O poeta Luís Vaz de Camões, no século XVI, escreve:
Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
No século XX, o poeta Herberto Helder escreve, em Tríptico (poema inserido em seu livro Colher na boca, de 1961):
Transforma-se o amador na coisa amada com seu
feroz sorriso, os dentes,
as mãos que relampejam no escuro. Traz ruído
e silêncio. Traz o barulho das ondas frias
e das ardentes pedras que tem dentro de si.
Considerando os dois poemas em análise, pode-se afirmar que: