Nas pesquisas recentes para avaliar quem foi a maior
liderança política do Brasil do século XX, o nome de Vargas
apareceu, com alguma surpresa, em segundo lugar. Em primeiro
ficou JK, mais ligado à confiança no Brasil e à promessa de um
desenvolvimento sem conflitos, com democracia e liberdade para
todos. Vargas, ao contrário, apesar do amor que lhe devotaram os
pobres, graças à legislação trabalhista, e da tragédia de sua morte,
em nome da bandeira nacionalista, deixou também como herança
grandes inimigos, identificados com a oposição à ditadura do
Estado Novo. É preciso reconhecer que Vargas foi o grande
organizador do Estado brasileiro e o coordenador do pacto social
que prevaleceu praticamente intocável durante mais de 50 anos.
Podemos decretar o fim da era Vargas nas eleições de 1989 para a
Presidência da República, nas quais o grande favorito era Leonel
Brizola, derrotado no primeiro turno por dois novos personagens,
oriundos de um ambiente político antagônico, mas, visivelmente,
pós-Vargas. No entanto, mais surpreendente do que sua duração,
é o tempo que estamos gastando para desconstruir o seu legado.
Aspásia Camargo. Era Vargas chegou ao final com as eleições de 1989. In: Folha de S. Paulo (Especial 50 anos da morte de Vargas), 22/8/2004, p. A8 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando o tema por ele abordado, além de aspectos significativos da história republicana brasileira, julgue os itens que se seguem.
A popularidade de JK, mencionada no texto, decorreu de sua política desenvolvimentista de fundo radicalmente nacionalista, o que explica seu rompimento com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e as dificuldades por ele impostas à presença do capital estrangeiro no Brasil.