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Na propagação vegetativa, a planta resultante reproduz a composição genética da progenitora, o que é de grande importância nos programas de melhoramento. Existe uma técnica de propagação vegetativa que usa cultura de tecidos vegetais. Compreende um conjunto de técnicas nas quais um explante (célula, tecido ou um órgão) é isolado e cultivado sob condições assépticas, em um meio nutritivo artificial. O princípio básico da cultura de tecidos é a denominada “totipotencialidade” das células (qualquer célula no organismo vegetal contém toda a informação genética necessária à regeneração de uma planta completa), sendo uma das aplicações de mais larga utilização.
A propagação vegetativa in vitro também é conhecida como
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Existe um termo técnico que é definido como sendo a transferência de uma plântula da sementeira para o local da formação da muda, para efeito de propagação in vitro, sendo a transferência do material em cultivo para um novo meio nutritivo, sem subdivisão. Para os pinheiros tropicais, essa técnica só é recomendada para lotes de sementes com germinação inferior a 75%.
Essa técnica é definida como
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O termo sustentável tem sentido amplo, sendo um adjetivo derivado do verbo latino sustentare, que significa que pode ser mantido, que pode ser perpetuado, estando implícito o fator
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Texto 3
LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA
Ricardo Azevedo
No final de seu livro A letra e a voz, o
suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e
do discurso oral, diz que “o complexo é
muitíssimo mais provável do que o simples, e o
uno é muitíssimo menos provável do que o
diverso”. Creio que a literatura seja algo muito
complexo e diversificado. Não pode ser vista
como uma essência ou um elemento
monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!
Para mim, a literatura lembra mais uma rica e
frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos
representam diferentes literaturas, todas
legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um
mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,
que as literaturas são expressões da sociedade
em que são produzidas. Para o sociólogo
Norbert Elias, a literatura é sempre
“testemunho e expressão de um certo nível de
consciência”.
Parece razoável pensar que, nos
tempos individualistas, tecnológicos e
consumistas em que vivemos, as pessoas têm
sido levadas a enxergar e a valorizar mais as
coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,
gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de
status – do que a valorizar as outras pessoas.
Vivemos, creio, num ambiente de grande
analfabetismo político e social. O “modelo de
consciência” dominante, para ficar com o termo
de Norbert Elias, parece ser essencialmente
técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e
higiênica − classifica, analisa, controla e
determina a função de tudo. Além disso, a
técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e
visa ao menor custo e ao maior lucro. Para
alguns (Hannah Arendt em A condição
humana), a “racionalidade” nada mais é do que
o “cálculo das consequências”. É preciso
reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma
ideia nova, por exemplo.
Num ambiente apenas técnico,
impessoal, consumista e utilitarista – tempos,
volto a dizer, de analfabetismo político e social
– sinto que duas palavras andam cada vez mais
desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é
“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em
tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é
ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos
pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das
consequências”, perguntam aflitos: para que
gastar dinheiro com literatura? Por que não dão
ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e
úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar
de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma
forma de experimentar a verdade”. Falar de
literatura significa falar de ficção e de
linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da
linguagem, criamos situações humanas
complexas que não aconteceram, mas
poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos
a chance de pensar melhor sobre a vida e o
mundo.
A partir da literatura podemos nos
“redescrever” como pessoas. A literatura tem o
dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.
Não me refiro apenas ao número de palavras,
mas, sim, a palavras que entram no nosso
vocabulário de forma inesperada, para
expressar, expandir, ressignificar, “re-
descrever” nossos sentimentos, nossa visão
política e social, nossa leitura da vida e do
mundo.
AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.
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Texto 3
LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA
Ricardo Azevedo
No final de seu livro A letra e a voz, o
suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e
do discurso oral, diz que “o complexo é
muitíssimo mais provável do que o simples, e o
uno é muitíssimo menos provável do que o
diverso”. Creio que a literatura seja algo muito
complexo e diversificado. Não pode ser vista
como uma essência ou um elemento
monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!
Para mim, a literatura lembra mais uma rica e
frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos
representam diferentes literaturas, todas
legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um
mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,
que as literaturas são expressões da sociedade
em que são produzidas. Para o sociólogo
Norbert Elias, a literatura é sempre
“testemunho e expressão de um certo nível de
consciência”.
Parece razoável pensar que, nos
tempos individualistas, tecnológicos e
consumistas em que vivemos, as pessoas têm
sido levadas a enxergar e a valorizar mais as
coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,
gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de
status – do que a valorizar as outras pessoas.
Vivemos, creio, num ambiente de grande
analfabetismo político e social. O “modelo de
consciência” dominante, para ficar com o termo
de Norbert Elias, parece ser essencialmente
técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e
higiênica − classifica, analisa, controla e
determina a função de tudo. Além disso, a
técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e
visa ao menor custo e ao maior lucro. Para
alguns (Hannah Arendt em A condição
humana), a “racionalidade” nada mais é do que
o “cálculo das consequências”. É preciso
reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma
ideia nova, por exemplo.
Num ambiente apenas técnico,
impessoal, consumista e utilitarista – tempos,
volto a dizer, de analfabetismo político e social
– sinto que duas palavras andam cada vez mais
desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é
“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em
tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é
ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos
pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das
consequências”, perguntam aflitos: para que
gastar dinheiro com literatura? Por que não dão
ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e
úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar
de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma
forma de experimentar a verdade”. Falar de
literatura significa falar de ficção e de
linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da
linguagem, criamos situações humanas
complexas que não aconteceram, mas
poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos
a chance de pensar melhor sobre a vida e o
mundo.
A partir da literatura podemos nos
“redescrever” como pessoas. A literatura tem o
dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.
Não me refiro apenas ao número de palavras,
mas, sim, a palavras que entram no nosso
vocabulário de forma inesperada, para
expressar, expandir, ressignificar, “re-
descrever” nossos sentimentos, nossa visão
política e social, nossa leitura da vida e do
mundo.
AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.
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LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA
Ricardo Azevedo
No final de seu livro A letra e a voz, o
suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e
do discurso oral, diz que “o complexo é
muitíssimo mais provável do que o simples, e o
uno é muitíssimo menos provável do que o
diverso”. Creio que a literatura seja algo muito
complexo e diversificado. Não pode ser vista
como uma essência ou um elemento
monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!
Para mim, a literatura lembra mais uma rica e
frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos
representam diferentes literaturas, todas
legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um
mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,
que as literaturas são expressões da sociedade
em que são produzidas. Para o sociólogo
Norbert Elias, a literatura é sempre
“testemunho e expressão de um certo nível de
consciência”.
Parece razoável pensar que, nos
tempos individualistas, tecnológicos e
consumistas em que vivemos, as pessoas têm
sido levadas a enxergar e a valorizar mais as
coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,
gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de
status – do que a valorizar as outras pessoas.
Vivemos, creio, num ambiente de grande
analfabetismo político e social. O “modelo de
consciência” dominante, para ficar com o termo
de Norbert Elias, parece ser essencialmente
técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e
higiênica − classifica, analisa, controla e
determina a função de tudo. Além disso, a
técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e
visa ao menor custo e ao maior lucro. Para
alguns (Hannah Arendt em A condição
humana), a “racionalidade” nada mais é do que
o “cálculo das consequências”. É preciso
reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma
ideia nova, por exemplo.
Num ambiente apenas técnico,
impessoal, consumista e utilitarista – tempos,
volto a dizer, de analfabetismo político e social
– sinto que duas palavras andam cada vez mais
desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é
“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em
tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é
ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos
pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das
consequências”, perguntam aflitos: para que
gastar dinheiro com literatura? Por que não dão
ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e
úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar
de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma
forma de experimentar a verdade”. Falar de
literatura significa falar de ficção e de
linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da
linguagem, criamos situações humanas
complexas que não aconteceram, mas
poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos
a chance de pensar melhor sobre a vida e o
mundo.
A partir da literatura podemos nos
“redescrever” como pessoas. A literatura tem o
dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.
Não me refiro apenas ao número de palavras,
mas, sim, a palavras que entram no nosso
vocabulário de forma inesperada, para
expressar, expandir, ressignificar, “re-
descrever” nossos sentimentos, nossa visão
política e social, nossa leitura da vida e do
mundo.
AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.
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LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA
Ricardo Azevedo
No final de seu livro A letra e a voz, o
suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e
do discurso oral, diz que “o complexo é
muitíssimo mais provável do que o simples, e o
uno é muitíssimo menos provável do que o
diverso”. Creio que a literatura seja algo muito
complexo e diversificado. Não pode ser vista
como uma essência ou um elemento
monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!
Para mim, a literatura lembra mais uma rica e
frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos
representam diferentes literaturas, todas
legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um
mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,
que as literaturas são expressões da sociedade
em que são produzidas. Para o sociólogo
Norbert Elias, a literatura é sempre
“testemunho e expressão de um certo nível de
consciência”.
Parece razoável pensar que, nos
tempos individualistas, tecnológicos e
consumistas em que vivemos, as pessoas têm
sido levadas a enxergar e a valorizar mais as
coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,
gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de
status – do que a valorizar as outras pessoas.
Vivemos, creio, num ambiente de grande
analfabetismo político e social. O “modelo de
consciência” dominante, para ficar com o termo
de Norbert Elias, parece ser essencialmente
técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e
higiênica − classifica, analisa, controla e
determina a função de tudo. Além disso, a
técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e
visa ao menor custo e ao maior lucro. Para
alguns (Hannah Arendt em A condição
humana), a “racionalidade” nada mais é do que
o “cálculo das consequências”. É preciso
reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma
ideia nova, por exemplo.
Num ambiente apenas técnico,
impessoal, consumista e utilitarista – tempos,
volto a dizer, de analfabetismo político e social
– sinto que duas palavras andam cada vez mais
desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é
“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em
tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é
ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos
pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das
consequências”, perguntam aflitos: para que
gastar dinheiro com literatura? Por que não dão
ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e
úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar
de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma
forma de experimentar a verdade”. Falar de
literatura significa falar de ficção e de
linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da
linguagem, criamos situações humanas
complexas que não aconteceram, mas
poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos
a chance de pensar melhor sobre a vida e o
mundo.
A partir da literatura podemos nos
“redescrever” como pessoas. A literatura tem o
dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.
Não me refiro apenas ao número de palavras,
mas, sim, a palavras que entram no nosso
vocabulário de forma inesperada, para
expressar, expandir, ressignificar, “re-
descrever” nossos sentimentos, nossa visão
política e social, nossa leitura da vida e do
mundo.
AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.
“No final de seu livro A letra e a voz, o suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e do discurso oral, diz que ‘o complexo é muitíssimo mais provável do que o simples, e o uno é muitíssimo menos provável do que o diverso.” (Linhas 1-6)
Em “o complexo é muitíssimo mais provável do que o simples, e o uno é muitíssimo menos provável do que o diverso”, as formas sublinhadas exemplificam, respectivamente o
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LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA
Ricardo Azevedo
No final de seu livro A letra e a voz, o
suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e
do discurso oral, diz que “o complexo é
muitíssimo mais provável do que o simples, e o
uno é muitíssimo menos provável do que o
diverso”. Creio que a literatura seja algo muito
complexo e diversificado. Não pode ser vista
como uma essência ou um elemento
monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!
Para mim, a literatura lembra mais uma rica e
frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos
representam diferentes literaturas, todas
legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um
mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,
que as literaturas são expressões da sociedade
em que são produzidas. Para o sociólogo
Norbert Elias, a literatura é sempre
“testemunho e expressão de um certo nível de
consciência”.
Parece razoável pensar que, nos
tempos individualistas, tecnológicos e
consumistas em que vivemos, as pessoas têm
sido levadas a enxergar e a valorizar mais as
coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,
gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de
status – do que a valorizar as outras pessoas.
Vivemos, creio, num ambiente de grande
analfabetismo político e social. O “modelo de
consciência” dominante, para ficar com o termo
de Norbert Elias, parece ser essencialmente
técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e
higiênica − classifica, analisa, controla e
determina a função de tudo. Além disso, a
técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e
visa ao menor custo e ao maior lucro. Para
alguns (Hannah Arendt em A condição
humana), a “racionalidade” nada mais é do que
o “cálculo das consequências”. É preciso
reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma
ideia nova, por exemplo.
Num ambiente apenas técnico,
impessoal, consumista e utilitarista – tempos,
volto a dizer, de analfabetismo político e social
– sinto que duas palavras andam cada vez mais
desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é
“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em
tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é
ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos
pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das
consequências”, perguntam aflitos: para que
gastar dinheiro com literatura? Por que não dão
ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e
úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar
de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma
forma de experimentar a verdade”. Falar de
literatura significa falar de ficção e de
linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da
linguagem, criamos situações humanas
complexas que não aconteceram, mas
poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos
a chance de pensar melhor sobre a vida e o
mundo.
A partir da literatura podemos nos
“redescrever” como pessoas. A literatura tem o
dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.
Não me refiro apenas ao número de palavras,
mas, sim, a palavras que entram no nosso
vocabulário de forma inesperada, para
expressar, expandir, ressignificar, “re-
descrever” nossos sentimentos, nossa visão
política e social, nossa leitura da vida e do
mundo.
AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.
“No final de seu livro A letra e a voz, o suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e do discurso oral, diz que ‘o complexo é muitíssimo mais provável do que o simples, e o uno é muitíssimo menos provável do que o diverso.” (Linhas 1-6)
A expressão “estudioso da oralidade e do discurso oral”, acima sublinhada, funciona sintaticamente como
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LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA
Ricardo Azevedo
No final de seu livro A letra e a voz, o
suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e
do discurso oral, diz que “o complexo é
muitíssimo mais provável do que o simples, e o
uno é muitíssimo menos provável do que o
diverso”. Creio que a literatura seja algo muito
complexo e diversificado. Não pode ser vista
como uma essência ou um elemento
monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!
Para mim, a literatura lembra mais uma rica e
frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos
representam diferentes literaturas, todas
legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um
mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,
que as literaturas são expressões da sociedade
em que são produzidas. Para o sociólogo
Norbert Elias, a literatura é sempre
“testemunho e expressão de um certo nível de
consciência”.
Parece razoável pensar que, nos
tempos individualistas, tecnológicos e
consumistas em que vivemos, as pessoas têm
sido levadas a enxergar e a valorizar mais as
coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,
gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de
status – do que a valorizar as outras pessoas.
Vivemos, creio, num ambiente de grande
analfabetismo político e social. O “modelo de
consciência” dominante, para ficar com o termo
de Norbert Elias, parece ser essencialmente
técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e
higiênica − classifica, analisa, controla e
determina a função de tudo. Além disso, a
técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e
visa ao menor custo e ao maior lucro. Para
alguns (Hannah Arendt em A condição
humana), a “racionalidade” nada mais é do que
o “cálculo das consequências”. É preciso
reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma
ideia nova, por exemplo.
Num ambiente apenas técnico,
impessoal, consumista e utilitarista – tempos,
volto a dizer, de analfabetismo político e social
– sinto que duas palavras andam cada vez mais
desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é
“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em
tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é
ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos
pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das
consequências”, perguntam aflitos: para que
gastar dinheiro com literatura? Por que não dão
ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e
úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar
de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma
forma de experimentar a verdade”. Falar de
literatura significa falar de ficção e de
linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da
linguagem, criamos situações humanas
complexas que não aconteceram, mas
poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos
a chance de pensar melhor sobre a vida e o
mundo.
A partir da literatura podemos nos
“redescrever” como pessoas. A literatura tem o
dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.
Não me refiro apenas ao número de palavras,
mas, sim, a palavras que entram no nosso
vocabulário de forma inesperada, para
expressar, expandir, ressignificar, “re-
descrever” nossos sentimentos, nossa visão
política e social, nossa leitura da vida e do
mundo.
AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.
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Texto 3
LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA
Ricardo Azevedo
No final de seu livro A letra e a voz, o
suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e
do discurso oral, diz que “o complexo é
muitíssimo mais provável do que o simples, e o
uno é muitíssimo menos provável do que o
diverso”. Creio que a literatura seja algo muito
complexo e diversificado. Não pode ser vista
como uma essência ou um elemento
monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!
Para mim, a literatura lembra mais uma rica e
frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos
representam diferentes literaturas, todas
legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um
mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,
que as literaturas são expressões da sociedade
em que são produzidas. Para o sociólogo
Norbert Elias, a literatura é sempre
“testemunho e expressão de um certo nível de
consciência”.
Parece razoável pensar que, nos
tempos individualistas, tecnológicos e
consumistas em que vivemos, as pessoas têm
sido levadas a enxergar e a valorizar mais as
coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,
gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de
status – do que a valorizar as outras pessoas.
Vivemos, creio, num ambiente de grande
analfabetismo político e social. O “modelo de
consciência” dominante, para ficar com o termo
de Norbert Elias, parece ser essencialmente
técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e
higiênica − classifica, analisa, controla e
determina a função de tudo. Além disso, a
técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e
visa ao menor custo e ao maior lucro. Para
alguns (Hannah Arendt em A condição
humana), a “racionalidade” nada mais é do que
o “cálculo das consequências”. É preciso
reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma
ideia nova, por exemplo.
Num ambiente apenas técnico,
impessoal, consumista e utilitarista – tempos,
volto a dizer, de analfabetismo político e social
– sinto que duas palavras andam cada vez mais
desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é
“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em
tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é
ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos
pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das
consequências”, perguntam aflitos: para que
gastar dinheiro com literatura? Por que não dão
ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e
úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar
de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma
forma de experimentar a verdade”. Falar de
literatura significa falar de ficção e de
linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da
linguagem, criamos situações humanas
complexas que não aconteceram, mas
poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos
a chance de pensar melhor sobre a vida e o
mundo.
A partir da literatura podemos nos
“redescrever” como pessoas. A literatura tem o
dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.
Não me refiro apenas ao número de palavras,
mas, sim, a palavras que entram no nosso
vocabulário de forma inesperada, para
expressar, expandir, ressignificar, “re-
descrever” nossos sentimentos, nossa visão
política e social, nossa leitura da vida e do
mundo.
AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.
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