Foram encontradas 40 questões.
Uma empresa municipal de saneamento possui dois depósitos de hidrômetros. No depósito A há 6 hidrômetros novos e 4
usados; no depósito B há 3 hidrômetros novos e 7 usados. Ao escolher aleatoriamente um dos depósitos e, em seguida, um
hidrômetro, qual a probabilidade de o hidrômetro escolhido ser novo?
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Uma companhia de saneamento possui reservatórios de água com capacidades de 4, 8, 16, 28, 40 e 76 mil litros. Inicialmente,
todos estão vazios, exceto os reservatórios de 28 e 40 mil litros que estão cheios. Considere as seguintes manipulações:
• O reservatório de 28 mil litros é usado para encher completamente os reservatórios menores de 4 e 8 mil litros;
• O reservatório de 40 mil litros abastece totalmente o reservatório de 16 mil litros; e
• O restante da água disponível nos reservatórios que não estão cheios é transferido para o grande reservatório de 76 mil litros.
De acordo com as informações, quantos mil litros faltam para completar o reservatório de 76 mil litros?
• O reservatório de 28 mil litros é usado para encher completamente os reservatórios menores de 4 e 8 mil litros;
• O reservatório de 40 mil litros abastece totalmente o reservatório de 16 mil litros; e
• O restante da água disponível nos reservatórios que não estão cheios é transferido para o grande reservatório de 76 mil litros.
De acordo com as informações, quantos mil litros faltam para completar o reservatório de 76 mil litros?
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Elisa
Eu amo os que me amam; e os que vigiam desde a manhã,
por me buscarem, achar-me-ão.
(Provérbios, VIII, 17.)
Uma tarde – estávamos nos primeiros dias de abril – ela chegou à nossa casa. Empurrou com naturalidade o portão que
vedava o acesso ao pequeno jardim, como se obedecesse a hábito antigo. Do alpendre, onde me encontrava, escapou-me uma
observação desnecessária:
– E se tivéssemos um cachorro?
– Não me atemorizam os cães – retrucou aborrecida.
Com alguma dificuldade (devia ser pesada a mala que carregava), subiu a escada. Antes de entrar pela porta principal,
voltou-se:
– Nem os homens tampouco.
Surpreso por vê-la adivinhar meu pensamento, apressei-me em desfazer a situação cada vez mais embaraçosa:
– Hoje o tempo está ruim. Se continuar assim...
Interrompi a série de bobagens que me ocorria e, encabulado, procurei evitar o seu olhar repreensivo.
Sorriu levemente, enquanto eu, nervoso, torcia as mãos.
Logo a desconhecida se adaptou aos nossos hábitos. Raramente saía e nunca aparecia à janela.
Talvez não tivesse reparado no primeiro momento em sua beleza. Bela, mesmo no desencanto, no seu meio sorriso. Alta,
a pele clara, de um branco pálido, quase transparente, e uma magreza que acusava profundo abatimento. Os olhos eram castanhos, mas não desejo falar deles. Jamais me abandonaram.
Cedo começou a engordar, a ganhar cores e, no rosto, já estampava uma alegria tranquila.
Não nos disse o nome, de onde viera e que acontecimentos lhe abalaram a vida. Respeitávamos, entretanto, o seu segredo.
Para nós era ela, simplesmente ela. Alguém que necessitava de nossos cuidados, do nosso carinho.
Aceitei os seus longos silêncios, as suas repentinas perguntas. Uma noite, sem que eu esperasse, interrogou-me:
– Já amou alguma vez?
Por ser negativa a resposta, deixou transparecer a decepção. Pouco depois, abandonava a sala, sem nada acrescentar ao
que dissera. Na manhã seguinte, encontramos vazio o seu quarto.
Todos os dias, mal começava a cair a tarde, eu ia para o alpendre, à espera de que ela surgisse a qualquer momento na
esquina. Minha irmã Cordélia desaprovava-me:
- É inútil, ela não voltará. Se você estivesse menos apaixonado, não teria tanta esperança.
Um ano após a sua fuga – estávamos novamente em abril – a vi aparecer no portão. Trazia mais triste a fisionomia, maiores
as olheiras. Dos meus olhos, que se puseram alegres ao vê-la, desprendeu-se uma lágrima, e disse, esforçando-me para lhe
tornar cordial a recepção:
– Cuidado, agora temos uma cadelinha.
– Mas o dono dela ainda é manso, não? Ou se tornou feroz na minha ausência?
Estendi-lhe as mãos, que ela segurou por algum tempo. E, sem conter a minha ansiedade, indaguei:
– Por onde andou? O que fez esse tempo todo?
– Andei por aí e nada fiz. Talvez amasse um pouco – concluiu, sacudindo a cabeça com tristeza.
A sua vida entre nós retomou o ritmo da outra vez. Mas eu estava intranquilo. Cordélia olhava-me penalizada, insinuava
que eu não deveria ocultar mais a minha paixão.
Faltava-me, contudo, a coragem e adiava a minha primeira declaração de amor.
Meses depois, Elisa – sim, ela nos disse o nome – partiu de novo.
E como lhe ficasse sabendo o nome, sugeri à minha irmã que mudássemos de residência. Cordélia, apegada ao extremo à
nossa casa, nada objetou. Limitou-se a perguntar:
– E Elisa? Como poderá encontrar-nos ao regressar?
Refreei a custo a angústia e repeti completamente idiotizado:
– Sim, como poderá?
(RUBIÃO, M. Obra completa. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 161-163.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Elisa
Eu amo os que me amam; e os que vigiam desde a manhã,
por me buscarem, achar-me-ão.
(Provérbios, VIII, 17.)
Uma tarde – estávamos nos primeiros dias de abril – ela chegou à nossa casa. Empurrou com naturalidade o portão que
vedava o acesso ao pequeno jardim, como se obedecesse a hábito antigo. Do alpendre, onde me encontrava, escapou-me uma
observação desnecessária:
– E se tivéssemos um cachorro?
– Não me atemorizam os cães – retrucou aborrecida.
Com alguma dificuldade (devia ser pesada a mala que carregava), subiu a escada. Antes de entrar pela porta principal,
voltou-se:
– Nem os homens tampouco.
Surpreso por vê-la adivinhar meu pensamento, apressei-me em desfazer a situação cada vez mais embaraçosa:
– Hoje o tempo está ruim. Se continuar assim...
Interrompi a série de bobagens que me ocorria e, encabulado, procurei evitar o seu olhar repreensivo.
Sorriu levemente, enquanto eu, nervoso, torcia as mãos.
Logo a desconhecida se adaptou aos nossos hábitos. Raramente saía e nunca aparecia à janela.
Talvez não tivesse reparado no primeiro momento em sua beleza. Bela, mesmo no desencanto, no seu meio sorriso. Alta,
a pele clara, de um branco pálido, quase transparente, e uma magreza que acusava profundo abatimento. Os olhos eram castanhos, mas não desejo falar deles. Jamais me abandonaram.
Cedo começou a engordar, a ganhar cores e, no rosto, já estampava uma alegria tranquila.
Não nos disse o nome, de onde viera e que acontecimentos lhe abalaram a vida. Respeitávamos, entretanto, o seu segredo.
Para nós era ela, simplesmente ela. Alguém que necessitava de nossos cuidados, do nosso carinho.
Aceitei os seus longos silêncios, as suas repentinas perguntas. Uma noite, sem que eu esperasse, interrogou-me:
– Já amou alguma vez?
Por ser negativa a resposta, deixou transparecer a decepção. Pouco depois, abandonava a sala, sem nada acrescentar ao
que dissera. Na manhã seguinte, encontramos vazio o seu quarto.
Todos os dias, mal começava a cair a tarde, eu ia para o alpendre, à espera de que ela surgisse a qualquer momento na
esquina. Minha irmã Cordélia desaprovava-me:
- É inútil, ela não voltará. Se você estivesse menos apaixonado, não teria tanta esperança.
Um ano após a sua fuga – estávamos novamente em abril – a vi aparecer no portão. Trazia mais triste a fisionomia, maiores
as olheiras. Dos meus olhos, que se puseram alegres ao vê-la, desprendeu-se uma lágrima, e disse, esforçando-me para lhe
tornar cordial a recepção:
– Cuidado, agora temos uma cadelinha.
– Mas o dono dela ainda é manso, não? Ou se tornou feroz na minha ausência?
Estendi-lhe as mãos, que ela segurou por algum tempo. E, sem conter a minha ansiedade, indaguei:
– Por onde andou? O que fez esse tempo todo?
– Andei por aí e nada fiz. Talvez amasse um pouco – concluiu, sacudindo a cabeça com tristeza.
A sua vida entre nós retomou o ritmo da outra vez. Mas eu estava intranquilo. Cordélia olhava-me penalizada, insinuava
que eu não deveria ocultar mais a minha paixão.
Faltava-me, contudo, a coragem e adiava a minha primeira declaração de amor.
Meses depois, Elisa – sim, ela nos disse o nome – partiu de novo.
E como lhe ficasse sabendo o nome, sugeri à minha irmã que mudássemos de residência. Cordélia, apegada ao extremo à
nossa casa, nada objetou. Limitou-se a perguntar:
– E Elisa? Como poderá encontrar-nos ao regressar?
Refreei a custo a angústia e repeti completamente idiotizado:
– Sim, como poderá?
(RUBIÃO, M. Obra completa. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 161-163.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
- OrtografiaAcentuação GráficaProparoxítonas, Paraxítonas, Oxítonas e Hiatos
- FonologiaEncontros Consonantais: Dígrafos
- FonologiaEncontros Vocálicos: Ditongo, Tritongo, Hiato
Elisa
Eu amo os que me amam; e os que vigiam desde a manhã,
por me buscarem, achar-me-ão.
(Provérbios, VIII, 17.)
Uma tarde – estávamos nos primeiros dias de abril – ela chegou à nossa casa. Empurrou com naturalidade o portão que
vedava o acesso ao pequeno jardim, como se obedecesse a hábito antigo. Do alpendre, onde me encontrava, escapou-me uma
observação desnecessária:
– E se tivéssemos um cachorro?
– Não me atemorizam os cães – retrucou aborrecida.
Com alguma dificuldade (devia ser pesada a mala que carregava), subiu a escada. Antes de entrar pela porta principal,
voltou-se:
– Nem os homens tampouco.
Surpreso por vê-la adivinhar meu pensamento, apressei-me em desfazer a situação cada vez mais embaraçosa:
– Hoje o tempo está ruim. Se continuar assim...
Interrompi a série de bobagens que me ocorria e, encabulado, procurei evitar o seu olhar repreensivo.
Sorriu levemente, enquanto eu, nervoso, torcia as mãos.
Logo a desconhecida se adaptou aos nossos hábitos. Raramente saía e nunca aparecia à janela.
Talvez não tivesse reparado no primeiro momento em sua beleza. Bela, mesmo no desencanto, no seu meio sorriso. Alta,
a pele clara, de um branco pálido, quase transparente, e uma magreza que acusava profundo abatimento. Os olhos eram castanhos, mas não desejo falar deles. Jamais me abandonaram.
Cedo começou a engordar, a ganhar cores e, no rosto, já estampava uma alegria tranquila.
Não nos disse o nome, de onde viera e que acontecimentos lhe abalaram a vida. Respeitávamos, entretanto, o seu segredo.
Para nós era ela, simplesmente ela. Alguém que necessitava de nossos cuidados, do nosso carinho.
Aceitei os seus longos silêncios, as suas repentinas perguntas. Uma noite, sem que eu esperasse, interrogou-me:
– Já amou alguma vez?
Por ser negativa a resposta, deixou transparecer a decepção. Pouco depois, abandonava a sala, sem nada acrescentar ao
que dissera. Na manhã seguinte, encontramos vazio o seu quarto.
Todos os dias, mal começava a cair a tarde, eu ia para o alpendre, à espera de que ela surgisse a qualquer momento na
esquina. Minha irmã Cordélia desaprovava-me:
- É inútil, ela não voltará. Se você estivesse menos apaixonado, não teria tanta esperança.
Um ano após a sua fuga – estávamos novamente em abril – a vi aparecer no portão. Trazia mais triste a fisionomia, maiores
as olheiras. Dos meus olhos, que se puseram alegres ao vê-la, desprendeu-se uma lágrima, e disse, esforçando-me para lhe
tornar cordial a recepção:
– Cuidado, agora temos uma cadelinha.
– Mas o dono dela ainda é manso, não? Ou se tornou feroz na minha ausência?
Estendi-lhe as mãos, que ela segurou por algum tempo. E, sem conter a minha ansiedade, indaguei:
– Por onde andou? O que fez esse tempo todo?
– Andei por aí e nada fiz. Talvez amasse um pouco – concluiu, sacudindo a cabeça com tristeza.
A sua vida entre nós retomou o ritmo da outra vez. Mas eu estava intranquilo. Cordélia olhava-me penalizada, insinuava
que eu não deveria ocultar mais a minha paixão.
Faltava-me, contudo, a coragem e adiava a minha primeira declaração de amor.
Meses depois, Elisa – sim, ela nos disse o nome – partiu de novo.
E como lhe ficasse sabendo o nome, sugeri à minha irmã que mudássemos de residência. Cordélia, apegada ao extremo à
nossa casa, nada objetou. Limitou-se a perguntar:
– E Elisa? Como poderá encontrar-nos ao regressar?
Refreei a custo a angústia e repeti completamente idiotizado:
– Sim, como poderá?
(RUBIÃO, M. Obra completa. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 161-163.)
I. A palavra “desnecessária” (1º§) apresenta um dígrafo consonantal e um dígrafo vocálico; além disso, termina em um encontro vocálico que permite dupla interpretação silábica (ditongo crescente ou hiato).
II. Os termos “cadelinha” (20º§) e “alpendre” (1º§) possuem, cada um, apenas um dígrafo. No entanto, esses dígrafos possuem naturezas distintas.
III. Na palavra “fisionomia” (19º§), ocorrem dois hiatos, sendo a tonicidade da palavra localizada na penúltima sílaba, o que a classifica como uma paroxítona não acentuada graficamente.
IV. A palavra “inútil” (18º§) recebe acento gráfico pela mesma regra que justifica o acento em “provérbios” (epígrafe do texto), uma vez que ambas são paroxítonas terminadas em elementos que exigem a marcação da sílaba tônica.
Está correto o que se afirma apenas em
Provas
Questão presente nas seguintes provas
- SintaxePalavras com Múltiplas FunçõesFunções da Palavra “que”
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinada Adjetiva
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinada Substantiva
Elisa
Eu amo os que me amam; e os que vigiam desde a manhã,
por me buscarem, achar-me-ão.
(Provérbios, VIII, 17.)
Uma tarde – estávamos nos primeiros dias de abril – ela chegou à nossa casa. Empurrou com naturalidade o portão que
vedava o acesso ao pequeno jardim, como se obedecesse a hábito antigo. Do alpendre, onde me encontrava, escapou-me uma
observação desnecessária:
– E se tivéssemos um cachorro?
– Não me atemorizam os cães – retrucou aborrecida.
Com alguma dificuldade (devia ser pesada a mala que carregava), subiu a escada. Antes de entrar pela porta principal,
voltou-se:
– Nem os homens tampouco.
Surpreso por vê-la adivinhar meu pensamento, apressei-me em desfazer a situação cada vez mais embaraçosa:
– Hoje o tempo está ruim. Se continuar assim...
Interrompi a série de bobagens que me ocorria e, encabulado, procurei evitar o seu olhar repreensivo.
Sorriu levemente, enquanto eu, nervoso, torcia as mãos.
Logo a desconhecida se adaptou aos nossos hábitos. Raramente saía e nunca aparecia à janela.
Talvez não tivesse reparado no primeiro momento em sua beleza. Bela, mesmo no desencanto, no seu meio sorriso. Alta,
a pele clara, de um branco pálido, quase transparente, e uma magreza que acusava profundo abatimento. Os olhos eram castanhos, mas não desejo falar deles. Jamais me abandonaram.
Cedo começou a engordar, a ganhar cores e, no rosto, já estampava uma alegria tranquila.
Não nos disse o nome, de onde viera e que acontecimentos lhe abalaram a vida. Respeitávamos, entretanto, o seu segredo.
Para nós era ela, simplesmente ela. Alguém que necessitava de nossos cuidados, do nosso carinho.
Aceitei os seus longos silêncios, as suas repentinas perguntas. Uma noite, sem que eu esperasse, interrogou-me:
– Já amou alguma vez?
Por ser negativa a resposta, deixou transparecer a decepção. Pouco depois, abandonava a sala, sem nada acrescentar ao
que dissera. Na manhã seguinte, encontramos vazio o seu quarto.
Todos os dias, mal começava a cair a tarde, eu ia para o alpendre, à espera de que ela surgisse a qualquer momento na
esquina. Minha irmã Cordélia desaprovava-me:
- É inútil, ela não voltará. Se você estivesse menos apaixonado, não teria tanta esperança.
Um ano após a sua fuga – estávamos novamente em abril – a vi aparecer no portão. Trazia mais triste a fisionomia, maiores
as olheiras. Dos meus olhos, que se puseram alegres ao vê-la, desprendeu-se uma lágrima, e disse, esforçando-me para lhe
tornar cordial a recepção:
– Cuidado, agora temos uma cadelinha.
– Mas o dono dela ainda é manso, não? Ou se tornou feroz na minha ausência?
Estendi-lhe as mãos, que ela segurou por algum tempo. E, sem conter a minha ansiedade, indaguei:
– Por onde andou? O que fez esse tempo todo?
– Andei por aí e nada fiz. Talvez amasse um pouco – concluiu, sacudindo a cabeça com tristeza.
A sua vida entre nós retomou o ritmo da outra vez. Mas eu estava intranquilo. Cordélia olhava-me penalizada, insinuava
que eu não deveria ocultar mais a minha paixão.
Faltava-me, contudo, a coragem e adiava a minha primeira declaração de amor.
Meses depois, Elisa – sim, ela nos disse o nome – partiu de novo.
E como lhe ficasse sabendo o nome, sugeri à minha irmã que mudássemos de residência. Cordélia, apegada ao extremo à
nossa casa, nada objetou. Limitou-se a perguntar:
– E Elisa? Como poderá encontrar-nos ao regressar?
Refreei a custo a angústia e repeti completamente idiotizado:
– Sim, como poderá?
(RUBIÃO, M. Obra completa. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 161-163.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Elisa
Eu amo os que me amam; e os que vigiam desde a manhã,
por me buscarem, achar-me-ão.
(Provérbios, VIII, 17.)
Uma tarde – estávamos nos primeiros dias de abril – ela chegou à nossa casa. Empurrou com naturalidade o portão que
vedava o acesso ao pequeno jardim, como se obedecesse a hábito antigo. Do alpendre, onde me encontrava, escapou-me uma
observação desnecessária:
– E se tivéssemos um cachorro?
– Não me atemorizam os cães – retrucou aborrecida.
Com alguma dificuldade (devia ser pesada a mala que carregava), subiu a escada. Antes de entrar pela porta principal,
voltou-se:
– Nem os homens tampouco.
Surpreso por vê-la adivinhar meu pensamento, apressei-me em desfazer a situação cada vez mais embaraçosa:
– Hoje o tempo está ruim. Se continuar assim...
Interrompi a série de bobagens que me ocorria e, encabulado, procurei evitar o seu olhar repreensivo.
Sorriu levemente, enquanto eu, nervoso, torcia as mãos.
Logo a desconhecida se adaptou aos nossos hábitos. Raramente saía e nunca aparecia à janela.
Talvez não tivesse reparado no primeiro momento em sua beleza. Bela, mesmo no desencanto, no seu meio sorriso. Alta,
a pele clara, de um branco pálido, quase transparente, e uma magreza que acusava profundo abatimento. Os olhos eram castanhos, mas não desejo falar deles. Jamais me abandonaram.
Cedo começou a engordar, a ganhar cores e, no rosto, já estampava uma alegria tranquila.
Não nos disse o nome, de onde viera e que acontecimentos lhe abalaram a vida. Respeitávamos, entretanto, o seu segredo.
Para nós era ela, simplesmente ela. Alguém que necessitava de nossos cuidados, do nosso carinho.
Aceitei os seus longos silêncios, as suas repentinas perguntas. Uma noite, sem que eu esperasse, interrogou-me:
– Já amou alguma vez?
Por ser negativa a resposta, deixou transparecer a decepção. Pouco depois, abandonava a sala, sem nada acrescentar ao
que dissera. Na manhã seguinte, encontramos vazio o seu quarto.
Todos os dias, mal começava a cair a tarde, eu ia para o alpendre, à espera de que ela surgisse a qualquer momento na
esquina. Minha irmã Cordélia desaprovava-me:
- É inútil, ela não voltará. Se você estivesse menos apaixonado, não teria tanta esperança.
Um ano após a sua fuga – estávamos novamente em abril – a vi aparecer no portão. Trazia mais triste a fisionomia, maiores
as olheiras. Dos meus olhos, que se puseram alegres ao vê-la, desprendeu-se uma lágrima, e disse, esforçando-me para lhe
tornar cordial a recepção:
– Cuidado, agora temos uma cadelinha.
– Mas o dono dela ainda é manso, não? Ou se tornou feroz na minha ausência?
Estendi-lhe as mãos, que ela segurou por algum tempo. E, sem conter a minha ansiedade, indaguei:
– Por onde andou? O que fez esse tempo todo?
– Andei por aí e nada fiz. Talvez amasse um pouco – concluiu, sacudindo a cabeça com tristeza.
A sua vida entre nós retomou o ritmo da outra vez. Mas eu estava intranquilo. Cordélia olhava-me penalizada, insinuava
que eu não deveria ocultar mais a minha paixão.
Faltava-me, contudo, a coragem e adiava a minha primeira declaração de amor.
Meses depois, Elisa – sim, ela nos disse o nome – partiu de novo.
E como lhe ficasse sabendo o nome, sugeri à minha irmã que mudássemos de residência. Cordélia, apegada ao extremo à
nossa casa, nada objetou. Limitou-se a perguntar:
– E Elisa? Como poderá encontrar-nos ao regressar?
Refreei a custo a angústia e repeti completamente idiotizado:
– Sim, como poderá?
(RUBIÃO, M. Obra completa. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 161-163.)
I. O conto simboliza a condição humana de eterna espera, sugerindo que o homem é definido pelo que busca e pelo que não tem coragem de possuir.
II. Elisa representa o mistério e a transitoriedade da vida, chegando de maneira inesperada e partindo quando as coisas se estabilizam.
III. O narrador demonstra um amadurecimento emocional ao longo das sucessivas visitas de Elisa, culminando na decisão de mudar de residência como uma estratégia consciente para romper sua paralisia.
IV. Cordélia exprime uma visão racionalista do mundo ao questionar por que o narrador não se declara e a eficácia da mudança de casa.
Está correto o que se afirma apenas em
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Elisa
Eu amo os que me amam; e os que vigiam desde a manhã,
por me buscarem, achar-me-ão.
(Provérbios, VIII, 17.)
Uma tarde – estávamos nos primeiros dias de abril – ela chegou à nossa casa. Empurrou com naturalidade o portão que
vedava o acesso ao pequeno jardim, como se obedecesse a hábito antigo. Do alpendre, onde me encontrava, escapou-me uma
observação desnecessária:
– E se tivéssemos um cachorro?
– Não me atemorizam os cães – retrucou aborrecida.
Com alguma dificuldade (devia ser pesada a mala que carregava), subiu a escada. Antes de entrar pela porta principal,
voltou-se:
– Nem os homens tampouco.
Surpreso por vê-la adivinhar meu pensamento, apressei-me em desfazer a situação cada vez mais embaraçosa:
– Hoje o tempo está ruim. Se continuar assim...
Interrompi a série de bobagens que me ocorria e, encabulado, procurei evitar o seu olhar repreensivo.
Sorriu levemente, enquanto eu, nervoso, torcia as mãos.
Logo a desconhecida se adaptou aos nossos hábitos. Raramente saía e nunca aparecia à janela.
Talvez não tivesse reparado no primeiro momento em sua beleza. Bela, mesmo no desencanto, no seu meio sorriso. Alta,
a pele clara, de um branco pálido, quase transparente, e uma magreza que acusava profundo abatimento. Os olhos eram castanhos, mas não desejo falar deles. Jamais me abandonaram.
Cedo começou a engordar, a ganhar cores e, no rosto, já estampava uma alegria tranquila.
Não nos disse o nome, de onde viera e que acontecimentos lhe abalaram a vida. Respeitávamos, entretanto, o seu segredo.
Para nós era ela, simplesmente ela. Alguém que necessitava de nossos cuidados, do nosso carinho.
Aceitei os seus longos silêncios, as suas repentinas perguntas. Uma noite, sem que eu esperasse, interrogou-me:
– Já amou alguma vez?
Por ser negativa a resposta, deixou transparecer a decepção. Pouco depois, abandonava a sala, sem nada acrescentar ao
que dissera. Na manhã seguinte, encontramos vazio o seu quarto.
Todos os dias, mal começava a cair a tarde, eu ia para o alpendre, à espera de que ela surgisse a qualquer momento na
esquina. Minha irmã Cordélia desaprovava-me:
- É inútil, ela não voltará. Se você estivesse menos apaixonado, não teria tanta esperança.
Um ano após a sua fuga – estávamos novamente em abril – a vi aparecer no portão. Trazia mais triste a fisionomia, maiores
as olheiras. Dos meus olhos, que se puseram alegres ao vê-la, desprendeu-se uma lágrima, e disse, esforçando-me para lhe
tornar cordial a recepção:
– Cuidado, agora temos uma cadelinha.
– Mas o dono dela ainda é manso, não? Ou se tornou feroz na minha ausência?
Estendi-lhe as mãos, que ela segurou por algum tempo. E, sem conter a minha ansiedade, indaguei:
– Por onde andou? O que fez esse tempo todo?
– Andei por aí e nada fiz. Talvez amasse um pouco – concluiu, sacudindo a cabeça com tristeza.
A sua vida entre nós retomou o ritmo da outra vez. Mas eu estava intranquilo. Cordélia olhava-me penalizada, insinuava
que eu não deveria ocultar mais a minha paixão.
Faltava-me, contudo, a coragem e adiava a minha primeira declaração de amor.
Meses depois, Elisa – sim, ela nos disse o nome – partiu de novo.
E como lhe ficasse sabendo o nome, sugeri à minha irmã que mudássemos de residência. Cordélia, apegada ao extremo à
nossa casa, nada objetou. Limitou-se a perguntar:
– E Elisa? Como poderá encontrar-nos ao regressar?
Refreei a custo a angústia e repeti completamente idiotizado:
– Sim, como poderá?
(RUBIÃO, M. Obra completa. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 161-163.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Durante um processo formal de revisão tarifária, uma empresa municipal responsável pelo abastecimento de água realizou
exclusivamente algumas alterações sucessivas no valor da tarifa de água, sempre incidindo sobre o valor vigente imediatamente anterior: inicialmente, foi concedida uma redução de 15% sobre a tarifa original; em seguida, aplicou-se uma nova
redução de 10% sobre o valor já reduzido; por fim, foi efetuado um reajuste de 30%, calculado, também, sobre o valor resultante da última alteração. Considerando que não houve quaisquer outras modificações no período analisado, em relação ao
valor inicial da tarifa, é correto afirmar que o preço final ficou:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Uma viga biapoiada, de comprimento total L = 6,0 m, está submetida a um carregamento distribuído uniforme de intensidade
q = 12 kN/m ao longo de todo o vão. A viga é composta por um material linear elástico, homogêneo e isotrópico, com módulo
de elasticidade E = 210 GPa e momento de inércia constante da seção transversal I = 8,0 · 10-6m4
.Considerando a teoria clássica
da flexão (hipóteses de Euler-Bernoulli), desprezando deformações por cisalhamento, assinale a alternativa que apresenta
corretamente: o valor máximo do momento fletor; a tensão normal máxima de flexão na fibra extrema da seção; e a flecha
máxima da viga.
(Considere a distância da fibra extrema ao eixo neutro igual a c = 0,20 m.)
(Considere a distância da fibra extrema ao eixo neutro igual a c = 0,20 m.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Cadernos
Caderno Container