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3843221 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: AMEOSC
Orgão: Pref. Palma Sola-SC
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A história do remédio que revolucionou tratamento da dor e deu origem à indústria farmacêutica há 125 anos


Foi um marco científico. O ácido acetilsalicílico, popularmente conhecido pela marca comercial Aspirina, é considerado o medicamento que inaugurou a indústria farmacêutica.

Trata-se do primeiro fármaco a ser sintetizado em laboratório, ou seja, que não pode ser encontrado em sua forma final na natureza.

Seu registro de patente foi realizado pela empresa Bayer em 6 de março de 1899, em Berlim, na Alemanha. Era o começo de uma história de sucesso, que mudaria a maneira como a humanidade lida com a dor.

Mas antes de prosseguir com esta história, cabe um alerta sempre necessário quando o assunto é medicamento — e mais importante ainda no caso de um remédio barato e acessível como é a Aspirina, que pode ser comprada, no Brasil, sem a necessidade de receita médica: a automedicação é sempre um risco.

"[O ácido acetilsalicílico] é facilmente encontrado e vendido nas farmácias e, por conta dessa facilidade de acesso, esse medicamento acaba sendo usado de maneira inadequada, o que pode trazer efeitos adversos como problemas gastrointestinais, toxicidade renal e hepática", alerta à BBC News Brasil o farmacêutico Jean Leandro dos Santos, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

"É sempre muito importante que haja orientação de um profissional de saúde no momento da indicação de um medicamento, como é o caso da Aspirina. O uso incorreto desses fármacos tem potencial [de consequência] grave. É importante que a população seja sempre orientada, no momento da decisão de utilizar um medicamento, mesmo que seja de fácil aquisição, isento de prescrição e de acesso direto na farmácia" completa o especialista, que também é coordenador do grupo de pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos na Unesp e membro da American Chemical Society (ACS).

Mas se a Aspirina tem 125 anos, sua história é derivada de uma substância — esta, sim, encontrada na natureza — utilizada pelo ser humano há pelo menos 2,4 mil anos. Trata-se do ácido salicílico.


"[Ela] inibe de maneira irreversível uma enzima no organismo responsável pela formação de prostaglandinas, que são substâncias que causam dor, e tromboxano, substância que causa fenômenos trombóticos", explica à BBC News Brasil o médico Gilberto de Nucci, professor na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

"Essa característica da inibição, irreversível, se deve à capacidade do acetilsalicílico de acetilar essa enzima, cujo nome é ciclo-oxigenase", completa Nucci, que é membro da Academia Nacional de Medicina, da Academia Nacional de Farmácia e da Academia Brasileira de Ciências.

Santos detalha que essa enzima "é responsável pela produção de mediadores que regulam o funcionamento e o equilíbrio de vários órgãos",

"Frente a uma inflamação ou quadro febril, esses mediadores são produzidos em excesso, e esse aumento de produção acaba aumentando o quadro inflamatório e sensibilizando os terminais receptivos responsáveis pela dor", explica o farmacêutico.

O "pulo do gato" de Hoffmann foi, de acordo com Santos, "uma estratégia bastante simples", na qual ele "fez uma reação química de acetilação do ácido salicílico, levando à formação do ácido acetilsalicílico".

"A introdução desse grupamento é responsável pela redução das propriedades indesejadas que o ácido salicílico tinha", completa.

Durante muito tempo, no entanto, esse mecanismo de ação do medicamento era desconhecido. Sabia-se que funcionava por conta da experiência prévia com o extrato do chorão. Mas não se entendia exatamente como o fármaco agia no organismo.

"Isso só foi descoberto depois. E rendeu um Nobel para o descobridor", destaca Herrmann.

Os méritos são do farmacêutico britânico John Vane (1927-2004), ganhador do prêmio Nobel em 1982, anos após demonstrar o mecanismo de ação do ácido acetilsalicílico.

A Aspirina começou a perder o posto de analgésico preferido depois que foram desenvolvidos outros fármacos destinados a aliviar a dor, como o paracetamol, em 1956, e o ibuprofeno, em 1962.

Segundo Herrmann, hoje o medicamento é mais utilizado na prevenção de doenças cardiovasculares do que para aliviar a dor.

"No Brasil, hoje, como analgésico se usa muito mais o paracetamol, a dipirona e outros, que têm menos efeitos danosos para o estômago", diz ela.

"O uso da Aspirina é principalmente na prevenção de eventos cardiovasculares e também na prevenção de alguns tipos de câncer."

Santos explica que essas outras indicações acabaram sendo descobertas apenas com o uso.



"Com a própria utilização, foram observados tais efeitos. Isso normalmente acontece com a pesquisa clínica, quando são percebidos efeitos adicionais do uso de um remédio", afirma.

No caso, constatou-se que, como a Aspirina inibe a ciclo-oxigenase, também previne ou inibe a formação de trombos.

Por isso, sua ingestão, em dosagens menores, passou a ser recomendada para alguns pacientes com histórico de doenças cardiovasculares, como forma de prevenir infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Mais recentemente, algumas pesquisas indicaram que o medicamento pode ser eficaz na prevenção de alguns tumores cancerígenos, por conta de seu papel inibidor de mediadores fisiológicos.

Para o professor Santos, é importante lembrar que, "embora seja um fármaco conhecido há mais de 100 anos, ainda há muitas pesquisas buscando a compreensão de seus mecanismos".

"Ainda é uma fonte de inspiração para o desenvolvimento de novos compostos, novos fármacos. Embora centenário, [o ácido acetilsalicílico] ainda é capaz de prover novas ideias, desenvolvimento de novas formulações, medicamentos e associações em que ele é combinado a outras substâncias", acrescenta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c720903py31o

Qual é uma das finalidades para as quais a Aspirina é mais utilizada atualmente?
 

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3843220 Ano: 2024
Disciplina: Farmácia
Banca: AMEOSC
Orgão: Pref. Palma Sola-SC
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A história do remédio que revolucionou tratamento da dor e deu origem à indústria farmacêutica há 125 anos


Foi um marco científico. O ácido acetilsalicílico, popularmente conhecido pela marca comercial Aspirina, é considerado o medicamento que inaugurou a indústria farmacêutica.

Trata-se do primeiro fármaco a ser sintetizado em laboratório, ou seja, que não pode ser encontrado em sua forma final na natureza.

Seu registro de patente foi realizado pela empresa Bayer em 6 de março de 1899, em Berlim, na Alemanha. Era o começo de uma história de sucesso, que mudaria a maneira como a humanidade lida com a dor.

Mas antes de prosseguir com esta história, cabe um alerta sempre necessário quando o assunto é medicamento — e mais importante ainda no caso de um remédio barato e acessível como é a Aspirina, que pode ser comprada, no Brasil, sem a necessidade de receita médica: a automedicação é sempre um risco.

"[O ácido acetilsalicílico] é facilmente encontrado e vendido nas farmácias e, por conta dessa facilidade de acesso, esse medicamento acaba sendo usado de maneira inadequada, o que pode trazer efeitos adversos como problemas gastrointestinais, toxicidade renal e hepática", alerta à BBC News Brasil o farmacêutico Jean Leandro dos Santos, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

"É sempre muito importante que haja orientação de um profissional de saúde no momento da indicação de um medicamento, como é o caso da Aspirina. O uso incorreto desses fármacos tem potencial [de consequência] grave. É importante que a população seja sempre orientada, no momento da decisão de utilizar um medicamento, mesmo que seja de fácil aquisição, isento de prescrição e de acesso direto na farmácia" completa o especialista, que também é coordenador do grupo de pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos na Unesp e membro da American Chemical Society (ACS).

Mas se a Aspirina tem 125 anos, sua história é derivada de uma substância — esta, sim, encontrada na natureza — utilizada pelo ser humano há pelo menos 2,4 mil anos. Trata-se do ácido salicílico.


"[Ela] inibe de maneira irreversível uma enzima no organismo responsável pela formação de prostaglandinas, que são substâncias que causam dor, e tromboxano, substância que causa fenômenos trombóticos", explica à BBC News Brasil o médico Gilberto de Nucci, professor na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

"Essa característica da inibição, irreversível, se deve à capacidade do acetilsalicílico de acetilar essa enzima, cujo nome é ciclo-oxigenase", completa Nucci, que é membro da Academia Nacional de Medicina, da Academia Nacional de Farmácia e da Academia Brasileira de Ciências.

Santos detalha que essa enzima "é responsável pela produção de mediadores que regulam o funcionamento e o equilíbrio de vários órgãos",

"Frente a uma inflamação ou quadro febril, esses mediadores são produzidos em excesso, e esse aumento de produção acaba aumentando o quadro inflamatório e sensibilizando os terminais receptivos responsáveis pela dor", explica o farmacêutico.

O "pulo do gato" de Hoffmann foi, de acordo com Santos, "uma estratégia bastante simples", na qual ele "fez uma reação química de acetilação do ácido salicílico, levando à formação do ácido acetilsalicílico".

"A introdução desse grupamento é responsável pela redução das propriedades indesejadas que o ácido salicílico tinha", completa.

Durante muito tempo, no entanto, esse mecanismo de ação do medicamento era desconhecido. Sabia-se que funcionava por conta da experiência prévia com o extrato do chorão. Mas não se entendia exatamente como o fármaco agia no organismo.

"Isso só foi descoberto depois. E rendeu um Nobel para o descobridor", destaca Herrmann.

Os méritos são do farmacêutico britânico John Vane (1927-2004), ganhador do prêmio Nobel em 1982, anos após demonstrar o mecanismo de ação do ácido acetilsalicílico.

A Aspirina começou a perder o posto de analgésico preferido depois que foram desenvolvidos outros fármacos destinados a aliviar a dor, como o paracetamol, em 1956, e o ibuprofeno, em 1962.

Segundo Herrmann, hoje o medicamento é mais utilizado na prevenção de doenças cardiovasculares do que para aliviar a dor.

"No Brasil, hoje, como analgésico se usa muito mais o paracetamol, a dipirona e outros, que têm menos efeitos danosos para o estômago", diz ela.

"O uso da Aspirina é principalmente na prevenção de eventos cardiovasculares e também na prevenção de alguns tipos de câncer."

Santos explica que essas outras indicações acabaram sendo descobertas apenas com o uso.



"Com a própria utilização, foram observados tais efeitos. Isso normalmente acontece com a pesquisa clínica, quando são percebidos efeitos adicionais do uso de um remédio", afirma.

No caso, constatou-se que, como a Aspirina inibe a ciclo-oxigenase, também previne ou inibe a formação de trombos.

Por isso, sua ingestão, em dosagens menores, passou a ser recomendada para alguns pacientes com histórico de doenças cardiovasculares, como forma de prevenir infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Mais recentemente, algumas pesquisas indicaram que o medicamento pode ser eficaz na prevenção de alguns tumores cancerígenos, por conta de seu papel inibidor de mediadores fisiológicos.

Para o professor Santos, é importante lembrar que, "embora seja um fármaco conhecido há mais de 100 anos, ainda há muitas pesquisas buscando a compreensão de seus mecanismos".

"Ainda é uma fonte de inspiração para o desenvolvimento de novos compostos, novos fármacos. Embora centenário, [o ácido acetilsalicílico] ainda é capaz de prover novas ideias, desenvolvimento de novas formulações, medicamentos e associações em que ele é combinado a outras substâncias", acrescenta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c720903py31o

Como a Aspirina age no organismo, de acordo com o texto?
 

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3843219 Ano: 2024
Disciplina: Farmácia
Banca: AMEOSC
Orgão: Pref. Palma Sola-SC
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A história do remédio que revolucionou tratamento da dor e deu origem à indústria farmacêutica há 125 anos


Foi um marco científico. O ácido acetilsalicílico, popularmente conhecido pela marca comercial Aspirina, é considerado o medicamento que inaugurou a indústria farmacêutica.

Trata-se do primeiro fármaco a ser sintetizado em laboratório, ou seja, que não pode ser encontrado em sua forma final na natureza.

Seu registro de patente foi realizado pela empresa Bayer em 6 de março de 1899, em Berlim, na Alemanha. Era o começo de uma história de sucesso, que mudaria a maneira como a humanidade lida com a dor.

Mas antes de prosseguir com esta história, cabe um alerta sempre necessário quando o assunto é medicamento — e mais importante ainda no caso de um remédio barato e acessível como é a Aspirina, que pode ser comprada, no Brasil, sem a necessidade de receita médica: a automedicação é sempre um risco.

"[O ácido acetilsalicílico] é facilmente encontrado e vendido nas farmácias e, por conta dessa facilidade de acesso, esse medicamento acaba sendo usado de maneira inadequada, o que pode trazer efeitos adversos como problemas gastrointestinais, toxicidade renal e hepática", alerta à BBC News Brasil o farmacêutico Jean Leandro dos Santos, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

"É sempre muito importante que haja orientação de um profissional de saúde no momento da indicação de um medicamento, como é o caso da Aspirina. O uso incorreto desses fármacos tem potencial [de consequência] grave. É importante que a população seja sempre orientada, no momento da decisão de utilizar um medicamento, mesmo que seja de fácil aquisição, isento de prescrição e de acesso direto na farmácia" completa o especialista, que também é coordenador do grupo de pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos na Unesp e membro da American Chemical Society (ACS).

Mas se a Aspirina tem 125 anos, sua história é derivada de uma substância — esta, sim, encontrada na natureza — utilizada pelo ser humano há pelo menos 2,4 mil anos. Trata-se do ácido salicílico.


"[Ela] inibe de maneira irreversível uma enzima no organismo responsável pela formação de prostaglandinas, que são substâncias que causam dor, e tromboxano, substância que causa fenômenos trombóticos", explica à BBC News Brasil o médico Gilberto de Nucci, professor na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

"Essa característica da inibição, irreversível, se deve à capacidade do acetilsalicílico de acetilar essa enzima, cujo nome é ciclo-oxigenase", completa Nucci, que é membro da Academia Nacional de Medicina, da Academia Nacional de Farmácia e da Academia Brasileira de Ciências.

Santos detalha que essa enzima "é responsável pela produção de mediadores que regulam o funcionamento e o equilíbrio de vários órgãos",

"Frente a uma inflamação ou quadro febril, esses mediadores são produzidos em excesso, e esse aumento de produção acaba aumentando o quadro inflamatório e sensibilizando os terminais receptivos responsáveis pela dor", explica o farmacêutico.

O "pulo do gato" de Hoffmann foi, de acordo com Santos, "uma estratégia bastante simples", na qual ele "fez uma reação química de acetilação do ácido salicílico, levando à formação do ácido acetilsalicílico".

"A introdução desse grupamento é responsável pela redução das propriedades indesejadas que o ácido salicílico tinha", completa.

Durante muito tempo, no entanto, esse mecanismo de ação do medicamento era desconhecido. Sabia-se que funcionava por conta da experiência prévia com o extrato do chorão. Mas não se entendia exatamente como o fármaco agia no organismo.

"Isso só foi descoberto depois. E rendeu um Nobel para o descobridor", destaca Herrmann.

Os méritos são do farmacêutico britânico John Vane (1927-2004), ganhador do prêmio Nobel em 1982, anos após demonstrar o mecanismo de ação do ácido acetilsalicílico.

A Aspirina começou a perder o posto de analgésico preferido depois que foram desenvolvidos outros fármacos destinados a aliviar a dor, como o paracetamol, em 1956, e o ibuprofeno, em 1962.

Segundo Herrmann, hoje o medicamento é mais utilizado na prevenção de doenças cardiovasculares do que para aliviar a dor.

"No Brasil, hoje, como analgésico se usa muito mais o paracetamol, a dipirona e outros, que têm menos efeitos danosos para o estômago", diz ela.

"O uso da Aspirina é principalmente na prevenção de eventos cardiovasculares e também na prevenção de alguns tipos de câncer."

Santos explica que essas outras indicações acabaram sendo descobertas apenas com o uso.



"Com a própria utilização, foram observados tais efeitos. Isso normalmente acontece com a pesquisa clínica, quando são percebidos efeitos adicionais do uso de um remédio", afirma.

No caso, constatou-se que, como a Aspirina inibe a ciclo-oxigenase, também previne ou inibe a formação de trombos.

Por isso, sua ingestão, em dosagens menores, passou a ser recomendada para alguns pacientes com histórico de doenças cardiovasculares, como forma de prevenir infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Mais recentemente, algumas pesquisas indicaram que o medicamento pode ser eficaz na prevenção de alguns tumores cancerígenos, por conta de seu papel inibidor de mediadores fisiológicos.

Para o professor Santos, é importante lembrar que, "embora seja um fármaco conhecido há mais de 100 anos, ainda há muitas pesquisas buscando a compreensão de seus mecanismos".

"Ainda é uma fonte de inspiração para o desenvolvimento de novos compostos, novos fármacos. Embora centenário, [o ácido acetilsalicílico] ainda é capaz de prover novas ideias, desenvolvimento de novas formulações, medicamentos e associações em que ele é combinado a outras substâncias", acrescenta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c720903py31o

Qual é uma das razões mencionadas no texto que tornam o ácido acetilsalicílico uma fonte de inspiração para o desenvolvimento de novos medicamentos?
 

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3843218 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: AMEOSC
Orgão: Pref. Palma Sola-SC
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A história do remédio que revolucionou tratamento da dor e deu origem à indústria farmacêutica há 125 anos


Foi um marco científico. O ácido acetilsalicílico, popularmente conhecido pela marca comercial Aspirina, é considerado o medicamento que inaugurou a indústria farmacêutica.

Trata-se do primeiro fármaco a ser sintetizado em laboratório, ou seja, que não pode ser encontrado em sua forma final na natureza.

Seu registro de patente foi realizado pela empresa Bayer em 6 de março de 1899, em Berlim, na Alemanha. Era o começo de uma história de sucesso, que mudaria a maneira como a humanidade lida com a dor.

Mas antes de prosseguir com esta história, cabe um alerta sempre necessário quando o assunto é medicamento — e mais importante ainda no caso de um remédio barato e acessível como é a Aspirina, que pode ser comprada, no Brasil, sem a necessidade de receita médica: a automedicação é sempre um risco.

"[O ácido acetilsalicílico] é facilmente encontrado e vendido nas farmácias e, por conta dessa facilidade de acesso, esse medicamento acaba sendo usado de maneira inadequada, o que pode trazer efeitos adversos como problemas gastrointestinais, toxicidade renal e hepática", alerta à BBC News Brasil o farmacêutico Jean Leandro dos Santos, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

"É sempre muito importante que haja orientação de um profissional de saúde no momento da indicação de um medicamento, como é o caso da Aspirina. O uso incorreto desses fármacos tem potencial [de consequência] grave. É importante que a população seja sempre orientada, no momento da decisão de utilizar um medicamento, mesmo que seja de fácil aquisição, isento de prescrição e de acesso direto na farmácia" completa o especialista, que também é coordenador do grupo de pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos na Unesp e membro da American Chemical Society (ACS).

Mas se a Aspirina tem 125 anos, sua história é derivada de uma substância — esta, sim, encontrada na natureza — utilizada pelo ser humano há pelo menos 2,4 mil anos. Trata-se do ácido salicílico.


"[Ela] inibe de maneira irreversível uma enzima no organismo responsável pela formação de prostaglandinas, que são substâncias que causam dor, e tromboxano, substância que causa fenômenos trombóticos", explica à BBC News Brasil o médico Gilberto de Nucci, professor na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

"Essa característica da inibição, irreversível, se deve à capacidade do acetilsalicílico de acetilar essa enzima, cujo nome é ciclo-oxigenase", completa Nucci, que é membro da Academia Nacional de Medicina, da Academia Nacional de Farmácia e da Academia Brasileira de Ciências.

Santos detalha que essa enzima "é responsável pela produção de mediadores que regulam o funcionamento e o equilíbrio de vários órgãos",

"Frente a uma inflamação ou quadro febril, esses mediadores são produzidos em excesso, e esse aumento de produção acaba aumentando o quadro inflamatório e sensibilizando os terminais receptivos responsáveis pela dor", explica o farmacêutico.

O "pulo do gato" de Hoffmann foi, de acordo com Santos, "uma estratégia bastante simples", na qual ele "fez uma reação química de acetilação do ácido salicílico, levando à formação do ácido acetilsalicílico".

"A introdução desse grupamento é responsável pela redução das propriedades indesejadas que o ácido salicílico tinha", completa.

Durante muito tempo, no entanto, esse mecanismo de ação do medicamento era desconhecido. Sabia-se que funcionava por conta da experiência prévia com o extrato do chorão. Mas não se entendia exatamente como o fármaco agia no organismo.

"Isso só foi descoberto depois. E rendeu um Nobel para o descobridor", destaca Herrmann.

Os méritos são do farmacêutico britânico John Vane (1927-2004), ganhador do prêmio Nobel em 1982, anos após demonstrar o mecanismo de ação do ácido acetilsalicílico.

A Aspirina começou a perder o posto de analgésico preferido depois que foram desenvolvidos outros fármacos destinados a aliviar a dor, como o paracetamol, em 1956, e o ibuprofeno, em 1962.

Segundo Herrmann, hoje o medicamento é mais utilizado na prevenção de doenças cardiovasculares do que para aliviar a dor.

"No Brasil, hoje, como analgésico se usa muito mais o paracetamol, a dipirona e outros, que têm menos efeitos danosos para o estômago", diz ela.

"O uso da Aspirina é principalmente na prevenção de eventos cardiovasculares e também na prevenção de alguns tipos de câncer."

Santos explica que essas outras indicações acabaram sendo descobertas apenas com o uso.



"Com a própria utilização, foram observados tais efeitos. Isso normalmente acontece com a pesquisa clínica, quando são percebidos efeitos adicionais do uso de um remédio", afirma.

No caso, constatou-se que, como a Aspirina inibe a ciclo-oxigenase, também previne ou inibe a formação de trombos.

Por isso, sua ingestão, em dosagens menores, passou a ser recomendada para alguns pacientes com histórico de doenças cardiovasculares, como forma de prevenir infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Mais recentemente, algumas pesquisas indicaram que o medicamento pode ser eficaz na prevenção de alguns tumores cancerígenos, por conta de seu papel inibidor de mediadores fisiológicos.

Para o professor Santos, é importante lembrar que, "embora seja um fármaco conhecido há mais de 100 anos, ainda há muitas pesquisas buscando a compreensão de seus mecanismos".

"Ainda é uma fonte de inspiração para o desenvolvimento de novos compostos, novos fármacos. Embora centenário, [o ácido acetilsalicílico] ainda é capaz de prover novas ideias, desenvolvimento de novas formulações, medicamentos e associações em que ele é combinado a outras substâncias", acrescenta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c720903py31o

Qual é a principal preocupação expressa por Jean Leandro dos Santos citado no texto?
 

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3843217 Ano: 2024
Disciplina: Veterinária
Banca: AMEOSC
Orgão: Pref. Palma Sola-SC
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As doenças causadas por parasitas como cestódeos, trematódeos, nematódeos e protozoários em animais domésticos apresentam características específicas e desafios distintos para o diagnóstico, tratamento e controle. Dando ênfase aos trematódeos, mas considerando também os outros grupos de parasitas, analise as seguintes afirmações e indique se são verdadeiras (V) ou falsas (F):
(__)Os trematódeos, também conhecidos como vermes planos, são exclusivamente parasitas externos de animais domésticos e não causam doenças internas.
(__)O diagnóstico de infecções causadas por trematódeos em animais domésticos é geralmente realizado por exames de fezes, que detectam ovos ou larvas do parasita.
(__)A profilaxia de doenças causadas por cestódeos e trematódeos inclui medidas como controle de hospedeiros intermediários e práticas adequadas de manejo ambiental.
(__)Nematódeos, como os vermes redondos, e protozoários não possuem ciclos biológicos complexos são facilmente controláveis em ambientes domésticos. Assinale a alternativa com a sequência correta:
 

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3843216 Ano: 2024
Disciplina: Veterinária
Banca: AMEOSC
Orgão: Pref. Palma Sola-SC
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A identificação, análise e avaliação das alterações nas carcaças e vísceras dos animais de açougue são etapas cruciais na inspeção sanitária e na garantia da qualidade dos produtos cárneos destinados ao consumo humano. Essas atividades são realizadas por profissionais especializados, como médicos veterinários, que devem estar capacitados para reconhecer sinais de doenças, contaminação ou outras anomalias que possam comprometer a segurança alimentar. Com isso, durante a inspeção em um frigorífico, um médico veterinário observa uma coloração anormal e odor desagradável em algumas carcaças de bovinos. Ele coleta amostras para análise laboratorial e realiza uma avaliação detalhada das vísceras em busca de sinais de doenças ou contaminação. Com base nos resultados, ele pode determinar se as carcaças são próprias para o consumo humano ou se devem ser descartadas devido a preocupações com a segurança alimentar. Nesse contexto, qual é a principal razão para identificar, analisar e avaliar as alterações encontradas nas carcaças e vísceras dos animais de açougue durante a inspeção sanitária?
 

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3843215 Ano: 2024
Disciplina: Veterinária
Banca: AMEOSC
Orgão: Pref. Palma Sola-SC
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As doenças causadas por parasitas como cestódeos, trematódeos, nematódeos e protozoários representam um desafio significativo para a saúde animal. Esses parasitas podem afetar uma ampla variedade de espécies animais, causando desde infecções leves até doenças graves e potencialmente fatais. É essencial compreender os aspectos etiológicos, epidemiológicos, patogenia, sinais clínicos, diagnóstico, tratamento e controle dessas doenças para garantir a saúde e o bem-estar dos animais. Com isso, imagine que um rebanho de ovinos apresenta sinais clínicos de anemia, perda de peso e diarreia. Após investigação, é diagnosticada a presença de nematódeos gastrointestinais como Haemonchus contortus. O médico veterinário prescreve um tratamento adequado e implementa medidas de controle parasitário para evitar a disseminação da infecção para outros animais do rebanho. Nesse contexto, qual é a importância do controle parasitário na prevenção de doenças causadas por cestódeos, trematódeos, nematódeos e protozoários em animais domésticos?
 

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3843214 Ano: 2024
Disciplina: Medicina
Banca: AMEOSC
Orgão: Pref. Palma Sola-SC
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Doenças virais em animais representam um desafio significativo na medicina veterinária, envolvendo a compreensão de vários aspectos como etiologia, epidemiologia e controle. Os vírus podem causar uma variedade de doenças em animais, variando desde infecções leves até doenças graves e fatais. O conhecimento detalhado sobre a natureza dessas doenças é essencial para seu diagnóstico, tratamento e prevenção. Com isso, a raiva é uma doença viral zoonótica grave, causada pelo vírus da raiva, sendo transmitida principalmente através da mordida de animais infectados. Nesse contexto, qual das seguintes afirmações é verdadeira sobre doenças produzidas por vírus em animais?
 

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3843213 Ano: 2024
Disciplina: Veterinária
Banca: AMEOSC
Orgão: Pref. Palma Sola-SC
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O papel do Médico Veterinário é crucial no controle e prevenção de zoonoses, doenças que podem ser transmitidas de animais para humanos. Estas incluem zoonoses endêmicas, presentes de forma contínua em certas áreas; emergentes, que surgem repentinamente; e reemergentes, que haviam diminuído, mas estão voltando a aparecer. A atuação ética e responsável dos veterinários é essencial na gestão dessas doenças, protegendo a saúde pública e animal. Com isso, um médico veterinário atua em uma área rural com histórico de febre amarela, uma zoonose endêmica. Ele identifica um surto em primatas não humanos, um sinal de alerta para o risco em humanos. O profissional, seguindo o Código de Ética do Médico Veterinário, comunica as autoridades de saúde pública, contribuindo para ações preventivas na comunidade, e orienta os moradores sobre medidas de proteção e vacinação. Nesse contexto, analise as seguintes afirmações sobre o papel do Médico Veterinário nas zoonoses endêmicas, emergentes e reemergentes e indique se são verdadeiras (V) ou falsas (F):

(__)O Médico Veterinário é fundamental na identificação e controle de zoonoses endêmicas, emergentes e reemergentes.

(__)Na gestão de zoonoses, a comunicação com autoridades de saúde pública não é considerada uma responsabilidade do Médico Veterinário.

(__)A prevenção e controle de zoonoses incluem educação e orientação da comunidade sobre práticas de saúde e higiene.

(__)O Médico Veterinário não precisa considerar o impacto ambiental ao lidar com zoonoses.

Assinale a alternativa com a sequência correta:

 

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3843212 Ano: 2024
Disciplina: Saúde Pública
Banca: AMEOSC
Orgão: Pref. Palma Sola-SC
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As zoonoses são doenças infecciosas que podem ser transmitidas dos animais para os seres humanos vice-versa. Elas representam uma preocupação significativa para a saúde pública, pois podem causar surtos e epidemias, afetando tanto humanos quanto animais. As zoonoses podem ser classificadas em endêmicas, emergentes e reemergentes, dependendo de vários fatores, como sua prevalência, incidência e evolução ao longo do tempo. Com isso, um exemplo de zoonose endêmica é a leishmaniose, uma doença transmitida por mosquitos infectados que afeta tanto humanos quanto cães. Já uma zoonose emergente pode ser a febre do Nilo Ocidental, que teve um aumento recente de casos em humanos e animais em determinadas regiões. Por fim, uma zoonose reemergente pode ser a tuberculose bovina, que, apesar de ter sido controlada em muitos países, está ressurgindo devido a diversos fatores, como a globalização e o aumento da resistência antimicrobiana. Nesse contexto, a classificação das zoonoses em endêmicas, emergentes e reemergentes é baseada em qual aspecto?
 

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