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O apanhador de desperdícios
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
(Manuel de Barros)
Com base na leitura atenta do poema acima, julgue os itens a seguir:
I. O eu - lírico do poema diz não gostar das palavras fatigadas de informar, que quer dizer que ele se considera um ser arcaico, que não busca usar bem as palavras.
II. em contraponto, com as milhares de vozes do mundo de hoje, viciadas e escravizadas pela tecnologia.
III. segundo o poema, as palavras do dia-a-dia estão desgastadas, e por isso, ao autor resta o silêncio para evitar desperdícios.
 

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