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Foram encontradas 358 questões.

2207922 Ano: 2022
Disciplina: Matemática Financeira
Banca: FADESP
Orgão: SEFAZ-PA

O capital que aplicado por três meses à taxa de 10% ao mês no regime de capitalização composta produz R$ 2.118,40 de juros é igual a

 

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2207921 Ano: 2022
Disciplina: Matemática Financeira
Banca: FADESP
Orgão: SEFAZ-PA

Um capital de R$ 8.000,00 foi aplicado por dois anos no regime de juros compostos, com taxa de 15% ao ano. Os juros obtidos ao final dessa aplicação correspondem a

 

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2207920 Ano: 2022
Disciplina: Matemática Financeira
Banca: FADESP
Orgão: SEFAZ-PA

Uma pessoa toma empréstimo de R$ 8.000,00 por 4 meses, com taxa de 10% ao mês no regime de juros compostos. O montante ao final desse empréstimo será igual a

 

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2207919 Ano: 2022
Disciplina: Matemática Financeira
Banca: FADESP
Orgão: SEFAZ-PA

A Loja Tesla, na promoção “Pula pula”, oferece uma televisão por R$ 1.050,00, com pagamento integral desse valor para dois meses depois do dia da compra. Um cliente propõe pagar à vista, o gerente calcula o desconto racional, no regime de juros simples, e cobra o valor atual de R$ 840,00. A taxa mensal de juros calculada neste caso foi de

 

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2207918 Ano: 2022
Disciplina: Matemática Financeira
Banca: FADESP
Orgão: SEFAZ-PA

Um comerciante contraiu empréstimos nos valores de R$ 60.000,00 e R$ 70.000,00 sujeitos a uma mesma taxa de juros no sistema de capitalização simples, o primeiro vencendo daqui a 4 meses e o segundo, daqui a 8 meses. Resolvendo quitá-los, descobriu que eles equivaliam hoje a valores iguais, com as mesmas condições do empréstimo. A taxa mensal, nesse caso, era de

 

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2207917 Ano: 2022
Disciplina: Matemática Financeira
Banca: FADESP
Orgão: SEFAZ-PA

Uma “caixinha” de uma firma empresta a juros simples. Paulo emprestou R$ 2.000,00, tendo que devolver, após o período de um ano, o montante de R$ 3.920,00. Maria tomou R$ 1.500,00 de empréstimo na mesma “caixinha”, com a mesma taxa de juros mensais, pelo período de um ano e meio, tendo que devolver ao final desse prazo o montante de

 

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2207916 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: FADESP
Orgão: SEFAZ-PA

Crítico de cinema? Mas isso é uma profissão?

O francês Jean-Michel Frodon contou que, um dia, um taxista lhe perguntou sua profissão. “Sou crítico de cinema”, respondeu. “Mas isso é uma profissão?”, questionou o taxista.

Frodon, um dos mais respeitados críticos de cinema da França, abriu nesta sexta-feira (10 de junho), no Rio de Janeiro, a programação do Festival Varilux de Cinema Francês, que terá programação em 50 cidades, com uma master class sobre o seu ofício. Tive o prazer de estar na plateia, junto com alguns dos mais conhecidos críticos do Brasil e entusiastas da sétima arte, e acompanhamos atentamente sua “aula de mestre”. Foi lição em cima de lição. O francês, que foi diretor de redação da revista Cahiers du Cinéma de 2003 a 2009 e é autor de diversos livros sobre cinema, foi inspirador. Lembrou que, a cada semana, quando novos filmes são lançados, são as pessoas que escrevem sobre eles as responsáveis por dar “respeitabilidade artística” àquela obra. “O filme, porém, vai além do fato de o crítico ter amado, odiado ou falado besteira sobre um filme. Porque os críticos falam besteiras também…”

Frodon destaca que a crítica tem que se parecer com “um convite” para que se explore algo novo. “Escrevemos para quem vai ver um filme ou para quem já viu? Isso não tem a menor importância.” O que tem importância, para Frodon, é não deixar que um filme se transforme em um produto. Ou seja, dar estrelinha, coração ou carinha de bravo para definir se um filme é ou não é bom.

Na plateia, nesse momento, foi interessante observar alguns críticos do jornal O Globo, famoso por sua cotação “O Bonequinho…” Para quem não está familiarizado, as cotações variam de “O Bonequinho aplaudiu de pé” a “O Bonequinho saiu da sala”, com algumas variantes no meio do caminho. “Na prática, pode ser útil para ajudar o leitor a escolher por este ou aquele filme, mas essa não é a razão de ser da crítica.”

Transformar um filme em produto “suprime a dimensão mais importante do filme, que é a possibilidade dele ser tratado com uma obra de arte”, destacou. “Um filme pode ser lazer, diversão, retratar um fenômeno social, dar medo, ser um objeto de pesquisa, nos levar a outros planetas… Muitos são bonitos, agradáveis, mas são objetos acabados, que não cumprem a promessa de se tornarem uma obra de arte, enquanto outros sim, se diferenciam como obra de arte.”

Para Frodon, muitos filmes acabam sendo como “papel de parede, somente decorativos”, e o papel do crítico, na sua literatura, é explicar ao leitor porque aquele filme descumpre a promessa de ser uma obra de arte. “Cinema é muito mais que a história, os atores de quem gostamos, os efeitos especiais…”

A França, que tem 350 festivais de cinema por ano (!), é o berço da crítica desde que Diderot resolveu escrever sobre pintura na segunda metade do século 18. No cinema, o Festival de Cannes é o auge de qualquer crítico e Frodon já participou de muitos. “Quando começo uma crítica não sei o que vou escrever”, admite o crítico, que mostra o caderninho no qual faz anotações durante o filme, mas que diz não levar em conta. “Fazer anotações significa que não sou um espectador normal, anoto, mas não releio, afinal, é difícil reler o que a gente escreve no escuro”, diverte-se.

Frodon diz que gosta quando lê uma crítica que defende um filme do qual não gostou. “É como entrar em uma outra emoção. Porque uma crítica é algo pessoal, nós nos expomos, nos exibimos ali naquelas palavras que tentam transmitir ideias que possam ser compartilhadas. Ser crítico é tentar ser um escritor.”

Para Frodon, a chegada da internet, que deu voz a uma legião de críticos sem espaço nas grandes mídias, “abre novas possibilidades”. “Um filme existe para que se fale dele, o cinema leva as pessoas a falarem, antes falávamos entre nós, agora podemos falar com todo o mundo”, resume. “É direito absoluto de todos poder falar dos filmes.”

“Às vezes, inclusive, me deparo com críticas na internet que são muito melhores, muito mais elaboradas, do que as que estão nas páginas dos jornais e das revistas”, completa. O francês cita um conterrâneo, André Bazin, um dos fundadores da revista Cahiers du Cinéma, que dizia que “todos os filmes nascem livres e iguais em direito”, para um choque de realidade. “O que o Bazin dizia é uma utopia. Sabemos que não é verdade, há os filmes ricos e poderosos e os filmes pobres e desconhecidos.”

Frodon lamenta que, em um mundo com tantos e tantos filmes para ver, o poder do marketing seja tão dominante. “Quanto mais filmes podemos ver, mais vemos os mesmos filmes.”

Daniela Prandi Disponível em http://asn.blog.br/

2016/06/11/critico-de-cinema-mas-isso-e-uma-profissao/ Acessado em 6/12/2021

Contém exemplo de voz passiva o enunciado

 

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2207915 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: FADESP
Orgão: SEFAZ-PA

Crítico de cinema? Mas isso é uma profissão?

O francês Jean-Michel Frodon contou que, um dia, um taxista lhe perguntou sua profissão. “Sou crítico de cinema”, respondeu. “Mas isso é uma profissão?”, questionou o taxista.

Frodon, um dos mais respeitados críticos de cinema da França, abriu nesta sexta-feira (10 de junho), no Rio de Janeiro, a programação do Festival Varilux de Cinema Francês, que terá programação em 50 cidades, com uma master class sobre o seu ofício. Tive o prazer de estar na plateia, junto com alguns dos mais conhecidos críticos do Brasil e entusiastas da sétima arte, e acompanhamos atentamente sua “aula de mestre”. Foi lição em cima de lição. O francês, que foi diretor de redação da revista Cahiers du Cinéma de 2003 a 2009 e é autor de diversos livros sobre cinema, foi inspirador. Lembrou que, a cada semana, quando novos filmes são lançados, são as pessoas que escrevem sobre eles as responsáveis por dar “respeitabilidade artística” àquela obra. “O filme, porém, vai além do fato de o crítico ter amado, odiado ou falado besteira sobre um filme. Porque os críticos falam besteiras também…”

Frodon destaca que a crítica tem que se parecer com “um convite” para que se explore algo novo. “Escrevemos para quem vai ver um filme ou para quem já viu? Isso não tem a menor importância.” O que tem importância, para Frodon, é não deixar que um filme se transforme em um produto. Ou seja, dar estrelinha, coração ou carinha de bravo para definir se um filme é ou não é bom.

Na plateia, nesse momento, foi interessante observar alguns críticos do jornal O Globo, famoso por sua cotação “O Bonequinho…” Para quem não está familiarizado, as cotações variam de “O Bonequinho aplaudiu de pé” a “O Bonequinho saiu da sala”, com algumas variantes no meio do caminho. “Na prática, pode ser útil para ajudar o leitor a escolher por este ou aquele filme, mas essa não é a razão de ser da crítica.”

Transformar um filme em produto “suprime a dimensão mais importante do filme, que é a possibilidade dele ser tratado com uma obra de arte”, destacou. “Um filme pode ser lazer, diversão, retratar um fenômeno social, dar medo, ser um objeto de pesquisa, nos levar a outros planetas… Muitos são bonitos, agradáveis, mas são objetos acabados, que não cumprem a promessa de se tornarem uma obra de arte, enquanto outros sim, se diferenciam como obra de arte.”

Para Frodon, muitos filmes acabam sendo como “papel de parede, somente decorativos”, e o papel do crítico, na sua literatura, é explicar ao leitor porque aquele filme descumpre a promessa de ser uma obra de arte. “Cinema é muito mais que a história, os atores de quem gostamos, os efeitos especiais…”

A França, que tem 350 festivais de cinema por ano (!), é o berço da crítica desde que Diderot resolveu escrever sobre pintura na segunda metade do século 18. No cinema, o Festival de Cannes é o auge de qualquer crítico e Frodon já participou de muitos. “Quando começo uma crítica não sei o que vou escrever”, admite o crítico, que mostra o caderninho no qual faz anotações durante o filme, mas que diz não levar em conta. “Fazer anotações significa que não sou um espectador normal, anoto, mas não releio, afinal, é difícil reler o que a gente escreve no escuro”, diverte-se.

Frodon diz que gosta quando lê uma crítica que defende um filme do qual não gostou. “É como entrar em uma outra emoção. Porque uma crítica é algo pessoal, nós nos expomos, nos exibimos ali naquelas palavras que tentam transmitir ideias que possam ser compartilhadas. Ser crítico é tentar ser um escritor.”

Para Frodon, a chegada da internet, que deu voz a uma legião de críticos sem espaço nas grandes mídias, “abre novas possibilidades”. “Um filme existe para que se fale dele, o cinema leva as pessoas a falarem, antes falávamos entre nós, agora podemos falar com todo o mundo”, resume. “É direito absoluto de todos poder falar dos filmes.”

“Às vezes, inclusive, me deparo com críticas na internet que são muito melhores, muito mais elaboradas, do que as que estão nas páginas dos jornais e das revistas”, completa. O francês cita um conterrâneo, André Bazin, um dos fundadores da revista Cahiers du Cinéma, que dizia que “todos os filmes nascem livres e iguais em direito”, para um choque de realidade. “O que o Bazin dizia é uma utopia. Sabemos que não é verdade, há os filmes ricos e poderosos e os filmes pobres e desconhecidos.”

Frodon lamenta que, em um mundo com tantos e tantos filmes para ver, o poder do marketing seja tão dominante. “Quanto mais filmes podemos ver, mais vemos os mesmos filmes.”

Daniela Prandi Disponível em http://asn.blog.br/

2016/06/11/critico-de-cinema-mas-isso-e-uma-profissao/ Acessado em 6/12/2021

De acordo com a norma, no enunciado O francês Jean-Michel Frodon contou que, um dia, um taxista lhe perguntou sua profissão, o verbo perguntar poderia ser substituído por sua forma no

 

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2207914 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: FADESP
Orgão: SEFAZ-PA

Crítico de cinema? Mas isso é uma profissão?

O francês Jean-Michel Frodon contou que, um dia, um taxista lhe perguntou sua profissão. “Sou crítico de cinema”, respondeu. “Mas isso é uma profissão?”, questionou o taxista.

Frodon, um dos mais respeitados críticos de cinema da França, abriu nesta sexta-feira (10 de junho), no Rio de Janeiro, a programação do Festival Varilux de Cinema Francês, que terá programação em 50 cidades, com uma master class sobre o seu ofício. Tive o prazer de estar na plateia, junto com alguns dos mais conhecidos críticos do Brasil e entusiastas da sétima arte, e acompanhamos atentamente sua “aula de mestre”. Foi lição em cima de lição. O francês, que foi diretor de redação da revista Cahiers du Cinéma de 2003 a 2009 e é autor de diversos livros sobre cinema, foi inspirador. Lembrou que, a cada semana, quando novos filmes são lançados, são as pessoas que escrevem sobre eles as responsáveis por dar “respeitabilidade artística” àquela obra. “O filme, porém, vai além do fato de o crítico ter amado, odiado ou falado besteira sobre um filme. Porque os críticos falam besteiras também…”

Frodon destaca que a crítica tem que se parecer com “um convite” para que se explore algo novo. “Escrevemos para quem vai ver um filme ou para quem já viu? Isso não tem a menor importância.” O que tem importância, para Frodon, é não deixar que um filme se transforme em um produto. Ou seja, dar estrelinha, coração ou carinha de bravo para definir se um filme é ou não é bom.

Na plateia, nesse momento, foi interessante observar alguns críticos do jornal O Globo, famoso por sua cotação “O Bonequinho…” Para quem não está familiarizado, as cotações variam de “O Bonequinho aplaudiu de pé” a “O Bonequinho saiu da sala”, com algumas variantes no meio do caminho. “Na prática, pode ser útil para ajudar o leitor a escolher por este ou aquele filme, mas essa não é a razão de ser da crítica.”

Transformar um filme em produto “suprime a dimensão mais importante do filme, que é a possibilidade dele ser tratado com uma obra de arte”, destacou. “Um filme pode ser lazer, diversão, retratar um fenômeno social, dar medo, ser um objeto de pesquisa, nos levar a outros planetas… Muitos são bonitos, agradáveis, mas são objetos acabados, que não cumprem a promessa de se tornarem uma obra de arte, enquanto outros sim, se diferenciam como obra de arte.”

Para Frodon, muitos filmes acabam sendo como “papel de parede, somente decorativos”, e o papel do crítico, na sua literatura, é explicar ao leitor porque aquele filme descumpre a promessa de ser uma obra de arte. “Cinema é muito mais que a história, os atores de quem gostamos, os efeitos especiais…”

A França, que tem 350 festivais de cinema por ano (!), é o berço da crítica desde que Diderot resolveu escrever sobre pintura na segunda metade do século 18. No cinema, o Festival de Cannes é o auge de qualquer crítico e Frodon já participou de muitos. “Quando começo uma crítica não sei o que vou escrever”, admite o crítico, que mostra o caderninho no qual faz anotações durante o filme, mas que diz não levar em conta. “Fazer anotações significa que não sou um espectador normal, anoto, mas não releio, afinal, é difícil reler o que a gente escreve no escuro”, diverte-se.

Frodon diz que gosta quando lê uma crítica que defende um filme do qual não gostou. “É como entrar em uma outra emoção. Porque uma crítica é algo pessoal, nós nos expomos, nos exibimos ali naquelas palavras que tentam transmitir ideias que possam ser compartilhadas. Ser crítico é tentar ser um escritor.”

Para Frodon, a chegada da internet, que deu voz a uma legião de críticos sem espaço nas grandes mídias, “abre novas possibilidades”. “Um filme existe para que se fale dele, o cinema leva as pessoas a falarem, antes falávamos entre nós, agora podemos falar com todo o mundo”, resume. “É direito absoluto de todos poder falar dos filmes.”

“Às vezes, inclusive, me deparo com críticas na internet que são muito melhores, muito mais elaboradas, do que as que estão nas páginas dos jornais e das revistas”, completa. O francês cita um conterrâneo, André Bazin, um dos fundadores da revista Cahiers du Cinéma, que dizia que “todos os filmes nascem livres e iguais em direito”, para um choque de realidade. “O que o Bazin dizia é uma utopia. Sabemos que não é verdade, há os filmes ricos e poderosos e os filmes pobres e desconhecidos.”

Frodon lamenta que, em um mundo com tantos e tantos filmes para ver, o poder do marketing seja tão dominante. “Quanto mais filmes podemos ver, mais vemos os mesmos filmes.”

Daniela Prandi Disponível em http://asn.blog.br/

2016/06/11/critico-de-cinema-mas-isso-e-uma-profissao/ Acessado em 6/12/2021

Em Para Frodon, muitos filmes acabam sendo como “papel de parede, somente decorativos”, e o papel do crítico, na sua literatura, é explicar ao leitor porque aquele filme descumpre a promessa de ser uma obra de arte (linhas 34 a 36), a palavra literatura refere-se

 

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2207913 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: FADESP
Orgão: SEFAZ-PA

Crítico de cinema? Mas isso é uma profissão?

O francês Jean-Michel Frodon contou que, um dia, um taxista lhe perguntou sua profissão. “Sou crítico de cinema”, respondeu. “Mas isso é uma profissão?a”, questionou o taxista.

Frodon, um dos mais respeitados críticos de cinema da França, abriu nesta sexta-feira (10 de junho), no Rio de Janeiro, a programação do Festival Varilux de Cinema Francês, que terá programação em 50 cidades, com uma master class sobre o seu ofício. Tive o prazer de estar na plateia, junto com alguns dos mais conhecidos críticos do Brasil e entusiastas da sétima arte, e acompanhamos atentamente sua “aula de mestre”. Foi lição em cima de lição. O francês, que foi diretor de redação da revista Cahiers du Cinéma de 2003 a 2009 e é autor de diversos livros sobre cinema, foi inspirador. Lembrou que, a cada semana, quando novos filmes são lançados, são as pessoas que escrevem sobre eles as responsáveis por dar “respeitabilidade artística” àquela obra. “O filme, porém, vai além do fato de o crítico ter amado, odiado ou falado besteira sobre um filme. Porque os críticos falam besteiras também…”

Frodon destaca que a crítica tem que se parecer com “um convite” para que se explore algo novo. “Escrevemos para quem vai ver um filme ou para quem já viu? Isso não tem a menor importânciab.” O que tem importância, para Frodon, é não deixar que um filme se transforme em um produto. Ou seja, dar estrelinha, coração ou carinha de bravo para definir se um filme é ou não é bom.

Na plateia, nesse momento, foi interessante observar alguns críticos do jornal O Globo, famoso por sua cotação “O Bonequinho…c” Para quem não está familiarizado, as cotações variam de “O Bonequinho aplaudiu de pé” a “O Bonequinho saiu da sala”, com algumas variantes no meio do caminho. “Na prática, pode ser útil para ajudar o leitor a escolher por este ou aquele filme, mas essa não é a razão de ser da crítica.”d

Transformar um filme em produto “suprime a dimensão mais importante do filme, que é a possibilidade dele ser tratado com uma obra de arte”, destacou. “Um filme pode ser lazer, diversão, retratar um fenômeno social, dar medo, ser um objeto de pesquisa, nos levar a outros planetas… Muitos são bonitos, agradáveis, mas são objetos acabados, que não cumprem a promessa de se tornarem uma obra de arte, enquanto outros sim, se diferenciam como obra de arte.”

Para Frodon, muitos filmes acabam sendo como “papel de parede, somente decorativos”, e o papel do crítico, na sua literatura, é explicar ao leitor porque aquele filme descumpre a promessa de ser uma obra de arte.e “Cinema é muito mais que a história, os atores de quem gostamos, os efeitos especiais…”

A França, que tem 350 festivais de cinema por ano (!), é o berço da crítica desde que Diderot resolveu escrever sobre pintura na segunda metade do século 18. No cinema, o Festival de Cannes é o auge de qualquer crítico e Frodon já participou de muitos. “Quando começo uma crítica não sei o que vou escrever”, admite o crítico, que mostra o caderninho no qual faz anotações durante o filme, mas que diz não levar em conta. “Fazer anotações significa que não sou um espectador normal, anoto, mas não releio, afinal, é difícil reler o que a gente escreve no escuro”, diverte-se.

Frodon diz que gosta quando lê uma crítica que defende um filme do qual não gostou. “É como entrar em uma outra emoção. Porque uma crítica é algo pessoal, nós nos expomos, nos exibimos ali naquelas palavras que tentam transmitir ideias que possam ser compartilhadas. Ser crítico é tentar ser um escritor.”

Para Frodon, a chegada da internet, que deu voz a uma legião de críticos sem espaço nas grandes mídias, “abre novas possibilidades”. “Um filme existe para que se fale dele, o cinema leva as pessoas a falarem, antes falávamos entre nós, agora podemos falar com todo o mundo”, resume. “É direito absoluto de todos poder falar dos filmes.”

“Às vezes, inclusive, me deparo com críticas na internet que são muito melhores, muito mais elaboradas, do que as que estão nas páginas dos jornais e das revistas”, completa. O francês cita um conterrâneo, André Bazin, um dos fundadores da revista Cahiers du Cinéma, que dizia que “todos os filmes nascem livres e iguais em direito”, para um choque de realidade. “O que o Bazin dizia é uma utopia. Sabemos que não é verdade, há os filmes ricos e poderosos e os filmes pobres e desconhecidos.”

Frodon lamenta que, em um mundo com tantos e tantos filmes para ver, o poder do marketing seja tão dominante. “Quanto mais filmes podemos ver, mais vemos os mesmos filmes.”

Daniela Prandi Disponível em http://asn.blog.br/

2016/06/11/critico-de-cinema-mas-isso-e-uma-profissao/ Acessado em 6/12/2021

O pronome em negrito se refere à palavra/expressão grifada em

 

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