Respeitar a leitura de mundo do educando significa tomá-la como ponto de partida para a compreensão do papel da curiosidade, de modo geral, e da humana, de modo especial, como um dos impulsos fundantes da produção do conhecimento. É preciso que, ao respeitar a leitura do mundo do educando para ir mais além dela, o educador deixe claro que a curiosidade fundamental à inteligibilidade do mundo é histórica e se dá na história [...]. No fundo, o educador que respeita a leitura de mundo do educando, reconhece a historicidade do saber, o caráter histórico da curiosidade, desta forma, recusando a arrogância cientificista, assume a humildade crítica, própria da posição verdadeiramente científica. [...] É preciso mostrar ao educando que o uso ingênuo da curiosidade altera a sua capacidade de achar e obstaculiza a exatidão do achado. É preciso por outro lado e, sobretudo, que o educando vá assumindo o papel de sujeito da produção de sua inteligência do mundo e não apenas o de recebedor da que lhe seja transferida pelo professor.
(Fonte: Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia:
saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996, p).
Em sua perspectiva progressista, Freire (1996) defende algumas concepções que os educadores devem considerar em suas práticas. Analise as afirmativas a seguir.
I - É dispensável que a escola instigue constantemente a curiosidade do educando, tendo em vista a necessidade de ensiná-lo e domesticá-lo.
II - O respeito à leitura de mundo do educando revela o gosto elitista e antidemocrático do educador, mas, por outro lado, permite que o educando fale e seja ouvido.
III - O educador que recusa a leitura de mundo do educando revela, evidentemente, a recusa a sua inteligência do mundo, que vem cultural e socialmente se constituindo. IV - O professor autoritário, que recusa escutar os educandos, se fecha à aventura criadora, pois nega, a si mesmo, a participação neste momento singular, que é o da afirmação do educando como sujeito de conhecimento.
V - Uma das tarefas essenciais da escola, como centro de produção sistemática de conhecimento, é trabalhar criticamente a inteligibilidade das coisas e dos fatos e a sua comunicabilidade.
Está CORRETO o que se afirma em