Considere o fragmento literário a seguir, ao responder às questões 7 e 8.
Campo geral
Em todo dia, também, arrastavam os bichos matados, por caça. O coelhinho tinha toca na borda da mata, saía só no escurecer, queria comer, queria brincar, sessepe, serelé, coelhinho da silva, remexendo com a boquinha de muitos jeitos, esticava pinotes e sentava a bundinha no chão, cismado, as orelhas dele estremeciam constantemente. Devia de ter o companheiro, marido ou mulher, ou irmão, que agora esperava lá na beira do mato, onde eles moravam, sozim. [...] Mais que matavam eram os tatus, tanto tatu lá, por tudo. Tatu de morada era o que assistia num buraco exato, a gente podia abrir com ferramenta, então-se via: o caminho comprido debaixo do chão, todo formando voltas de ziguezague. Aí tinha outros buracos, deixados, não eram mais moradia de tatu, ou eram só de acaso, ou prontos de lado, para eles temperarem de escapulir. Tão gordotes, tão espertos ― e estavam assim só para morrer, o povo ia acabar com todos? O tatu correndo sopressado dos cachorros, fazia aquele barulhinho com o casculho dele, as chapas arrepiadas, pobrezinho ― quase um assovio. Ecô! ― os cachorros mascaravam de um demônio. Tatu corria com o rabozinho levantado ― abre que abria, cavouca o buraco e empruma suas escamas de uma só vez, entrando lá, tão depressa, tão depressa ― e Miguilim ansiava para ver quando o tatu conseguia fugir a salvo.
(ROSA, João Guimarães. Campo geral. In: . Manuelzão e Miguilim (Corpo de baile). 11. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 40-41. Adaptado.)
Na novela “Campo geral”, de Guimarães Rosa, os fatos são narrados a partir da consciência infantil do protagonista Miguilim. Nesse trecho da obra, o comentário sobre o costume sertanejo da caça de coelhos e tatus indica: