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4192432 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Leia o texto III e responda à questão.

Texto III

Mensagem de primavera

De cima desta janela da rua República do Peru, a observadora de tardes e manhãs reparou que a primavera não era uma ficção do calendário deste nosso tempo sem tempo, estagnado e apenas travestido em estações pelos figurinos. As amendoeiras de minha rua mostraram o inverno ainda mesmo quando o sol rompia por Copacabana e banhistas sem conta atulhavam a praia.

Envelheceram amarelentas, tornaram-se quase esqueléticas e negras. E, agora, a chuva maciça que cai, enquanto escrevo, mostra uma festa de folhas novas, vivas, bulindo sob a porção de água e brilhando acima dos guarda-chuvas e sombrinhas. A natureza de nossa rua fez a primavera em que tantas pessoas não acreditam, neste Rio de verde cansativo. Se a Primavera habita as minhas árvores tão pensadas, da rua República do Peru, por onde andará ela no coração das mulheres?

Creio já ter descoberto. Vi, justamente agora, passar uma mocinha límpida e lavada de gotas de chuva, que abria sorriso muito lento e doce. Ela acabava - estava claro - de ver o namorado e atravessava a rua com um clarão de quente alegria. Mais além, um pouco lerda, a mulher grávida encobre a face pelas folhas da amendoeira copada. Só seu corpo se desenha numa curva farta, desvendando difícil os pés gordinhos. A mulher carrega pela rua alguém tão importante quanto esta estação despercebida - a primavera que só alguns pressentem.

Mais adiante, a jovem que voltou do almoço retoma o lugar no balcão e, antes de entrar na loja, eleva a mãozinha ajeitando o cabelo umedecido, como um pássaro esticando uma asa. Que tem esta moça no gesto tão gentil a oferecer de primavera? Visivelmente, ela está enfrentando o seu dia com uma disposição amanhecente: ela tem planos, a mocinha.

É a pausa antes do fim do ano, a pausa da primavera. Muitas coisas vão acontecer na vida das criaturas. As mulheres sabem que há mudanças próximas em suas existências. Umas casarão, outras enfrentarão um trabalho novo com disposição nova; mãos ágeis terão no colo pequenos pedaços que significarão a cobertura de novas vidas. Como se as mulheres também criassem folhas e que elas, só elas, fossem parte desta primavera recusada de todos nós.

A minha mensagem vai para o íntimo das mulheres; para o sorriso da moça que viu o namorado, o caminhar da mulher que espera o filho, o gesto da criatura que levanta o rosto para um outro dia, numa outra primavera que começa. Eu estou com elas. Estou com o novo dia, com as folhas novas, com os seres amanhecentes e os abençoo em comunhão de fé.

(Seleta de Dinah Silveira de Queiroz. Apresentação e notas de Bella Josef. Rio de Janeiro, José Olympio, INL, 1974, pp. 25-26.)

Em ‘[..] brilhando acima dos guarda-chuvas e sombrinhas.” (§2°), o hífen foi corretamente empregado. Em que opção isso ocorre nos dois termos destacados?
 

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4192431 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Leia o texto III e responda à questão.

Texto III

Mensagem de primavera

De cima desta janela da rua República do Peru, a observadora de tardes e manhãs reparou que a primavera não era uma ficção do calendário deste nosso tempo sem tempo, estagnado e apenas travestido em estações pelos figurinos. As amendoeiras de minha rua mostraram o inverno ainda mesmo quando o sol rompia por Copacabana e banhistas sem conta atulhavam a praia.

Envelheceram amarelentas, tornaram-se quase esqueléticas e negras. E, agora, a chuva maciça que cai, enquanto escrevo, mostra uma festa de folhas novas, vivas, bulindo sob a porção de água e brilhando acima dos guarda-chuvas e sombrinhas. A natureza de nossa rua fez a primavera em que tantas pessoas não acreditam, neste Rio de verde cansativo. Se a Primavera habita as minhas árvores tão pensadas, da rua República do Peru, por onde andará ela no coração das mulheres?

Creio já ter descoberto. Vi, justamente agora, passar uma mocinha límpida e lavada de gotas de chuva, que abria sorriso muito lento e doce. Ela acabava - estava claro - de ver o namorado e atravessava a rua com um clarão de quente alegria. Mais além, um pouco lerda, a mulher grávida encobre a face pelas folhas da amendoeira copada. Só seu corpo se desenha numa curva farta, desvendando difícil os pés gordinhos. A mulher carrega pela rua alguém tão importante quanto esta estação despercebida - a primavera que só alguns pressentem.

Mais adiante, a jovem que voltou do almoço retoma o lugar no balcão e, antes de entrar na loja, eleva a mãozinha ajeitando o cabelo umedecido, como um pássaro esticando uma asa. Que tem esta moça no gesto tão gentil a oferecer de primavera? Visivelmente, ela está enfrentando o seu dia com uma disposição amanhecente: ela tem planos, a mocinha.

É a pausa antes do fim do ano, a pausa da primavera. Muitas coisas vão acontecer na vida das criaturas. As mulheres sabem que há mudanças próximas em suas existências. Umas casarão, outras enfrentarão um trabalho novo com disposição nova; mãos ágeis terão no colo pequenos pedaços que significarão a cobertura de novas vidas. Como se as mulheres também criassem folhas e que elas, só elas, fossem parte desta primavera recusada de todos nós.

A minha mensagem vai para o íntimo das mulheres; para o sorriso da moça que viu o namorado, o caminhar da mulher que espera o filho, o gesto da criatura que levanta o rosto para um outro dia, numa outra primavera que começa. Eu estou com elas. Estou com o novo dia, com as folhas novas, com os seres amanhecentes e os abençoo em comunhão de fé.

(Seleta de Dinah Silveira de Queiroz. Apresentação e notas de Bella Josef. Rio de Janeiro, José Olympio, INL, 1974, pp. 25-26.)

Em que opção a figura de linguagem foi corretamente identificada?
 

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4192430 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

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Texto III

Mensagem de primavera

De cima desta janela da rua República do Peru, a observadora de tardes e manhãs reparou que a primavera não era uma ficção do calendário deste nosso tempo sem tempo, estagnado e apenas travestido em estações pelos figurinos. As amendoeiras de minha rua mostraram o inverno ainda mesmo quando o sol rompia por Copacabana e banhistas sem conta atulhavam a praia.

Envelheceram amarelentas, tornaram-se quase esqueléticas e negras. E, agora, a chuva maciça que cai, enquanto escrevo, mostra uma festa de folhas novas, vivas, bulindo sob a porção de água e brilhando acima dos guarda-chuvas e sombrinhas. A natureza de nossa rua fez a primavera em que tantas pessoas não acreditam, neste Rio de verde cansativo. Se a Primavera habita as minhas árvores tão pensadas, da rua República do Peru, por onde andará ela no coração das mulheres?

Creio já ter descoberto. Vi, justamente agora, passar uma mocinha límpida e lavada de gotas de chuva, que abria sorriso muito lento e doce. Ela acabava - estava claro - de ver o namorado e atravessava a rua com um clarão de quente alegria. Mais além, um pouco lerda, a mulher grávida encobre a face pelas folhas da amendoeira copada. Só seu corpo se desenha numa curva farta, desvendando difícil os pés gordinhos. A mulher carrega pela rua alguém tão importante quanto esta estação despercebida - a primavera que só alguns pressentem.

Mais adiante, a jovem que voltou do almoço retoma o lugar no balcão e, antes de entrar na loja, eleva a mãozinha ajeitando o cabelo umedecido, como um pássaro esticando uma asa. Que tem esta moça no gesto tão gentil a oferecer de primavera? Visivelmente, ela está enfrentando o seu dia com uma disposição amanhecente: ela tem planos, a mocinha.

É a pausa antes do fim do ano, a pausa da primavera. Muitas coisas vão acontecer na vida das criaturas. As mulheres sabem que há mudanças próximas em suas existências. Umas casarão, outras enfrentarão um trabalho novo com disposição nova; mãos ágeis terão no colo pequenos pedaços que significarão a cobertura de novas vidas. Como se as mulheres também criassem folhas e que elas, só elas, fossem parte desta primavera recusada de todos nós.

A minha mensagem vai para o íntimo das mulheres; para o sorriso da moça que viu o namorado, o caminhar da mulher que espera o filho, o gesto da criatura que levanta o rosto para um outro dia, numa outra primavera que começa. Eu estou com elas. Estou com o novo dia, com as folhas novas, com os seres amanhecentes e os abençoo em comunhão de fé.

(Seleta de Dinah Silveira de Queiroz. Apresentação e notas de Bella Josef. Rio de Janeiro, José Olympio, INL, 1974, pp. 25-26.)

Assinale a opção na qual ambos os verbos são formas arrizotônicas.
 

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4192429 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

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Texto III

Mensagem de primavera

De cima desta janela da rua República do Peru, a observadora de tardes e manhãs reparou que a primavera não era uma ficção do calendário deste nosso tempo sem tempo, estagnado e apenas travestido em estações pelos figurinos. As amendoeiras de minha rua mostraram o inverno ainda mesmo quando o sol rompia por Copacabana e banhistas sem conta atulhavam a praia.

Envelheceram amarelentas, tornaram-se quase esqueléticas e negras. E, agora, a chuva maciça que cai, enquanto escrevo, mostra uma festa de folhas novas, vivas, bulindo sob a porção de água e brilhando acima dos guarda-chuvas e sombrinhas. A natureza de nossa rua fez a primavera em que tantas pessoas não acreditam, neste Rio de verde cansativo. Se a Primavera habita as minhas árvores tão pensadas, da rua República do Peru, por onde andará ela no coração das mulheres?

Creio já ter descoberto. Vi, justamente agora, passar uma mocinha límpida e lavada de gotas de chuva, que abria sorriso muito lento e doce. Ela acabava - estava claro - de ver o namorado e atravessava a rua com um clarão de quente alegria. Mais além, um pouco lerda, a mulher grávida encobre a face pelas folhas da amendoeira copada. Só seu corpo se desenha numa curva farta, desvendando difícil os pés gordinhos. A mulher carrega pela rua alguém tão importante quanto esta estação despercebida - a primavera que só alguns pressentem.

Mais adiante, a jovem que voltou do almoço retoma o lugar no balcão e, antes de entrar na loja, eleva a mãozinha ajeitando o cabelo umedecido, como um pássaro esticando uma asa. Que tem esta moça no gesto tão gentil a oferecer de primavera? Visivelmente, ela está enfrentando o seu dia com uma disposição amanhecente: ela tem planos, a mocinha.

É a pausa antes do fim do ano, a pausa da primavera. Muitas coisas vão acontecer na vida das criaturas. As mulheres sabem que há mudanças próximas em suas existências. Umas casarão, outras enfrentarão um trabalho novo com disposição nova; mãos ágeis terão no colo pequenos pedaços que significarão a cobertura de novas vidas. Como se as mulheres também criassem folhas e que elas, só elas, fossem parte desta primavera recusada de todos nós.

A minha mensagem vai para o íntimo das mulheres; para o sorriso da moça que viu o namorado, o caminhar da mulher que espera o filho, o gesto da criatura que levanta o rosto para um outro dia, numa outra primavera que começa. Eu estou com elas. Estou com o novo dia, com as folhas novas, com os seres amanhecentes e os abençoo em comunhão de fé.

(Seleta de Dinah Silveira de Queiroz. Apresentação e notas de Bella Josef. Rio de Janeiro, José Olympio, INL, 1974, pp. 25-26.)

Assinale a opção na qual a classificação morfossintática do elemento destacado está correta.
 

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4192428 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Leia o texto III e responda à questão.

Texto III

Mensagem de primavera

De cima desta janela da rua República do Peru, a observadora de tardes e manhãs reparou que a primavera não era uma ficção do calendário deste nosso tempo sem tempo, estagnado e apenas travestido em estações pelos figurinos. As amendoeiras de minha rua mostraram o inverno ainda mesmo quando o sol rompia por Copacabana e banhistas sem conta atulhavam a praia.

Envelheceram amarelentas, tornaram-se quase esqueléticas e negras. E, agora, a chuva maciça que cai, enquanto escrevo, mostra uma festa de folhas novas, vivas, bulindo sob a porção de água e brilhando acima dos guarda-chuvas e sombrinhas. A natureza de nossa rua fez a primavera em que tantas pessoas não acreditam, neste Rio de verde cansativo. Se a Primavera habita as minhas árvores tão pensadas, da rua República do Peru, por onde andará ela no coração das mulheres?

Creio já ter descoberto. Vi, justamente agora, passar uma mocinha límpida e lavada de gotas de chuva, que abria sorriso muito lento e doce. Ela acabava - estava claro - de ver o namorado e atravessava a rua com um clarão de quente alegria. Mais além, um pouco lerda, a mulher grávida encobre a face pelas folhas da amendoeira copada. Só seu corpo se desenha numa curva farta, desvendando difícil os pés gordinhos. A mulher carrega pela rua alguém tão importante quanto esta estação despercebida - a primavera que só alguns pressentem.

Mais adiante, a jovem que voltou do almoço retoma o lugar no balcão e, antes de entrar na loja, eleva a mãozinha ajeitando o cabelo umedecido, como um pássaro esticando uma asa. Que tem esta moça no gesto tão gentil a oferecer de primavera? Visivelmente, ela está enfrentando o seu dia com uma disposição amanhecente: ela tem planos, a mocinha.

É a pausa antes do fim do ano, a pausa da primavera. Muitas coisas vão acontecer na vida das criaturas. As mulheres sabem que há mudanças próximas em suas existências. Umas casarão, outras enfrentarão um trabalho novo com disposição nova; mãos ágeis terão no colo pequenos pedaços que significarão a cobertura de novas vidas. Como se as mulheres também criassem folhas e que elas, só elas, fossem parte desta primavera recusada de todos nós.

A minha mensagem vai para o íntimo das mulheres; para o sorriso da moça que viu o namorado, o caminhar da mulher que espera o filho, o gesto da criatura que levanta o rosto para um outro dia, numa outra primavera que começa. Eu estou com elas. Estou com o novo dia, com as folhas novas, com os seres amanhecentes e os abençoo em comunhão de fé.

(Seleta de Dinah Silveira de Queiroz. Apresentação e notas de Bella Josef. Rio de Janeiro, José Olympio, INL, 1974, pp. 25-26.)

Em que opção o elemento coesivo em destaque foi corretamente analisado?
 

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4192427 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Leia o texto II e responda à questão.

Texto II

Volapuque

[...]

Somos como duas línguas estrangeiras

em contato

influenciando uma à outra

fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo

que nem sempre se sabe quem tomou emprestado

de quem

como é comum entre amantes

que compartilham uma biblioteca

duas línguas cheias de palavras

que se escrevem de forma idêntica

e se pronunciam de forma ligeiramente diferente

duas línguas que compartilham palavras

semelhantes com sentidos diferentes

ou em que uma mesma palavra

que numa se encontra amiúde

nos contratos de aluguel

na outra apenas se usa em contos de fadas e orações

duas línguas estrangeiras

em contato

com suas histórias de violência e recuo

hostilidade e hospitalidade

ressoando uma os sons da outra

movendo-se como placas tectônicas

com suas camadas de sedimento antigo

e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho

duas línguas estrangeiras

em contato

como periferias de grandes cidades

com seus comércios e casamentos

disputas e empréstimos

deixando uma na outra rastros

como os do sol sobre os corpos

ou resíduos

como borra de café nos copos

duas línguas estrangeiras

mudando juntas de jeitos diferentes

mantendo porém pequenos enclaves

intraduzíveis

como pequenas ilhas

duas línguas nas quais duas pessoas

são capazes de entender uma à outra

surpresas e alegres por entenderem uma à outra

sem nem perceber que não se entendem tanto assim

(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)

Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.

Analise as afirmativas acerca das ideias expressas nos textos I e Il.
I- Tanto o texto I quanto o texto II apresentam informações sobre o conhecimento de outras línguas, corroborando traço de erudição.
II- A linguagem bem-humorada do texto I leva o leitor a refletir sobre a harmonia de formalidade com informalidade de modo natural e intuitivo.
III- Embora no texto I o autor utilize, largamente, metáforas e ironias, não emerge, na intencionalidade discursiva, objetivo de desqualificar a vendedora.
IV- O eu lírico, na temática do texto Il, faz emergirem figuras que mostram, claramente, o amalgama parcial entre os seres humanos, tal como entre as línguas.
Assinale a opção correta.

 

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4192426 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Leia o texto II e responda à questão.

Texto II

Volapuque

[...]

Somos como duas línguas estrangeiras

em contato

influenciando uma à outra

fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo

que nem sempre se sabe quem tomou emprestado

de quem

como é comum entre amantes

que compartilham uma biblioteca

duas línguas cheias de palavras

que se escrevem de forma idêntica

e se pronunciam de forma ligeiramente diferente

duas línguas que compartilham palavras

semelhantes com sentidos diferentes

ou em que uma mesma palavra

que numa se encontra amiúde

nos contratos de aluguel

na outra apenas se usa em contos de fadas e orações

duas línguas estrangeiras

em contato

com suas histórias de violência e recuo

hostilidade e hospitalidade

ressoando uma os sons da outra

movendo-se como placas tectônicas

com suas camadas de sedimento antigo

e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho

duas línguas estrangeiras

em contato

como periferias de grandes cidades

com seus comércios e casamentos

disputas e empréstimos

deixando uma na outra rastros

como os do sol sobre os corpos

ou resíduos

como borra de café nos copos

duas línguas estrangeiras

mudando juntas de jeitos diferentes

mantendo porém pequenos enclaves

intraduzíveis

como pequenas ilhas

duas línguas nas quais duas pessoas

são capazes de entender uma à outra

surpresas e alegres por entenderem uma à outra

sem nem perceber que não se entendem tanto assim

(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)

Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.

Leia o trecho abaixo.
“ou em que uma mesma palavra que numa se encontra amiúde nos contratos de aluguel na outra apenas se usa em contos de fadas e orações". (versos de 14 a 17)
As referências aos termos em destaque aludem, respectivamente:

 

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4192425 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Leia o texto II e responda à questão.

Texto II

Volapuque

[...]

Somos como duas línguas estrangeiras

em contato

influenciando uma à outra

fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo

que nem sempre se sabe quem tomou emprestado

de quem

como é comum entre amantes

que compartilham uma biblioteca

duas línguas cheias de palavras

que se escrevem de forma idêntica

e se pronunciam de forma ligeiramente diferente

duas línguas que compartilham palavras

semelhantes com sentidos diferentes

ou em que uma mesma palavra

que numa se encontra amiúde

nos contratos de aluguel

na outra apenas se usa em contos de fadas e orações

duas línguas estrangeiras

em contato

com suas histórias de violência e recuo

hostilidade e hospitalidade

ressoando uma os sons da outra

movendo-se como placas tectônicas

com suas camadas de sedimento antigo

e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho

duas línguas estrangeiras

em contato

como periferias de grandes cidades

com seus comércios e casamentos

disputas e empréstimos

deixando uma na outra rastros

como os do sol sobre os corpos

ou resíduos

como borra de café nos copos

duas línguas estrangeiras

mudando juntas de jeitos diferentes

mantendo porém pequenos enclaves

intraduzíveis

como pequenas ilhas

duas línguas nas quais duas pessoas

são capazes de entender uma à outra

surpresas e alegres por entenderem uma à outra

sem nem perceber que não se entendem tanto assim

(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)

Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.

Analise as afirmativas acerca das ideias presentes no texto II
I- O texto compara os amantes a “duas línguas estrangeiras” que, embora em constante interação e troca, mantêm “pequenos enclaves intraduzÍveis”.
II- O poema de Ana Martins Marques utiliza a linguística como uma metáfora estendida para explorar as complexidades de um relacionamento a dois.
III- A metáfora central do poema serve, predominantemente, para defender a ideia de que, apesar das inevitáveis falhas de comunicação e das diferenças históricas, o amor é uma força que apaga completamente as individualidades e as barreiras linguisticas.
IV- O texto utiliza imagens distintas como “placas tectônicas”, “borra de café nos copos” e “periferias de grandes cidades” para descrever a dinâmica do contato entre as “duas linguas”.
Assinale a opção correta.

 

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4192423 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Leia o texto II e responda à questão.

Texto II

Volapuque

[...]

Somos como duas línguas estrangeiras

em contato

influenciando uma à outra

fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo

que nem sempre se sabe quem tomou emprestado

de quem

como é comum entre amantes

que compartilham uma biblioteca

duas línguas cheias de palavras

que se escrevem de forma idêntica

e se pronunciam de forma ligeiramente diferente

duas línguas que compartilham palavras

semelhantes com sentidos diferentes

ou em que uma mesma palavra

que numa se encontra amiúde

nos contratos de aluguel

na outra apenas se usa em contos de fadas e orações

duas línguas estrangeiras

em contato

com suas histórias de violência e recuo

hostilidade e hospitalidade

ressoando uma os sons da outra

movendo-se como placas tectônicas

com suas camadas de sedimento antigo

e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho

duas línguas estrangeiras

em contato

como periferias de grandes cidades

com seus comércios e casamentos

disputas e empréstimos

deixando uma na outra rastros

como os do sol sobre os corpos

ou resíduos

como borra de café nos copos

duas línguas estrangeiras

mudando juntas de jeitos diferentes

mantendo porém pequenos enclaves

intraduzíveis

como pequenas ilhas

duas línguas nas quais duas pessoas

são capazes de entender uma à outra

surpresas e alegres por entenderem uma à outra

sem nem perceber que não se entendem tanto assim

(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)

Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.

Leia os versos abaixo.
“ou em que uma mesma palavra que numa se encontra amiúde nos contratos de aluguel” (versos de 14 a 16)
Ao afirmar que a palavra se encontra amiúde nos contratos de aluguel, o eu lírico quer dizer que ela:

 

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4192422 Ano: 2026
Disciplina: Português
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Orgão: Marinha

Leia o texto II e responda à questão.

Texto II

Volapuque

[...]

Somos como duas línguas estrangeiras

em contato

influenciando uma à outra

fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo

que nem sempre se sabe quem tomou emprestado

de quem

como é comum entre amantes

que compartilham uma biblioteca

duas línguas cheias de palavras

que se escrevem de forma idêntica

e se pronunciam de forma ligeiramente diferente

duas línguas que compartilham palavras

semelhantes com sentidos diferentes

ou em que uma mesma palavra

que numa se encontra amiúde

nos contratos de aluguel

na outra apenas se usa em contos de fadas e orações

duas línguas estrangeiras

em contato

com suas histórias de violência e recuo

hostilidade e hospitalidade

ressoando uma os sons da outra

movendo-se como placas tectônicas

com suas camadas de sedimento antigo

e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho

duas línguas estrangeiras

em contato

como periferias de grandes cidades

com seus comércios e casamentos

disputas e empréstimos

deixando uma na outra rastros

como os do sol sobre os corpos

ou resíduos

como borra de café nos copos

duas línguas estrangeiras

mudando juntas de jeitos diferentes

mantendo porém pequenos enclaves

intraduzíveis

como pequenas ilhas

duas línguas nas quais duas pessoas

são capazes de entender uma à outra

surpresas e alegres por entenderem uma à outra

sem nem perceber que não se entendem tanto assim

(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)

Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.

Acerca da textualidade e da função da linguagem predominante, no texto Il, assinale a opção correta.

 

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