A obra prima de Lewis Carrol! "As aventuras de Alice no País das Maravilhas" tem encantado leitores de todas as idades com seu alto potencial lúdico. Leia a seguir o capítulo I desse livro para resolver a questão.
TEXTO V
Pela Toca do Coelho
Alice estava começando a ficar muito cansada de estar sentada ao lado da irmã na ribanceira, e de não ter nada que fazer; espiara uma ou duas vezes o livro que estava lendo, mas não tinha figuras nem diálogos, "e de que serve ,um livro", pensou Alice, "sem figuras nem diálogos?".
Assim, refletia com seus botões (tanto quanto podia, porque o calor a fazia sentir-se sonolenta) se o prazer de fazer uma guirlanda de margaridas valeria o esforço de se levantar e colher as flores, quando de repente um Coelho Branco de olhos cor-de-rosa passou correndo por ela.
Não havia nada de tão extraordinário nisso; nem Alice achou tão esquisito ouvir o Coelho dizer consigo mesmo: "Ai, ai! Ai, ai! Vou chegar atrasado demais!" (quando pensou sobre isso mais tarde, ocorreu-lhe que deveria ter ficado espantada, mas na hora tudo pareceu muito natural); mas quando viu o Coelho tirar um relógio do bolso do colete e olhar as horas, e depois sair em disparada, Alice se levantou num pulo, porque constatou subitamente que nunca tinha visto antes um coelho com bolso de colete, nem com relógio para tirar de lá, e, ardendo de curiosidade, correu pela campina atrás dele, ainda a tempo de vé-lo se meter a toda pressa numa grande toca de coelho debaixo da cerca.
No instante seguinte, lá estava Alice se enfiando na toca atrás dele, sem nem pensar de que jeito conseguiria sair depois.
Por um trecho, a toca de coelho seguia na horizontal, como um túnel, depois se afundava de repente, tão de repente que Alice não teve um segundo para pensar em parar antes de se ver despencando num poço muito fundo.
Ou o poço era muito fundo, ou ela caía muito devagar, porque enquanto caía teve tempo de sobra para olhar à sua volta e imaginar o que iria acontecer em seguida. Olhou para as paredes do poço, e reparou que estavam forradas de guarda-louças e estantes de livros; aqui e ali, viu mapas e figuras pendurados empregos.
[ ... ] Depois de um tempo, Alice se viu deitada na ribanceira, a cabeça no colo da irmã, que afastava delicadamente algumas folhas secas que haviam voejado das árvores até seu rosto.
"Acorde, Alice querida!" disse sua irmã. "Mas que sono comprido você dormiu !"
"Ah, tive um sonho tão curioso!'" disse Alice, e contou à irmã, tanto quanto podia se lembrar delas, todas aquelas estranhas aventuras que tivera e, quando terminou, a irmã a beijou e disse: "Sem dúvida foi um sonho curioso, minha querida; agora vá correndo tomar o seu chá, está ficando tarde." Alice então se levantou e saiu correndo, pensando, enquanto corria o mais rápido que podia, que sonho maravilhoso tinha sido aquele.
CARROLL, Lewis. Alice: edição comentada. Tradução: Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2002. p. 121- 122. Adaptado.
Vocabulário: Campina: campo amplo, sem árvores . Guirlanda: coroa de flores ou folhagens. Ribanceira: barranco, precipício.
Observe que o narrador não participa desta história como personagem, mas é capaz de saber o que os personagens sentem e pensam. O trecho em que é possível perceber isso é