Em geral, o período do puerpério é caracterizado por diversas alterações que promovem o retorno dos órgãos de reprodução ao estado anterior à gestação. As alterações físicas no puerpério incluem: mudanças fisiológicas locais, como a involução uterina e da mucosa vaginal, recuperação da mucosa vaginal e uterina, alterações no períneo e na parede abdominal, variações de peso e temperatura e, melhora do fluxo circulatório e venoso das mamas e do hábito urinário. Em função de tantas alterações, é fundamental que a puérpera seja acompanhada pela equipe multidisciplinar, buscando sinais e/ou sintomas de doenças e disfunções que possam surgir em decorrência do puerpério. O fisioterapeuta, como membro da equipe multidisciplinar que atende a puérpera, desempenha um papel fundamental na sua plena recuperação física. Diante do exposto, analise as assertivas a respeito da atuação fisioterapêutica no puerpério e assinale a alternativa correta.
I. A atuação fisioterapêutica no pós-parto imediato inicia-se logo após o término do trabalho de parto normal ou por cesariana, pois não é necessário que a puérpera descanse. Nessa primeira abordagem, é importante que o fisioterapeuta realize a avaliação cinesiofuncional e obtenha o maior número de informações relevantes para a boa evolução clínica da paciente. Essa avaliação cinesiofuncional deve avaliar apenas a musculatura abdominal, pois os demais dados (sinais vitais, padrão respiratório, mobilidade diafragmática, expansibilidade torácica, presença de diástase abdominal, aspecto e sensibilidade das mamas, além dos maléolos, fossa poplítea e região inguinal em busca de sinais de formação de trombos, edemas e varizes) são responsabilidade dos outros profissionais da equipe multidisciplinar avaliar.
II. A partir dos dados obtidos através da avaliação cinesiofuncional, o fisioterapeuta poderá elaborar o plano de tratamento fisioterapêutico para o puerpério imediato. Geralmente, os objetivos fisioterapêuticos para o puerpério imediato são: orientar o posicionamento no leito, promover analgesia e controlar o processo inflamatório no local da incisão perineal ou cesárea, reeducar os músculos abdominais e a musculatura do assoalho pélvico, reeducar a função respiratória, restabelecer a função dos sistemas cardiovascular e digestório, orientar sobre cuidados com as mamas, posturas durante o cuidado com o bebê e necessidade de continuar os atendimentos fisioterapêuticos no puerpério tardio e remoto.
III. Para alcançar analgesia e controle do processo inflamatório, o fisioterapeuta pode aplicar crioterapia (compressas frias, bolsas de gelo, massagem com gelo), por 20 minutos na região perineal (parto normal) ou no local da sutura (parto por cesariana). Outro recurso que pode ser aplicado para promover analgesia é o TENS, por meio de eletrodos posicionados nos locais de queixa da paciente. Os exercícios para reeducação da musculatura respiratória por sua vez, são simples e fundamentais no puerpério imediato. Um exemplo desses exercícios é a propriocepção diafragmática, em que a paciente pode estar em decúbito dorsal ou sentada e coloca as mãos sobre o tórax e sobre o abdome enquanto respira profundamente.
IV. Existem diversos exercícios para reeducar e melhorar o desempenho da musculatura abdominal, mas no puerpério imediato, devido à flacidez e fraqueza, sugere-se iniciar com exercícios em decúbito dorsal e quadril e joelhos flexionados, estimulando a propriocepção e a contração isométrica desses músculos, principalmente do transverso abdominal. Conforme a tonicidade da musculatura abdominal vai sendo recuperada, exercícios isotônicos e mais desafiadores podem ser aplicados a puérpera. O mesmo se aplica ao assoalho pélvico, os exercícios para a região, como contrair– relaxar, contrações rápidas, exercício do elevador e relaxamento, podem ser aplicados, levando-se em conta que no puerpério imediato esses músculos estão fracos e flácidos. E mesmo em partos por cesariana essa musculatura deve ser reeducada, já está sobrecarregada e se enfraquece durante a gestação.