João Romão foi, dos treze aos vinte e cinco anos, empregado de um vendeiro que enriqueceu [I] entre as quatro [III] paredes de uma suja e obscura taverna nos refolhos do bairro do Botafogo; e tanto economizou do pouco que ganhara nessa dúzia de anos, que, ao retirar-se o patrão para a terra, lhe deixou, em pagamento de ordenados vencidos, nem só a venda com o que estava dentro, como ainda um conto e quinhentos [II] em dinheiro.
Proprietário e estabelecido por sua conta, o rapaz atirou-se à labutação ainda com mais ardor, possuindo-se de tal delírio de enriquecer, que afrontava resignado as mais duras privações. Dormia sobre o balcão da própria venda, em cima de uma esteira, fazendo travesseiro de um saco de estopa cheio de palha. A comida arranjava-lha, mediante quatrocentos [II] réis por dia, uma quitandeira [II] sua vizinha, a Bertoleza, crioula [III] trintona, escrava de um velho cego residente em Juiz de Fora e amigada com um português [I] que tinha uma carroça de mão e fazia fretes na cidade.
Bertoleza também trabalhava forte; a sua quitanda era a mais bem afreguesada do bairro. De manhã vendia angu [III], e à noite peixe frito e iscas de fígado; pagava de jornal a seu dono vinte mil-réis por mês, e, apesar disso, tinha de parte quase que o necessário para a alforria. Um dia, porém, o seu homem, depois de correr meia légua, puxando uma carga superior às suas forças, caiu morto na rua, ao lado da carroça, estrompado como uma besta.
Autor: Aluísio de Azevedo.
Sobre os aspectos fonéticos e fonológicos, analise as assertivas:
I. Os vocábulos enriqueceu e português possuem o mesmo número de fonemas e de dígrafos;
II. Os vocábulos quinhentos, quatrocentos e quitandeira possuem, respectivamente, 7, 11 e 9 fonemas;
III. Os vocábulos quatro, crioula e angu não possuem dígrafo.
Está(ão) CORRETA(S):