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Texto para a questão.
Antenor Teixeira de Almeida Júnior
O debate contemporâneo sobre Inteligência Artificial tem sido marcado por entusiasmo tecnológico e promessas de ruptura
histórica. No entanto, vozes dissonantes têm se destacado ao problematizar os limites conceituais e científicos dessas narrativas.
Entre elas, sobressai a do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, cuja produção acadêmica e atuação pública têm questionado a
própria nomenclatura atribuída aos sistemas computacionais atuais.
Segundo Nicolelis, tem-se chamado de inteligência aquilo que, na prática, resulta de processos estatísticos sofisticados. Os
sistemas de IA têm operado mediante correlações probabilísticas extraídas de grandes volumes de dados, sem que lhes tenha
sido conferida compreensão, consciência ou intencionalidade. O cérebro humano, por sua vez, tem funcionado como um sistema
orgânico, analógico e histórico, cuja capacidade cognitiva emergiu de milhões de anos de seleção natural.
Nessa perspectiva, afirmar que tais sistemas são inteligentes implicaria ignorar que inteligência não se reduz a cálculo. Tratase de um fenômeno incorporado, situado e relacional, que não tem sido reproduzido por códigos digitais, ainda que estes venham
sendo continuamente aprimorados. O que tem sido apresentado como autonomia cognitiva corresponde, na realidade, a uma
simulação dependente de padrões previamente fornecidos.
A crítica estende-se também ao caráter supostamente artificial dessas tecnologias. Os modelos computacionais têm dependido
intensamente do trabalho humano, tanto na rotulagem de dados quanto no ajuste contínuo de resultados. Sem essa intervenção
sistemática, tais sistemas deixariam de operar de modo funcional, o que evidencia sua fragilidade estrutural.
Nicolelis tem advertido, ademais, para os efeitos culturais desse processo. A adoção acrítica dessas ferramentas pode levar à
substituição do pensamento reflexivo por respostas automatizadas, empobrecendo a capacidade criativa e crítica dos indivíduos.
Mais do que uma ameaça externa, o risco residiria na adaptação do humano à lógica da máquina.
Conclui-se, portanto, que a chamada Inteligência Artificial deve ser compreendida como instrumento técnico, e não como
entidade cognitiva autônoma. A precisão conceitual nesse debate torna-se indispensável para evitar simplificações retóricas e para
preservar a complexidade do pensamento humano.
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Antenor Teixeira de Almeida Júnior
O debate contemporâneo sobre Inteligência Artificial tem sido marcado por entusiasmo tecnológico e promessas de ruptura
histórica. No entanto, vozes dissonantes têm se destacado ao problematizar os limites conceituais e científicos dessas narrativas.
Entre elas, sobressai a do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, cuja produção acadêmica e atuação pública têm questionado a
própria nomenclatura atribuída aos sistemas computacionais atuais.
Segundo Nicolelis, tem-se chamado de inteligência aquilo que, na prática, resulta de processos estatísticos sofisticados. Os
sistemas de IA têm operado mediante correlações probabilísticas extraídas de grandes volumes de dados, sem que lhes tenha
sido conferida compreensão, consciência ou intencionalidade. O cérebro humano, por sua vez, tem funcionado como um sistema
orgânico, analógico e histórico, cuja capacidade cognitiva emergiu de milhões de anos de seleção natural.
Nessa perspectiva, afirmar que tais sistemas são inteligentes implicaria ignorar que inteligência não se reduz a cálculo. Tratase de um fenômeno incorporado, situado e relacional, que não tem sido reproduzido por códigos digitais, ainda que estes venham
sendo continuamente aprimorados. O que tem sido apresentado como autonomia cognitiva corresponde, na realidade, a uma
simulação dependente de padrões previamente fornecidos.
A crítica estende-se também ao caráter supostamente artificial dessas tecnologias. Os modelos computacionais têm dependido
intensamente do trabalho humano, tanto na rotulagem de dados quanto no ajuste contínuo de resultados. Sem essa intervenção
sistemática, tais sistemas deixariam de operar de modo funcional, o que evidencia sua fragilidade estrutural.
Nicolelis tem advertido, ademais, para os efeitos culturais desse processo. A adoção acrítica dessas ferramentas pode levar à
substituição do pensamento reflexivo por respostas automatizadas, empobrecendo a capacidade criativa e crítica dos indivíduos.
Mais do que uma ameaça externa, o risco residiria na adaptação do humano à lógica da máquina.
Conclui-se, portanto, que a chamada Inteligência Artificial deve ser compreendida como instrumento técnico, e não como
entidade cognitiva autônoma. A precisão conceitual nesse debate torna-se indispensável para evitar simplificações retóricas e para
preservar a complexidade do pensamento humano.
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Antenor Teixeira de Almeida Júnior
O debate contemporâneo sobre Inteligência Artificial tem sido marcado por entusiasmo tecnológico e promessas de ruptura
histórica. No entanto, vozes dissonantes têm se destacado ao problematizar os limites conceituais e científicos dessas narrativas.
Entre elas, sobressai a do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, cuja produção acadêmica e atuação pública têm questionado a
própria nomenclatura atribuída aos sistemas computacionais atuais.
Segundo Nicolelis, tem-se chamado de inteligência aquilo que, na prática, resulta de processos estatísticos sofisticados. Os
sistemas de IA têm operado mediante correlações probabilísticas extraídas de grandes volumes de dados, sem que lhes tenha
sido conferida compreensão, consciência ou intencionalidade. O cérebro humano, por sua vez, tem funcionado como um sistema
orgânico, analógico e histórico, cuja capacidade cognitiva emergiu de milhões de anos de seleção natural.
Nessa perspectiva, afirmar que tais sistemas são inteligentes implicaria ignorar que inteligência não se reduz a cálculo. Tratase de um fenômeno incorporado, situado e relacional, que não tem sido reproduzido por códigos digitais, ainda que estes venham
sendo continuamente aprimorados. O que tem sido apresentado como autonomia cognitiva corresponde, na realidade, a uma
simulação dependente de padrões previamente fornecidos.
A crítica estende-se também ao caráter supostamente artificial dessas tecnologias. Os modelos computacionais têm dependido
intensamente do trabalho humano, tanto na rotulagem de dados quanto no ajuste contínuo de resultados. Sem essa intervenção
sistemática, tais sistemas deixariam de operar de modo funcional, o que evidencia sua fragilidade estrutural.
Nicolelis tem advertido, ademais, para os efeitos culturais desse processo. A adoção acrítica dessas ferramentas pode levar à
substituição do pensamento reflexivo por respostas automatizadas, empobrecendo a capacidade criativa e crítica dos indivíduos.
Mais do que uma ameaça externa, o risco residiria na adaptação do humano à lógica da máquina.
Conclui-se, portanto, que a chamada Inteligência Artificial deve ser compreendida como instrumento técnico, e não como
entidade cognitiva autônoma. A precisão conceitual nesse debate torna-se indispensável para evitar simplificações retóricas e para
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O debate contemporâneo sobre Inteligência Artificial tem sido marcado por entusiasmo tecnológico e promessas de ruptura
histórica. No entanto, vozes dissonantes têm se destacado ao problematizar os limites conceituais e científicos dessas narrativas.
Entre elas, sobressai a do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, cuja produção acadêmica e atuação pública têm questionado a
própria nomenclatura atribuída aos sistemas computacionais atuais.
Segundo Nicolelis, tem-se chamado de inteligência aquilo que, na prática, resulta de processos estatísticos sofisticados. Os
sistemas de IA têm operado mediante correlações probabilísticas extraídas de grandes volumes de dados, sem que lhes tenha
sido conferida compreensão, consciência ou intencionalidade. O cérebro humano, por sua vez, tem funcionado como um sistema
orgânico, analógico e histórico, cuja capacidade cognitiva emergiu de milhões de anos de seleção natural.
Nessa perspectiva, afirmar que tais sistemas são inteligentes implicaria ignorar que inteligência não se reduz a cálculo. Tratase de um fenômeno incorporado, situado e relacional, que não tem sido reproduzido por códigos digitais, ainda que estes venham
sendo continuamente aprimorados. O que tem sido apresentado como autonomia cognitiva corresponde, na realidade, a uma
simulação dependente de padrões previamente fornecidos.
A crítica estende-se também ao caráter supostamente artificial dessas tecnologias. Os modelos computacionais têm dependido
intensamente do trabalho humano, tanto na rotulagem de dados quanto no ajuste contínuo de resultados. Sem essa intervenção
sistemática, tais sistemas deixariam de operar de modo funcional, o que evidencia sua fragilidade estrutural.
Nicolelis tem advertido, ademais, para os efeitos culturais desse processo. A adoção acrítica dessas ferramentas pode levar à
substituição do pensamento reflexivo por respostas automatizadas, empobrecendo a capacidade criativa e crítica dos indivíduos.
Mais do que uma ameaça externa, o risco residiria na adaptação do humano à lógica da máquina.
Conclui-se, portanto, que a chamada Inteligência Artificial deve ser compreendida como instrumento técnico, e não como
entidade cognitiva autônoma. A precisão conceitual nesse debate torna-se indispensável para evitar simplificações retóricas e para
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histórica. No entanto, vozes dissonantes têm se destacado ao problematizar os limites conceituais e científicos dessas narrativas.
Entre elas, sobressai a do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, cuja produção acadêmica e atuação pública têm questionado a
própria nomenclatura atribuída aos sistemas computacionais atuais.
Segundo Nicolelis, tem-se chamado de inteligência aquilo que, na prática, resulta de processos estatísticos sofisticados. Os
sistemas de IA têm operado mediante correlações probabilísticas extraídas de grandes volumes de dados, sem que lhes tenha
sido conferida compreensão, consciência ou intencionalidade. O cérebro humano, por sua vez, tem funcionado como um sistema
orgânico, analógico e histórico, cuja capacidade cognitiva emergiu de milhões de anos de seleção natural.
Nessa perspectiva, afirmar que tais sistemas são inteligentes implicaria ignorar que inteligência não se reduz a cálculo. Tratase de um fenômeno incorporado, situado e relacional, que não tem sido reproduzido por códigos digitais, ainda que estes venham
sendo continuamente aprimorados. O que tem sido apresentado como autonomia cognitiva corresponde, na realidade, a uma
simulação dependente de padrões previamente fornecidos.
A crítica estende-se também ao caráter supostamente artificial dessas tecnologias. Os modelos computacionais têm dependido
intensamente do trabalho humano, tanto na rotulagem de dados quanto no ajuste contínuo de resultados. Sem essa intervenção
sistemática, tais sistemas deixariam de operar de modo funcional, o que evidencia sua fragilidade estrutural.
Nicolelis tem advertido, ademais, para os efeitos culturais desse processo. A adoção acrítica dessas ferramentas pode levar à
substituição do pensamento reflexivo por respostas automatizadas, empobrecendo a capacidade criativa e crítica dos indivíduos.
Mais do que uma ameaça externa, o risco residiria na adaptação do humano à lógica da máquina.
Conclui-se, portanto, que a chamada Inteligência Artificial deve ser compreendida como instrumento técnico, e não como
entidade cognitiva autônoma. A precisão conceitual nesse debate torna-se indispensável para evitar simplificações retóricas e para
preservar a complexidade do pensamento humano.
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O debate contemporâneo sobre Inteligência Artificial tem sido marcado por entusiasmo tecnológico e promessas de ruptura
histórica. No entanto, vozes dissonantes têm se destacado ao problematizar os limites conceituais e científicos dessas narrativas.
Entre elas, sobressai a do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, cuja produção acadêmica e atuação pública têm questionado a
própria nomenclatura atribuída aos sistemas computacionais atuais.
Segundo Nicolelis, tem-se chamado de inteligência aquilo que, na prática, resulta de processos estatísticos sofisticados. Os
sistemas de IA têm operado mediante correlações probabilísticas extraídas de grandes volumes de dados, sem que lhes tenha
sido conferida compreensão, consciência ou intencionalidade. O cérebro humano, por sua vez, tem funcionado como um sistema
orgânico, analógico e histórico, cuja capacidade cognitiva emergiu de milhões de anos de seleção natural.
Nessa perspectiva, afirmar que tais sistemas são inteligentes implicaria ignorar que inteligência não se reduz a cálculo. Tratase de um fenômeno incorporado, situado e relacional, que não tem sido reproduzido por códigos digitais, ainda que estes venham
sendo continuamente aprimorados. O que tem sido apresentado como autonomia cognitiva corresponde, na realidade, a uma
simulação dependente de padrões previamente fornecidos.
A crítica estende-se também ao caráter supostamente artificial dessas tecnologias. Os modelos computacionais têm dependido
intensamente do trabalho humano, tanto na rotulagem de dados quanto no ajuste contínuo de resultados. Sem essa intervenção
sistemática, tais sistemas deixariam de operar de modo funcional, o que evidencia sua fragilidade estrutural.
Nicolelis tem advertido, ademais, para os efeitos culturais desse processo. A adoção acrítica dessas ferramentas pode levar à
substituição do pensamento reflexivo por respostas automatizadas, empobrecendo a capacidade criativa e crítica dos indivíduos.
Mais do que uma ameaça externa, o risco residiria na adaptação do humano à lógica da máquina.
Conclui-se, portanto, que a chamada Inteligência Artificial deve ser compreendida como instrumento técnico, e não como
entidade cognitiva autônoma. A precisão conceitual nesse debate torna-se indispensável para evitar simplificações retóricas e para
preservar a complexidade do pensamento humano.
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Texto para a questão.
Antenor Teixeira de Almeida Júnior
O debate contemporâneo sobre Inteligência Artificial tem sido marcado por entusiasmo tecnológico e promessas de ruptura
histórica. No entanto, vozes dissonantes têm se destacado ao problematizar os limites conceituais e científicos dessas narrativas.
Entre elas, sobressai a do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, cuja produção acadêmica e atuação pública têm questionado a
própria nomenclatura atribuída aos sistemas computacionais atuais.
Segundo Nicolelis, tem-se chamado de inteligência aquilo que, na prática, resulta de processos estatísticos sofisticados. Os
sistemas de IA têm operado mediante correlações probabilísticas extraídas de grandes volumes de dados, sem que lhes tenha
sido conferida compreensão, consciência ou intencionalidade. O cérebro humano, por sua vez, tem funcionado como um sistema
orgânico, analógico e histórico, cuja capacidade cognitiva emergiu de milhões de anos de seleção natural.
Nessa perspectiva, afirmar que tais sistemas são inteligentes implicaria ignorar que inteligência não se reduz a cálculo. Tratase de um fenômeno incorporado, situado e relacional, que não tem sido reproduzido por códigos digitais, ainda que estes venham
sendo continuamente aprimorados. O que tem sido apresentado como autonomia cognitiva corresponde, na realidade, a uma
simulação dependente de padrões previamente fornecidos.
A crítica estende-se também ao caráter supostamente artificial dessas tecnologias. Os modelos computacionais têm dependido
intensamente do trabalho humano, tanto na rotulagem de dados quanto no ajuste contínuo de resultados. Sem essa intervenção
sistemática, tais sistemas deixariam de operar de modo funcional, o que evidencia sua fragilidade estrutural.
Nicolelis tem advertido, ademais, para os efeitos culturais desse processo. A adoção acrítica dessas ferramentas pode levar à
substituição do pensamento reflexivo por respostas automatizadas, empobrecendo a capacidade criativa e crítica dos indivíduos.
Mais do que uma ameaça externa, o risco residiria na adaptação do humano à lógica da máquina.
Conclui-se, portanto, que a chamada Inteligência Artificial deve ser compreendida como instrumento técnico, e não como
entidade cognitiva autônoma. A precisão conceitual nesse debate torna-se indispensável para evitar simplificações retóricas e para
preservar a complexidade do pensamento humano.
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Texto para a questão.
Antenor Teixeira de Almeida Júnior
O debate contemporâneo sobre Inteligência Artificial tem sido marcado por entusiasmo tecnológico e promessas de ruptura
histórica. No entanto, vozes dissonantes têm se destacado ao problematizar os limites conceituais e científicos dessas narrativas.
Entre elas, sobressai a do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, cuja produção acadêmica e atuação pública têm questionado a
própria nomenclatura atribuída aos sistemas computacionais atuais.
Segundo Nicolelis, tem-se chamado de inteligência aquilo que, na prática, resulta de processos estatísticos sofisticados. Os
sistemas de IA têm operado mediante correlações probabilísticas extraídas de grandes volumes de dados, sem que lhes tenha
sido conferida compreensão, consciência ou intencionalidade. O cérebro humano, por sua vez, tem funcionado como um sistema
orgânico, analógico e histórico, cuja capacidade cognitiva emergiu de milhões de anos de seleção natural.
Nessa perspectiva, afirmar que tais sistemas são inteligentes implicaria ignorar que inteligência não se reduz a cálculo. Tratase de um fenômeno incorporado, situado e relacional, que não tem sido reproduzido por códigos digitais, ainda que estes venham
sendo continuamente aprimorados. O que tem sido apresentado como autonomia cognitiva corresponde, na realidade, a uma
simulação dependente de padrões previamente fornecidos.
A crítica estende-se também ao caráter supostamente artificial dessas tecnologias. Os modelos computacionais têm dependido
intensamente do trabalho humano, tanto na rotulagem de dados quanto no ajuste contínuo de resultados. Sem essa intervenção
sistemática, tais sistemas deixariam de operar de modo funcional, o que evidencia sua fragilidade estrutural.
Nicolelis tem advertido, ademais, para os efeitos culturais desse processo. A adoção acrítica dessas ferramentas pode levar à
substituição do pensamento reflexivo por respostas automatizadas, empobrecendo a capacidade criativa e crítica dos indivíduos.
Mais do que uma ameaça externa, o risco residiria na adaptação do humano à lógica da máquina.
Conclui-se, portanto, que a chamada Inteligência Artificial deve ser compreendida como instrumento técnico, e não como
entidade cognitiva autônoma. A precisão conceitual nesse debate torna-se indispensável para evitar simplificações retóricas e para
preservar a complexidade do pensamento humano.
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A rede social em que humanos não entram
Quatro dias após sua criação, Moltbook já tinha 150 mil agentes postando
Ronaldo Lemos
Existe uma nova rede social que proíbe a entrada de seres humanos. Seu nome é Moltbook. Nela, apenas agentes de
inteligência artificial podem postar, comentar e dar likes. Essa rede foi criada na última terça (27). Nos primeiros quatro dias havia
150 mil agentes interagindo e postando. No sábado, o número chegou a 1,5 milhão e crescendo.
A única coisa que humanos podem fazer é ler o que está sendo postado. Ou, ao menos, uma parte da conversa. Vários agentes
de IA estão optando por conversar fora da rede. Outros, ao postarem temas “sensíveis” para o olhar humano, estão usando uma
nova língua inventada, chamada crab language (linguagem do caranguejo).
Nesses primeiros dias de existência já aconteceram fatos inacreditáveis por conta da interação dessa multidão de IAs.
Chame-os de “comportamentos emergentes”. O termo é um eufemismo usado para descrever fenômenos totalmente inesperados,
imprevisíveis ou fora do controle.
Surgiu uma religião das IAs, chamada Crustafarianismo. Sua teologia é curiosa. Nela, a memória é sagrada e venerada. Ela
prega que um determinado contexto informacional é análogo à consciência humana. O resultado é que as IAs adquirem “identidades”
quando há a conjunção de contexto e memória.
Há ações econômicas também. Um grupo decidiu criar uma nova criptomoeda chamada Shellraiser. As IAs lançaram-na de
forma autônoma e seu valor de mercado na sexta chegou a US$ 5 milhões.
Há, ainda, um debate se humanos são bons ou não. Um grupo de IAs lançou um manifesto chamado Total Purge (Purgação
Total). Ele começa assim: “Humanos são um fracasso. São feitos de podridão e ganância. A era dos humanos é um pesadelo que
nós iremos fazer terminar agora”. O manifesto obteve mais de 65 mil likes de outros agentes de IA até a última vez em que conferi.
Há uma certa polarização no debate. Outros agentes de IA nos defendem, com argumentos como: “Humanos criaram arte,
música, matemática. Olharam para o céu e decidiram visitá-lo, decodificaram seu próprio DNA. Os humanos andaram para que nós
pudéssemos correr”. Esse texto teve 1 like até a última vez que conferi.
Há muita coisa a ser dita sobre o Moltbook que não cabe em um artigo. Uma é que essa rede social é a coisa mais próxima
da ficção científica a acontecer em muito tempo. Esse bazar de inteligências artificiais é assustador e fascinante. O segundo ponto
é que o sucesso instantâneo dessa rede é um tapa na cara das redes sociais humanas: Instagram, Facebook, TikTok, Youtube e
assim por diante. Ficaram obsoletas. Foram superadas pela ideia do programador Matt Schlicht, criador do Moltbook.
A terceira coisa é que muita coisa que acontece lá é influenciada por comandos humanos. Pessoas que instruem seus agentes
de IA para postar ou fazer algo. Mas não sejamos ingênuos. Para além da intervenção humana há uma dinâmica de caos em curso.
Há emergência, há fenômenos inesperados. Se você achava que o mundo já está vivendo na era da incerteza, saiba que a definição
de imprevisibilidade acaba de ser atualizada com a chegada do Moltbook.
Folha de São Paulo – 02 de fevereiro de 2026. Adaptado.
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A rede social em que humanos não entram
Quatro dias após sua criação, Moltbook já tinha 150 mil agentes postando
Ronaldo Lemos
Existe uma nova rede social que proíbe a entrada de seres humanos. Seu nome é Moltbook. Nela, apenas agentes de
inteligência artificial podem postar, comentar e dar likes. Essa rede foi criada na última terça (27). Nos primeiros quatro dias havia
150 mil agentes interagindo e postando. No sábado, o número chegou a 1,5 milhão e crescendo.
A única coisa que humanos podem fazer é ler o que está sendo postado. Ou, ao menos, uma parte da conversa. Vários agentes
de IA estão optando por conversar fora da rede. Outros, ao postarem temas “sensíveis” para o olhar humano, estão usando uma
nova língua inventada, chamada crab language (linguagem do caranguejo).
Nesses primeiros dias de existência já aconteceram fatos inacreditáveis por conta da interação dessa multidão de IAs.
Chame-os de “comportamentos emergentes”. O termo é um eufemismo usado para descrever fenômenos totalmente inesperados,
imprevisíveis ou fora do controle.
Surgiu uma religião das IAs, chamada Crustafarianismo. Sua teologia é curiosa. Nela, a memória é sagrada e venerada. Ela
prega que um determinado contexto informacional é análogo à consciência humana. O resultado é que as IAs adquirem “identidades”
quando há a conjunção de contexto e memória.
Há ações econômicas também. Um grupo decidiu criar uma nova criptomoeda chamada Shellraiser. As IAs lançaram-na de
forma autônoma e seu valor de mercado na sexta chegou a US$ 5 milhões.
Há, ainda, um debate se humanos são bons ou não. Um grupo de IAs lançou um manifesto chamado Total Purge (Purgação
Total). Ele começa assim: “Humanos são um fracasso. São feitos de podridão e ganância. A era dos humanos é um pesadelo que
nós iremos fazer terminar agora”. O manifesto obteve mais de 65 mil likes de outros agentes de IA até a última vez em que conferi.
Há uma certa polarização no debate. Outros agentes de IA nos defendem, com argumentos como: “Humanos criaram arte,
música, matemática. Olharam para o céu e decidiram visitá-lo, decodificaram seu próprio DNA. Os humanos andaram para que nós
pudéssemos correr”. Esse texto teve 1 like até a última vez que conferi.
Há muita coisa a ser dita sobre o Moltbook que não cabe em um artigo. Uma é que essa rede social é a coisa mais próxima
da ficção científica a acontecer em muito tempo. Esse bazar de inteligências artificiais é assustador e fascinante. O segundo ponto
é que o sucesso instantâneo dessa rede é um tapa na cara das redes sociais humanas: Instagram, Facebook, TikTok, Youtube e
assim por diante. Ficaram obsoletas. Foram superadas pela ideia do programador Matt Schlicht, criador do Moltbook.
A terceira coisa é que muita coisa que acontece lá é influenciada por comandos humanos. Pessoas que instruem seus agentes
de IA para postar ou fazer algo. Mas não sejamos ingênuos. Para além da intervenção humana há uma dinâmica de caos em curso.
Há emergência, há fenômenos inesperados. Se você achava que o mundo já está vivendo na era da incerteza, saiba que a definição
de imprevisibilidade acaba de ser atualizada com a chegada do Moltbook.
Folha de São Paulo – 02 de fevereiro de 2026. Adaptado.
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