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396944 Ano: 2013
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Textos para o item.

É próprio da imaginação histórica edificar mitos que, muitas vezes, ajudam a compreender antes o tempo que os forjou do que o universo remoto para o qual foram inventados.

Acreditando nessa proposição, arrisco-me a revisitar um lugar-comum dos comparatistas literários que afinam o indianismo brasileiro pelo diapasão europeu da romantização das origens nacionais. Lá, figuras e cenas medievais; cá, o mundo indígena tal e qual o surpreenderam os descobridores. Cá e lá, uma operação de retorno.

Alfredo Bosi. Dialética da colonização. 3ª ed. São
Paulo: Companhia das Letras, 1996, p. 176.

(...)

— O hóspede é amigo de Tupã; quem ofender o estrangeiro ouvirá rugir o trovão.

— O estrangeiro foi quem ofendeu a Tupã, roubando a sua virgem, que guarda os sonhos da jurema.

— Tua boca mente como o ronco da jiboia! exclamou Iracema.

Martim disse:
— Irapuã é vil e indigno de ser chefe de guerreiros valentes! O pajé falou grave e lento:[

— Se a virgem abandonou ao guerreiro branco a flor de seu corpo, ela morrerá; mas o hóspede de Tupã é sagrado; ninguém lhe tocará, todos o servirão.

Irapuã bramiu; o grito rouco troou nas arcas do peito, como o frêmito da sucuri na profundeza do rio.

— A raiva de Irapuã não pode mais ouvir-te, velho pajé! Caia ela sobre ti, se ousas subtrair o estrangeiro à vingança dos tabajaras.

O velho Andira, irmão do pajé, entrou na cabana; trazia no punho o terrível tacape; e nos olhos uma raiva ainda mais terrível.

— O morcego vem te chupar o sangue, se é que tens sangue e não mel nas veias, tu que ameaças em sua cabana o velho pajé.

Araquém afastou o irmão:

— Paz e silêncio, Andira.

O pajé desenvolvera a alta e magra estatura, como a caninana assanhada, que se enrista sobre a cauda, para afrontar a vítima em face. As rugas afundaram, e, repuxando as peles engelhadas, esbugalharam os dentes alvos e afilados:

— Ousa um passo mais, e as iras de Tupã te esmagarão sob o peso desta mão seca e mirrada!

— Neste momento, Tupã não é contigo! replicou o chefe. O pajé riu; e o seu riso sinistro reboou pelo espaço como o regougo da ariranha.

— Ouve seu trovão, e treme em teu seio, guerreiro, como a terra em sua profundeza.

Araquém proferindo essa palavra terrível avançou até o meio da cabana; ali ergueu a grande pedra e calcou o pé com força no chão: súbito, abriu-se a terra. Do antro profundo saiu um medonho gemido, que parecia arrancado das entranhas do rochedo.

José de Alencar. Iracema. Rio de Janeiro: Record, 1999, p. 46.

Com base na leitura dos textos acima, julgue o item.

A literatura nacional do período romântico, sobretudo no âmbito de suas características indianistas, tem por finalidade fundar uma mitologia romantizada

 

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