Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: PUC-SP
Orgão: FICSAE
(...)
Certamente não sabias
que nos fazes sofrer.
É difícil de explicar
esse sofrimento seco (...)
Não é o canto da andorinha, debruçada nos telhados da Lapa,
anunciando que tua vida passou à toa, à toa.
Não é o médico mandando exclusivamente tocar um tango
argentino,
diante da escavação no pulmão esquerdo e do pulmão direito
infiltrado.
Não são os carvoeirinhos raquíticos voltando encarapitados nos
burros velhos.
Não são os mortos do Recife dormindo profundamente na noite.
Nem é tua vida, nem a vida do major veterano da guerra do
Paraguai,
a de Bentinho Jararaca
ou a de Christina Georgina Rossetti:
és tu mesmo, é tua poesia,
tua pungente, inefável poesia,
ferindo as almas, sob a aparência balsâmica,
queimando as almas, fogo celeste, ao visitá-las;
é o fenômeno poético, de que te constituíste o misterioso
portador
e que vem trazer-nos na aurora o sopro quente dos mundos,
das amadas exuberantes e das situações exemplares que não
suspeitávamos.
O trecho acima integra o poema “Ode no Cinquentenário do Poeta Brasileiro”, da obra Sentimento do Mundo de Carlos Drummond de Andrade. Dele NÃO É CORRETO afirmar que