Em junho de 2009, por decisão do ministro Gilmar Mendes, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o fim da
obrigatoriedade do diploma superior para o exercício da profissão de jornalista instituída em 13/05/1943 pelo
Decreto-Lei nº 5.480, assinado pelo presidente Getúlio Vargas e pelo ministro Gustavo Capanema. O diploma
continuava também como exigência, pelo Decreto-Lei nº 972, de 17/10/1969, para o registro profissional no Ministério
do Trabalho. Desde 2009, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que congrega os sindicatos profissionais de
jornalistas de todo o território nacional, tenta restabelecer a obrigatoriedade do diploma, através da Câmara dos
Deputados e do Senado. Como é seguida, para o exercício da profissão de jornalista, a questão do diploma universitário
nos demais países do mundo?
Entre os anos 20 e 70, ensina Antonio Hohlfeldt, doutor em Letras pela PUC/RS, que desenvolveram-se um certo
número de teorias ligadas aos processos informacionais. Mas foi já a partir dos anos 60, concentrando-se nos anos 70,
através de vários pesquisadores dos Estados Unidos que se fez o cruzamento das diferentes teorias, a fim de ser possível
compreender a abrangência desse processo comunicacional. Hohlfeldt analisa em especial a agenda setting
(agendamento que a mídia faz junto ao receptor), o newsmaking (ênfase à produção da informação ou à transformação
dos acontecimentos) e a espiral do silêncio (desdobramento da agenda setting que destaca a onipresença da mídia
como modificadora ou formadora de opinião a respeito da realidade), que nos alertam para o fato de que “não se pode
ser nem preconceituoso nem ingênuo em relação à mídia”. Para Hohlfeldt, a mídia se não tem aquele poder absoluto
até a década de 20, por certo possui ainda uma força de todo não dimensionada, graças às diferentes estratégias com
que é sucessivamente apropriada por diversos grupos, políticos ou não. Aliás, lembra ele, muitos estudiosos costumam
dizer também que as atuais tecnologias resultam da necessidade das grandes empresas internacionais manterem
ocupados seus cientistas contratados, de modo que sempre revisem suas descobertas, a fim de encontrar novas
utilizações para o que foi parcialmente desenvolvido ou utilizado. O que Zbigniew Brzezinski, já em 1969, denominou
de tecnotrônica, isto é, a combinação de diferentes tecnologias que permite o advento de um novo salto:
“Das mídias existentes, a que parece representar um desafio maior para os jornalistas, por ser um veículo novo e em
constante mutação, é mesmo a internet. A possibilidade de reunir, em um mesmo meio, características dos demais
veículos – texto, som e imagem em movimento –, de navegar por gráficos, vídeos, cores e caracteres de vários tipos e
tamanhos e de escolher o caminho a seguir por intermédio do hipertexto e seus links confere à linguagem jornalística
na web características bastante peculiares. E exige do jornalista o domínio não só de técnicas de texto e estilo, mas dos
recursos técnicos para construir as notícias.” Esta análise é da professora Maristela Fittipaldi, ao explicar ainda que, no
texto jornalístico na web, não há mais “horário de fechamento”, mas um fechamento contínuo da edição na internet.
E destaca outra positiva característica, citando o professor Eduardo de Carvalho Viana:
Nos veículos de comunicação, impressos ou digitais, a narrativa e a descrição dos fatos devem ser exatas e objetivas.
O que, muitas vezes, mesmo para experimentados jornalistas profissionais, pode não ser uma tarefa de fácil realização,
em função da carga de subjetividade do ser humano, por razões e influências referentes à época, país, cidade em que
se vive, cultura que se acumulou, relações pessoais e sociais. Por isto, o manual de redação da “Folha de São Paulo”
afirma, categoricamente, “não existir objetividade em jornalismo”. Com igual ênfase, porém, ressalva que isto “não
exime o jornalista da obrigação de ser o mais objetivo possível”. Já o manual de redação de “O Estado de São Paulo”,
além de igualmente cobrar objetividade no texto jornalístico, também é taxativo na recomendação aos seus
profissionais para textos tanto imparciais quanto objetivos: “não exponha opiniões, mas fatos, para que o leitor tire
deles as próprias conclusões”. Portanto, ambos os manuais alertam que, para ter objetividade, o jornalista deverá:
Na Comunicação Social, o que é comunicado é o que vale e passa a existir. Ou seja, o que tem e terá importância para
os indivíduos e a sociedade. É, assim, fundamental a noção de realidade, do que é de fato. E se não houver ética
profissional, o que é pode não aparecer, ficará invisível aos olhos do público, não será revelado e conhecido. E o que
não é, mas aparece e é destacado nas redes sociais, por exemplo, pode virar “notícia” e pior: ser a única informação
tida como verdadeira. Isto não é novidade porque os sofistas de hoje usam aquela mesma “meia-verdade” milenar dos
sofistas. Utilizam argumentos e raciocínios falsos para explicar fatos, acontecimentos, julgar pessoas e destacar
produtos. Como se sabe, o sofisma teve origem:
I. É uma metodologia que, na maior parte dos
casos, parte sobretudo de uma perspectiva
quantitativa, analisando numericamente a
frequência de ocorrência de determinados
termos, construções e referências em um dado
texto, a fim de produzir inferências sobre as
respectivas condições de produção.
II. Alguns pesquisadores consideram a Análise de
conteúdo um método superficial por insistir no
conteúdo latente e manifesto dos objetos
analisados bem como por dar ênfase a
simplificações e distorções quantitativas.
III. Um dos passos seguidos pela Análise de
Conteúdo é definição do problema de pesquisa
em que define-se o corpus dos media que serão
descritos e analisados.
Pode-se afirmar que alguns estudiosos, como Kraus
e Davis, consideram que a investigação sobre os
meios de comunicação na sociedade passou, no
século XX, por etapas fundamentais. A etapa que se
refere a 1960 em diante:
Uma das teorias da comunicação se preocupa em
determinar ou prescrever como é que os jornais
devem atuar para que certos valores sociais sejam
respeitados ou atingidos. Essa definição refere-se à
teoria:
Sobre estruturas de notícias e de reportagens, leia as
afirmações a seguir.
I. A reportagem reúne tantas informações, por
absorver a abertura de espaços geográficos e as
possibilidades de tempo objetivo e subjetivo
ampliados pelo mundo contemporâneo, que se
“atrapalha”, quando tenta estabelecer a
ordenação cronológica.
II. Montar uma matéria não oferece dificuldades
similares à estruturação de uma narrativa
literária, haja vista a possibilidade de se usar
modelos estratificados ou dinâmico.
III. No momento de dar forma a uma entrevista em
profundidade, ou a um conjunto de entrevistas
numa complexa edição, vários problemas
desafiam o jornalista do ponto de vista literário.