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Foram encontradas 20 questões.

De acordo com o Art. 3 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB, Lei nº 9394/96, o ensino será ministrado com base em alguns princípios, dentre os quais pode-se citar:
 

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Liberdade
Cecília Meireles
Deve existir nos homens um sentimento profundo que corresponde a essa palavra LIBERDADE, pois sobre ela se têm escrito poemas e hinos, a ela se têm levantado estátuas e monumentos, por ela se têm até morrido com alegria e felicidade.
Diz-se que o homem nasceu livre, que a liberdade de cada acaba onde começa a liberdade de outrem; que onde não há liberdade não há pátria, que a morte é preferível à falta de liberdade; que renunciar à liberdade é renunciar à própria condição humana; que a liberdade é o maior bem do mundo; que a liberdade é o oposto à fatalidade e à escravidão; nossos bisavós gritavam "Liberdade, Igualdade e Fraternidade!" ; nossos avós cantaram: "Ou ficar a Pátria livre/ ou morrer pelo Brasil"; nossos pais pediam: "Liberdade! \abre as asas sobre nós", e nós recordamos todos os dias que "o sol da liberdade em raios fúlgidos/ brilhou no céu da Pátria..." em certo instante.
Somos, pois criaturas nutridas de liberdade há muito tempo , com disposições de cantá-la, amá-la, combater e certamente morrer por ela.
Ser livre como diria o famoso conselheiro... é não ser escravo; é agir segundo nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo de partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho... Enfim, ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de autômato e de teleguiado, é proclamar o triunfo luminoso do espírito. (Suponho que seja isso.)
Ser livre ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes. Por isso, os meninos atiram pedras e soltam papagaios. A pedra inocentemente vai até onde o sonho das crianças deseja ir (Ás vezes, é certo, quebra alguma coisa, no seu percurso...)
Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora (muito de outrora!...) não acreditavam que se pudessem chegar tão simplesmente, com um fio de linha e um pouco de vento!....
Acontece, porém, que um menino, para empinar um papagaio, esqueceu-se da fatalidade dos fios elétricos e perdeu a vida.
E os loucos que sonharam a sair de seus pavilhões, usando a fórmula do incêndio para chegarem à liberdade, morreram queimados, com o mapa da Liberdade nas mãos!...
São essas coisas tristes que contornam sombriamente aquele sentimento luminoso da LIBERDADE. Para alcançá-la, estamos todos os dias expostos à morte. E os tímidos preferem ficar onde estão, preferem mesmo prender melhor suas correntes e não pensar em assunto tão ingrato.
Mas os sonhadores vão para a frente, soltando seus papagaios, morrendo nos seus incêndios, como as crianças e os loucos. E cantando aqueles hinos, que falam de asas, de raios fúlgidos linguagem de seus antepassados, estranha linguagem humana, nestes andaimes dos construtores de Babel...
Texto extraído do livro "Escolha o seu sonho", Editora Record Rio de Janeiro, 2002, p 07, Adaptado.
Releia o parágrafo pera responder à questão:
Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora (muito de outrora!...) não acreditavam que se pudesse chegar tão simplesmente, com um fio de linha e um pouco de vento!...
Passando-se para o futuro do pretérito do modo Indicativo o verbo da primeira frase, a forma correta é:
 

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1816804 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: SELECON
Orgão: Pref. São José Quatro Marcos-MT
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Energia
Já comentei duas atitudes em relação à língua: uma que só vê o produto e outra que prefere olhar para o processo. Para uma, gramática e dicionário são, de certa forma, obras estanques, prontas, especialmente no domínio do léxico. É por isso que certa tradição condena os neologismos - ou só os aceita quando "necessários", a mesma atitude proposta em relação aos estrangeirismos.
Comecemos, por estes, então. Muita gente os condena, porque os considera uma forma de invasão da cultura por outra. Talvez seja verdade. Mas eles podem ter outra faceta: em vez revelar uma língua fraca, invadida, podem mostrar uma língua poderosa, cuja máquina se move assim que uma palavra estrangeira começa a ser empregada.
Observe o que aconteceu com "futebol", originada de foot ball. A sílaba foot foi reorganizada, recebendo uma vogal no final. A razão é que o português repele (exceto em pronúncias quase exageradamente cuidadas) sílabas terminadas em consoantes obstruintes ( daí "adevogado"/advogado e "áfita"/alta etc.). Foot torna-se "fute". Snob torna-se "esnobe" adequando ao português também ao padrão silábico inicial. O que é isto? Um exemplo da gramática funcionando.
Palavras novas seguem regras ou padrões que existem na língua- o seu lado e energeia, fundamentalmente. De "catraca", por exemplo, surgiu há algum tempo o verbo "descatracalizar" e o substantivo "descatralização". Como se formam? Antes de tudo: não há nenhuma novidade no processo; só no produto.
A sequência pode ser apresentada assim: catraca> catracal> catracalizar> descatracalizar ( -al forma adjetivos, como em "inicial"; - izar forma verbos, como em "oficializar"; des-forma negações, digamos como em "des-fazer"). Para "catracalização", basta acrescentar outro sufixo, -ção, e deixar cair "r", se é que ainda se pronuncia...
Às vezes, a coisa parece mais abstrata. Um bom exemplo é processo (antigo) que transformou palavras proparoxítonas. Na história da língua portuguesa, esse fenômeno foi constante: áquila iu "águia", ásinu de "asno" littera deu "letra" etc.
O fenômeno continua ocorrendo, e os melhores exemplos são abóbora ("abóbra"), chácara("chacra") e xícara("xicra"). Digo que são os melhores exemplos porque alguém poderia dizer que "musga" (de música) não é um bom exemplo do fenômeno (alguém defenderia que é só um erro etc.). Mas é quase certo que mesmo pessoas com esta mentalidade empregam "chacrinha", "xicrinha" e "abobrinha". Logo, aceitam implicitamente "abobra", "chacra" e "xicra". Sempre que invoco este exemplo diante um conservador ele fica sem fala...
No domínio da sintaxe, a energiea é ainda mais óbvia, porque não construímos orações por imitação, mas as criamos a cada vez. Só que demonstração, neste caso, é menos evidente. Não é necessariamente claro que as mesmas regras que constroem "gatos perseguem ratos" constroem "casas têm quartos". E ainda menos que se trata de criação (mas é!).
Quem quiser fazer a prova, leia um livro ou um jornal, e veja se as frases nele constantes não são originais (executados os clichês). Talvez as exceções sejam os idiomatismos ( como "quebrar um galho" ou "bater um papo"), que provavelmente memorizamos, não inventamos.
Sírio Possenti http://cienciahoje.org.br/coluna/energeia/
O emprego de "talvez" demonstra uma atitude argumentativa do autor baseada em:
 

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1710958 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: SELECON
Orgão: Pref. São José Quatro Marcos-MT
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Energia
Já comentei duas atitudes em relação à língua: uma que só vê o produto e outra que prefere olhar para o processo. Para uma, gramática e dicionário são, de certa forma, obras estanques, prontas, especialmente no domínio do léxico. É por isso que certa tradição condena os neologismos - ou só os aceita quando "necessários", a mesma atitude proposta em relação aos estrangeirismos.
Comecemos, por estes, então. Muita gente os condena, porque os considera uma forma de invasão da cultura por outra. Talvez seja verdade. Mas eles podem ter outra faceta: em vez revelar uma língua fraca, invadida, podem mostrar uma língua poderosa, cuja máquina se move assim que uma palavra estrangeira começa a ser empregada.
Observe o que aconteceu com "futebol", originada de foot ball. A sílaba foot foi reorganizada, recebendo uma vogal no final. A razão é que o português repele (exceto em pronúncias quase exageradamente cuidadas) sílabas terminadas em consoantes obstruintes ( daí "adevogado"/advogado e "áfita"/alta etc.). Foot torna-se "fute". Snob torna-se "esnobe" adequando ao português também ao padrão silábico inicial. O que é isto? Um exemplo da gramática funcionando.
Palavras novas seguem regras ou padrões que existem na língua- o seu lado e energeia, fundamentalmente. De "catraca", por exemplo, surgiu há algum tempo o verbo "descatracalizar" e o substantivo "descatralização". Como se formam? Antes de tudo: não há nenhuma novidade no processo; só no produto.
A sequência pode ser apresentada assim: catraca> catracal> catracalizar> descatracalizar ( -al forma adjetivos, como em "inicial"; - izar forma verbos, como em "oficializar"; des-forma negações, digamos como em "des-fazer"). Para "catracalização", basta acrescentar outro sufixo, -ção, e deixar cair "r", se é que ainda se pronuncia...
Às vezes, a coisa parece mais abstrata. Um bom exemplo é processo (antigo) que transformou palavras proparoxítonas. Na história da língua portuguesa, esse fenômeno foi constante: áquila iu "águia", ásinu de "asno" littera deu "letra" etc.
O fenômeno continua ocorrendo, e os melhores exemplos são abóbora ("abóbra"), chácara("chacra") e xícara("xicra"). Digo que são os melhores exemplos porque alguém poderia dizer que "musga" (de música) não é um bom exemplo do fenômeno (alguém defenderia que é só um erro etc.). Mas é quase certo que mesmo pessoas com esta mentalidade empregam "chacrinha", "xicrinha" e "abobrinha". Logo, aceitam implicitamente "abobra", "chacra" e "xicra". Sempre que invoco este exemplo diante um conservador ele fica sem fala...
No domínio da sintaxe, a energiea é ainda mais óbvia, porque não construímos orações por imitação, mas as criamos a cada vez. Só que demonstração, neste caso, é menos evidente. Não é necessariamente claro que as mesmas regras que constroem "gatos perseguem ratos" constroem "casas têm quartos". E ainda menos que se trata de criação (mas é!).
Quem quiser fazer a prova, leia um livro ou um jornal, e veja se as frases nele constantes não são originais (executados os clichês). Talvez as exceções sejam os idiomatismos ( como "quebrar um galho" ou "bater um papo"), que provavelmente memorizamos, não inventamos.
Sírio Possenti http://cienciahoje.org.br/coluna/energeia/
De acordo com o autor, uma postura que condena neologismos e estrangeirismos se baseia na seguinte ideia:
 

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Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) por sua natureza aberta, configuram uma proposta:
 

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Num setor de uma empresa, trabalham 14 pessoas, sendo que 9 são homens. Três dessas pessoas serão escolhidas para formar uma comissão. O número máximo de comissões diferentes que podem ser formadas somente por mulheres é igual a:
 

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Liberdade

Cecília Meireles

Deve existir nos homens um sentimento profundo que corresponde a essa palavra LIBERDADE, pois sobre ela se têm escrito poemas e hinos, a ela se têm levantado estátuas e monumentos, por ela se têm até morrido com alegria e felicidade.

Diz-se que o homem nasceu livre, que a liberdade de cada acaba onde começa a liberdade de outrem; que onde não há liberdade não há pátria, que a morte é preferível à falta de liberdade; que renunciar à liberdade é renunciar à própria condição humana; que a liberdade é o maior bem do mundo; que a liberdade é o oposto à fatalidade e à escravidão; nossos bisavós gritavam "Liberdade, Igualdade e Fraternidade!" ; nossos avós cantaram: "Ou ficar a Pátria livre/ ou morrer pelo Brasil"; nossos pais pediam: "Liberdade! \abre as asas sobre nós", e nós recordamos todos os dias que "o sol da liberdade em raios fúlgidos/ brilhou no céu da Pátria..." em certo instante.

Somos, pois criaturas nutridas de liberdade há muito tempo , com disposições de cantá-la, amá-la, combater e certamente morrer por ela.

Ser livre como diria o famoso conselheiro... é não ser escravo; é agir segundo nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo de partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho... Enfim, ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de autômato e de teleguiado, é proclamar o triunfo luminoso do espírito. (Suponho que seja isso.)

Ser livre ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes. Por isso, os meninos atiram pedras e soltam papagaios. A pedra inocentemente vai até onde o sonho das crianças deseja ir (Ás vezes, é certo, quebra alguma coisa, no seu percurso...)

Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora (muito de outrora!...) não acreditavam que se pudessem chegar tão simplesmente, com um fio de linha e um pouco de vento!....

Acontece, porém, que um menino, para empinar um papagaio, esqueceu-se da fatalidade dos fios elétricos e perdeu a vida.

E os loucos que sonharam a sair de seus pavilhões, usando a fórmula do incêndio para chegarem à liberdade, morreram queimados, com o mapa da Liberdade nas mãos!...

São essas coisas tristes que contornam sombriamente aquele sentimento luminoso da LIBERDADE. Para alcançá-la, estamos todos os dias expostos à morte. E os tímidos preferem ficar onde estão, preferem mesmo prender melhor suas correntes e não pensar em assunto tão ingrato.

Mas os sonhadores vão para a frente, soltando seus papagaios, morrendo nos seus incêndios, como as crianças e os loucos. E cantando aqueles hinos, que falam de asas, de raios fúlgidos linguagem de seus antepassados, estranha linguagem humana, nestes andaimes dos construtores de Babel...

Texto extraído do livro "Escolha o seu sonho", Editora Record Rio de Janeiro, 2002, p 07, Adaptado.

Em "pois sobre ela se têm escrito poemas e hinos, a ela se têm levantado estátuas e monumentos" a combinação do verbo auxiliar ter com o particípio do verbo principal, nos dois exemplos destacados, constitui um novo tempo chamado composto. Esta combinação denota que, no momento em que o autor escreve, essas ações verbais:

 

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A figura a seguir mostra dois dados comuns com faces numeradas de 1 a 6.
Enunciado 1651505-1
Se uma pessoa lanças esses dois dados simultaneamente uma única vez, a probabilidade de se obter dois números pares é igual a:
 

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Liberdade
Cecília Meireles
Deve existir nos homens um sentimento profundo que corresponde a essa palavra LIBERDADE, pois sobre ela se têm escrito poemas e hinos, a ela se têm levantado estátuas e monumentos, por ela se têm até morrido com alegria e felicidade.
Diz-se que o homem nasceu livre, que a liberdade de cada acaba onde começa a liberdade de outrem; que onde não há liberdade não há pátria, que a morte é preferível à falta de liberdade; que renunciar à liberdade é renunciar à própria condição humana; que a liberdade é o maior bem do mundo; que a liberdade é o oposto à fatalidade e à escravidão; nossos bisavós gritavam "Liberdade, Igualdade e Fraternidade!" ; nossos avós cantaram: "Ou ficar a Pátria livre/ ou morrer pelo Brasil"; nossos pais pediam: "Liberdade! \abre as asas sobre nós", e nós recordamos todos os dias que "o sol da liberdade em raios fúlgidos/ brilhou no céu da Pátria..." em certo instante.
Somos, pois criaturas nutridas de liberdade há muito tempo , com disposições de cantá-la, amá-la, combater e certamente morrer por ela.
Ser livre como diria o famoso conselheiro... é não ser escravo; é agir segundo nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo de partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho... Enfim, ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de autômato e de teleguiado, é proclamar o triunfo luminoso do espírito. (Suponho que seja isso.)
Ser livre ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes. Por isso, os meninos atiram pedras e soltam papagaios. A pedra inocentemente vai até onde o sonho das crianças deseja ir (Ás vezes, é certo, quebra alguma coisa, no seu percurso...)
Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora (muito de outrora!...) não acreditavam que se pudessem chegar tão simplesmente, com um fio de linha e um pouco de vento!....
Acontece, porém, que um menino, para empinar um papagaio, esqueceu-se da fatalidade dos fios elétricos e perdeu a vida.
E os loucos que sonharam a sair de seus pavilhões, usando a fórmula do incêndio para chegarem à liberdade, morreram queimados, com o mapa da Liberdade nas mãos!...
São essas coisas tristes que contornam sombriamente aquele sentimento luminoso da LIBERDADE. Para alcançá-la, estamos todos os dias expostos à morte. E os tímidos preferem ficar onde estão, preferem mesmo prender melhor suas correntes e não pensar em assunto tão ingrato.
Mas os sonhadores vão para a frente, soltando seus papagaios, morrendo nos seus incêndios, como as crianças e os loucos. E cantando aqueles hinos, que falam de asas, de raios fúlgidos linguagem de seus antepassados, estranha linguagem humana, nestes andaimes dos construtores de Babel...
Texto extraído do livro "Escolha o seu sonho", Editora Record Rio de Janeiro, 2002, p 07, Adaptado.
Releia o parágrafo pera responder à questão:
Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora (muito de outrora!...) não acreditavam que se pudesse chegar tão simplesmente, com um fio de linha e um pouco de vento!...
Um recurso utilizado pelo autor para realçar, valorizar e ampliar a comunicação expressiva do trecho a:
 

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1636040 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: SELECON
Orgão: Pref. São José Quatro Marcos-MT
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Energia
Já comentei duas atitudes em relação à língua: uma que só vê o produto e outra que prefere olhar para o processo. Para uma, gramática e dicionário são, de certa forma, obras estanques, prontas, especialmente no domínio do léxico. É por isso que certa tradição condena os neologismos - ou só os aceita quando "necessários", a mesma atitude proposta em relação aos estrangeirismos.
Comecemos, por estes, então. Muita gente os condena, porque os considera uma forma de invasão da cultura por outra. Talvez seja verdade. Mas eles podem ter outra faceta: em vez revelar uma língua fraca, invadida, podem mostrar uma língua poderosa, cuja máquina se move assim que uma palavra estrangeira começa a ser empregada.
Observe o que aconteceu com "futebol", originada de foot ball. A sílaba foot foi reorganizada, recebendo uma vogal no final. A razão é que o português repele (exceto em pronúncias quase exageradamente cuidadas) sílabas terminadas em consoantes obstruintes ( daí "adevogado"/advogado e "áfita"/alta etc.). Foot torna-se "fute". Snob torna-se "esnobe" adequando ao português também ao padrão silábico inicial. O que é isto? Um exemplo da gramática funcionando.
Palavras novas seguem regras ou padrões que existem na língua- o seu lado e energeia, fundamentalmente. De "catraca", por exemplo, surgiu há algum tempo o verbo "descatracalizar" e o substantivo "descatralização". Como se formam? Antes de tudo: não há nenhuma novidade no processo; só no produto.
A sequência pode ser apresentada assim: catraca> catracal> catracalizar> descatracalizar ( -al forma adjetivos, como em "inicial"; - izar forma verbos, como em "oficializar"; des-forma negações, digamos como em "des-fazer"). Para "catracalização", basta acrescentar outro sufixo, -ção, e deixar cair "r", se é que ainda se pronuncia...
Às vezes, a coisa parece mais abstrata. Um bom exemplo é processo (antigo) que transformou palavras proparoxítonas. Na história da língua portuguesa, esse fenômeno foi constante: áquila iu "águia", ásinu de "asno" littera deu "letra" etc.
O fenômeno continua ocorrendo, e os melhores exemplos são abóbora ("abóbra"), chácara("chacra") e xícara("xicra"). Digo que são os melhores exemplos porque alguém poderia dizer que "musga" (de música) não é um bom exemplo do fenômeno (alguém defenderia que é só um erro etc.). Mas é quase certo que mesmo pessoas com esta mentalidade empregam "chacrinha", "xicrinha" e "abobrinha". Logo, aceitam implicitamente "abobra", "chacra" e "xicra". Sempre que invoco este exemplo diante um conservador ele fica sem fala...
No domínio da sintaxe, a energiea é ainda mais óbvia, porque não construímos orações por imitação, mas as criamos a cada vez. Só que demonstração, neste caso, é menos evidente. Não é necessariamente claro que as mesmas regras que constroem "gatos perseguem ratos" constroem "casas têm quartos". E ainda menos que se trata de criação (mas é!).
Quem quiser fazer a prova, leia um livro ou um jornal, e veja se as frases nele constantes não são originais (executados os clichês). Talvez as exceções sejam os idiomatismos ( como "quebrar um galho" ou "bater um papo"), que provavelmente memorizamos, não inventamos.
Sírio Possenti http://cienciahoje.org.br/coluna/energeia/
No título, o autor recupera palavra grega que remete à nação de energia para destacar a seguinte propriedade da linguagem:
 

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