Magna Concursos
2347894 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: Legalle
Orgão: Pref. Julio Castilhos-RS
Para responder a questão, leia o texto de Pablo Morenno, publicado no jornal Zero Hora.
A MULHER CRUCIFICADA
A polêmica representação da transgênero crucificada na parada GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) sofreu, ao meu ver, um equívoco de leitura: foi interpretada como protesto contra o cristianismo, quando na verdade é uma denúncia à linguagem cristã. Ou seja, a imagem comunica desde dentro do cristianismo, e não de fora. Ela não se opõe ao simbolismo da cruz, mas o atualiza e o explicita, o traduz e o contemporiza. O processo simbólico é o mesmo, por exemplo, quando se representa Jesus como negro, como índio, como cigano, ou como gaúcho. Mas porque nesses casos, poucos se ofendem?
Por que o desconforto causado não é nela representação em si da crucificação. Isso acontece na Sexta-feira Santa, em filmes, peças teatrais, sem alvoroço. A "ofensa" é porque os ofendidos não acham digno o corpo sobre a cruz, uma vez que "impuro". E blasfêmia.
Parece-se à visão sobre Jesus dos homens de seu tempo. Ele era impuro, porque vivia com impuros (prostitutas, leprosos, cobradores de impostos).Jesus várias vezes enfrentou a ideia de impureza nos meios religiosos da época. Mas um relato me parece especial: quando trouxeram até ele uma prostituta para ser apedrejada. Quem não tiver pecado algum atire a primeira pedra. E cada um, começando pelos mais velhos, largou a sua pedra e foi embora.
Os que trouxeram a mulher queriam salvar a religião do que achavam ser uma ofensa a princípios religiosos. Jesus demonstra que o tempo do apedrejamento já tinha passado. A Lei exigia outra interpretação.
A cena na Paulista não foi um protesto. Foi uma denúncia, e como "instalação" artística cumpriu seu papel de causar desconforto. Porém, o desconforto não tem de ser com a instalação em si, um simulacro, mas contra aquilo do qual . ela é metonímia: a violência real sofrida pelos gays.
Sou cristão, católico praticante, e não me senti ofendido, mas incomodado. Não com a cena. Mas porque acusam seus realizadores pelo mesmo pecado que levou Jesus à crucificação: blasfêmia.
Ao longo de um texto, os pronomes podem contribuir para a coesão de duas formas: na recuperação de referentes mencionados anteriormente ou na antecipação de referentes a serem mencionados posteriormente. Com base nessa informação, analise as afirmativas a seguir.
I. Em "Ela não se opõe ao simbolismo da cruz, mas o atualiza e o explicita, o traduz e o contemporiza", o pronome oblíquo retoma "Jesus".
II. No fragmento "Isso acontece na Sexta-feira Santa, em filmes, peças teatrais, sem alvoroço", o pronome demonstrativo em destaque refere-se a algo já dito.
III. Em "E cada um, começando pelos mais velhos, largou a sua pedra e foi embora", o pronome possesivo "sua" refere-se ao leitor.
Está(ão) correta( s):
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Professor - História

50 Questões

Terapeuta Ocupacional

50 Questões