Quem caminha pelo que restou de Bento Rodrigues, em Minas Gerais, percebe uma planta estranha, espécie de vagem que não é nativa da região e que foi semeada pela mineradora Samarco. Quando soube que a Samarco havia espalhado sementes da gramínea na lama — e notou que se tentava cobrir novamente o chão de Bento —, o promotor e coordenador da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais determinou que a empresa de arqueologia contratada para recuperar as peças sacras e restos das igrejas dos séculos XVI| e XVIII também preservasse os objetos pessoais dos moradores que descobrisse na lama. “As peças contam a história da vida dessas pessoas. Elas já perderam suas casas, seus locais de convivência. Evitar que também as memórias sejam perdidas é o mínimo que podemos fazer”, disse o promotor.
O Estado de S.Paulo, 5/11/2016 (com adaptações).
Conforme o texto anterior, a política de preservação da memória dos moradores de Bento Rodrigues assume que