Texto
Morrer custa caro
Um dos motivos pelos quais não se fala muito a respeito da eutanásia, especialmente no ambiente médico, apesar de o tema interessar a todo mundo, é o dinheiro. Queiramos ou não, morrer custa caro. Definhar em um hospital, custa, em média, 2.000 reais ao dia — seis vezes mais se for em uma UTI (nos Estados Unidos da América (EUA), 75% das mortes ocorrem em hospitais, e um em cada três pacientes terminais passa pelo menos 10 dias em UTIs). Nos últimos seis meses, segundo Daniel Deheinzelin, diretor clínico do Hospital do Câncer, em São Paulo, o paciente torra, em média, com médicos, remédios e hospitais, mais do que gastou com saúde em toda a sua vida. Nos EUA, segundo pesquisa recente da Time/CNN, nada menos do que um terço das pessoas leva a família à falência ao morrer.
O fato, inegável, é que os recursos para a saúde são finitos e temos de decidir como gastá-los da melhor maneira possível, diz Daniel. Ignorar essa discussão é hipocrisia. Ele se refere àqueles casos em que se sabe que o tratamento não vai resolver nada e em que ele é levado adiante mesmo assim. Às vezes, isso é feito para o médico poder dizer à família que tentou de tudo. Às vezes, é para cobrar mais, diz Daniel. Antes de discutir a legalização da eutanásia, temos de ter a coragem de estabelecer critérios claros para interromper tratamentos que não estão funcionando ou para não começar novos.
Veja a posição das principais religiões acerca de morte piedosa:
Cristianismo — Em 1980, o Vaticano divulgou uma Declaração Sobre a Eutanásia, na qual reitera que “nada nem ninguém pode de qualquer forma permitir que um ser humano inocente seja morto, seja ele um feto ou um embrião, uma criança ou um adulto, um velho ou alguém sofrendo de uma doença incurável, ou uma pessoa que está morrendo.” Alguns cristãos defendem o sofrimento na hora da morte como uma oportunidade para que os cristãos se identifiquem com a agonia de Jesus.
Judaísmo — O Velho Testamento fala na sacralidade da vida humana. A posição da maioria dos religiosos é a de que a eutanásia e o suicídio assistido são uma ofensa a Deus. Alguns líderes judeus, entretanto, acreditam que manter uma vida por aparelhos pode impedir que a alma entre no paraíso.
Islamismo — O Alcorão diz: “Não tire a vida que Alá fez sagrada a não ser no exercício da Justiça.” Os muçulmanos vêem a morte piedosa como um crime e um pecado.
Hinduísmo — Os hindus têm a obrigação de respeitar os velhos e de cuidar deles até a morte. Não se cogita tirar a vida de um moribundo.
Budismo — É a única das grandes religiões a aceitar a morte piedosa, quando o sofrimento de se manter vivo é pior que a morte. A decisão deve ser tomada caso a caso.
Superinteressante, março/2001, p. 44 e 49 (com adaptações).
Com referência ao conteúdo e à correção gramatical do texto, assinale a opção correta.
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