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1575778 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: CPRH

Atenção: As questões de números 1 a 6 referem-se ao poema abaixo.

Os ombros suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

(Carlos Drummond de Andrade. Nova reunião. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985. p. 78)

Atente para as afirmações abaixo.

I. No poema, a proximidade da velhice é retratada como causadora de profunda melancolia, já que a solidão se impõe e o indivíduo sente-se física e mentalmente abatido.

II. O poema trata da resignação diante da inevitabilidade do envelhecimento e das transformações advindas com a maturidade, período em que a realidade e os problemas dela decorrentes têm de ser enfrentados sem ilusões.

III. O emprego do verbo chegar no início e no fim do poema (Chega um tempo... // Chegou um tempo...) denota o sofrimento trazido pela percepção de que a juventude é efêmera e irrecuperável na velhice, o que também se verifica no verso Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Está correto o que se afirma APENAS em

 

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