As cirurgias por câncer de mama, bem como as terapias adjuvantes, podem resultar em diversas complicações, além de serem consideradas a principal causa de estresse emocional e prejuízo funcional das mulheres acometidas por câncer de mama. Em relação ao fator tempo, as complicações são divididas em imediatas, mediatas e, tardias. A frequência de complicações cirúrgicas é proporcional à afecção clínica associada, ao tipo de anestesia, ao grau de lesão e aos cuidados pósoperatórios. O fisioterapeuta é fundamental como integrante da equipe multiprofissional que acompanhará o processo de reabilitação, atuando na prevenção e recuperação físico-funcional da paciente. Diante deste pressuposto, analise as assertivas a respeito das disfunções musculoesqueléticas mais comuns no pós-operatório e no tratamento para o câncer de mama, bem como a abordagem fisioterapêutica nesse período, e assinale a alternativa correta.
I. As mudanças fisiológicas na postura corporal ocorrem após vários meses da mastectomia e, os efeitos nas possíveis deformidades da coluna vertebral podem ser significantes apenas a curto prazo. As alterações posturais acontecem geralmente em consequência da permanência da glândula mamária, constrangimento e tentativa de esconder a falta da mama, semelhança no tamanho/ volume e uso adequado das próteses externas. Existem várias intercorrências cirúrgicas e pós-cirúrgicas que não afetam o bom alinhamento postural, como lesões nervosas, distúrbios de sensibilidade, escápula alada, esclerose de vias linfáticas, disfunção do ombro e da cervical, e o linfedema em função do peso maior para o membro ipsilateral.
II. A avaliação postural do indivíduo é um exame indispensável na rotina fisioterapêutica, pois tem o propósito de analisar e quantificar os desvios e, a partir dessas informações, proporcionar a melhor conduta a ser desenvolvida. Essa avaliação normalmente é constituída por anamnese, exame físico/ funcional, do equilíbrio estático e dinâmico. Além de que, a análise computadorizada, protocolos de biofotogrametria e exames de imagens para correlacionar medidas angulares, são métodos avaliativos que auxiliam na análise efetiva das alterações posturais e, consequentemente, favorecem o melhor tratamento.
III. Pacientes podem apresentar fraqueza muscular da cintura escapular e membro superior no pósoperatório de câncer de mama e/ou após a radioterapia, geralmente, a fraqueza não é consequência direta do procedimento cirúrgico, mas da redução da mobilidade ativa e voluntária em decorrência de dor e medo em movimentar o membro superior homolateral à cirurgia. Os déficits de resistência muscular podem persistir meses e até décadas após a conclusão do tratamento, portanto, a paciente deve ser incentivada a mexer o membro superior, de forma gradual e dentro do intervalo livre de dor para realizar suas atividades diárias e os exercícios pós-operatórios ativamente, caso tenha dificuldades, pode-se iniciar a cinesioterapia de maneira ativo-assistida, evoluir lentamente para o exercício ativo e, por fim, para o exercício resistido de todo complexo articular do ombro, incluindo a musculatura da escápula e a parede torácica.
IV. Tanto os procedimentos cirúrgicos, quanto a radioterapia, podem comprometer a fáscia de vários músculos, especialmente dos peitorais maior e menor e serrátil anterior. A falta de mobilidade das fáscias, a fragilidade dos tecidos, o círculo vicioso das aderências miofasciais e trigger points contribuem para o desenvolvimento das disfunções dos membros superiores. O fisioterapeuta pode utilizar técnicas miofasciais, como a compressão mantida dos trigger points associada ao alongamento muscular, como proposta terapêutica, além da liberação miofascial.