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CONSUMISMO INFANTIL, UM PROBLEMA DE TODOS
Ninguém nasce consumista. O consumismo é uma ideologia,
um hábito mental forjado que se tornou umas das características
culturais mais marcantes da sociedade atual. Não importa o gênero,
a faixa etária, a nacionalidade, a crença ou o poder aquisitivo. Hoje,
todos que são impactados pelas mídias de massa são estimulados
a consumir de modo inconsequente. As crianças, ainda em pleno
desenvolvimento e, portanto, mais vulneráveis que os adultos, não
ficam fora dessa lógica e infelizmente sofrem cada vez mais cedo
com as graves consequências relacionadas aos excessos do con-
sumismo: obesidade infantil, erotização precoce, consumo precoce
de tabaco e álcool, estresse familiar, banalização da agressividade
e violência, entre outras. Nesse sentido, o consumismo infantil é
uma questão urgente, de extrema importância e interesse geral.
De pais e educadores a agentes do mercado global, todos vol-
tam os olhares para a infância − os primeiros preocupados com o
futuro das crianças, já os últimos fazem crer que estão preocupados
apenas com a ganância de seus negócios. Para o mercado, antes
de tudo, a criança é um consumidor em formação e uma poderosa
influência nos processos de escolha de produtos ou serviços. As
crianças brasileiras influenciam 80% das decisões de compra de
uma família (TNS/InterScience, outubro de 2003). Carros, roupas,
alimentos, eletrodomésticos, quase tudo dentro de casa tem por
trás o palpite de uma criança, salvo decisões relacionadas a planos
de seguro, combustível e produtos de limpeza. A publicidade na TV
é a principal ferramenta do mercado para a persuasão do público
infantil, que cada vez mais cedo é chamado a participar do universo
adulto quando é diretamente exposto às complexidades das rela-
ções de consumo sem que esteja efetivamente pronto para isso.
As crianças são um alvo importante, não apenas porque esco-
lhem o que seus pais compram e são tratadas como consumidores
mirins, mas também porque impactadas desde muito jovens tendem
a ser mais fiéis a marcas e ao próprio hábito consumista que lhes
é praticamente imposto.
Nada, no meio publicitário, é deliberado sem um estudo detalhado.
Em 2006, os investimentos publicitários destinados à categoria de pro-
dutos infantis foram de R$ 209.700.000,00 (IBOPE Monitor, 2005x2006,
categorias infantis). No entanto, a publicidade não se dirige às crianças
apenas para vender produtos infantis. Elas são assediadas pelo mer-
cado como eficientes promotoras de vendas de produtos direcionados
também aos adultos. Em março de 2007, o IBOPE Mídia divulgou os
dados de investimento publicitário no Brasil. Segundo o levantamento,
esse mercado movimentou cerca de R$ 39 bilhões em 2006. A televisão
permanece a principal mídia utilizada pela publicidade. Ao cruzar essa
informação com o fato de a criança brasileira passar em média quatro
horas 50 minutos e 11 segundos por dia assistindo à programação
televisiva (Painel Nacional de Televisores, IBOPE 2007) é possível
imaginar o impacto da publicidade na infância. No entanto, apesar de
toda essa força, a publicidade veiculada na televisão é apenas um dos
fatores que contribuem para o consumismo infantil. A TNS, instituto de
pesquisa que atua em mais de 70 países, divulgou dados em setembro
de 2007 que evidenciaram outros fatores que influenciam as crianças
brasileiras nas práticas de consumo. Elas sentem-se mais atraídas por
produtos e serviços que sejam associados a personagens famosos,
brindes, jogos e embalagens chamativas. A opinião dos amigos também
foi identificada como uma forte influência.
Não é por acaso que o consumismo está relacionado à ideia de de-
vorar, destruir e extinguir. Se agora, tragédias naturais, como queimadas,
furacões, inundações gigantescas, enchentes e períodos prolongados
de seca, são muito mais comuns e frequentes, foi porque a exploração
irresponsável do meio ambiente prevaleceu ao longo de décadas.
Concentrar todos os esforços no consumo é contribuir, dia após
dia, para o desequilíbrio global. O consumismo infantil, portanto,
é um problema que não está ligado apenas à educação escolar e
doméstica. Embora a questão seja tratada quase sempre como algo
relacionado à esfera familiar, crianças que aprendem a consumir de
forma inconsequente e desenvolvem critérios e valores distorcidos
são de fato um problema de ordem ética, econômica e social.
O Projeto Criança e Consumo [...] combate qualquer tipo de
comunicação mercadológica dirigida às crianças por entender que
os danos causados pela lógica insustentável do consumo irracional
podem ser minorados e evitados, se efetivamente a infância for
preservada em sua essência como o tempo indispensável e fun-
damental para a formação da cidadania. Indivíduos conscientes e
responsáveis são a base de uma sociedade mais justa e fraterna,
que tenha a qualidade de vida não apenas como um conceito a
ser perseguido, mas uma prática a ser vivida.
http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/ConsumismoInfantil.asp
O conectivo que estabelece relação de finalidade está em:
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CONSUMISMO INFANTIL, UM PROBLEMA DE TODOS
Ninguém nasce consumista. O consumismo é uma ideologia,
um hábito mental forjado que se tornou umas das características
culturais mais marcantes da sociedade atual. Não importa o gênero,
a faixa etária, a nacionalidade, a crença ou o poder aquisitivo. Hoje,
todos que são impactados pelas mídias de massa são estimulados
a consumir de modo inconsequente. As crianças, ainda em pleno
desenvolvimento e, portanto, mais vulneráveis que os adultos, não
ficam fora dessa lógica e infelizmente sofrem cada vez mais cedo
com as graves consequências relacionadas aos excessos do con-
sumismo: obesidade infantil, erotização precoce, consumo precoce
de tabaco e álcool, estresse familiar, banalização da agressividade
e violência, entre outras. Nesse sentido, o consumismo infantil é
uma questão urgente, de extrema importância e interesse geral.
De pais e educadores a agentes do mercado global, todos vol-
tam os olhares para a infância − os primeiros preocupados com o
futuro das crianças, já os últimos fazem crer que estão preocupados
apenas com a ganância de seus negócios. Para o mercado, antes
de tudo, a criança é um consumidor em formação e uma poderosa
influência nos processos de escolha de produtos ou serviços. As
crianças brasileiras influenciam 80% das decisões de compra de
uma família (TNS/InterScience, outubro de 2003). Carros, roupas,
alimentos, eletrodomésticos, quase tudo dentro de casa tem por
trás o palpite de uma criança, salvo decisões relacionadas a planos
de seguro, combustível e produtos de limpeza. A publicidade na TV
é a principal ferramenta do mercado para a persuasão do público
infantil, que cada vez mais cedo é chamado a participar do universo
adulto quando é diretamente exposto às complexidades das rela-
ções de consumo sem que esteja efetivamente pronto para isso.
As crianças são um alvo importante, não apenas porque esco-
lhem o que seus pais compram e são tratadas como consumidores
mirins, mas também porque impactadas desde muito jovens tendem
a ser mais fiéis a marcas e ao próprio hábito consumista que lhes
é praticamente imposto.
Nada, no meio publicitário, é deliberado sem um estudo detalhado.
Em 2006, os investimentos publicitários destinados à categoria de pro-
dutos infantis foram de R$ 209.700.000,00 (IBOPE Monitor, 2005x2006,
categorias infantis). No entanto, a publicidade não se dirige às crianças
apenas para vender produtos infantis. Elas são assediadas pelo mer-
cado como eficientes promotoras de vendas de produtos direcionados
também aos adultos. Em março de 2007, o IBOPE Mídia divulgou os
dados de investimento publicitário no Brasil. Segundo o levantamento,
esse mercado movimentou cerca de R$ 39 bilhões em 2006. A televisão
permanece a principal mídia utilizada pela publicidade. Ao cruzar essa
informação com o fato de a criança brasileira passar em média quatro
horas 50 minutos e 11 segundos por dia assistindo à programação
televisiva (Painel Nacional de Televisores, IBOPE 2007) é possível
imaginar o impacto da publicidade na infância. No entanto, apesar de
toda essa força, a publicidade veiculada na televisão é apenas um dos
fatores que contribuem para o consumismo infantil. A TNS, instituto de
pesquisa que atua em mais de 70 países, divulgou dados em setembro
de 2007 que evidenciaram outros fatores que influenciam as crianças
brasileiras nas práticas de consumo. Elas sentem-se mais atraídas por
produtos e serviços que sejam associados a personagens famosos,
brindes, jogos e embalagens chamativas. A opinião dos amigos também
foi identificada como uma forte influência.
Não é por acaso que o consumismo está relacionado à ideia de de-
vorar, destruir e extinguir. Se agora, tragédias naturais, como queimadas,
furacões, inundações gigantescas, enchentes e períodos prolongados
de seca, são muito mais comuns e frequentes, foi porque a exploração
irresponsável do meio ambiente prevaleceu ao longo de décadas.
Concentrar todos os esforços no consumo é contribuir, dia após
dia, para o desequilíbrio global. O consumismo infantil, portanto,
é um problema que não está ligado apenas à educação escolar e
doméstica. Embora a questão seja tratada quase sempre como algo
relacionado à esfera familiar, crianças que aprendem a consumir de
forma inconsequente e desenvolvem critérios e valores distorcidos
são de fato um problema de ordem ética, econômica e social.
O Projeto Criança e Consumo [...] combate qualquer tipo de
comunicação mercadológica dirigida às crianças por entender que
os danos causados pela lógica insustentável do consumo irracional
podem ser minorados e evitados, se efetivamente a infância for
preservada em sua essência como o tempo indispensável e fun-
damental para a formação da cidadania. Indivíduos conscientes e
responsáveis são a base de uma sociedade mais justa e fraterna,
que tenha a qualidade de vida não apenas como um conceito a
ser perseguido, mas uma prática a ser vivida.
http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/ConsumismoInfantil.asp
“todos que são impactados pelas mídias de massa” O fragmento transcrito acima apresenta uma construção na voz passiva do verbo. Outro exemplo de voz passiva encontra-se em:
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- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinadas Adverbial
- SemânticaSinônimos e Antônimos
- Interpretação de Textos
TEXTO 1:
O LENDÁRIO PAÍS DO RECALL
Moacyr Scliar
“MINHA QUERIDA DONA: quem lhe escreve sou eu, a sua fiel e querida boneca, que você não vê há três meses. Sei que você sente muitas saudades, porque eu também sinto saudades de você. Lembro de você me pegando no colo, me chamando de filhinha, me dando papinha... Você era, e é, minha mãezinha querida, e é por isso que estou lhe mandando esta carta, por meio do cara que assina esta coluna e que, sendo escritor, acredita nas coisas da imaginação.
Posso lhe dizer, querida, que vivi uma tremenda aventura, uma aventura que em vários momentos me deixou apavorada. Porque tive de viajar para o distante país do recall.
Aposto que você nem sabia da existência desse lugar; eu, pelo menos, não sabia. Para lá fui enviada. Não só eu: bonecas defeituosas, ursinhos idem, eletrodomésticos que não funcionavam e peças de automóvel quebradas. Nós todos ali, na traseira de um gigantesco caminhão que andava, andava sem parar.
Finalmente chegamos, e ali estávamos, no misterioso e, para mim, assustador país do recall. Um homem nos recebeu e anunciou, muito secamente, que o nosso destino em breve seria traçado: as bonecas (e os ursinhos, e outros brinquedos, e objetos vários) que tivessem conserto seriam consertados e mandados de volta para os donos; quanto tempo isso levaria era imprevisível, mas três meses era o mínimo. Uma boneca que estava do meu lado, a Liloca, perguntou, com os olhos arregalados, o que aconteceria a quem não tivesse conserto. O homem não disse nada, mas seu sorriso sinistro falava por si.
Passamos a noite num enorme pavilhão destinado especialmente às bonecas. Éramos centenas ali, algumas com probleminhas pequenos (um braço fora do lugar, por exemplo), outras já num estado lamentável. Estava muito claro que para várias de nós não haveria volta.
Naquela noite conversei muito com minha amiga Liloca -sim, querida dona, àquela altura já éramos amigas. O infortúnio tinha nos unido. Outras bonecas juntaram-se a nós e logo formamos um grande grupo. Estávamos preocupadas com o que poderia nos suceder.
De repente a Liloca gritou: “Mas, gente, nós não somos obrigados a aceitar isso! Vamos fazer alguma coisa!”. Nós a olhamos, espantadas: fazer alguma coisa? Mas fazer o quê?
Liloca tinha uma resposta: vamos tomar o poder. Vamos nos apossar do país do recall.
No começo, aquilo nos pareceu absurdo. Mas Liloca sabia do que estava falando. A mãe da dona dela tinha sido uma militante revolucionária e sempre falava nisso, na necessidade de mudar o mundo, de dar o poder aos mais fracos.
Ora, dizia Liloca, ninguém mais fraco do que nós, pobres, desamparados e defeituosos brinquedos. Não deveríamos aguardar resignadamente que decidissem o que fazer com a gente.
De modo, querida dona, que estamos aqui preparando a revolução. Breve estaremos governando o país do recall. Mas não se preocupe, eu a convidarei para uma visita. Você poderá vir a qualquer hora. E não precisará de recall para isso.”
Folha de S. Paulo (SP) 25/2/2008
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CONSUMISMO INFANTIL, UM PROBLEMA DE TODOS
Ninguém nasce consumista. O consumismo é uma ideologia,
um hábito mental forjado que se tornou umas das características
culturais mais marcantes da sociedade atual. Não importa o gênero,
a faixa etária, a nacionalidade, a crença ou o poder aquisitivo. Hoje,
todos que são impactados pelas mídias de massa são estimulados
a consumir de modo inconsequente. As crianças, ainda em pleno
desenvolvimento e, portanto, mais vulneráveis que os adultos, não
ficam fora dessa lógica e infelizmente sofrem cada vez mais cedo
com as graves consequências relacionadas aos excessos do con-
sumismo: obesidade infantil, erotização precoce, consumo precoce
de tabaco e álcool, estresse familiar, banalização da agressividade
e violência, entre outras. Nesse sentido, o consumismo infantil é
uma questão urgente, de extrema importância e interesse geral.
De pais e educadores a agentes do mercado global, todos vol-
tam os olhares para a infância − os primeiros preocupados com o
futuro das crianças, já os últimos fazem crer que estão preocupados
apenas com a ganância de seus negócios. Para o mercado, antes
de tudo, a criança é um consumidor em formação e uma poderosa
influência nos processos de escolha de produtos ou serviços. As
crianças brasileiras influenciam 80% das decisões de compra de
uma família (TNS/InterScience, outubro de 2003). Carros, roupas,
alimentos, eletrodomésticos, quase tudo dentro de casa tem por
trás o palpite de uma criança, salvo decisões relacionadas a planos
de seguro, combustível e produtos de limpeza. A publicidade na TV
é a principal ferramenta do mercado para a persuasão do público
infantil, que cada vez mais cedo é chamado a participar do universo
adulto quando é diretamente exposto às complexidades das rela-
ções de consumo sem que esteja efetivamente pronto para isso.
As crianças são um alvo importante, não apenas porque esco-
lhem o que seus pais compram e são tratadas como consumidores
mirins, mas também porque impactadas desde muito jovens tendem
a ser mais fiéis a marcas e ao próprio hábito consumista que lhes
é praticamente imposto.
Nada, no meio publicitário, é deliberado sem um estudo detalhado.
Em 2006, os investimentos publicitários destinados à categoria de pro-
dutos infantis foram de R$ 209.700.000,00 (IBOPE Monitor, 2005x2006,
categorias infantis). No entanto, a publicidade não se dirige às crianças
apenas para vender produtos infantis. Elas são assediadas pelo mer-
cado como eficientes promotoras de vendas de produtos direcionados
também aos adultos. Em março de 2007, o IBOPE Mídia divulgou os
dados de investimento publicitário no Brasil. Segundo o levantamento,
esse mercado movimentou cerca de R$ 39 bilhões em 2006. A televisão
permanece a principal mídia utilizada pela publicidade. Ao cruzar essa
informação com o fato de a criança brasileira passar em média quatro
horas 50 minutos e 11 segundos por dia assistindo à programação
televisiva (Painel Nacional de Televisores, IBOPE 2007) é possível
imaginar o impacto da publicidade na infância. No entanto, apesar de
toda essa força, a publicidade veiculada na televisão é apenas um dos
fatores que contribuem para o consumismo infantil. A TNS, instituto de
pesquisa que atua em mais de 70 países, divulgou dados em setembro
de 2007 que evidenciaram outros fatores que influenciam as crianças
brasileiras nas práticas de consumo. Elas sentem-se mais atraídas por
produtos e serviços que sejam associados a personagens famosos,
brindes, jogos e embalagens chamativas. A opinião dos amigos também
foi identificada como uma forte influência.
Não é por acaso que o consumismo está relacionado à ideia de de-
vorar, destruir e extinguir. Se agora, tragédias naturais, como queimadas,
furacões, inundações gigantescas, enchentes e períodos prolongados
de seca, são muito mais comuns e frequentes, foi porque a exploração
irresponsável do meio ambiente prevaleceu ao longo de décadas.
Concentrar todos os esforços no consumo é contribuir, dia após
dia, para o desequilíbrio global. O consumismo infantil, portanto,
é um problema que não está ligado apenas à educação escolar e
doméstica. Embora a questão seja tratada quase sempre como algo
relacionado à esfera familiar, crianças que aprendem a consumir de
forma inconsequente e desenvolvem critérios e valores distorcidos
são de fato um problema de ordem ética, econômica e social.
O Projeto Criança e Consumo [...] combate qualquer tipo de
comunicação mercadológica dirigida às crianças por entender que
os danos causados pela lógica insustentável do consumo irracional
podem ser minorados e evitados, se efetivamente a infância for
preservada em sua essência como o tempo indispensável e fun-
damental para a formação da cidadania. Indivíduos conscientes e
responsáveis são a base de uma sociedade mais justa e fraterna,
que tenha a qualidade de vida não apenas como um conceito a
ser perseguido, mas uma prática a ser vivida.
http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/ConsumismoInfantil.asp
O exemplo do texto no qual se apresentam operadores argumentativos que somam razões para reforçar uma ideia principal presente na mesma frase é:
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CONSUMISMO INFANTIL, UM PROBLEMA DE TODOS
Ninguém nasce consumista. O consumismo é uma ideologia,
um hábito mental forjado que se tornou umas das características
culturais mais marcantes da sociedade atual. Não importa o gênero,
a faixa etária, a nacionalidade, a crença ou o poder aquisitivo. Hoje,
todos que são impactados pelas mídias de massa são estimulados
a consumir de modo inconsequente. As crianças, ainda em pleno
desenvolvimento e, portanto, mais vulneráveis que os adultos, não
ficam fora dessa lógica e infelizmente sofrem cada vez mais cedo
com as graves consequências relacionadas aos excessos do con-
sumismo: obesidade infantil, erotização precoce, consumo precoce
de tabaco e álcool, estresse familiar, banalização da agressividade
e violência, entre outras. Nesse sentido, o consumismo infantil é
uma questão urgente, de extrema importância e interesse geral.
De pais e educadores a agentes do mercado global, todos vol-
tam os olhares para a infância − os primeiros preocupados com o
futuro das crianças, já os últimos fazem crer que estão preocupados
apenas com a ganância de seus negócios. Para o mercado, antes
de tudo, a criança é um consumidor em formação e uma poderosa
influência nos processos de escolha de produtos ou serviços. As
crianças brasileiras influenciam 80% das decisões de compra de
uma família (TNS/InterScience, outubro de 2003). Carros, roupas,
alimentos, eletrodomésticos, quase tudo dentro de casa tem por
trás o palpite de uma criança, salvo decisões relacionadas a planos
de seguro, combustível e produtos de limpeza. A publicidade na TV
é a principal ferramenta do mercado para a persuasão do público
infantil, que cada vez mais cedo é chamado a participar do universo
adulto quando é diretamente exposto às complexidades das rela-
ções de consumo sem que esteja efetivamente pronto para isso.
As crianças são um alvo importante, não apenas porque esco-
lhem o que seus pais compram e são tratadas como consumidores
mirins, mas também porque impactadas desde muito jovens tendem
a ser mais fiéis a marcas e ao próprio hábito consumista que lhes
é praticamente imposto.
Nada, no meio publicitário, é deliberado sem um estudo detalhado.
Em 2006, os investimentos publicitários destinados à categoria de pro-
dutos infantis foram de R$ 209.700.000,00 (IBOPE Monitor, 2005x2006,
categorias infantis). No entanto, a publicidade não se dirige às crianças
apenas para vender produtos infantis. Elas são assediadas pelo mer-
cado como eficientes promotoras de vendas de produtos direcionados
também aos adultos. Em março de 2007, o IBOPE Mídia divulgou os
dados de investimento publicitário no Brasil. Segundo o levantamento,
esse mercado movimentou cerca de R$ 39 bilhões em 2006. A televisão
permanece a principal mídia utilizada pela publicidade. Ao cruzar essa
informação com o fato de a criança brasileira passar em média quatro
horas 50 minutos e 11 segundos por dia assistindo à programação
televisiva (Painel Nacional de Televisores, IBOPE 2007) é possível
imaginar o impacto da publicidade na infância. No entanto, apesar de
toda essa força, a publicidade veiculada na televisão é apenas um dos
fatores que contribuem para o consumismo infantil. A TNS, instituto de
pesquisa que atua em mais de 70 países, divulgou dados em setembro
de 2007 que evidenciaram outros fatores que influenciam as crianças
brasileiras nas práticas de consumo. Elas sentem-se mais atraídas por
produtos e serviços que sejam associados a personagens famosos,
brindes, jogos e embalagens chamativas. A opinião dos amigos também
foi identificada como uma forte influência.
Não é por acaso que o consumismo está relacionado à ideia de de-
vorar, destruir e extinguir. Se agora, tragédias naturais, como queimadas,
furacões, inundações gigantescas, enchentes e períodos prolongados
de seca, são muito mais comuns e frequentes, foi porque a exploração
irresponsável do meio ambiente prevaleceu ao longo de décadas.
Concentrar todos os esforços no consumo é contribuir, dia após
dia, para o desequilíbrio global. O consumismo infantil, portanto,
é um problema que não está ligado apenas à educação escolar e
doméstica. Embora a questão seja tratada quase sempre como algo
relacionado à esfera familiar, crianças que aprendem a consumir de
forma inconsequente e desenvolvem critérios e valores distorcidos
são de fato um problema de ordem ética, econômica e social.
O Projeto Criança e Consumo [...] combate qualquer tipo de
comunicação mercadológica dirigida às crianças por entender que
os danos causados pela lógica insustentável do consumo irracional
podem ser minorados e evitados, se efetivamente a infância for
preservada em sua essência como o tempo indispensável e fun-
damental para a formação da cidadania. Indivíduos conscientes e
responsáveis são a base de uma sociedade mais justa e fraterna,
que tenha a qualidade de vida não apenas como um conceito a
ser perseguido, mas uma prática a ser vivida.
http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/ConsumismoInfantil.asp
A palavra do texto que teve sua grafia alterada pelo mais recente acordo ortográfico é:
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TEXTO 1:
O LENDÁRIO PAÍS DO RECALL
Moacyr Scliar
“MINHA QUERIDA DONA: quem lhe escreve sou eu, a sua fiel e querida boneca, que você não vê há três meses. Sei que você sente muitas saudades, porque eu também sinto saudades de você. Lembro de você me pegando no colo, me chamando de filhinha, me dando papinha... Você era, e é, minha mãezinha querida, e é por isso que estou lhe mandando esta carta, por meio do cara que assina esta coluna e que, sendo escritor, acredita nas coisas da imaginação.
Posso lhe dizer, querida, que vivi uma tremenda aventura, uma aventura que em vários momentos me deixou apavorada. Porque tive de viajar para o distante país do recall.
Aposto que você nem sabia da existência desse lugar; eu, pelo menos, não sabia. Para lá fui enviada. Não só eu: bonecas defeituosas, ursinhos idem, eletrodomésticos que não funcionavam e peças de automóvel quebradas. Nós todos ali, na traseira de um gigantesco caminhão que andava, andava sem parar.
Finalmente chegamos, e ali estávamos, no misterioso e, para mim, assustador país do recall. Um homem nos recebeu e anunciou, muito secamente, que o nosso destino em breve seria traçado: as bonecas (e os ursinhos, e outros brinquedos, e objetos vários) que tivessem conserto seriam consertados e mandados de volta para os donos; quanto tempo isso levaria era imprevisível, mas três meses era o mínimo. Uma boneca que estava do meu lado, a Liloca, perguntou, com os olhos arregalados, o que aconteceria a quem não tivesse conserto. O homem não disse nada, mas seu sorriso sinistro falava por si.
Passamos a noite num enorme pavilhão destinado especialmente às bonecas. Éramos centenas ali, algumas com probleminhas pequenos (um braço fora do lugar, por exemplo), outras já num estado lamentável. Estava muito claro que para várias de nós não haveria volta.
Naquela noite conversei muito com minha amiga Liloca -sim, querida dona, àquela altura já éramos amigas. O infortúnio tinha nos unido. Outras bonecas juntaram-se a nós e logo formamos um grande grupo. Estávamos preocupadas com o que poderia nos suceder.
De repente a Liloca gritou: “Mas, gente, nós não somos obrigados a aceitar isso! Vamos fazer alguma coisa!”. Nós a olhamos, espantadas: fazer alguma coisa? Mas fazer o quê?
Liloca tinha uma resposta: vamos tomar o poder. Vamos nos apossar do país do recall.
No começo, aquilo nos pareceu absurdo. Mas Liloca sabia do que estava falando. A mãe da dona dela tinha sido uma militante revolucionária e sempre falava nisso, na necessidade de mudar o mundo, de dar o poder aos mais fracos.
Ora, dizia Liloca, ninguém mais fraco do que nós, pobres, desamparados e defeituosos brinquedos. Não deveríamos aguardar resignadamente que decidissem o que fazer com a gente.
De modo, querida dona, que estamos aqui preparando a revolução. Breve estaremos governando o país do recall. Mas não se preocupe, eu a convidarei para uma visita. Você poderá vir a qualquer hora. E não precisará de recall para isso.”
Folha de S. Paulo (SP) 25/2/2008
O mesmo fenômeno pode ser verificado na seguinte palavra do texto:
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TEXTO 1:
O LENDÁRIO PAÍS DO RECALL
Moacyr Scliar
“MINHA QUERIDA DONA: quem lhe escreve sou eu, a sua fiel e querida boneca, que você não vê há três meses. Sei que você sente muitas saudades, porque eu também sinto saudades de você. Lembro de você me pegando no colo, me chamando de filhinha, me dando papinha... Você era, e é, minha mãezinha querida, e é por isso que estou lhe mandando esta carta, por meio do cara que assina esta coluna e que, sendo escritor, acredita nas coisas da imaginação.
Posso lhe dizer, querida, que vivi uma tremenda aventura, uma aventura que em vários momentos me deixou apavorada. Porque tive de viajar para o distante país do recall.
Aposto que você nem sabia da existência desse lugar; eu, pelo menos, não sabia. Para lá fui enviada. Não só eu: bonecas defeituosas, ursinhos idem, eletrodomésticos que não funcionavam e peças de automóvel quebradas. Nós todos ali, na traseira de um gigantesco caminhão que andava, andava sem parar.
Finalmente chegamos, e ali estávamos, no misterioso e, para mim, assustador país do recall. Um homem nos recebeu e anunciou, muito secamente, que o nosso destino em breve seria traçado: as bonecas (e os ursinhos, e outros brinquedos, e objetos vários) que tivessem conserto seriam consertados e mandados de volta para os donos; quanto tempo isso levaria era imprevisível, mas três meses era o mínimo. Uma boneca que estava do meu lado, a Liloca, perguntou, com os olhos arregalados, o que aconteceria a quem não tivesse conserto. O homem não disse nada, mas seu sorriso sinistro falava por si.
Passamos a noite num enorme pavilhão destinado especialmente às bonecas. Éramos centenas ali, algumas com probleminhas pequenos (um braço fora do lugar, por exemplo), outras já num estado lamentável. Estava muito claro que para várias de nós não haveria volta.
Naquela noite conversei muito com minha amiga Liloca -sim, querida dona, àquela altura já éramos amigas. O infortúnio tinha nos unido. Outras bonecas juntaram-se a nós e logo formamos um grande grupo. Estávamos preocupadas com o que poderia nos suceder.
De repente a Liloca gritou: “Mas, gente, nós não somos obrigados a aceitar isso! Vamos fazer alguma coisa!”. Nós a olhamos, espantadas: fazer alguma coisa? Mas fazer o quê?
Liloca tinha uma resposta: vamos tomar o poder. Vamos nos apossar do país do recall.
No começo, aquilo nos pareceu absurdo. Mas Liloca sabia do que estava falando. A mãe da dona dela tinha sido uma militante revolucionária e sempre falava nisso, na necessidade de mudar o mundo, de dar o poder aos mais fracos.
Ora, dizia Liloca, ninguém mais fraco do que nós, pobres, desamparados e defeituosos brinquedos. Não deveríamos aguardar resignadamente que decidissem o que fazer com a gente.
De modo, querida dona, que estamos aqui preparando a revolução. Breve estaremos governando o país do recall. Mas não se preocupe, eu a convidarei para uma visita. Você poderá vir a qualquer hora. E não precisará de recall para isso.”
Folha de S. Paulo (SP) 25/2/2008
Provas
O LENDÁRIO PAÍS DO RECALL
Moacyr Scliar
“MINHA QUERIDA DONA: quem lhe escreve sou eu, a sua fiel
e querida boneca, que você não vê há três meses. Sei que você
sente muitas saudades, porque eu também sinto saudades de você.
Lembro de você me pegando no colo, me chamando de filhinha, me
dando papinha... Você era, e é, minha mãezinha querida, e é por isso
que estou lhe mandando esta carta, por meio do cara que assina
esta coluna e que, sendo escritor, acredita nas coisas da imaginação.
Posso lhe dizer, querida, que vivi uma tremenda aventura, uma
aventura que em vários momentos me deixou apavorada. Porque
tive de viajar para o distante país do recall.
Aposto que você nem sabia da existência desse lugar; eu, pelo
menos, não sabia. Para lá fui enviada. Não só eu: bonecas defei-
tuosas, ursinhos idem, eletrodomésticos que não funcionavam e
peças de automóvel quebradas. Nós todos ali, na traseira de um
gigantesco caminhão que andava, andava sem parar.
Finalmente chegamos, e ali estávamos, no misterioso e, para mim,
assustador país do recall. Um homem nos recebeu e anunciou, muito
secamente, que o nosso destino em breve seria traçado: as bonecas
(e os ursinhos, e outros brinquedos, e objetos vários) que tivessem
conserto seriam consertados e mandados de volta para os donos;
quanto tempo isso levaria era imprevisível, mas três meses era o mí-
nimo. Uma boneca que estava do meu lado, a Liloca, perguntou, com
os olhos arregalados, o que aconteceria a quem não tivesse conserto.
O homem não disse nada, mas seu sorriso sinistro falava por si.
Passamos a noite num enorme pavilhão destinado especialmente
às bonecas. Éramos centenas ali, algumas com probleminhas peque-
nos (um braço fora do lugar, por exemplo), outras já num estado la-
mentável. Estava muito claro que para várias de nós não haveria volta.
Naquela noite conversei muito com minha amiga Liloca -sim,
querida dona, àquela altura já éramos amigas. O infortúnio tinha nos
unido. Outras bonecas juntaram-se a nós e logo formamos um grande
grupo. Estávamos preocupadas com o que poderia nos suceder.
De repente a Liloca gritou: “Mas, gente, nós não somos obri-
gados a aceitar isso! Vamos fazer alguma coisa!”. Nós a olhamos,
espantadas: fazer alguma coisa? Mas fazer o quê?
Liloca tinha uma resposta: vamos tomar o poder. Vamos nos
apossar do país do recall.
No começo, aquilo nos pareceu absurdo. Mas Liloca sabia do
que estava falando. A mãe da dona dela tinha sido uma militante
revolucionária e sempre falava nisso, na necessidade de mudar o
mundo, de dar o poder aos mais fracos.
Ora, dizia Liloca, ninguém mais fraco do que nós, pobres, de-
samparados e defeituosos brinquedos. Não deveríamos aguardar
resignadamente que decidissem o que fazer com a gente.
De modo, querida dona, que estamos aqui preparando a re-
volução. Breve estaremos governando o país do recall. Mas não
se preocupe, eu a convidarei para uma visita. Você poderá vir a
qualquer hora. E não precisará de recall para isso.”
Folha de S. Paulo (SP) 25/2/20
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- OrtografiaFormação e Estrutura das Palavras
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TEXTO 1:
O LENDÁRIO PAÍS DO RECALL
Moacyr Scliar
“MINHA QUERIDA DONA: quem lhe escreve sou eu, a sua fiel e querida boneca, que você não vê há três meses. Sei que você sente muitas saudades, porque eu também sinto saudades de você. Lembro de você me pegando no colo, me chamando de filhinha, me dando papinha... Você era, e é, minha mãezinha querida, e é por isso que estou lhe mandando esta carta, por meio do cara que assina esta coluna e que, sendo escritor, acredita nas coisas da imaginação.
Posso lhe dizer, querida, que vivi uma tremenda aventura, uma aventura que em vários momentos me deixou apavorada. Porque tive de viajar para o distante país do recall.
Aposto que você nem sabia da existência desse lugar; eu, pelo menos, não sabia. Para lá fui enviada. Não só eu: bonecas defeituosas, ursinhos idem, eletrodomésticos que não funcionavam e peças de automóvel quebradas. Nós todos ali, na traseira de um gigantesco caminhão que andava, andava sem parar.
Finalmente chegamos, e ali estávamos, no misterioso e, para mim, assustador país do recall. Um homem nos recebeu e anunciou, muito secamente, que o nosso destino em breve seria traçado: as bonecas (e os ursinhos, e outros brinquedos, e objetos vários) que tivessem conserto seriam consertados e mandados de volta para os donos; quanto tempo isso levaria era imprevisível, mas três meses era o mínimo. Uma boneca que estava do meu lado, a Liloca, perguntou, com os olhos arregalados, o que aconteceria a quem não tivesse conserto. O homem não disse nada, mas seu sorriso sinistro falava por si.
Passamos a noite num enorme pavilhão destinado especialmente às bonecas. Éramos centenas ali, algumas com probleminhas pequenos (um braço fora do lugar, por exemplo), outras já num estado lamentável. Estava muito claro que para várias de nós não haveria volta.
Naquela noite conversei muito com minha amiga Liloca -sim, querida dona, àquela altura já éramos amigas. O infortúnio tinha nos unido. Outras bonecas juntaram-se a nós e logo formamos um grande grupo. Estávamos preocupadas com o que poderia nos suceder.
De repente a Liloca gritou: “Mas, gente, nós não somos obrigados a aceitar isso! Vamos fazer alguma coisa!”. Nós a olhamos, espantadas: fazer alguma coisa? Mas fazer o quê?
Liloca tinha uma resposta: vamos tomar o poder. Vamos nos apossar do país do recall.
No começo, aquilo nos pareceu absurdo. Mas Liloca sabia do que estava falando. A mãe da dona dela tinha sido uma militante revolucionária e sempre falava nisso, na necessidade de mudar o mundo, de dar o poder aos mais fracos.
Ora, dizia Liloca, ninguém mais fraco do que nós, pobres, desamparados e defeituosos brinquedos. Não deveríamos aguardar resignadamente que decidissem o que fazer com a gente.
De modo, querida dona, que estamos aqui preparando a revolução. Breve estaremos governando o país do recall. Mas não se preocupe, eu a convidarei para uma visita. Você poderá vir a qualquer hora. E não precisará de recall para isso.”
Folha de S. Paulo (SP) 25/2/2008
O conectivo “porque”, no contexto acima, estabelece relação de:
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CONSUMISMO INFANTIL, UM PROBLEMA DE TODOS
Ninguém nasce consumista. O consumismo é uma ideologia,
um hábito mental forjado que se tornou umas das características
culturais mais marcantes da sociedade atual. Não importa o gênero,
a faixa etária, a nacionalidade, a crença ou o poder aquisitivo. Hoje,
todos que são impactados pelas mídias de massa são estimulados
a consumir de modo inconsequente. As crianças, ainda em pleno
desenvolvimento e, portanto, mais vulneráveis que os adultos, não
ficam fora dessa lógica e infelizmente sofrem cada vez mais cedo
com as graves consequências relacionadas aos excessos do con-
sumismo: obesidade infantil, erotização precoce, consumo precoce
de tabaco e álcool, estresse familiar, banalização da agressividade
e violência, entre outras. Nesse sentido, o consumismo infantil é
uma questão urgente, de extrema importância e interesse geral.
De pais e educadores a agentes do mercado global, todos vol-
tam os olhares para a infância − os primeiros preocupados com o
futuro das crianças, já os últimos fazem crer que estão preocupados
apenas com a ganância de seus negócios. Para o mercado, antes
de tudo, a criança é um consumidor em formação e uma poderosa
influência nos processos de escolha de produtos ou serviços. As
crianças brasileiras influenciam 80% das decisões de compra de
uma família (TNS/InterScience, outubro de 2003). Carros, roupas,
alimentos, eletrodomésticos, quase tudo dentro de casa tem por
trás o palpite de uma criança, salvo decisões relacionadas a planos
de seguro, combustível e produtos de limpeza. A publicidade na TV
é a principal ferramenta do mercado para a persuasão do público
infantil, que cada vez mais cedo é chamado a participar do universo
adulto quando é diretamente exposto às complexidades das rela-
ções de consumo sem que esteja efetivamente pronto para isso.
As crianças são um alvo importante, não apenas porque esco-
lhem o que seus pais compram e são tratadas como consumidores
mirins, mas também porque impactadas desde muito jovens tendem
a ser mais fiéis a marcas e ao próprio hábito consumista que lhes
é praticamente imposto.
Nada, no meio publicitário, é deliberado sem um estudo detalhado.
Em 2006, os investimentos publicitários destinados à categoria de pro-
dutos infantis foram de R$ 209.700.000,00 (IBOPE Monitor, 2005x2006,
categorias infantis). No entanto, a publicidade não se dirige às crianças
apenas para vender produtos infantis. Elas são assediadas pelo mer-
cado como eficientes promotoras de vendas de produtos direcionados
também aos adultos. Em março de 2007, o IBOPE Mídia divulgou os
dados de investimento publicitário no Brasil. Segundo o levantamento,
esse mercado movimentou cerca de R$ 39 bilhões em 2006. A televisão
permanece a principal mídia utilizada pela publicidade. Ao cruzar essa
informação com o fato de a criança brasileira passar em média quatro
horas 50 minutos e 11 segundos por dia assistindo à programação
televisiva (Painel Nacional de Televisores, IBOPE 2007) é possível
imaginar o impacto da publicidade na infância. No entanto, apesar de
toda essa força, a publicidade veiculada na televisão é apenas um dos
fatores que contribuem para o consumismo infantil. A TNS, instituto de
pesquisa que atua em mais de 70 países, divulgou dados em setembro
de 2007 que evidenciaram outros fatores que influenciam as crianças
brasileiras nas práticas de consumo. Elas sentem-se mais atraídas por
produtos e serviços que sejam associados a personagens famosos,
brindes, jogos e embalagens chamativas. A opinião dos amigos também
foi identificada como uma forte influência.
Não é por acaso que o consumismo está relacionado à ideia de de-
vorar, destruir e extinguir. Se agora, tragédias naturais, como queimadas,
furacões, inundações gigantescas, enchentes e períodos prolongados
de seca, são muito mais comuns e frequentes, foi porque a exploração
irresponsável do meio ambiente prevaleceu ao longo de décadas.
Concentrar todos os esforços no consumo é contribuir, dia após
dia, para o desequilíbrio global. O consumismo infantil, portanto,
é um problema que não está ligado apenas à educação escolar e
doméstica. Embora a questão seja tratada quase sempre como algo
relacionado à esfera familiar, crianças que aprendem a consumir de
forma inconsequente e desenvolvem critérios e valores distorcidos
são de fato um problema de ordem ética, econômica e social.
O Projeto Criança e Consumo [...] combate qualquer tipo de
comunicação mercadológica dirigida às crianças por entender que
os danos causados pela lógica insustentável do consumo irracional
podem ser minorados e evitados, se efetivamente a infância for
preservada em sua essência como o tempo indispensável e fun-
damental para a formação da cidadania. Indivíduos conscientes e
responsáveis são a base de uma sociedade mais justa e fraterna,
que tenha a qualidade de vida não apenas como um conceito a
ser perseguido, mas uma prática a ser vivida.
http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/ConsumismoInfantil.asp
O emprego da vírgula marca anteposição de termos, com alteração da ordem direta da frase, no seguinte exemplo do texto:
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