Foram encontradas 240 questões.
- ConjuntosConjuntos NuméricosComplexos/Imaginários
- TrigonometriaArcos
- TrigonometriaCírculo Trigonométrico
O número complexo Z2 é obtido após a rotação
de 90º do número Z1 = i + 1, em relação a origem.
Dessa forma, Z2³ é:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Em uma avaliação composta por 5 questões,
cada uma possui apenas duas alternativas de
resposta: A ou B. Considerando que um candidato
responda às questões de forma totalmente
aleatória, qual é a probabilidade de exatamente
uma resposta ser a letra B?
Provas
Questão presente nas seguintes provas
O louva-a-deus é um animal que possui um
dos movimentos mais rápidos do reino animal. Ele
consegue capturar sua presa com um bote que
dura cerca de 60 milésimos de segundo, sendo
mais rápido que um piscar de olhos humano.
Assinale a alternativa que representa
corretamente essa duração.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia a tirinha da Mafalda a seguir e,
posteriormente, analise afirmativas apresentadas.
I. A pragmática foca no significado codificado, literal e proposicional das sentenças, independentemente do contexto de uso;
II. A semântica estuda o sentido da linguagem em uso, considerando as intenções dos falantes, o contexto social e as implicaturas (o que é dito nas entrelinhas);
III. No último quadrinho, quando Mafalda diz "Não vamos fazer absolutamente nada", o significado semântico refere-se à ausência total de ação ou atividade por parte do grupo.
IV. Quando Mafalda afirma que não farão "absolutamente nada", pragmaticamente, ela não está apenas descrevendo uma falta de atividade; ela está realizando a brincadeira. O "não fazer nada" é, ironicamente, a própria ação de governar dentro do jogo proposto.
Após analisar as afirmativas, conclui-se que:
I. A pragmática foca no significado codificado, literal e proposicional das sentenças, independentemente do contexto de uso;
II. A semântica estuda o sentido da linguagem em uso, considerando as intenções dos falantes, o contexto social e as implicaturas (o que é dito nas entrelinhas);
III. No último quadrinho, quando Mafalda diz "Não vamos fazer absolutamente nada", o significado semântico refere-se à ausência total de ação ou atividade por parte do grupo.
IV. Quando Mafalda afirma que não farão "absolutamente nada", pragmaticamente, ela não está apenas descrevendo uma falta de atividade; ela está realizando a brincadeira. O "não fazer nada" é, ironicamente, a própria ação de governar dentro do jogo proposto.
Após analisar as afirmativas, conclui-se que:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto a seguir e responda a questão.
Além do tempo de tela: o que os mais jovens
têm feito no celular?
Qualidade da interação e dos conteúdos acessados
precisa estar no centro do debate sobre saúde mental
entre crianças e adolescentes
Por Luiz Zoldan*
Reduzir a crise de saúde mental entre
jovens ao “tempo de tela” é uma explicação
confortável – e perigosamente insuficiente. O
debate público precisa de um ajuste urgente: mais
do que contar horas, é preciso entender a
qualidade da interação desses adolescentes com
os dispositivos digitais.
Em consultórios, escolas e ambientes de
trabalho, a constatação é recorrente: a forma
como os jovens se relacionam consigo mesmos,
com os outros e com o mundo mudou
profundamente. E as telas ocupam um papel
central nessa transformação.
Vivemos em uma realidade na qual nunca
estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão
expostos a fatores que afetam a saúde mental,
especialmente entre crianças e adolescentes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS)
estima que mais de um em cada dez adolescentes
já manifesta um uso problemático de redes
sociais, com perda de controle e consequências
negativas no dia a dia.
Estudos consistentes associam o uso
excessivo de telas à piora nos indicadores de
saúde mental. Cerca de 25% dos adolescentes
que passam mais de 4 horas diárias em frente a
telas apresentam sintomas recentes de ansiedade
ou depressão. Evidências longitudinais também
confirmam que o aumento do tempo de exposição
está ligado a um maior risco de sofrimento
emocional a longo prazo.
O Brasil figura entre os países com maior
tempo de tela no mundo, ultrapassando 5 horas
diárias apenas em smartphones. Entre os
adolescentes brasileiros, os números são ainda
mais alarmantes, chegando a quase 6 horas em dias de semana e ultrapassando 8 horas nos fins
de semana.
O cenário nacional é marcado por três
desafios: o acesso a smartphones em idades cada
vez mais precoces, a desigualdade no acesso à
educação digital e a fragilidade na mediação por
parte de famílias e escolas. Diante disso, cresce a
percepção entre os próprios jovens de que algo
não vai bem: quase metade deles já considera que
as redes sociais impactam negativamente
pessoas da sua idade.
Ainda assim, é crucial qualificar a leitura
desses dados. A própria ciência mostra que o
impacto não é uniforme. O uso
passivo, caracterizado pela rolagem infinita e pela
comparação social, está mais associado ao malestar. Por outro lado, usos mais ativos e focados
na conexão podem ter um efeito protetor. O
problema central, portanto, não é apenas o tempo,
mas o padrão de uso. Comportamentos
compulsivos e de dependência estão mais ligados
a desfechos negativos do que o número absoluto
de horas.
Nesse contexto, avanços como a
atualização do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) e a aplicação da Lei Geral de
Proteção de Dados (LGPD) ao ambiente digital
são essenciais, pois reconhecem a
vulnerabilidade de crianças e adolescentes nesse
ecossistema. Essas iniciativas buscam
responsabilizar as plataformas, proteger dados e
reduzir a exposição a conteúdos nocivos.
Contudo, a regulação, sozinha, não resolve. Ela
cria um ambiente mais seguro, mas não substitui
a educação, o vínculo afetivo e o desenvolvimento
de repertório emocional.
Durante anos, a principal recomendação
foi limitar o tempo de tela. Embora essa
abordagem continue relevante, especialmente
para crianças mais novas, hoje sabemos que é
insuficiente. O verdadeiro problema não é apenas
o que acontece nas telas, mas o que deixa de
acontecer fora delas: sono de qualidade, atividade
física, convivência e a própria construção da
identidade são processos insubstituíveis para o
desenvolvimento psíquico.
O uso excessivo de telas, por exemplo,
está diretamente ligado a um sono mais curto e de
pior qualidade – um dos principais gatilhos para o sofrimento mental. Idealmente, um uso de
qualidade envolve interações sociais reais,
consumo de conteúdos educativos ou criativos e
intencionalidade, sem prejudicar o sono. Em
contrapartida, a utilização de risco é aquela em
que há comportamento compulsivo, comparação
social constante, exposição a conteúdos negativos
e a substituição de experiências presenciais por
virtuais.
Com base em evidências científicas e na
prática clínica, algumas medidas são
fundamentais. Para as famílias, é preciso
estabelecer acordos claros, evitar o uso de
aparelhos antes de dormir (especialmente porque
um terço dos adolescentes os utiliza depois da
meia-noite), acompanhar os
conteúdos acessados e, acima de tudo, dar o
exemplo. Isso implica reconhecer que muitos
adultos também mantêm uma relação excessiva,
distraída e pouco saudável com as telas, o
que compromete o ensino da autorregulação.
Nas escolas, o desafio vai além da simples
restrição: passa pela promoção da alfabetização
digital e midiática, pelo desenvolvimento de
competências socioemocionais e pela criação de
espaços de convivência offline que favoreçam o
pertencimento, o diálogo e a construção da
identidade. Isso inclui a promoção de conversas
qualificadas sobre corpo, gênero, autoestima e
relações sociais, temas profundamente
atravessados pela lógica das redes.
Para os profissionais de saúde, investigar
o padrão de uso digital tornou-se parte
indispensável da avaliação clínica, assim como
sono, alimentação e atividade física. Ainda assim,
o enfrentamento desse problema não é
responsabilidade somente de indivíduos, famílias
e consultórios. O desafio exige que empresas de
tecnologia e políticas públicas atuem de forma
mais firme na limitação de mecanismos de design
viciantes e persuasivos e na implementação de
estratégias integradas entre saúde, educação e
regulação digital.
A relação entre os jovens e a tecnologia
não é um “problema” a ser eliminado, mas uma
realidade a ser gerenciada com inteligência. É
preciso superar a lógica simplista de “mais ou
menos tempo de tela” e adotar uma
abordagem mais sistêmica e que considere o contexto, o conteúdo e a intenção de cada
interação. No fim das contas, o maior indicador de
sucesso não é quantas horas um jovem passa
conectado, mas sua capacidade de se
desconectar com liberdade, propósito e, acima de
tudo, saúde mental.
*Luiz Zoldan é psiquiatra e gerente médico do Espaço
Einstein Bem-Estar e Saúde Mental
Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/letra-de-medico/alem-dotempo-de-tela-o-que-os-mais-jovens-tem-feito-no-celular/.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinada Adjetiva
- SintaxeConectivos
- MorfologiaPronomesPronomes Relativos
Leia o texto a seguir e responda a questão.
Além do tempo de tela: o que os mais jovens
têm feito no celular?
Qualidade da interação e dos conteúdos acessados
precisa estar no centro do debate sobre saúde mental
entre crianças e adolescentes
Por Luiz Zoldan*
Reduzir a crise de saúde mental entre
jovens ao “tempo de tela” é uma explicação
confortável – e perigosamente insuficiente. O
debate público precisa de um ajuste urgente: mais
do que contar horas, é preciso entender a
qualidade da interação desses adolescentes com
os dispositivos digitais.
Em consultórios, escolas e ambientes de
trabalho, a constatação é recorrente: a forma
como os jovens se relacionam consigo mesmos,
com os outros e com o mundo mudou
profundamente. E as telas ocupam um papel
central nessa transformação.
Vivemos em uma realidade na qual nunca
estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão
expostos a fatores que afetam a saúde mental,
especialmente entre crianças e adolescentes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS)
estima que mais de um em cada dez adolescentes
já manifesta um uso problemático de redes
sociais, com perda de controle e consequências
negativas no dia a dia.
Estudos consistentes associam o uso
excessivo de telas à piora nos indicadores de
saúde mental. Cerca de 25% dos adolescentes
que passam mais de 4 horas diárias em frente a
telas apresentam sintomas recentes de ansiedade
ou depressão. Evidências longitudinais também
confirmam que o aumento do tempo de exposição
está ligado a um maior risco de sofrimento
emocional a longo prazo.
O Brasil figura entre os países com maior
tempo de tela no mundo, ultrapassando 5 horas
diárias apenas em smartphones. Entre os
adolescentes brasileiros, os números são ainda
mais alarmantes, chegando a quase 6 horas em dias de semana e ultrapassando 8 horas nos fins
de semana.
O cenário nacional é marcado por três
desafios: o acesso a smartphones em idades cada
vez mais precoces, a desigualdade no acesso à
educação digital e a fragilidade na mediação por
parte de famílias e escolas. Diante disso, cresce a
percepção entre os próprios jovens de que algo
não vai bem: quase metade deles já considera que
as redes sociais impactam negativamente
pessoas da sua idade.
Ainda assim, é crucial qualificar a leitura
desses dados. A própria ciência mostra que o
impacto não é uniforme. O uso
passivo, caracterizado pela rolagem infinita e pela
comparação social, está mais associado ao malestar. Por outro lado, usos mais ativos e focados
na conexão podem ter um efeito protetor. O
problema central, portanto, não é apenas o tempo,
mas o padrão de uso. Comportamentos
compulsivos e de dependência estão mais ligados
a desfechos negativos do que o número absoluto
de horas.
Nesse contexto, avanços como a
atualização do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) e a aplicação da Lei Geral de
Proteção de Dados (LGPD) ao ambiente digital
são essenciais, pois reconhecem a
vulnerabilidade de crianças e adolescentes nesse
ecossistema. Essas iniciativas buscam
responsabilizar as plataformas, proteger dados e
reduzir a exposição a conteúdos nocivos.
Contudo, a regulação, sozinha, não resolve. Ela
cria um ambiente mais seguro, mas não substitui
a educação, o vínculo afetivo e o desenvolvimento
de repertório emocional.
Durante anos, a principal recomendação
foi limitar o tempo de tela. Embora essa
abordagem continue relevante, especialmente
para crianças mais novas, hoje sabemos que é
insuficiente. O verdadeiro problema não é apenas
o que acontece nas telas, mas o que deixa de
acontecer fora delas: sono de qualidade, atividade
física, convivência e a própria construção da
identidade são processos insubstituíveis para o
desenvolvimento psíquico.
O uso excessivo de telas, por exemplo,
está diretamente ligado a um sono mais curto e de
pior qualidade – um dos principais gatilhos para o sofrimento mental. Idealmente, um uso de
qualidade envolve interações sociais reais,
consumo de conteúdos educativos ou criativos e
intencionalidade, sem prejudicar o sono. Em
contrapartida, a utilização de risco é aquela em
que há comportamento compulsivo, comparação
social constante, exposição a conteúdos negativos
e a substituição de experiências presenciais por
virtuais.
Com base em evidências científicas e na
prática clínica, algumas medidas são
fundamentais. Para as famílias, é preciso
estabelecer acordos claros, evitar o uso de
aparelhos antes de dormir (especialmente porque
um terço dos adolescentes os utiliza depois da
meia-noite), acompanhar os
conteúdos acessados e, acima de tudo, dar o
exemplo. Isso implica reconhecer que muitos
adultos também mantêm uma relação excessiva,
distraída e pouco saudável com as telas, o
que compromete o ensino da autorregulação.
Nas escolas, o desafio vai além da simples
restrição: passa pela promoção da alfabetização
digital e midiática, pelo desenvolvimento de
competências socioemocionais e pela criação de
espaços de convivência offline que favoreçam o
pertencimento, o diálogo e a construção da
identidade. Isso inclui a promoção de conversas
qualificadas sobre corpo, gênero, autoestima e
relações sociais, temas profundamente
atravessados pela lógica das redes.
Para os profissionais de saúde, investigar
o padrão de uso digital tornou-se parte
indispensável da avaliação clínica, assim como
sono, alimentação e atividade física. Ainda assim,
o enfrentamento desse problema não é
responsabilidade somente de indivíduos, famílias
e consultórios. O desafio exige que empresas de
tecnologia e políticas públicas atuem de forma
mais firme na limitação de mecanismos de design
viciantes e persuasivos e na implementação de
estratégias integradas entre saúde, educação e
regulação digital.
A relação entre os jovens e a tecnologia
não é um “problema” a ser eliminado, mas uma
realidade a ser gerenciada com inteligência. É
preciso superar a lógica simplista de “mais ou
menos tempo de tela” e adotar uma
abordagem mais sistêmica e que considere o contexto, o conteúdo e a intenção de cada
interação. No fim das contas, o maior indicador de
sucesso não é quantas horas um jovem passa
conectado, mas sua capacidade de se
desconectar com liberdade, propósito e, acima de
tudo, saúde mental.
*Luiz Zoldan é psiquiatra e gerente médico do Espaço
Einstein Bem-Estar e Saúde Mental
Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/letra-de-medico/alem-dotempo-de-tela-o-que-os-mais-jovens-tem-feito-no-celular/.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto a seguir e responda a questão.
Além do tempo de tela: o que os mais jovens
têm feito no celular?
Qualidade da interação e dos conteúdos acessados
precisa estar no centro do debate sobre saúde mental
entre crianças e adolescentes
Por Luiz Zoldan*
Reduzir a crise de saúde mental entre
jovens ao “tempo de tela” é uma explicação
confortável – e perigosamente insuficiente. O
debate público precisa de um ajuste urgente: mais
do que contar horas, é preciso entender a
qualidade da interação desses adolescentes com
os dispositivos digitais.
Em consultórios, escolas e ambientes de
trabalho, a constatação é recorrente: a forma
como os jovens se relacionam consigo mesmos,
com os outros e com o mundo mudou
profundamente. E as telas ocupam um papel
central nessa transformação.
Vivemos em uma realidade na qual nunca
estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão
expostos a fatores que afetam a saúde mental,
especialmente entre crianças e adolescentes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS)
estima que mais de um em cada dez adolescentes
já manifesta um uso problemático de redes
sociais, com perda de controle e consequências
negativas no dia a dia.
Estudos consistentes associam o uso
excessivo de telas à piora nos indicadores de
saúde mental. Cerca de 25% dos adolescentes
que passam mais de 4 horas diárias em frente a
telas apresentam sintomas recentes de ansiedade
ou depressão. Evidências longitudinais também
confirmam que o aumento do tempo de exposição
está ligado a um maior risco de sofrimento
emocional a longo prazo.
O Brasil figura entre os países com maior
tempo de tela no mundo, ultrapassando 5 horas
diárias apenas em smartphones. Entre os
adolescentes brasileiros, os números são ainda
mais alarmantes, chegando a quase 6 horas em dias de semana e ultrapassando 8 horas nos fins
de semana.
O cenário nacional é marcado por três
desafios: o acesso a smartphones em idades cada
vez mais precoces, a desigualdade no acesso à
educação digital e a fragilidade na mediação por
parte de famílias e escolas. Diante disso, cresce a
percepção entre os próprios jovens de que algo
não vai bem: quase metade deles já considera que
as redes sociais impactam negativamente
pessoas da sua idade.
Ainda assim, é crucial qualificar a leitura
desses dados. A própria ciência mostra que o
impacto não é uniforme. O uso
passivo, caracterizado pela rolagem infinita e pela
comparação social, está mais associado ao malestar. Por outro lado, usos mais ativos e focados
na conexão podem ter um efeito protetor. O
problema central, portanto, não é apenas o tempo,
mas o padrão de uso. Comportamentos
compulsivos e de dependência estão mais ligados
a desfechos negativos do que o número absoluto
de horas.
Nesse contexto, avanços como a
atualização do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) e a aplicação da Lei Geral de
Proteção de Dados (LGPD) ao ambiente digital
são essenciais, pois reconhecem a
vulnerabilidade de crianças e adolescentes nesse
ecossistema. Essas iniciativas buscam
responsabilizar as plataformas, proteger dados e
reduzir a exposição a conteúdos nocivos.
Contudo, a regulação, sozinha, não resolve. Ela
cria um ambiente mais seguro, mas não substitui
a educação, o vínculo afetivo e o desenvolvimento
de repertório emocional.
Durante anos, a principal recomendação
foi limitar o tempo de tela. Embora essa
abordagem continue relevante, especialmente
para crianças mais novas, hoje sabemos que é
insuficiente. O verdadeiro problema não é apenas
o que acontece nas telas, mas o que deixa de
acontecer fora delas: sono de qualidade, atividade
física, convivência e a própria construção da
identidade são processos insubstituíveis para o
desenvolvimento psíquico.
O uso excessivo de telas, por exemplo,
está diretamente ligado a um sono mais curto e de
pior qualidade – um dos principais gatilhos para o sofrimento mental. Idealmente, um uso de
qualidade envolve interações sociais reais,
consumo de conteúdos educativos ou criativos e
intencionalidade, sem prejudicar o sono. Em
contrapartida, a utilização de risco é aquela em
que há comportamento compulsivo, comparação
social constante, exposição a conteúdos negativos
e a substituição de experiências presenciais por
virtuais.
Com base em evidências científicas e na
prática clínica, algumas medidas são
fundamentais. Para as famílias, é preciso
estabelecer acordos claros, evitar o uso de
aparelhos antes de dormir (especialmente porque
um terço dos adolescentes os utiliza depois da
meia-noite), acompanhar os
conteúdos acessados e, acima de tudo, dar o
exemplo. Isso implica reconhecer que muitos
adultos também mantêm uma relação excessiva,
distraída e pouco saudável com as telas, o
que compromete o ensino da autorregulação.
Nas escolas, o desafio vai além da simples
restrição: passa pela promoção da alfabetização
digital e midiática, pelo desenvolvimento de
competências socioemocionais e pela criação de
espaços de convivência offline que favoreçam o
pertencimento, o diálogo e a construção da
identidade. Isso inclui a promoção de conversas
qualificadas sobre corpo, gênero, autoestima e
relações sociais, temas profundamente
atravessados pela lógica das redes.
Para os profissionais de saúde, investigar
o padrão de uso digital tornou-se parte
indispensável da avaliação clínica, assim como
sono, alimentação e atividade física. Ainda assim,
o enfrentamento desse problema não é
responsabilidade somente de indivíduos, famílias
e consultórios. O desafio exige que empresas de
tecnologia e políticas públicas atuem de forma
mais firme na limitação de mecanismos de design
viciantes e persuasivos e na implementação de
estratégias integradas entre saúde, educação e
regulação digital.
A relação entre os jovens e a tecnologia
não é um “problema” a ser eliminado, mas uma
realidade a ser gerenciada com inteligência. É
preciso superar a lógica simplista de “mais ou
menos tempo de tela” e adotar uma
abordagem mais sistêmica e que considere o contexto, o conteúdo e a intenção de cada
interação. No fim das contas, o maior indicador de
sucesso não é quantas horas um jovem passa
conectado, mas sua capacidade de se
desconectar com liberdade, propósito e, acima de
tudo, saúde mental.
*Luiz Zoldan é psiquiatra e gerente médico do Espaço
Einstein Bem-Estar e Saúde Mental
Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/letra-de-medico/alem-dotempo-de-tela-o-que-os-mais-jovens-tem-feito-no-celular/.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto a seguir e responda a questão.
Além do tempo de tela: o que os mais jovens
têm feito no celular?
Qualidade da interação e dos conteúdos acessados
precisa estar no centro do debate sobre saúde mental
entre crianças e adolescentes
Por Luiz Zoldan*
Reduzir a crise de saúde mental entre
jovens ao “tempo de tela” é uma explicação
confortável – e perigosamente insuficiente. O
debate público precisa de um ajuste urgente: mais
do que contar horas, é preciso entender a
qualidade da interação desses adolescentes com
os dispositivos digitais.
Em consultórios, escolas e ambientes de
trabalho, a constatação é recorrente: a forma
como os jovens se relacionam consigo mesmos,
com os outros e com o mundo mudou
profundamente. E as telas ocupam um papel
central nessa transformação.
Vivemos em uma realidade na qual nunca
estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão
expostos a fatores que afetam a saúde mental,
especialmente entre crianças e adolescentes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS)
estima que mais de um em cada dez adolescentes
já manifesta um uso problemático de redes
sociais, com perda de controle e consequências
negativas no dia a dia.
Estudos consistentes associam o uso
excessivo de telas à piora nos indicadores de
saúde mental. Cerca de 25% dos adolescentes
que passam mais de 4 horas diárias em frente a
telas apresentam sintomas recentes de ansiedade
ou depressão. Evidências longitudinais também
confirmam que o aumento do tempo de exposição
está ligado a um maior risco de sofrimento
emocional a longo prazo.
O Brasil figura entre os países com maior
tempo de tela no mundo, ultrapassando 5 horas
diárias apenas em smartphones. Entre os
adolescentes brasileiros, os números são ainda
mais alarmantes, chegando a quase 6 horas em dias de semana e ultrapassando 8 horas nos fins
de semana.
O cenário nacional é marcado por três
desafios: o acesso a smartphones em idades cada
vez mais precoces, a desigualdade no acesso à
educação digital e a fragilidade na mediação por
parte de famílias e escolas. Diante disso, cresce a
percepção entre os próprios jovens de que algo
não vai bem: quase metade deles já considera que
as redes sociais impactam negativamente
pessoas da sua idade.
Ainda assim, é crucial qualificar a leitura
desses dados. A própria ciência mostra que o
impacto não é uniforme. O uso
passivo, caracterizado pela rolagem infinita e pela
comparação social, está mais associado ao malestar. Por outro lado, usos mais ativos e focados
na conexão podem ter um efeito protetor. O
problema central, portanto, não é apenas o tempo,
mas o padrão de uso. Comportamentos
compulsivos e de dependência estão mais ligados
a desfechos negativos do que o número absoluto
de horas.
Nesse contexto, avanços como a
atualização do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) e a aplicação da Lei Geral de
Proteção de Dados (LGPD) ao ambiente digital
são essenciais, pois reconhecem a
vulnerabilidade de crianças e adolescentes nesse
ecossistema. Essas iniciativas buscam
responsabilizar as plataformas, proteger dados e
reduzir a exposição a conteúdos nocivos.
Contudo, a regulação, sozinha, não resolve. Ela
cria um ambiente mais seguro, mas não substitui
a educação, o vínculo afetivo e o desenvolvimento
de repertório emocional.
Durante anos, a principal recomendação
foi limitar o tempo de tela. Embora essa
abordagem continue relevante, especialmente
para crianças mais novas, hoje sabemos que é
insuficiente. O verdadeiro problema não é apenas
o que acontece nas telas, mas o que deixa de
acontecer fora delas: sono de qualidade, atividade
física, convivência e a própria construção da
identidade são processos insubstituíveis para o
desenvolvimento psíquico.
O uso excessivo de telas, por exemplo,
está diretamente ligado a um sono mais curto e de
pior qualidade – um dos principais gatilhos para o sofrimento mental. Idealmente, um uso de
qualidade envolve interações sociais reais,
consumo de conteúdos educativos ou criativos e
intencionalidade, sem prejudicar o sono. Em
contrapartida, a utilização de risco é aquela em
que há comportamento compulsivo, comparação
social constante, exposição a conteúdos negativos
e a substituição de experiências presenciais por
virtuais.
Com base em evidências científicas e na
prática clínica, algumas medidas são
fundamentais. Para as famílias, é preciso
estabelecer acordos claros, evitar o uso de
aparelhos antes de dormir (especialmente porque
um terço dos adolescentes os utiliza depois da
meia-noite), acompanhar os
conteúdos acessados e, acima de tudo, dar o
exemplo. Isso implica reconhecer que muitos
adultos também mantêm uma relação excessiva,
distraída e pouco saudável com as telas, o
que compromete o ensino da autorregulação.
Nas escolas, o desafio vai além da simples
restrição: passa pela promoção da alfabetização
digital e midiática, pelo desenvolvimento de
competências socioemocionais e pela criação de
espaços de convivência offline que favoreçam o
pertencimento, o diálogo e a construção da
identidade. Isso inclui a promoção de conversas
qualificadas sobre corpo, gênero, autoestima e
relações sociais, temas profundamente
atravessados pela lógica das redes.
Para os profissionais de saúde, investigar
o padrão de uso digital tornou-se parte
indispensável da avaliação clínica, assim como
sono, alimentação e atividade física. Ainda assim,
o enfrentamento desse problema não é
responsabilidade somente de indivíduos, famílias
e consultórios. O desafio exige que empresas de
tecnologia e políticas públicas atuem de forma
mais firme na limitação de mecanismos de design
viciantes e persuasivos e na implementação de
estratégias integradas entre saúde, educação e
regulação digital.
A relação entre os jovens e a tecnologia
não é um “problema” a ser eliminado, mas uma
realidade a ser gerenciada com inteligência. É
preciso superar a lógica simplista de “mais ou
menos tempo de tela” e adotar uma
abordagem mais sistêmica e que considere o contexto, o conteúdo e a intenção de cada
interação. No fim das contas, o maior indicador de
sucesso não é quantas horas um jovem passa
conectado, mas sua capacidade de se
desconectar com liberdade, propósito e, acima de
tudo, saúde mental.
*Luiz Zoldan é psiquiatra e gerente médico do Espaço
Einstein Bem-Estar e Saúde Mental
Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/letra-de-medico/alem-dotempo-de-tela-o-que-os-mais-jovens-tem-feito-no-celular/.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto a seguir e responda a questão.
Além do tempo de tela: o que os mais jovens
têm feito no celular?
Qualidade da interação e dos conteúdos acessados
precisa estar no centro do debate sobre saúde mental
entre crianças e adolescentes
Por Luiz Zoldan*
Reduzir a crise de saúde mental entre
jovens ao “tempo de tela” é uma explicação
confortável – e perigosamente insuficiente. O
debate público precisa de um ajuste urgente: mais
do que contar horas, é preciso entender a
qualidade da interação desses adolescentes com
os dispositivos digitais.
Em consultórios, escolas e ambientes de
trabalho, a constatação é recorrente: a forma
como os jovens se relacionam consigo mesmos,
com os outros e com o mundo mudou
profundamente. E as telas ocupam um papel
central nessa transformação.
Vivemos em uma realidade na qual nunca
estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão
expostos a fatores que afetam a saúde mental,
especialmente entre crianças e adolescentes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS)
estima que mais de um em cada dez adolescentes
já manifesta um uso problemático de redes
sociais, com perda de controle e consequências
negativas no dia a dia.
Estudos consistentes associam o uso
excessivo de telas à piora nos indicadores de
saúde mental. Cerca de 25% dos adolescentes
que passam mais de 4 horas diárias em frente a
telas apresentam sintomas recentes de ansiedade
ou depressão. Evidências longitudinais também
confirmam que o aumento do tempo de exposição
está ligado a um maior risco de sofrimento
emocional a longo prazo.
O Brasil figura entre os países com maior
tempo de tela no mundo, ultrapassando 5 horas
diárias apenas em smartphones. Entre os
adolescentes brasileiros, os números são ainda
mais alarmantes, chegando a quase 6 horas em dias de semana e ultrapassando 8 horas nos fins
de semana.
O cenário nacional é marcado por três
desafios: o acesso a smartphones em idades cada
vez mais precoces, a desigualdade no acesso à
educação digital e a fragilidade na mediação por
parte de famílias e escolas. Diante disso, cresce a
percepção entre os próprios jovens de que algo
não vai bem: quase metade deles já considera que
as redes sociais impactam negativamente
pessoas da sua idade.
Ainda assim, é crucial qualificar a leitura
desses dados. A própria ciência mostra que o
impacto não é uniforme. O uso
passivo, caracterizado pela rolagem infinita e pela
comparação social, está mais associado ao malestar. Por outro lado, usos mais ativos e focados
na conexão podem ter um efeito protetor. O
problema central, portanto, não é apenas o tempo,
mas o padrão de uso. Comportamentos
compulsivos e de dependência estão mais ligados
a desfechos negativos do que o número absoluto
de horas.
Nesse contexto, avanços como a
atualização do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) e a aplicação da Lei Geral de
Proteção de Dados (LGPD) ao ambiente digital
são essenciais, pois reconhecem a
vulnerabilidade de crianças e adolescentes nesse
ecossistema. Essas iniciativas buscam
responsabilizar as plataformas, proteger dados e
reduzir a exposição a conteúdos nocivos.
Contudo, a regulação, sozinha, não resolve. Ela
cria um ambiente mais seguro, mas não substitui
a educação, o vínculo afetivo e o desenvolvimento
de repertório emocional.
Durante anos, a principal recomendação
foi limitar o tempo de tela. Embora essa
abordagem continue relevante, especialmente
para crianças mais novas, hoje sabemos que é
insuficiente. O verdadeiro problema não é apenas
o que acontece nas telas, mas o que deixa de
acontecer fora delas: sono de qualidade, atividade
física, convivência e a própria construção da
identidade são processos insubstituíveis para o
desenvolvimento psíquico.
O uso excessivo de telas, por exemplo,
está diretamente ligado a um sono mais curto e de
pior qualidade – um dos principais gatilhos para o sofrimento mental. Idealmente, um uso de
qualidade envolve interações sociais reais,
consumo de conteúdos educativos ou criativos e
intencionalidade, sem prejudicar o sono. Em
contrapartida, a utilização de risco é aquela em
que há comportamento compulsivo, comparação
social constante, exposição a conteúdos negativos
e a substituição de experiências presenciais por
virtuais.
Com base em evidências científicas e na
prática clínica, algumas medidas são
fundamentais. Para as famílias, é preciso
estabelecer acordos claros, evitar o uso de
aparelhos antes de dormir (especialmente porque
um terço dos adolescentes os utiliza depois da
meia-noite), acompanhar os
conteúdos acessados e, acima de tudo, dar o
exemplo. Isso implica reconhecer que muitos
adultos também mantêm uma relação excessiva,
distraída e pouco saudável com as telas, o
que compromete o ensino da autorregulação.
Nas escolas, o desafio vai além da simples
restrição: passa pela promoção da alfabetização
digital e midiática, pelo desenvolvimento de
competências socioemocionais e pela criação de
espaços de convivência offline que favoreçam o
pertencimento, o diálogo e a construção da
identidade. Isso inclui a promoção de conversas
qualificadas sobre corpo, gênero, autoestima e
relações sociais, temas profundamente
atravessados pela lógica das redes.
Para os profissionais de saúde, investigar
o padrão de uso digital tornou-se parte
indispensável da avaliação clínica, assim como
sono, alimentação e atividade física. Ainda assim,
o enfrentamento desse problema não é
responsabilidade somente de indivíduos, famílias
e consultórios. O desafio exige que empresas de
tecnologia e políticas públicas atuem de forma
mais firme na limitação de mecanismos de design
viciantes e persuasivos e na implementação de
estratégias integradas entre saúde, educação e
regulação digital.
A relação entre os jovens e a tecnologia
não é um “problema” a ser eliminado, mas uma
realidade a ser gerenciada com inteligência. É
preciso superar a lógica simplista de “mais ou
menos tempo de tela” e adotar uma
abordagem mais sistêmica e que considere o contexto, o conteúdo e a intenção de cada
interação. No fim das contas, o maior indicador de
sucesso não é quantas horas um jovem passa
conectado, mas sua capacidade de se
desconectar com liberdade, propósito e, acima de
tudo, saúde mental.
*Luiz Zoldan é psiquiatra e gerente médico do Espaço
Einstein Bem-Estar e Saúde Mental
Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/letra-de-medico/alem-dotempo-de-tela-o-que-os-mais-jovens-tem-feito-no-celular/.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto a seguir e responda a questão.
Além do tempo de tela: o que os mais jovens
têm feito no celular?
Qualidade da interação e dos conteúdos acessados
precisa estar no centro do debate sobre saúde mental
entre crianças e adolescentes
Por Luiz Zoldan*
Reduzir a crise de saúde mental entre
jovens ao “tempo de tela” é uma explicação
confortável – e perigosamente insuficiente. O
debate público precisa de um ajuste urgente: mais
do que contar horas, é preciso entender a
qualidade da interação desses adolescentes com
os dispositivos digitais.
Em consultórios, escolas e ambientes de
trabalho, a constatação é recorrente: a forma
como os jovens se relacionam consigo mesmos,
com os outros e com o mundo mudou
profundamente. E as telas ocupam um papel
central nessa transformação.
Vivemos em uma realidade na qual nunca
estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão
expostos a fatores que afetam a saúde mental,
especialmente entre crianças e adolescentes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS)
estima que mais de um em cada dez adolescentes
já manifesta um uso problemático de redes
sociais, com perda de controle e consequências
negativas no dia a dia.
Estudos consistentes associam o uso
excessivo de telas à piora nos indicadores de
saúde mental. Cerca de 25% dos adolescentes
que passam mais de 4 horas diárias em frente a
telas apresentam sintomas recentes de ansiedade
ou depressão. Evidências longitudinais também
confirmam que o aumento do tempo de exposição
está ligado a um maior risco de sofrimento
emocional a longo prazo.
O Brasil figura entre os países com maior
tempo de tela no mundo, ultrapassando 5 horas
diárias apenas em smartphones. Entre os
adolescentes brasileiros, os números são ainda
mais alarmantes, chegando a quase 6 horas em dias de semana e ultrapassando 8 horas nos fins
de semana.
O cenário nacional é marcado por três
desafios: o acesso a smartphones em idades cada
vez mais precoces, a desigualdade no acesso à
educação digital e a fragilidade na mediação por
parte de famílias e escolas. Diante disso, cresce a
percepção entre os próprios jovens de que algo
não vai bem: quase metade deles já considera que
as redes sociais impactam negativamente
pessoas da sua idade.
Ainda assim, é crucial qualificar a leitura
desses dados. A própria ciência mostra que o
impacto não é uniforme. O uso
passivo, caracterizado pela rolagem infinita e pela
comparação social, está mais associado ao malestar. Por outro lado, usos mais ativos e focados
na conexão podem ter um efeito protetor. O
problema central, portanto, não é apenas o tempo,
mas o padrão de uso. Comportamentos
compulsivos e de dependência estão mais ligados
a desfechos negativos do que o número absoluto
de horas.
Nesse contexto, avanços como a
atualização do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) e a aplicação da Lei Geral de
Proteção de Dados (LGPD) ao ambiente digital
são essenciais, pois reconhecem a
vulnerabilidade de crianças e adolescentes nesse
ecossistema. Essas iniciativas buscam
responsabilizar as plataformas, proteger dados e
reduzir a exposição a conteúdos nocivos.
Contudo, a regulação, sozinha, não resolve. Ela
cria um ambiente mais seguro, mas não substitui
a educação, o vínculo afetivo e o desenvolvimento
de repertório emocional.
Durante anos, a principal recomendação
foi limitar o tempo de tela. Embora essa
abordagem continue relevante, especialmente
para crianças mais novas, hoje sabemos que é
insuficiente. O verdadeiro problema não é apenas
o que acontece nas telas, mas o que deixa de
acontecer fora delas: sono de qualidade, atividade
física, convivência e a própria construção da
identidade são processos insubstituíveis para o
desenvolvimento psíquico.
O uso excessivo de telas, por exemplo,
está diretamente ligado a um sono mais curto e de
pior qualidade – um dos principais gatilhos para o sofrimento mental. Idealmente, um uso de
qualidade envolve interações sociais reais,
consumo de conteúdos educativos ou criativos e
intencionalidade, sem prejudicar o sono. Em
contrapartida, a utilização de risco é aquela em
que há comportamento compulsivo, comparação
social constante, exposição a conteúdos negativos
e a substituição de experiências presenciais por
virtuais.
Com base em evidências científicas e na
prática clínica, algumas medidas são
fundamentais. Para as famílias, é preciso
estabelecer acordos claros, evitar o uso de
aparelhos antes de dormir (especialmente porque
um terço dos adolescentes os utiliza depois da
meia-noite), acompanhar os
conteúdos acessados e, acima de tudo, dar o
exemplo. Isso implica reconhecer que muitos
adultos também mantêm uma relação excessiva,
distraída e pouco saudável com as telas, o
que compromete o ensino da autorregulação.
Nas escolas, o desafio vai além da simples
restrição: passa pela promoção da alfabetização
digital e midiática, pelo desenvolvimento de
competências socioemocionais e pela criação de
espaços de convivência offline que favoreçam o
pertencimento, o diálogo e a construção da
identidade. Isso inclui a promoção de conversas
qualificadas sobre corpo, gênero, autoestima e
relações sociais, temas profundamente
atravessados pela lógica das redes.
Para os profissionais de saúde, investigar
o padrão de uso digital tornou-se parte
indispensável da avaliação clínica, assim como
sono, alimentação e atividade física. Ainda assim,
o enfrentamento desse problema não é
responsabilidade somente de indivíduos, famílias
e consultórios. O desafio exige que empresas de
tecnologia e políticas públicas atuem de forma
mais firme na limitação de mecanismos de design
viciantes e persuasivos e na implementação de
estratégias integradas entre saúde, educação e
regulação digital.
A relação entre os jovens e a tecnologia
não é um “problema” a ser eliminado, mas uma
realidade a ser gerenciada com inteligência. É
preciso superar a lógica simplista de “mais ou
menos tempo de tela” e adotar uma
abordagem mais sistêmica e que considere o contexto, o conteúdo e a intenção de cada
interação. No fim das contas, o maior indicador de
sucesso não é quantas horas um jovem passa
conectado, mas sua capacidade de se
desconectar com liberdade, propósito e, acima de
tudo, saúde mental.
*Luiz Zoldan é psiquiatra e gerente médico do Espaço
Einstein Bem-Estar e Saúde Mental
Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/letra-de-medico/alem-dotempo-de-tela-o-que-os-mais-jovens-tem-feito-no-celular/.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Cadernos
Caderno Container