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Taxar ultraprocessados pode reduzir
doenças crônicas e mortes
Mantido no ritmo atual, o ganho de peso da
população adulta brasileira deve levar ao surgimento
de 10 milhões de novos casos de doenças crônicas
evitáveis – como diabetes, hipertensão e doenças
cardiovasculares – entre 2024 e 2044. Nessas duas décadas,
estima-se que a proporção de adultos com sobrepeso no
país passe de 57% para 75%, resultando em cerca de 1
milhão de mortes.
Diante desse cenário, o epidemiologista Leandro
Rezende e sua equipe na Universidade Federal de São
Paulo simularam o impacto que a imposição de taxas sobre
os alimentos ultraprocessados poderia gerar na saúde
da população. Os ultraprocessados são uma categoria
de alimentos industrializados aos quais são adicionados
altos teores de açúcar, gordura e sal com a finalidade de
aumentar sua durabilidade ou palatabilidade.
Os resultados, publicados no American Journal of
Preventive Medicine, mostram que cobrar mais por esses
alimentos gera um efeito protetivo proporcional ao tributo.
Impor uma taxa de 10% pode restringir a 67% o total de
adultos com sobrepeso em 2044, evitando 526 mil casos de
doenças e 71 mil mortes. Se a taxação chegasse a 50%, a
frequência de sobrepeso baixaria para 50%, prevenindo 1,8
milhão de adoecimentos.
Segundo Rezende, o estudo avança ao estimar o
impacto sobre o conjunto dos alimentos ultraprocessados,
e não sobre itens isolados, como as bebidas açucaradas.
Como o efeito da alimentação depende do padrão geral,
ações voltadas a toda a categoria tendem a apresentar
maior eficácia na redução do excesso de peso.
Especialistas ressaltam, contudo, que a tributação
não resolve o problema isoladamente. A resposta ao
aumento de preços depende do ambiente alimentar
e de condições sociais. Para maximizar os resultados,
a taxação deve vir acompanhada de políticas públicas
complementares, como subsídios a alimentos in natura,
regulação da publicidade e ações de educação alimentar
que tornem as escolhas saudáveis mais acessíveis a toda
a população.
Internet: <revistapesquisa.fapesp.br> (com adaptações).
No fragmento “ações de educação alimentar que tornem as escolhas saudáveis mais acessíveis a toda a população.”, a forma verbal “tornem” está flexionada no plural para concordar com o termo “políticas públicas complementares”, que funciona como núcleo do sujeito da oração adjetiva introduzida pelo pronome relativo “que”.