Foram encontradas 60 questões.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
QUANDO MORDI A MINHA LÍNGUA
O que sentimos ou deixamos de sentir está impresso nos
mínimos gestos.
Você pode ser uma pedra, não falar nada, mas até a
pedra um dia será amaciada pelo musgo.
Não adianta sonegar emoções, traficar amores, camuflar
problemas, porque será descoberto. Entregará o que
vem lhe preocupando pela aparência. Somos
horóscopos ambulantes, biscoitos da sorte prestes a
serem quebrados por uma mensagem.
No fim do Ensino Médio, eu vivia brigando com os meus
colegas, desafiando os professores, respondendo
desaforado aos pais. Óbvio que fui forçado a visitar a
psicóloga da escola. Prometi a mim mesmo que lacraria
a boca, ficaria calado durante a consulta inteira, faria
terrorismo com a quietude. Não achava justo ser
obrigado a me analisar e ainda mais numa época em
que a terapia estava vinculada preconceituosamente à
loucura.
Eu me ajeitei na poltrona com o meu estojo e caderno de
aula debaixo do braço e a indisposição macabra de
silenciar a cada pergunta. Mas a psicanalista não
questionou nada, e o seu silêncio inesperado foi me
enervando. Ela me observava com interesse, e eu
querendo cada vez mais me esconder. Quando alguém
permanece quieto muito tempo em nossa frente é como
encarar um espelho e o tamanho de nossas dúvidas. Ela
me provocava não me provocando, ela me emparedava
abrindo todas as portas. Aquela liberdade assustadora
de não ser cobrado a participar me aprisionava.
Mexi em meu estojo para me distrair.
Ela perguntou se eu poderia emprestar uma caneta.
Alcancei uma Bic azul. Ela viu que a tampa estava
mordida. Olhou com carinho e comentou:
− Enquanto não morder o tubo, está tudo bem.
Eu ri de nervoso e demonstrei curiosidade.
− Morder a tampa significa alguma coisa?
− Significa que não fecha as conversas, que foge das
discussões com medo de dizer a verdade, que reprime o
desejo e vira as costas remoendo sozinho as suas
frustrações e decepções, jamais repartindo a sua
verdadeira opinião com ninguém, nem com seus
melhores amigos.
Não revelei coisa alguma durante uma hora do encontro,
mas ela me decifrou inteiramente apenas analisando a
tampinha mordida da caneta. Uma mera, idiota e banal
tampinha iluminou o meu comportamento.
A partir daquele dia, nunca mais subestimei a psicanálise
e cuidei para morder somente a insossa borracha nos
momentos de maior ansiedade.
(Carpinejar. Amizade é também amor. 6. ed. Bertrand Brasil: 2017, p.
205)
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mínimos gestos.
Você pode ser uma pedra, não falar nada, mas até a
pedra um dia será amaciada pelo musgo.
Não adianta sonegar emoções, traficar amores, camuflar
problemas, porque será descoberto. Entregará o que
vem lhe preocupando pela aparência. Somos
horóscopos ambulantes, biscoitos da sorte prestes a
serem quebrados por uma mensagem.
No fim do Ensino Médio, eu vivia brigando com os meus
colegas, desafiando os professores, respondendo
desaforado aos pais. Óbvio que fui forçado a visitar a
psicóloga da escola. Prometi a mim mesmo que lacraria
a boca, ficaria calado durante a consulta inteira, faria
terrorismo com a quietude. Não achava justo ser
obrigado a me analisar e ainda mais numa época em
que a terapia estava vinculada preconceituosamente à
loucura.
Eu me ajeitei na poltrona com o meu estojo e caderno de
aula debaixo do braço e a indisposição macabra de
silenciar a cada pergunta. Mas a psicanalista não
questionou nada, e o seu silêncio inesperado foi me
enervando. Ela me observava com interesse, e eu
querendo cada vez mais me esconder. Quando alguém
permanece quieto muito tempo em nossa frente é como
encarar um espelho e o tamanho de nossas dúvidas. Ela
me provocava não me provocando, ela me emparedava
abrindo todas as portas. Aquela liberdade assustadora
de não ser cobrado a participar me aprisionava.
Mexi em meu estojo para me distrair.
Ela perguntou se eu poderia emprestar uma caneta.
Alcancei uma Bic azul. Ela viu que a tampa estava
mordida. Olhou com carinho e comentou:
− Enquanto não morder o tubo, está tudo bem.
Eu ri de nervoso e demonstrei curiosidade.
− Morder a tampa significa alguma coisa?
− Significa que não fecha as conversas, que foge das
discussões com medo de dizer a verdade, que reprime o
desejo e vira as costas remoendo sozinho as suas
frustrações e decepções, jamais repartindo a sua
verdadeira opinião com ninguém, nem com seus
melhores amigos.
Não revelei coisa alguma durante uma hora do encontro,
mas ela me decifrou inteiramente apenas analisando a
tampinha mordida da caneta. Uma mera, idiota e banal
tampinha iluminou o meu comportamento.
A partir daquele dia, nunca mais subestimei a psicanálise
e cuidei para morder somente a insossa borracha nos
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(Carpinejar. Amizade é também amor. 6. ed. Bertrand Brasil: 2017, p.
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Você pode ser uma pedra, não falar nada, mas até a
pedra um dia será amaciada pelo musgo.
Não adianta sonegar emoções, traficar amores, camuflar
problemas, porque será descoberto. Entregará o que
vem lhe preocupando pela aparência. Somos
horóscopos ambulantes, biscoitos da sorte prestes a
serem quebrados por uma mensagem.
No fim do Ensino Médio, eu vivia brigando com os meus
colegas, desafiando os professores, respondendo
desaforado aos pais. Óbvio que fui forçado a visitar a
psicóloga da escola. Prometi a mim mesmo que lacraria
a boca, ficaria calado durante a consulta inteira, faria
terrorismo com a quietude. Não achava justo ser
obrigado a me analisar e ainda mais numa época em
que a terapia estava vinculada preconceituosamente à
loucura.
Eu me ajeitei na poltrona com o meu estojo e caderno de
aula debaixo do braço e a indisposição macabra de
silenciar a cada pergunta. Mas a psicanalista não
questionou nada, e o seu silêncio inesperado foi me
enervando. Ela me observava com interesse, e eu
querendo cada vez mais me esconder. Quando alguém
permanece quieto muito tempo em nossa frente é como
encarar um espelho e o tamanho de nossas dúvidas. Ela
me provocava não me provocando, ela me emparedava
abrindo todas as portas. Aquela liberdade assustadora
de não ser cobrado a participar me aprisionava.
Mexi em meu estojo para me distrair.
Ela perguntou se eu poderia emprestar uma caneta.
Alcancei uma Bic azul. Ela viu que a tampa estava
mordida. Olhou com carinho e comentou:
− Enquanto não morder o tubo, está tudo bem.
Eu ri de nervoso e demonstrei curiosidade.
− Morder a tampa significa alguma coisa?
− Significa que não fecha as conversas, que foge das
discussões com medo de dizer a verdade, que reprime o
desejo e vira as costas remoendo sozinho as suas
frustrações e decepções, jamais repartindo a sua
verdadeira opinião com ninguém, nem com seus
melhores amigos.
Não revelei coisa alguma durante uma hora do encontro,
mas ela me decifrou inteiramente apenas analisando a
tampinha mordida da caneta. Uma mera, idiota e banal
tampinha iluminou o meu comportamento.
A partir daquele dia, nunca mais subestimei a psicanálise
e cuidei para morder somente a insossa borracha nos
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pedra um dia será amaciada pelo musgo.
Não adianta sonegar emoções, traficar amores, camuflar
problemas, porque será descoberto. Entregará o que
vem lhe preocupando pela aparência. Somos
horóscopos ambulantes, biscoitos da sorte prestes a
serem quebrados por uma mensagem.
No fim do Ensino Médio, eu vivia brigando com os meus
colegas, desafiando os professores, respondendo
desaforado aos pais. Óbvio que fui forçado a visitar a
psicóloga da escola. Prometi a mim mesmo que lacraria
a boca, ficaria calado durante a consulta inteira, faria
terrorismo com a quietude. Não achava justo ser
obrigado a me analisar e ainda mais numa época em
que a terapia estava vinculada preconceituosamente à
loucura.
Eu me ajeitei na poltrona com o meu estojo e caderno de
aula debaixo do braço e a indisposição macabra de
silenciar a cada pergunta. Mas a psicanalista não
questionou nada, e o seu silêncio inesperado foi me
enervando. Ela me observava com interesse, e eu
querendo cada vez mais me esconder. Quando alguém
permanece quieto muito tempo em nossa frente é como
encarar um espelho e o tamanho de nossas dúvidas. Ela
me provocava não me provocando, ela me emparedava
abrindo todas as portas. Aquela liberdade assustadora
de não ser cobrado a participar me aprisionava.
Mexi em meu estojo para me distrair.
Ela perguntou se eu poderia emprestar uma caneta.
Alcancei uma Bic azul. Ela viu que a tampa estava
mordida. Olhou com carinho e comentou:
− Enquanto não morder o tubo, está tudo bem.
Eu ri de nervoso e demonstrei curiosidade.
− Morder a tampa significa alguma coisa?
− Significa que não fecha as conversas, que foge das
discussões com medo de dizer a verdade, que reprime o
desejo e vira as costas remoendo sozinho as suas
frustrações e decepções, jamais repartindo a sua
verdadeira opinião com ninguém, nem com seus
melhores amigos.
Não revelei coisa alguma durante uma hora do encontro,
mas ela me decifrou inteiramente apenas analisando a
tampinha mordida da caneta. Uma mera, idiota e banal
tampinha iluminou o meu comportamento.
A partir daquele dia, nunca mais subestimei a psicanálise
e cuidei para morder somente a insossa borracha nos
momentos de maior ansiedade.
(Carpinejar. Amizade é também amor. 6. ed. Bertrand Brasil: 2017, p.
205)
I- "Mas" e "e" são conjunções adversativas.
II- "Não" e "nada" exemplificam dupla negação.
III- A vírgula indica mudança no sujeito das orações coordenadas.
IV- A colocação pronominal proclítica ao verbo auxiliar está incorreta.
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pedra um dia será amaciada pelo musgo.
Não adianta sonegar emoções, traficar amores, camuflar
problemas, porque será descoberto. Entregará o que
vem lhe preocupando pela aparência. Somos
horóscopos ambulantes, biscoitos da sorte prestes a
serem quebrados por uma mensagem.
No fim do Ensino Médio, eu vivia brigando com os meus
colegas, desafiando os professores, respondendo
desaforado aos pais. Óbvio que fui forçado a visitar a
psicóloga da escola. Prometi a mim mesmo que lacraria
a boca, ficaria calado durante a consulta inteira, faria
terrorismo com a quietude. Não achava justo ser
obrigado a me analisar e ainda mais numa época em
que a terapia estava vinculada preconceituosamente à
loucura.
Eu me ajeitei na poltrona com o meu estojo e caderno de
aula debaixo do braço e a indisposição macabra de
silenciar a cada pergunta. Mas a psicanalista não
questionou nada, e o seu silêncio inesperado foi me
enervando. Ela me observava com interesse, e eu
querendo cada vez mais me esconder. Quando alguém
permanece quieto muito tempo em nossa frente é como
encarar um espelho e o tamanho de nossas dúvidas. Ela
me provocava não me provocando, ela me emparedava
abrindo todas as portas. Aquela liberdade assustadora
de não ser cobrado a participar me aprisionava.
Mexi em meu estojo para me distrair.
Ela perguntou se eu poderia emprestar uma caneta.
Alcancei uma Bic azul. Ela viu que a tampa estava
mordida. Olhou com carinho e comentou:
− Enquanto não morder o tubo, está tudo bem.
Eu ri de nervoso e demonstrei curiosidade.
− Morder a tampa significa alguma coisa?
− Significa que não fecha as conversas, que foge das
discussões com medo de dizer a verdade, que reprime o
desejo e vira as costas remoendo sozinho as suas
frustrações e decepções, jamais repartindo a sua
verdadeira opinião com ninguém, nem com seus
melhores amigos.
Não revelei coisa alguma durante uma hora do encontro,
mas ela me decifrou inteiramente apenas analisando a
tampinha mordida da caneta. Uma mera, idiota e banal
tampinha iluminou o meu comportamento.
A partir daquele dia, nunca mais subestimei a psicanálise
e cuidei para morder somente a insossa borracha nos
momentos de maior ansiedade.
(Carpinejar. Amizade é também amor. 6. ed. Bertrand Brasil: 2017, p.
205)
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mínimos gestos.
Você pode ser uma pedra, não falar nada, mas até a
pedra um dia será amaciada pelo musgo.
Não adianta sonegar emoções, traficar amores, camuflar
problemas, porque será descoberto. Entregará o que
vem lhe preocupando pela aparência. Somos
horóscopos ambulantes, biscoitos da sorte prestes a
serem quebrados por uma mensagem.
No fim do Ensino Médio, eu vivia brigando com os meus
colegas, desafiando os professores, respondendo
desaforado aos pais. Óbvio que fui forçado a visitar a
psicóloga da escola. Prometi a mim mesmo que lacraria
a boca, ficaria calado durante a consulta inteira, faria
terrorismo com a quietude. Não achava justo ser
obrigado a me analisar e ainda mais numa época em
que a terapia estava vinculada preconceituosamente à
loucura.
Eu me ajeitei na poltrona com o meu estojo e caderno de
aula debaixo do braço e a indisposição macabra de
silenciar a cada pergunta. Mas a psicanalista não
questionou nada, e o seu silêncio inesperado foi me
enervando. Ela me observava com interesse, e eu
querendo cada vez mais me esconder. Quando alguém
permanece quieto muito tempo em nossa frente é como
encarar um espelho e o tamanho de nossas dúvidas. Ela
me provocava não me provocando, ela me emparedava
abrindo todas as portas. Aquela liberdade assustadora
de não ser cobrado a participar me aprisionava.
Mexi em meu estojo para me distrair.
Ela perguntou se eu poderia emprestar uma caneta.
Alcancei uma Bic azul. Ela viu que a tampa estava
mordida. Olhou com carinho e comentou:
− Enquanto não morder o tubo, está tudo bem.
Eu ri de nervoso e demonstrei curiosidade.
− Morder a tampa significa alguma coisa?
− Significa que não fecha as conversas, que foge das
discussões com medo de dizer a verdade, que reprime o
desejo e vira as costas remoendo sozinho as suas
frustrações e decepções, jamais repartindo a sua
verdadeira opinião com ninguém, nem com seus
melhores amigos.
Não revelei coisa alguma durante uma hora do encontro,
mas ela me decifrou inteiramente apenas analisando a
tampinha mordida da caneta. Uma mera, idiota e banal
tampinha iluminou o meu comportamento.
A partir daquele dia, nunca mais subestimei a psicanálise
e cuidei para morder somente a insossa borracha nos
momentos de maior ansiedade.
(Carpinejar. Amizade é também amor. 6. ed. Bertrand Brasil: 2017, p.
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O que sentimos ou deixamos de sentir está impresso nos
mínimos gestos.
Você pode ser uma pedra, não falar nada, mas até a
pedra um dia será amaciada pelo musgo.
Não adianta sonegar emoções, traficar amores, camuflar
problemas, porque será descoberto. Entregará o que
vem lhe preocupando pela aparência. Somos
horóscopos ambulantes, biscoitos da sorte prestes a
serem quebrados por uma mensagem.
No fim do Ensino Médio, eu vivia brigando com os meus
colegas, desafiando os professores, respondendo
desaforado aos pais. Óbvio que fui forçado a visitar a
psicóloga da escola. Prometi a mim mesmo que lacraria
a boca, ficaria calado durante a consulta inteira, faria
terrorismo com a quietude. Não achava justo ser
obrigado a me analisar e ainda mais numa época em
que a terapia estava vinculada preconceituosamente à
loucura.
Eu me ajeitei na poltrona com o meu estojo e caderno de
aula debaixo do braço e a indisposição macabra de
silenciar a cada pergunta. Mas a psicanalista não
questionou nada, e o seu silêncio inesperado foi me
enervando. Ela me observava com interesse, e eu
querendo cada vez mais me esconder. Quando alguém
permanece quieto muito tempo em nossa frente é como
encarar um espelho e o tamanho de nossas dúvidas. Ela
me provocava não me provocando, ela me emparedava
abrindo todas as portas. Aquela liberdade assustadora
de não ser cobrado a participar me aprisionava.
Mexi em meu estojo para me distrair.
Ela perguntou se eu poderia emprestar uma caneta.
Alcancei uma Bic azul. Ela viu que a tampa estava
mordida. Olhou com carinho e comentou:
− Enquanto não morder o tubo, está tudo bem.
Eu ri de nervoso e demonstrei curiosidade.
− Morder a tampa significa alguma coisa?
− Significa que não fecha as conversas, que foge das
discussões com medo de dizer a verdade, que reprime o
desejo e vira as costas remoendo sozinho as suas
frustrações e decepções, jamais repartindo a sua
verdadeira opinião com ninguém, nem com seus
melhores amigos.
Não revelei coisa alguma durante uma hora do encontro,
mas ela me decifrou inteiramente apenas analisando a
tampinha mordida da caneta. Uma mera, idiota e banal
tampinha iluminou o meu comportamento.
A partir daquele dia, nunca mais subestimei a psicanálise
e cuidei para morder somente a insossa borracha nos
momentos de maior ansiedade.
(Carpinejar. Amizade é também amor. 6. ed. Bertrand Brasil: 2017, p.
205)
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QUANDO MORDI A MINHA LÍNGUA
O que sentimos ou deixamos de sentir está impresso nos
mínimos gestos.
Você pode ser uma pedra, não falar nada, mas até a
pedra um dia será amaciada pelo musgo.
Não adianta sonegar emoções, traficar amores, camuflar
problemas, porque será descoberto. Entregará o que
vem lhe preocupando pela aparência. Somos
horóscopos ambulantes, biscoitos da sorte prestes a
serem quebrados por uma mensagem.
No fim do Ensino Médio, eu vivia brigando com os meus
colegas, desafiando os professores, respondendo
desaforado aos pais. Óbvio que fui forçado a visitar a
psicóloga da escola. Prometi a mim mesmo que lacraria
a boca, ficaria calado durante a consulta inteira, faria
terrorismo com a quietude. Não achava justo ser
obrigado a me analisar e ainda mais numa época em
que a terapia estava vinculada preconceituosamente à
loucura.
Eu me ajeitei na poltrona com o meu estojo e caderno de
aula debaixo do braço e a indisposição macabra de
silenciar a cada pergunta. Mas a psicanalista não
questionou nada, e o seu silêncio inesperado foi me
enervando. Ela me observava com interesse, e eu
querendo cada vez mais me esconder. Quando alguém
permanece quieto muito tempo em nossa frente é como
encarar um espelho e o tamanho de nossas dúvidas. Ela
me provocava não me provocando, ela me emparedava
abrindo todas as portas. Aquela liberdade assustadora
de não ser cobrado a participar me aprisionava.
Mexi em meu estojo para me distrair.
Ela perguntou se eu poderia emprestar uma caneta.
Alcancei uma Bic azul. Ela viu que a tampa estava
mordida. Olhou com carinho e comentou:
− Enquanto não morder o tubo, está tudo bem.
Eu ri de nervoso e demonstrei curiosidade.
− Morder a tampa significa alguma coisa?
− Significa que não fecha as conversas, que foge das
discussões com medo de dizer a verdade, que reprime o
desejo e vira as costas remoendo sozinho as suas
frustrações e decepções, jamais repartindo a sua
verdadeira opinião com ninguém, nem com seus
melhores amigos.
Não revelei coisa alguma durante uma hora do encontro,
mas ela me decifrou inteiramente apenas analisando a
tampinha mordida da caneta. Uma mera, idiota e banal
tampinha iluminou o meu comportamento.
A partir daquele dia, nunca mais subestimei a psicanálise
e cuidei para morder somente a insossa borracha nos
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Você pode ser uma pedra, não falar nada, mas até a
pedra um dia será amaciada pelo musgo.
Não adianta sonegar emoções, traficar amores, camuflar
problemas, porque será descoberto. Entregará o que
vem lhe preocupando pela aparência. Somos
horóscopos ambulantes, biscoitos da sorte prestes a
serem quebrados por uma mensagem.
No fim do Ensino Médio, eu vivia brigando com os meus
colegas, desafiando os professores, respondendo
desaforado aos pais. Óbvio que fui forçado a visitar a
psicóloga da escola. Prometi a mim mesmo que lacraria
a boca, ficaria calado durante a consulta inteira, faria
terrorismo com a quietude. Não achava justo ser
obrigado a me analisar e ainda mais numa época em
que a terapia estava vinculada preconceituosamente à
loucura.
Eu me ajeitei na poltrona com o meu estojo e caderno de
aula debaixo do braço e a indisposição macabra de
silenciar a cada pergunta. Mas a psicanalista não
questionou nada, e o seu silêncio inesperado foi me
enervando. Ela me observava com interesse, e eu
querendo cada vez mais me esconder. Quando alguém
permanece quieto muito tempo em nossa frente é como
encarar um espelho e o tamanho de nossas dúvidas. Ela
me provocava não me provocando, ela me emparedava
abrindo todas as portas. Aquela liberdade assustadora
de não ser cobrado a participar me aprisionava.
Mexi em meu estojo para me distrair.
Ela perguntou se eu poderia emprestar uma caneta.
Alcancei uma Bic azul. Ela viu que a tampa estava
mordida. Olhou com carinho e comentou:
− Enquanto não morder o tubo, está tudo bem.
Eu ri de nervoso e demonstrei curiosidade.
− Morder a tampa significa alguma coisa?
− Significa que não fecha as conversas, que foge das
discussões com medo de dizer a verdade, que reprime o
desejo e vira as costas remoendo sozinho as suas
frustrações e decepções, jamais repartindo a sua
verdadeira opinião com ninguém, nem com seus
melhores amigos.
Não revelei coisa alguma durante uma hora do encontro,
mas ela me decifrou inteiramente apenas analisando a
tampinha mordida da caneta. Uma mera, idiota e banal
tampinha iluminou o meu comportamento.
A partir daquele dia, nunca mais subestimei a psicanálise
e cuidei para morder somente a insossa borracha nos
momentos de maior ansiedade.
(Carpinejar. Amizade é também amor. 6. ed. Bertrand Brasil: 2017, p.
205)
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
QUANDO MORDI A MINHA LÍNGUA
O que sentimos ou deixamos de sentir está impresso nos
mínimos gestos.
Você pode ser uma pedra, não falar nada, mas até a
pedra um dia será amaciada pelo musgo.
Não adianta sonegar emoções, traficar amores, camuflar
problemas, porque será descoberto. Entregará o que
vem lhe preocupando pela aparência. Somos
horóscopos ambulantes, biscoitos da sorte prestes a
serem quebrados por uma mensagem.
No fim do Ensino Médio, eu vivia brigando com os meus
colegas, desafiando os professores, respondendo
desaforado aos pais. Óbvio que fui forçado a visitar a
psicóloga da escola. Prometi a mim mesmo que lacraria
a boca, ficaria calado durante a consulta inteira, faria
terrorismo com a quietude. Não achava justo ser
obrigado a me analisar e ainda mais numa época em
que a terapia estava vinculada preconceituosamente à
loucura.
Eu me ajeitei na poltrona com o meu estojo e caderno de
aula debaixo do braço e a indisposição macabra de
silenciar a cada pergunta. Mas a psicanalista não
questionou nada, e o seu silêncio inesperado foi me
enervando. Ela me observava com interesse, e eu
querendo cada vez mais me esconder. Quando alguém
permanece quieto muito tempo em nossa frente é como
encarar um espelho e o tamanho de nossas dúvidas. Ela
me provocava não me provocando, ela me emparedava
abrindo todas as portas. Aquela liberdade assustadora
de não ser cobrado a participar me aprisionava.
Mexi em meu estojo para me distrair.
Ela perguntou se eu poderia emprestar uma caneta.
Alcancei uma Bic azul. Ela viu que a tampa estava
mordida. Olhou com carinho e comentou:
− Enquanto não morder o tubo, está tudo bem.
Eu ri de nervoso e demonstrei curiosidade.
− Morder a tampa significa alguma coisa?
− Significa que não fecha as conversas, que foge das
discussões com medo de dizer a verdade, que reprime o
desejo e vira as costas remoendo sozinho as suas
frustrações e decepções, jamais repartindo a sua
verdadeira opinião com ninguém, nem com seus
melhores amigos.
Não revelei coisa alguma durante uma hora do encontro,
mas ela me decifrou inteiramente apenas analisando a
tampinha mordida da caneta. Uma mera, idiota e banal
tampinha iluminou o meu comportamento.
A partir daquele dia, nunca mais subestimei a psicanálise
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