A atuação fisioterapêutica é essencial em todas as etapas da reabilitação do paciente que sofre trauma de membros inferiores, na maioria das vezes, há a indicação de cirurgia, e o fisioterapeuta tem de atuar já no pós-operatório imediato, ou até mesmo no pré-operatório, se possível. Nas fraturas da diáfise da tíbia, é comum a exposição óssea à contaminação, representando um sério agravante para a reabilitação. O uso de fixadores externos é comum tanto para o tratamento da fratura quanto para o tratamento das sequelas do trauma e o fisioterapeuta tem um papel fundamental para minimizar possíveis complicações, principalmente a rigidez das articulações adjacentes ao dispositivo e à fraqueza muscular. Diante do exposto, analise as assertivas a respeito do tratamento fisioterapêutico em pacientes com fixador externo e assinale a alternativa correta.
I. O uso de fixador externo (FE) é comum para correção de sequelas de traumas dos membros inferiores, essa fixação tem a capacidade de afastar as superfícies ósseas em mecanismo de distração e formar um novo osso no local, chamado de osso regenerado. Nesse processo de distração óssea, tem-se duas técnicas para a reconstrução do osso envolvido com mecanismos fisiológicos semelhantes, porém utilizadas em momentos distintos: o alongamento ósseo e o transporte ósseo. O alongamento ósseo visa a correção da diferença do comprimento dos membros, ao passo que o transporte ósseo visa a correção das falhas e das deformidades ósseas.
II. O alongamento ósseo envolve tensão das partes moles e não alonga somente a estrutura óssea, durante esse processo, a tensão do alongamento irá estirar músculos, tendões, nervos e vasos, gerando complicações articulares. Nos primeiros dias após a colocação do fixador externo, será observada uma dificuldade para movimentar a articulação adjacente, devido a uma resposta de tensão muscular dos músculos periarticulares. O tratamento fisioterapêutico deve ser iniciado o mais precocemente possível, visando a minimizar possíveis complicações que podem ou não causar sequelas irreversíveis. A rigidez articular é um exemplo clássico de empecilho para desempenhar uma boa função motora, dor e dificuldade para dormir também são outros problemas citados.
III. A falta de orientação e o medo de colocar o pé no chão levam o paciente a desenvolver bloqueios articulares. Atitudes como colocar coxim embaixo do joelho e deambular sem colocar o pé no chão propiciam o encurtamento dos músculos isquiotibiais, de modo que o paciente terá dificuldade de fazer a extensão completa do joelho e, outro fator que influencia nessa postura é a fraqueza muscular do quadríceps, por isso, deve-se estimular a contração desse grupo muscular desde o pós-operatório imediato.
IV. A fixação externa da tíbia gera tensão sobre o tríceps sural, com consequentes encurtamento do tendão de Aquiles e bloqueio do tornozelo em equino. Deve-se orientar o paciente para que reforce o alongamento dessa musculatura e faça a ativação do músculo tibial anterior. Em casos em que o paciente não consegue executar ativamente o movimento de dorsiflexão do tornozelo, indica-se o uso do elevador de pé de Ilizarov, que pode ser adaptado com uma atadura e preso ao fixador externo e, para pacientes que ainda apresentam assimetria do comprimento do membro, deve-se prescrever compensação no calçado, para uma adequada descarga de peso.
V. O osso regenerado é frágil e leva um tempo para que as suas corticais estejam fortes e preparadas o suficiente para suportar o peso corporal. A liberação de descarga de peso varia de acordo com o tipo de fixador externo utilizado, alguns suportam descarga total de peso imediata, outros, apenas carga parcial, ou até mesmo nenhuma carga. É importante que o treino de marcha e os exercícios em cadeia cinética fechada (CCF) sejam iniciados logo após a permissão médica, pois esses tipos de exercícios favorecem o ganho de ADM e força muscular de forma funcional, facilitando as atividades de vida diária.
VI. Ao retirar o fixador externo, os dispositivos auxiliares de marcha serão retirados de forma gradativa. Os músculos estabilizadores do quadril tinham o suporte da muleta ou do andador para dividir o peso corporal, porém, sem esse auxílio para a marcha, é comum o paciente apresentar sinal de Tredelenburg, pois a musculatura ainda está se adaptando ao aumento da carga, enaltecendo o trabalho de consciência corporal e ativação dos músculos do quadril. Recomenda-se que o paciente evite atividades com impacto durante 6 meses após a retirada do fixador externo, a fim de evitar fratura do osso regenerado.