoal e marcado pela reunião de grupos etários semelhantes: adulto com adulto, crianças com crianças. [...]
Aí está: construímos uma sociedade que evita o relacionamento intergeracional. Crianças mais velhas não aprendem a cuidar das menores e têm a sensação de que elas só atrapalham.
Há tempos, testemunhei uma cena em uma escola paulistana que tinha organização totalmente diferente das que conhecemos. As crianças não eram separadas por idade e todo o espaço da escola era compartilhado por todos, dos bebês aos já com 6 anos. E as brincadeiras eram criadas pelas próprias crianças.
Um grupo de meninos e meninas de mais ou menos 5 anos juntou-se para jogar o que eles chamavam de futebol – e eis que chegou ao local uma criança de 2 anos querendo jogar também. Sem saber como resolver a situação, as crianças foram conversar com a mentora da escola e ouviram dela que, se a criança menor não conseguia acompanhar as regras do jogo, eles deveriam mudar as regras para que ela pudesse jogar.
[...] Já nós, adultos, preferimos, por exemplo, deixar os velhos com outros velhos em atividades “próprias” da tal terceira idade, e separar, na escola, as crianças por idade. Como disse, o educador Sir Ken Robinson, será que o que há de mais importante para aproximar crianças com interesses semelhantes é a data da fabricação delas?
Se queremos uma sociedade mais amigável para a convivência intergeracional justa, cordial e solidária, precisamos repensar a maneira como vivemos nosso cotidiano, como organizamos as escolas e os eventos sociais que criamos.
(SAYÃO, Rosely – O Estado de S. Paulo)
“Aniversário de um garoto de 10 anos. A comemoração acontece na pequena sala do apartamento em que ele mora com a mãe. Para comer, há bolo e alguns salgadinhos caseiros, para beber, refrigerante, suco e cerveja para os adultos. Na sala, umas 20 pessoas, em pé. Calma! A cena ocorreu antes da pandemia”. Há um trecho que não pode ser considerado oração em:
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Leia o texto de Rosely Sayão, colunista do jornal O Estado de S. Paulo
Um muro feito de ideias
Construímos uma sociedade que não admite aproximar as gerações
Rosely Sayão, O Estado de S. Paulo
14 de Fevereiro de 2021
Aniversário de um garoto de 10 anos. A comemoração acontece na pequena sala do apartamento em que ele mora com a mãe. Para comer, há bolo e alguns salgadinhos caseiros, para beber, refrigerante, suco e cerveja para os adultos. Na sala, umas 20 pessoas, em pé. Calma! A cena ocorreu antes da pandemia.
Cada convidado, ao chegar, oferece um presente ao aniversariante e espera que ele abra. Nesse momento, crianças e adultos rodeiam o garoto que celebra cada mimo com entusiasmo. Depois que todos chegaram, a mãe coloca uma música – e mães, pais e filhos, alegres, dançam juntos. Onde eu vi essa cena? Em um filme francês.
Aqui entre nós, dificilmente ela aconteceria. Eu mesma participei, há um tempo, de uma festa de casamento, numa pequena cidade do sul. Mas lá eu vi jovens convidando senhoras e senhores para dançar e não vi crianças brincando com crianças.
As últimas festas de aniversário de crianças em que estive presente foram bem mais grandiosas do que a do filme. A quantidade de comida doce e salgada e de bebida era uma coisa impressionante. Os aniversariantes não abriam os presentes recebidos, que eram colocados em um local próprio. Vi, sim, crianças rodeando os embrulhos, curiosas para saber o que havia dentro. Em duas dessas festas, os pais deixavam os filhos na porta e, como combinado no convite, viriam busca-los em um determinado horário. Os adultos ficavam em grupos só de adultos. E as crianças? Brincavam conduzidas por monitores ou recreacionistas.
Aos poucos, fomos tornando uma situação essencialmente afetiva – a celebração da vida uma pessoa querida – em um acontecimento impessoal e marcado pela reunião de grupos etários semelhantes: adulto com adulto, crianças com crianças. [...]
Aí está: construímos uma sociedade que evita o relacionamento intergeracional. Crianças mais velhas não aprendem a cuidar das menores e têm a sensação de que elas só atrapalham.
Há tempos, testemunhei uma cena em uma escola paulistana que tinha organização totalmente diferente das que conhecemos. As crianças não eram separadas por idade e todo o espaço da escola era compartilhado por todos, dos bebês aos já com 6 anos. E as brincadeiras eram criadas pelas próprias crianças.
Um grupo de meninos e meninas de mais ou menos 5 anos juntou-se para jogar o que eles chamavam de futebol – e eis que chegou ao local uma criança de 2 anos querendo jogar também. Sem saber como resolver a situação, as crianças foram conversar com a mentora da escola e ouviram dela que, se a criança menor não conseguia acompanhar as regras do jogo, eles deveriam mudar as regras para que ela pudesse jogar.
[...] Já nós, adultos, preferimos, por exemplo, deixar os velhos com outros velhos em atividades “próprias” da tal terceira idade, e separar, na escola, as crianças por idade. Como disse, o educador Sir Ken Robinson, será que o que há de mais importante para aproximar crianças com interesses semelhantes é a data da fabricação delas?
Se queremos uma sociedade mais amigável para a convivência intergeracional justa, cordial e solidária, precisamos repensar a maneira como vivemos nosso cotidiano, como organizamos as escolas e os eventos sociais que criamos.
(SAYÃO, Rosely – O Estado de S. Paulo)
“Os aniversariantes não abriam os presentes recebidos, que eram colocados em um local próprio”. Em relação à oração destacada, é correto o que se afirma em:
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Leia o texto de Rosely Sayão, colunista do jornal O Estado de S. Paulo
Um muro feito de ideias
Construímos uma sociedade que não admite aproximar as gerações
Rosely Sayão, O Estado de S. Paulo
14 de Fevereiro de 2021
Aniversário de um garoto de 10 anos. A comemoração acontece na pequena sala do apartamento em que ele mora com a mãe. Para comer, há bolo e alguns salgadinhos caseiros, para beber, refrigerante, suco e cerveja para os adultos. Na sala, umas 20 pessoas, em pé. Calma! A cena ocorreu antes da pandemia.
Cada convidado, ao chegar, oferece um presente ao aniversariante e espera que ele abra. Nesse momento, crianças e adultos rodeiam o garoto que celebra cada mimo com entusiasmo. Depois que todos chegaram, a mãe coloca uma música – e mães, pais e filhos, alegres, dançam juntos. Onde eu vi essa cena? Em um filme francês.
Aqui entre nós, dificilmente ela aconteceria. Eu mesma participei, há um tempo, de uma festa de casamento, numa pequena cidade do sul. Mas lá eu vi jovens convidando senhoras e senhores para dançar e não vi crianças brincando com crianças.
As últimas festas de aniversário de crianças em que estive presente foram bem mais grandiosas do que a do filme. A quantidade de comida doce e salgada e de bebida era uma coisa impressionante. Os aniversariantes não abriam os presentes recebidos, que eram colocados em um local próprio. Vi, sim, crianças rodeando os embrulhos, curiosas para saber o que havia dentro. Em duas dessas festas, os pais deixavam os filhos na porta e, como combinado no convite, viriam busca-los em um determinado horário. Os adultos ficavam em grupos só de adultos. E as crianças? Brincavam conduzidas por monitores ou recreacionistas.
Aos poucos, fomos tornando uma situação essencialmente afetiva – a celebração da vida uma pessoa querida – em um acontecimento impessoal e marcado pela reunião de grupos etários semelhantes: adulto com adulto, crianças com crianças. [...]
Aí está: construímos uma sociedade que evita o relacionamento intergeracional. Crianças mais velhas não aprendem a cuidar das menores e têm a sensação de que elas só atrapalham.
Há tempos, testemunhei uma cena em uma escola paulistana que tinha organização totalmente diferente das que conhecemos. As crianças não eram separadas por idade e todo o espaço da escola era compartilhado por todos, dos bebês aos já com 6 anos. E as brincadeiras eram criadas pelas próprias crianças.
Um grupo de meninos e meninas de mais ou menos 5 anos juntou-se para jogar o que eles chamavam de futebol – e eis que chegou ao local uma criança de 2 anos querendo jogar também. Sem saber como resolver a situação, as crianças foram conversar com a mentora da escola e ouviram dela que, se a criança menor não conseguia acompanhar as regras do jogo, eles deveriam mudar as regras para que ela pudesse jogar.
[...] Já nós, adultos, preferimos, por exemplo, deixar os velhos com outros velhos em atividades “próprias” da tal terceira idade, e separar, na escola, as crianças por idade. Como disse, o educador Sir Ken Robinson, será que o que há de mais importante para aproximar crianças com interesses semelhantes é a data da fabricação delas?
Se queremos uma sociedade mais amigável para a convivência intergeracional justa, cordial e solidária, precisamos repensar a maneira como vivemos nosso cotidiano, como organizamos as escolas e os eventos sociais que criamos.
(SAYÃO, Rosely – O Estado de S. Paulo)
Segundo a autora, o que motiva a não existência, hoje, de um relacionamento intergeracional é:
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Construímos uma sociedade que não admite aproximar as gerações
Rosely Sayão, O Estado de S. Paulo
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Aniversário de um garoto de 10 anos. A comemoração acontece na pequena sala do apartamento em que ele mora com a mãe. Para comer, há bolo e alguns salgadinhos caseiros, para beber, refrigerante, suco e cerveja para os adultos. Na sala, umas 20 pessoas, em pé. Calma! A cena ocorreu antes da pandemia.
Cada convidado, ao chegar, oferece um presente ao aniversariante e espera que ele abra. Nesse momento, crianças e adultos rodeiam o garoto que celebra cada mimo com entusiasmo. Depois que todos chegaram, a mãe coloca uma música – e mães, pais e filhos, alegres, dançam juntos. Onde eu vi essa cena? Em um filme francês.
Aqui entre nós, dificilmente ela aconteceria. Eu mesma participei, há um tempo, de uma festa de casamento, numa pequena cidade do sul. Mas lá eu vi jovens convidando senhoras e senhores para dançar e não vi crianças brincando com crianças.
As últimas festas de aniversário de crianças em que estive presente foram bem mais grandiosas do que a do filme. A quantidade de comida doce e salgada e de bebida era uma coisa impressionante. Os aniversariantes não abriam os presentes recebidos, que eram colocados em um local próprio. Vi, sim, crianças rodeando os embrulhos, curiosas para saber o que havia dentro. Em duas dessas festas, os pais deixavam os filhos na porta e, como combinado no convite, viriam busca-los em um determinado horário. Os adultos ficavam em grupos só de adultos. E as crianças? Brincavam conduzidas por monitores ou recreacionistas.
Aos poucos, fomos tornando uma situação essencialmente afetiva – a celebração da vida uma pessoa querida – em um acontecimento impessoal e marcado pela reunião de grupos etários semelhantes: adulto com adulto, crianças com crianças. [...]
Aí está: construímos uma sociedade que evita o relacionamento intergeracional. Crianças mais velhas não aprendem a cuidar das menores e têm a sensação de que elas só atrapalham.
Há tempos, testemunhei uma cena em uma escola paulistana que tinha organização totalmente diferente das que conhecemos. As crianças não eram separadas por idade e todo o espaço da escola era compartilhado por todos, dos bebês aos já com 6 anos. E as brincadeiras eram criadas pelas próprias crianças.
Um grupo de meninos e meninas de mais ou menos 5 anos juntou-se para jogar o que eles chamavam de futebol – e eis que chegou ao local uma criança de 2 anos querendo jogar também. Sem saber como resolver a situação, as crianças foram conversar com a mentora da escola e ouviram dela que, se a criança menor não conseguia acompanhar as regras do jogo, eles deveriam mudar as regras para que ela pudesse jogar.
[...] Já nós, adultos, preferimos, por exemplo, deixar os velhos com outros velhos em atividades “próprias” da tal terceira idade, e separar, na escola, as crianças por idade. Como disse, o educador Sir Ken Robinson, será que o que há de mais importante para aproximar crianças com interesses semelhantes é a data da fabricação delas?
Se queremos uma sociedade mais amigável para a convivência intergeracional justa, cordial e solidária, precisamos repensar a maneira como vivemos nosso cotidiano, como organizamos as escolas e os eventos sociais que criamos.
(SAYÃO, Rosely – O Estado de S. Paulo)
O que chamou a atenção da autora que deu o início ao texto?
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