Quem olha de fora por uma janela aberta não vê nunca tantas coisas como quem olha uma janela fechada. Não há objeto mais profundo, mais misterioso, mais fecundo, mais tenebroso, mais deslumbrante, do que uma janela iluminada por uma candeia. O que se pode ver ao sol é sempre menos interessante do que o que se passa por detrás de uma vidraça. Dentro daquela abertura negra ou luminosa, a vida vive, a vida sonha, a vida sofre.
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No fragmento acima, extraído do conto As Janelas, do livro Pequenos poemas em prosa | O spleen de Paris ([tradução Paulo M. Oliveira (pseudônimo de Aristides Lobo)]. Coleção Biblioteca Clássica. Rio de Janeiro: Athena Editora, 1937), do poeta Charles Baudelaire, o termo em destaque poderia ser substituído, sem alteração de sentido, por: