Recorte de uma entrevista com um trabalhador rural em Alagoas. (E: Entrevistado / P: Pesquisador):
E: Nas grotas que não dá prá o carro ir pegar, tem que tirar no manual e o cambiteiro vai e recolhe.
P: Ainda existe isso aqui?
E: Existe sim. Amarra as canas e colocam no burro e leva até onde o caminhão fica. Em todos os sítios da usina tem burros.
P: E um burro carrega quantas toneladas?
E: O trabalhador coloca uns 20 móios (molhos/feixes de cana) ou 30 móios que dá só 100 quilos.
P: Aqui tem muita ladeira.
E: Sim, por isso que usa os burros.
P: Esses burros são de onde? Da usina?
E: Sim, são todos da usina [...] aqui [os burros] é por causa dessas ladeiras, pois a máquina não chega.
PLANCHEREL, A. A.; QUEIROZ, A. S. Antigas e recentes configurações do trabalho canavieiro. Revista Latitude, v. 5, n. 1, pp. 07-53, 2011. p.12.
A persistência do transporte manual com burros, mesmo em unidades produtivas modernas, revela uma característica histórica fundamental da agroindústria canavieira em Alagoas, que é a