O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A crescente demanda por acompanhantes de saúde
em um Brasil com famílias mais enxutas e cada vez
mais velho
O envelhecimento acelerado da população brasileira,
aliado à redução do número de filhos e à diminuição das
redes familiares, tem tornado mais comum a contratação
de cuidadores e acompanhantes de saúde. Esse
movimento amplia o debate sobre a regulamentação da
profissão e revela uma expansão das atividades desses
profissionais, que vão além do cuidado de idosos e
passam a atuar no acompanhamento em exames,
consultas e procedimentos hospitalares, inclusive para
pessoas mais jovens.
Plataformas digitais facilitam esse tipo de contratação,
geralmente informal, sem contratos de trabalho e com
pagamento acordado por diária. Girlaine Ferreira,
cuidadora há seis anos na região metropolitana de São
Paulo, relata que esse serviço ainda é pouco conhecido,
mas permite complementar a renda. Ela cobra valores
que variam conforme a duração e o dia do atendimento e
afirma que consegue aumentar significativamente o
ganho mensal. Segundo sua experiência, a maioria dos
clientes pertence às classes média e alta, tanto pelo
custo quanto pela falta de informação sobre a existência
desse tipo de serviço entre pessoas com menor
escolaridade.
Ao longo de sua atuação, Girlaine já acompanhou
pacientes em exames, procedimentos e longas
internações hospitalares, inclusive em unidades de
terapia intensiva. Embora tenha formação no cuidado de
idosos, ela explica que não é obrigatório ter curso
específico de enfermagem, desde que os limites do
serviço estejam claros entre cliente e profissional.
A auxiliar de enfermagem Edineusa Matos também
encontrou nesse tipo de acompanhamento uma
oportunidade de renda extra. Com jornada de trabalho
que alterna longos períodos de serviço e descanso, ela
consegue assumir atendimentos como acompanhante,
tanto na capital paulista quanto na região do ABC. No
início, teve dificuldade em divulgar seu trabalho, mas
hoje recebe boas avaliações e novos clientes por
indicação. Entre os casos atendidos, destaca o
acompanhamento de uma mãe que precisava levar o
filho autista ao médico e não tinha condições de dirigir ou
usar transporte por aplicativo.
Além de acompanhar consultas, Edineusa já auxiliou
pacientes com necessidades específicas e atualmente
acompanha um idoso em sessões regulares de
hemodiálise. Seu rendimento como acompanhante, em
alguns meses, supera o salário do emprego formal, o
que lhe permitiu financiar a compra de um imóvel. Os
valores cobrados variam conforme a complexidade do
serviço e o esforço exigido.
Apesar do crescimento dessa atividade, a informalidade
traz riscos. O trabalho de cuidador está previsto na
Classificação Brasileira de Ocupações, o que permite
contratação formal, com direitos trabalhistas. As
atribuições incluem acompanhamento em consultas,
auxílio em exercícios leves, administração de
medicamentos prescritos e observação de sinais de
emergência, sem diagnóstico ou prescrição médica. No
entanto, a categoria ainda carece de regulamentação
específica e de representação sindical unificada. Um
projeto de lei sobre o tema tramita na Câmara dos
Deputados.
Segundo a advogada Patrícia Schüler Fava, serviços
eventuais não configuram vínculo empregatício, mas a
prestação habitual gera obrigações formais para o
contratante. Comparecer à residência ao menos três
vezes por semana já caracteriza relação de trabalho
doméstico, com exigência de registro e garantia de
direitos.
Especialistas associam a maior demanda por
acompanhantes ao envelhecimento populacional e à
redução das redes de apoio familiar. A médica Roberta
França destaca que o Brasil envelheceu em poucas
décadas, um processo que levou mais de um século na
Europa, sem a mesma preparação econômica e social. O
demógrafo Márcio Minamiguchi observa que a geração
mais idosa teve menos filhos e conta com apoio familiar
mais limitado, o que amplia a procura por profissionais e
por instituições de longa permanência.
A antropóloga Valquíria Renk lembra que muitas famílias
não têm condições financeiras de contratar esses
serviços, fazendo com que o cuidado recaia sobre
parentes, sobretudo mulheres, sem remuneração. Para
famílias com maior renda, o principal obstáculo costuma
ser a falta de tempo, o que torna a contratação de
acompanhantes uma alternativa. Embora a Política
Nacional do Cuidado, sancionada em 2024, busque
reconhecer e estruturar essas atividades, sua efetividade
ainda é limitada, mantendo grande parte das famílias
sem apoio adequado.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c0jvq82v755o.adaptado.
De acordo com o texto-base, é CORRETO afirmar que:
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