Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.
Dois mais dois
Por Luis Fernando Veríssimo
01 O Rodrigo não entendia por que precisava aprender matemática, já que a sua
02 minicalculadora faria todas as contas por ele, pelo resto da vida, e então a professora resolveu
03 contar uma história.
04 Contou a história do Supercomputador. Um dia disse a professora, todos os computadores
05 do mundo serão unificados num único sistema, e o centro do sistema será em alguma cidade do
06 Japão. Todas as casas do mundo, todos os lugares do mundo terão terminais do
07 Supercomputador. As pessoas usarão o Supercomputador para compras, para recados, para
08 reservas de avião, para consultas sentimentais. Para tudo. Ninguém mais precisará de relógios
09 individuais, de livros ou de calculadoras portáteis. Não precisará mais nem estudar. Tudo que
10 alguém qui...er saber sobre qualquer coisa estará na memória do Supercomputador, ao alcan...e
11 de qualquer um. Em segundos a resposta à consulta estará na tela mais próxima. E haverá
12 bilhões de telas espalhadas por onde o homem estiver, desde lavatórios públicos até estações
13 espaciais. Bastará ao homem apertar um botão para ter a informação que desejar.
14 Um dia, um garoto perguntará ao pai:
15 – Pai, quanto é dois mais dois?
16 – Não pergunte a mim – dirá o pai -, pergunte a Ele.
17 E o garoto digitará os botões apropriados e num milé...imo de segundo a resposta
18 aparecerá na tela. E então o garoto dirá:
19 – Como é que sei que a resposta é certa?
20 – Porque Ele disse que é certa – responderá o pai.
21 – E se Ele estiver errado?
22 – Ele nunca erra.
23 – Mas se estiver?
24 – Sempre podemos contar nos dedos.
25 – O quê?
26 – Contar nos dedos, como faziam os antigos. Levante dois dedos. Agora mais dois. Viu?
27 Um, dois, três, quatro. O computador está certo.
28 – Mas, pai, e 362 vezes 17? Não dá para contar nos dedos. A não ser reunindo muita
29 gente e usando os dedos das mãos e dos pés. Como saber se a resposta d’Ele está certa?
30 Aí o pai suspirou e disse:
31 – Jamais saberemos...
32 O Rodrigo gostou da história, mas disse que, quando ninguém mais soubesse matemática
33 e não pudesse pôr o Computador à prova, então não faria diferença se o Computador estava
34 certo ou não, já que a sua resposta seria a única disponível e, portanto, a certa, mesmo que
35 estivesse errada, e... Aí foi a vez da professora suspirar.
(Disponível em: https://www.culturagenial.com/cronicas-engracadas-de-luis-fernando-verissimo-comentadas/
– texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que classifica corretamente o advérbio sublinhado no trecho a seguir: “– Jamais saberemos...” (l. 31).