“Foram mulheres rebeldes, insubordinadas, agindo fora das regras e das normas, que ganharam respeitabilidade, transformadas em modelos de esposa e mãe, glorificadas por todas as virtudes cristãs intimamente trançadas com as virtudes patrióticas. Enfim, biografias domesticadas, descarnadas e liberadas de qualquer dimensão de conflito senão aquele entre o bem maior - a pátria - e o mal absoluto - a opressão colonial. Ainda que não cultuadas ou entronizadas, pelo menos até o presente, alcançaram nessas biografias o altar de santas da pátria. Os biógrafos retiraram-nas do espaço público, onde efetivamente se deu sua atuação política, e recolheram-nas ao espaço privado, já consagrado como “o lugar da mulher”.
(Maria Ligia Coelho Prado, América Latina no século XIX: tramas, telas e textos. Adaptado)
Ao discutir a participação das mulheres nas lutas pela independência política da América Latina, o texto defende que