Textos para questão 43
Texto I
NA TEBAIDA
Chegas, com os olhos úmidos, tremente
A voz, os seios nus, — como a rainha
Que ao ermo frio da Tebaida vinha
Trazer a tentação do amor ardente.
Luto: porém teu corpo se avizinha
Do meu, e o enlaça como uma serpente...
Fujo: porém a boca prendes, quente,
Cheia de beijos, palpitante, à minha...
Beija mais, que o teu beijo me incendeia!
Aperta os braços mais! que eu tenha a morte,
Preso nos laços de prisão tão doce!
Aperta os braços mais, — frágil cadeia
Que tanta força tem não sendo forte,
E prende mais que se de ferro fosse!
© OLAVO BILAC
In Poesias (Sarças de Fogo), 1888
Texto II
Mimosa boca errante
Mimosa boca errante
à superfície até achar o ponto
em que te apraz colher o fruto em fogo
que não será comido mas fruído
até se lhe esgotar o sumo cálido
e ele deixar-te, ou o deixares, flácido,
mas rorejando a baba de delicias
que fruto e boca se permitem, dádiva.
Boca mimosa e sábia,
impaciente de sugar e clausurar
inteiro, em ti, o talo rígido
mas varado de gozo ao confinar-se
no limitado espaço que ofereces
a seu volume e jato apaixonados,
como podes tornar-te, assim aberta,
recurvo céu infindo e sepultura?
Dos temas abaixo, qual não aparece nos dois poemas?