Foram encontradas 55 questões.
Uma cozinha vai preparar suco para um
evento e a receita pede 12,5 L de água. No
estoque há frascos de 250 mL. Para atingir o
volume pedido, a equipe separa:
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No rateio de um repasse entre 3 unidades, o
valor foi dividido na razão 3:4:5. Depois, 15% da
cota da maior unidade foi transferida para a
menor, e a diferença entre as cotas dessas 2
unidades passou a ser de R$ 5.400,00. O valor
total do repasse é.
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Sobre conjuntos, considere A = {1,2,3,4}, B =
{3,4,5,6} e C = {2,4,6}. Analise as afirmativas.
I – A ∩ B = {2,4}.
II – C é subconjunto de A ∪ B.
III – A \ B = {1,3}.
IV – B ∩ C = {4}.
V – A ∩ C = {2,4}.
Estão corretas as afirmativas:
I – A ∩ B = {2,4}.
II – C é subconjunto de A ∪ B.
III – A \ B = {1,3}.
IV – B ∩ C = {4}.
V – A ∩ C = {2,4}.
Estão corretas as afirmativas:
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No fechamento de um relatório, 2 totais x e y
foram registrados de modo que x + y = 10 e x² + y²
= 58, com x e y reais. A diferença absoluta entre
esses totais é:
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Leia o texto e responda à questão.
O mito do “multitarefa”: a mente em 15 abas e
a sensação de não concluir nada
Eu descobri que minha mente não é um
cérebro. É um navegador. E eu sou o tipo de
pessoa que abre abas como quem coleciona
possibilidades: com entusiasmo, sem critério e
com a esperança ingênua de que “depois eu
volto”.
Começa sempre com uma intenção nobre.
Vou responder um e-mail. Abro o computador,
encaro a caixa de entrada e penso: “Agora vai”. Aí
vejo uma mensagem pedindo um arquivo. Preciso
achar o arquivo. Abro a pasta. Não lembro onde
salvei. Pesquiso pelo nome. Aparecem três
versões: “final”, “final mesmo” e “final agora vai”.
Abro as três, para comparar. Três abas mentais.
No meio disso, lembro que tenho que
pagar uma conta. Abro o app do banco. Ele pede
senha, biometria, confirmação por SMS e, se
pudesse, pediria uma redação sobre
responsabilidade financeira. Enquanto espero o
código, olho uma notificação: “Você tem 24
mensagens não lidas”. Eu não tenho 24
mensagens. Eu tenho 24 pequenas urgências em
formato de balão.
Eu volto para o e-mail. Escrevo “Olá, tudo
bem?”. Pauso. Porque aparece a dúvida
existencial do multitarefa: eu ponho vírgula depois
do “Olá”? Eu estou sendo formal demais? Releio.
De repente, estou revisando o tom, a pontuação e
o sentido da vida.
Aí eu lembro do café. Vou até a cozinha.
No caminho, vejo a pia. A pia olha para mim como
um lembrete de que eu tenho um lar e um
passado. Eu lavo uma xícara “rapidinho”. Só que
“rapidinho” é uma palavra mentirosa. Quando vejo,
estou lavando mais três coisas, organizando a
esponja e pensando que talvez eu devesse
comprar uma plantinha, porque adultos compram
plantinhas para se sentirem equilibrados.
Volto para o computador com o café. Sento. Abro
a aba errada. Estou lendo sobre plantas. Como
cheguei aqui? Ah, sim: a plantinha. O algoritmo,
sempre gentil, me oferece “10 plantas que
sobrevivem a quem esquece de regar”. Eu me
sinto visto.
Fecho. Ou tento fechar. Porque surge um
pop-up: “Você tem certeza que deseja sair?”. O
computador tem mais cuidado comigo do que eu
mesmo.
Abro o documento do arquivo “final”.
Percebo um erro. Vou corrigir. Mas antes, preciso
confirmar um dado.
Abro uma busca rápida. A
busca rápida vira um buraco. Em dois cliques,
estou lendo uma discussão de 2017 entre
desconhecidos com opiniões fortes e pouca
pontuação. Eu nem concordo com ninguém, mas
sigo lendo, como se fosse importante para a minha
carreira.
Meu celular vibra. Mensagem. Eu
respondo. Enquanto respondo, alguém manda
áudio. Eu ouço no 1,5x, porque eu sou multitarefa
e moderno. O áudio fala de um assunto que exige
resposta cuidadosa. Eu penso “vou responder
depois”. Só que “depois” é a prateleira onde eu
guardo tudo o que eu não quero lidar agora. Essa
prateleira está lotada.
Em algum momento, eu olho para o alto da
tela: 15 abas abertas. Quinze. Algumas são úteis.
Outras são lembranças de decisões
interrompidas. Uma delas é uma música que eu
nem dei play. Ela está ali apenas para me julgar
em silêncio.
O mito do multitarefa é que ele parece
eficiência. Na prática, ele é uma forma elegante de
fragmentar a atenção. Você faz um pouco de tudo
e termina com a sensação de não ter feito nada. É
como cozinhar 15 pratos ao mesmo tempo e, no
fim, comer biscoito em pé.
No final do dia, eu fecho o notebook e sinto
uma vitória estranha: não resolvi tudo, mas
sobrevivi ao meu próprio navegador mental. E
penso que talvez a solução não seja fazer mais
coisas. Talvez seja fechar abas. Uma de cada vez.
E, principalmente, aceitar que foco não é uma
virtude mística. É só uma escolha repetida. Com
teimosia. E com menos “rapidinhos”.
Fonte: Banca Examinadora
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Leia o texto e responda à questão.
O mito do “multitarefa”: a mente em 15 abas e
a sensação de não concluir nada
Eu descobri que minha mente não é um
cérebro. É um navegador. E eu sou o tipo de
pessoa que abre abas como quem coleciona
possibilidades: com entusiasmo, sem critério e
com a esperança ingênua de que “depois eu
volto”.
Começa sempre com uma intenção nobre.
Vou responder um e-mail. Abro o computador,
encaro a caixa de entrada e penso: “Agora vai”. Aí
vejo uma mensagem pedindo um arquivo. Preciso
achar o arquivo. Abro a pasta. Não lembro onde
salvei. Pesquiso pelo nome. Aparecem três
versões: “final”, “final mesmo” e “final agora vai”.
Abro as três, para comparar. Três abas mentais.
No meio disso, lembro que tenho que
pagar uma conta. Abro o app do banco. Ele pede
senha, biometria, confirmação por SMS e, se
pudesse, pediria uma redação sobre
responsabilidade financeira. Enquanto espero o
código, olho uma notificação: “Você tem 24
mensagens não lidas”. Eu não tenho 24
mensagens. Eu tenho 24 pequenas urgências em
formato de balão.
Eu volto para o e-mail. Escrevo “Olá, tudo
bem?”. Pauso. Porque aparece a dúvida
existencial do multitarefa: eu ponho vírgula depois
do “Olá”? Eu estou sendo formal demais? Releio.
De repente, estou revisando o tom, a pontuação e
o sentido da vida.
Aí eu lembro do café. Vou até a cozinha.
No caminho, vejo a pia. A pia olha para mim como
um lembrete de que eu tenho um lar e um
passado. Eu lavo uma xícara “rapidinho”. Só que
“rapidinho” é uma palavra mentirosa. Quando vejo,
estou lavando mais três coisas, organizando a
esponja e pensando que talvez eu devesse
comprar uma plantinha, porque adultos compram
plantinhas para se sentirem equilibrados.
Volto para o computador com o café. Sento. Abro
a aba errada. Estou lendo sobre plantas. Como
cheguei aqui? Ah, sim: a plantinha. O algoritmo,
sempre gentil, me oferece “10 plantas que
sobrevivem a quem esquece de regar”. Eu me
sinto visto.
Fecho. Ou tento fechar. Porque surge um
pop-up: “Você tem certeza que deseja sair?”. O
computador tem mais cuidado comigo do que eu
mesmo.
Abro o documento do arquivo “final”.
Percebo um erro. Vou corrigir. Mas antes, preciso
confirmar um dado.
Abro uma busca rápida. A
busca rápida vira um buraco. Em dois cliques,
estou lendo uma discussão de 2017 entre
desconhecidos com opiniões fortes e pouca
pontuação. Eu nem concordo com ninguém, mas
sigo lendo, como se fosse importante para a minha
carreira.
Meu celular vibra. Mensagem. Eu
respondo. Enquanto respondo, alguém manda
áudio. Eu ouço no 1,5x, porque eu sou multitarefa
e moderno. O áudio fala de um assunto que exige
resposta cuidadosa. Eu penso “vou responder
depois”. Só que “depois” é a prateleira onde eu
guardo tudo o que eu não quero lidar agora. Essa
prateleira está lotada.
Em algum momento, eu olho para o alto da
tela: 15 abas abertas. Quinze. Algumas são úteis.
Outras são lembranças de decisões
interrompidas. Uma delas é uma música que eu
nem dei play. Ela está ali apenas para me julgar
em silêncio.
O mito do multitarefa é que ele parece
eficiência. Na prática, ele é uma forma elegante de
fragmentar a atenção. Você faz um pouco de tudo
e termina com a sensação de não ter feito nada. É
como cozinhar 15 pratos ao mesmo tempo e, no
fim, comer biscoito em pé.
No final do dia, eu fecho o notebook e sinto
uma vitória estranha: não resolvi tudo, mas
sobrevivi ao meu próprio navegador mental. E
penso que talvez a solução não seja fazer mais
coisas. Talvez seja fechar abas. Uma de cada vez.
E, principalmente, aceitar que foco não é uma
virtude mística. É só uma escolha repetida. Com
teimosia. E com menos “rapidinhos”.
Fonte: Banca Examinadora
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Leia o texto e responda à questão.
O mito do “multitarefa”: a mente em 15 abas e
a sensação de não concluir nada
Eu descobri que minha mente não é um
cérebro. É um navegador. E eu sou o tipo de
pessoa que abre abas como quem coleciona
possibilidades: com entusiasmo, sem critério e
com a esperança ingênua de que “depois eu
volto”.
Começa sempre com uma intenção nobre.
Vou responder um e-mail. Abro o computador,
encaro a caixa de entrada e penso: “Agora vai”. Aí
vejo uma mensagem pedindo um arquivo. Preciso
achar o arquivo. Abro a pasta. Não lembro onde
salvei. Pesquiso pelo nome. Aparecem três
versões: “final”, “final mesmo” e “final agora vai”.
Abro as três, para comparar. Três abas mentais.
No meio disso, lembro que tenho que
pagar uma conta. Abro o app do banco. Ele pede
senha, biometria, confirmação por SMS e, se
pudesse, pediria uma redação sobre
responsabilidade financeira. Enquanto espero o
código, olho uma notificação: “Você tem 24
mensagens não lidas”. Eu não tenho 24
mensagens. Eu tenho 24 pequenas urgências em
formato de balão.
Eu volto para o e-mail. Escrevo “Olá, tudo
bem?”. Pauso. Porque aparece a dúvida
existencial do multitarefa: eu ponho vírgula depois
do “Olá”? Eu estou sendo formal demais? Releio.
De repente, estou revisando o tom, a pontuação e
o sentido da vida.
Aí eu lembro do café. Vou até a cozinha.
No caminho, vejo a pia. A pia olha para mim como
um lembrete de que eu tenho um lar e um
passado. Eu lavo uma xícara “rapidinho”. Só que
“rapidinho” é uma palavra mentirosa. Quando vejo,
estou lavando mais três coisas, organizando a
esponja e pensando que talvez eu devesse
comprar uma plantinha, porque adultos compram
plantinhas para se sentirem equilibrados.
Volto para o computador com o café. Sento. Abro
a aba errada. Estou lendo sobre plantas. Como
cheguei aqui? Ah, sim: a plantinha. O algoritmo,
sempre gentil, me oferece “10 plantas que
sobrevivem a quem esquece de regar”. Eu me
sinto visto.
Fecho. Ou tento fechar. Porque surge um
pop-up: “Você tem certeza que deseja sair?”. O
computador tem mais cuidado comigo do que eu
mesmo.
Abro o documento do arquivo “final”.
Percebo um erro. Vou corrigir. Mas antes, preciso
confirmar um dado.
Abro uma busca rápida. A
busca rápida vira um buraco. Em dois cliques,
estou lendo uma discussão de 2017 entre
desconhecidos com opiniões fortes e pouca
pontuação. Eu nem concordo com ninguém, mas
sigo lendo, como se fosse importante para a minha
carreira.
Meu celular vibra. Mensagem. Eu
respondo. Enquanto respondo, alguém manda
áudio. Eu ouço no 1,5x, porque eu sou multitarefa
e moderno. O áudio fala de um assunto que exige
resposta cuidadosa. Eu penso “vou responder
depois”. Só que “depois” é a prateleira onde eu
guardo tudo o que eu não quero lidar agora. Essa
prateleira está lotada.
Em algum momento, eu olho para o alto da
tela: 15 abas abertas. Quinze. Algumas são úteis.
Outras são lembranças de decisões
interrompidas. Uma delas é uma música que eu
nem dei play. Ela está ali apenas para me julgar
em silêncio.
O mito do multitarefa é que ele parece
eficiência. Na prática, ele é uma forma elegante de
fragmentar a atenção. Você faz um pouco de tudo
e termina com a sensação de não ter feito nada. É
como cozinhar 15 pratos ao mesmo tempo e, no
fim, comer biscoito em pé.
No final do dia, eu fecho o notebook e sinto
uma vitória estranha: não resolvi tudo, mas
sobrevivi ao meu próprio navegador mental. E
penso que talvez a solução não seja fazer mais
coisas. Talvez seja fechar abas. Uma de cada vez.
E, principalmente, aceitar que foco não é uma
virtude mística. É só uma escolha repetida. Com
teimosia. E com menos “rapidinhos”.
Fonte: Banca Examinadora
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Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto e responda à questão.
O mito do “multitarefa”: a mente em 15 abas e
a sensação de não concluir nada
Eu descobri que minha mente não é um
cérebro. É um navegador. E eu sou o tipo de
pessoa que abre abas como quem coleciona
possibilidades: com entusiasmo, sem critério e
com a esperança ingênua de que “depois eu
volto”.
Começa sempre com uma intenção nobre.
Vou responder um e-mail. Abro o computador,
encaro a caixa de entrada e penso: “Agora vai”. Aí
vejo uma mensagem pedindo um arquivo. Preciso
achar o arquivo. Abro a pasta. Não lembro onde
salvei. Pesquiso pelo nome. Aparecem três
versões: “final”, “final mesmo” e “final agora vai”.
Abro as três, para comparar. Três abas mentais.
No meio disso, lembro que tenho que
pagar uma conta. Abro o app do banco. Ele pede
senha, biometria, confirmação por SMS e, se
pudesse, pediria uma redação sobre
responsabilidade financeira. Enquanto espero o
código, olho uma notificação: “Você tem 24
mensagens não lidas”. Eu não tenho 24
mensagens. Eu tenho 24 pequenas urgências em
formato de balão.
Eu volto para o e-mail. Escrevo “Olá, tudo
bem?”. Pauso. Porque aparece a dúvida
existencial do multitarefa: eu ponho vírgula depois
do “Olá”? Eu estou sendo formal demais? Releio.
De repente, estou revisando o tom, a pontuação e
o sentido da vida.
Aí eu lembro do café. Vou até a cozinha.
No caminho, vejo a pia. A pia olha para mim como
um lembrete de que eu tenho um lar e um
passado. Eu lavo uma xícara “rapidinho”. Só que
“rapidinho” é uma palavra mentirosa. Quando vejo,
estou lavando mais três coisas, organizando a
esponja e pensando que talvez eu devesse
comprar uma plantinha, porque adultos compram
plantinhas para se sentirem equilibrados.
Volto para o computador com o café. Sento. Abro
a aba errada. Estou lendo sobre plantas. Como
cheguei aqui? Ah, sim: a plantinha. O algoritmo,
sempre gentil, me oferece “10 plantas que
sobrevivem a quem esquece de regar”. Eu me
sinto visto.
Fecho. Ou tento fechar. Porque surge um
pop-up: “Você tem certeza que deseja sair?”. O
computador tem mais cuidado comigo do que eu
mesmo.
Abro o documento do arquivo “final”.
Percebo um erro. Vou corrigir. Mas antes, preciso
confirmar um dado.
Abro uma busca rápida. A
busca rápida vira um buraco. Em dois cliques,
estou lendo uma discussão de 2017 entre
desconhecidos com opiniões fortes e pouca
pontuação. Eu nem concordo com ninguém, mas
sigo lendo, como se fosse importante para a minha
carreira.
Meu celular vibra. Mensagem. Eu
respondo. Enquanto respondo, alguém manda
áudio. Eu ouço no 1,5x, porque eu sou multitarefa
e moderno. O áudio fala de um assunto que exige
resposta cuidadosa. Eu penso “vou responder
depois”. Só que “depois” é a prateleira onde eu
guardo tudo o que eu não quero lidar agora. Essa
prateleira está lotada.
Em algum momento, eu olho para o alto da
tela: 15 abas abertas. Quinze. Algumas são úteis.
Outras são lembranças de decisões
interrompidas. Uma delas é uma música que eu
nem dei play. Ela está ali apenas para me julgar
em silêncio.
O mito do multitarefa é que ele parece
eficiência. Na prática, ele é uma forma elegante de
fragmentar a atenção. Você faz um pouco de tudo
e termina com a sensação de não ter feito nada. É
como cozinhar 15 pratos ao mesmo tempo e, no
fim, comer biscoito em pé.
No final do dia, eu fecho o notebook e sinto
uma vitória estranha: não resolvi tudo, mas
sobrevivi ao meu próprio navegador mental. E
penso que talvez a solução não seja fazer mais
coisas. Talvez seja fechar abas. Uma de cada vez.
E, principalmente, aceitar que foco não é uma
virtude mística. É só uma escolha repetida. Com
teimosia. E com menos “rapidinhos”.
Fonte: Banca Examinadora
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto e responda à questão.
O mito do “multitarefa”: a mente em 15 abas e
a sensação de não concluir nada
Eu descobri que minha mente não é um
cérebro. É um navegador. E eu sou o tipo de
pessoa que abre abas como quem coleciona
possibilidades: com entusiasmo, sem critério e
com a esperança ingênua de que “depois eu
volto”.
Começa sempre com uma intenção nobre.
Vou responder um e-mail. Abro o computador,
encaro a caixa de entrada e penso: “Agora vai”. Aí
vejo uma mensagem pedindo um arquivo. Preciso
achar o arquivo. Abro a pasta. Não lembro onde
salvei. Pesquiso pelo nome. Aparecem três
versões: “final”, “final mesmo” e “final agora vai”.
Abro as três, para comparar. Três abas mentais.
No meio disso, lembro que tenho que
pagar uma conta. Abro o app do banco. Ele pede
senha, biometria, confirmação por SMS e, se
pudesse, pediria uma redação sobre
responsabilidade financeira. Enquanto espero o
código, olho uma notificação: “Você tem 24
mensagens não lidas”. Eu não tenho 24
mensagens. Eu tenho 24 pequenas urgências em
formato de balão.
Eu volto para o e-mail. Escrevo “Olá, tudo
bem?”. Pauso. Porque aparece a dúvida
existencial do multitarefa: eu ponho vírgula depois
do “Olá”? Eu estou sendo formal demais? Releio.
De repente, estou revisando o tom, a pontuação e
o sentido da vida.
Aí eu lembro do café. Vou até a cozinha.
No caminho, vejo a pia. A pia olha para mim como
um lembrete de que eu tenho um lar e um
passado. Eu lavo uma xícara “rapidinho”. Só que
“rapidinho” é uma palavra mentirosa. Quando vejo,
estou lavando mais três coisas, organizando a
esponja e pensando que talvez eu devesse
comprar uma plantinha, porque adultos compram
plantinhas para se sentirem equilibrados.
Volto para o computador com o café. Sento. Abro
a aba errada. Estou lendo sobre plantas. Como
cheguei aqui? Ah, sim: a plantinha. O algoritmo,
sempre gentil, me oferece “10 plantas que
sobrevivem a quem esquece de regar”. Eu me
sinto visto.
Fecho. Ou tento fechar. Porque surge um
pop-up: “Você tem certeza que deseja sair?”. O
computador tem mais cuidado comigo do que eu
mesmo.
Abro o documento do arquivo “final”.
Percebo um erro. Vou corrigir. Mas antes, preciso
confirmar um dado.
Abro uma busca rápida. A
busca rápida vira um buraco. Em dois cliques,
estou lendo uma discussão de 2017 entre
desconhecidos com opiniões fortes e pouca
pontuação. Eu nem concordo com ninguém, mas
sigo lendo, como se fosse importante para a minha
carreira.
Meu celular vibra. Mensagem. Eu
respondo. Enquanto respondo, alguém manda
áudio. Eu ouço no 1,5x, porque eu sou multitarefa
e moderno. O áudio fala de um assunto que exige
resposta cuidadosa. Eu penso “vou responder
depois”. Só que “depois” é a prateleira onde eu
guardo tudo o que eu não quero lidar agora. Essa
prateleira está lotada.
Em algum momento, eu olho para o alto da
tela: 15 abas abertas. Quinze. Algumas são úteis.
Outras são lembranças de decisões
interrompidas. Uma delas é uma música que eu
nem dei play. Ela está ali apenas para me julgar
em silêncio.
O mito do multitarefa é que ele parece
eficiência. Na prática, ele é uma forma elegante de
fragmentar a atenção. Você faz um pouco de tudo
e termina com a sensação de não ter feito nada. É
como cozinhar 15 pratos ao mesmo tempo e, no
fim, comer biscoito em pé.
No final do dia, eu fecho o notebook e sinto
uma vitória estranha: não resolvi tudo, mas
sobrevivi ao meu próprio navegador mental. E
penso que talvez a solução não seja fazer mais
coisas. Talvez seja fechar abas. Uma de cada vez.
E, principalmente, aceitar que foco não é uma
virtude mística. É só uma escolha repetida. Com
teimosia. E com menos “rapidinhos”.
Fonte: Banca Examinadora
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto e responda à questão.
O mito do “multitarefa”: a mente em 15 abas e
a sensação de não concluir nada
Eu descobri que minha mente não é um
cérebro. É um navegador. E eu sou o tipo de
pessoa que abre abas como quem coleciona
possibilidades: com entusiasmo, sem critério e
com a esperança ingênua de que “depois eu
volto”.
Começa sempre com uma intenção nobre.
Vou responder um e-mail. Abro o computador,
encaro a caixa de entrada e penso: “Agora vai”. Aí
vejo uma mensagem pedindo um arquivo. Preciso
achar o arquivo. Abro a pasta. Não lembro onde
salvei. Pesquiso pelo nome. Aparecem três
versões: “final”, “final mesmo” e “final agora vai”.
Abro as três, para comparar. Três abas mentais.
No meio disso, lembro que tenho que
pagar uma conta. Abro o app do banco. Ele pede
senha, biometria, confirmação por SMS e, se
pudesse, pediria uma redação sobre
responsabilidade financeira. Enquanto espero o
código, olho uma notificação: “Você tem 24
mensagens não lidas”. Eu não tenho 24
mensagens. Eu tenho 24 pequenas urgências em
formato de balão.
Eu volto para o e-mail. Escrevo “Olá, tudo
bem?”. Pauso. Porque aparece a dúvida
existencial do multitarefa: eu ponho vírgula depois
do “Olá”? Eu estou sendo formal demais? Releio.
De repente, estou revisando o tom, a pontuação e
o sentido da vida.
Aí eu lembro do café. Vou até a cozinha.
No caminho, vejo a pia. A pia olha para mim como
um lembrete de que eu tenho um lar e um
passado. Eu lavo uma xícara “rapidinho”. Só que
“rapidinho” é uma palavra mentirosa. Quando vejo,
estou lavando mais três coisas, organizando a
esponja e pensando que talvez eu devesse
comprar uma plantinha, porque adultos compram
plantinhas para se sentirem equilibrados.
Volto para o computador com o café. Sento. Abro
a aba errada. Estou lendo sobre plantas. Como
cheguei aqui? Ah, sim: a plantinha. O algoritmo,
sempre gentil, me oferece “10 plantas que
sobrevivem a quem esquece de regar”. Eu me
sinto visto.
Fecho. Ou tento fechar. Porque surge um
pop-up: “Você tem certeza que deseja sair?”. O
computador tem mais cuidado comigo do que eu
mesmo.
Abro o documento do arquivo “final”.
Percebo um erro. Vou corrigir. Mas antes, preciso
confirmar um dado.
Abro uma busca rápida. A
busca rápida vira um buraco. Em dois cliques,
estou lendo uma discussão de 2017 entre
desconhecidos com opiniões fortes e pouca
pontuação. Eu nem concordo com ninguém, mas
sigo lendo, como se fosse importante para a minha
carreira.
Meu celular vibra. Mensagem. Eu
respondo. Enquanto respondo, alguém manda
áudio. Eu ouço no 1,5x, porque eu sou multitarefa
e moderno. O áudio fala de um assunto que exige
resposta cuidadosa. Eu penso “vou responder
depois”. Só que “depois” é a prateleira onde eu
guardo tudo o que eu não quero lidar agora. Essa
prateleira está lotada.
Em algum momento, eu olho para o alto da
tela: 15 abas abertas. Quinze. Algumas são úteis.
Outras são lembranças de decisões
interrompidas. Uma delas é uma música que eu
nem dei play. Ela está ali apenas para me julgar
em silêncio.
O mito do multitarefa é que ele parece
eficiência. Na prática, ele é uma forma elegante de
fragmentar a atenção. Você faz um pouco de tudo
e termina com a sensação de não ter feito nada. É
como cozinhar 15 pratos ao mesmo tempo e, no
fim, comer biscoito em pé.
No final do dia, eu fecho o notebook e sinto
uma vitória estranha: não resolvi tudo, mas
sobrevivi ao meu próprio navegador mental. E
penso que talvez a solução não seja fazer mais
coisas. Talvez seja fechar abas. Uma de cada vez.
E, principalmente, aceitar que foco não é uma
virtude mística. É só uma escolha repetida. Com
teimosia. E com menos “rapidinhos”.
Fonte: Banca Examinadora
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