As questões de número 44 a 50 referem-se ao texto abaixo.
TEXTO 2
01 Conta-se que no final da Segunda Guerra Mundial, quando chegaram num campo de concentração
02 contava com inúmeros prisioneiros inocentes, os soldados de uma das divisões das tropas aliadas
03 surpreenderam alguns dos seus inimigos nazistas sentados e calmamente lendo uma das obras mais
04 importantes e humanistas da literatura universal: nada menos Fausto, de Goethe.
05 A leitura daquele livro não tornava seus leitores menos culpados pelo horror estava sendo
06 cometido por eles próprios. Também não impedia que cada um daqueles soldados literatos cumprissem
07 com suas atribuições de prender, torturar e matar seus semelhantes como nenhum outro animal além do
08 humano é capaz de fazer.
09 Como nos ensina o crítico literário Antônio Cândido, a literatura contribui para que se confirmem em
10 cada um de nós "aqueles traços que reputamos essenciais, como o exercício da reflexão, a aquisição do
11 saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos
12 problemas da vida, o senso da beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do
13 humor''.
14 A literatura serve, por certo, para dar prazer e satisfação para todos, mas só os bons levam a sério
15 suas mensagens humanistas: os demais permanecem indiferentes. Bons livros não convencem uma
16 pessoa má a melhorar. Pode-se supor que alguém que tenha sido pago para assassinar na sua infância
17 tenha sido um leitor entusiasmado de Monteiro Lobato. As mensagens humanistas dos livros só atingem as
18 pessoas predispostas para a sua recepção. É provável que os romancistas estejam condenados a "pregar
19 aos convertidos", como tinha o costume de escrever o sociólogo Pierre Bourdiau.
20 Mesmo assim, um pioneiro investigador dos segredos humanos como Freud não dispensava os
21 conhecimentos propiciados pela literatura. Para o fundador da psicanálise, "os poetas e romancistas são
22 aliados preciosos, e seu testemunho deve ser tido em alta estima, pois eles conhecem, entre o céu e a
23 terra, muitas coisa com as quais nossa sabedoria escolar não poderia sequer sonhar. Eles são para nós,
24 que não passamos de homens vulgares, mestres no conhecimento da alma, pois se banham em fontes que
25 ainda não se tornaram acessíveis à ciência".
(Walt& Praxedis, Para que serve a literatura. Disponível em: http://www.espacoacademico:com.br/015/15w lap .htm. Texto adaptado.)
Leia as afirmações relativas à ideia de Pierre Bourdieu de que os romancistas estão condenados "a pregar aos convertidos".
I - No texto, a analogia de Bourdieu é abordada para expressar o desprezo do sociólogo em relação à literatura, pelo fato de a ficção não ter relação com a realidade, nem tampouco com as ciências sociais, que se baseiam em fatos.
II - "Pregar aos convertidos", nesse contexto, significa escrever a quem já valoriza a literatura e, por isso, não precisa ser orientado em ralação à importância desse tipo de obra.
III - O sociólogo quer dizer que, para desenvolver o gosto pela leitura de romances, é indispensável o papal do professor, que deve exigir de seus alunos a leitura de obras clássicas desde tenra idade.
Qual(is) das afirmativas acima está(ão) de acordo com a ideia de Pierre Bourdieu?