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Ultraprocessados podem afetar a atenção, mesmo com dieta saudável
Por Ana Clara Caielli Barreiro
Os alimentos ultraprocessados, como bolachas recheadas, salgadinhos, refrigerantes e
macarrão instantâneo, são um dos calcanhares de Aquiles do mundo moderno. Eles são tão
saborosos quanto são prejudiciais à saúde. Esses alimentos passam por processos industriais
excessivos, que envolvem a adição de aditivos artificiais, como emulsificantes e corantes, além
de outras substâncias industriais, podendo até alterar a estrutura original do alimento.
Uma nova pesquisa, desenvolvida em parceria pela Universidade de São Paulo (USP) e
universidades estrangeiras, investigou os impactos cognitivos do consumo desse tipo de
alimento. E as pessoas estudadas não foram só aquelas com as piores dietas – a ideia era analisar
também se haveria efeitos em pessoas com a qualidade geral da dieta considerada boa.
Os pesquisadores analisaram dados de 2.192 adultos australianos com idades entre 40 e
anos. Além de responderem questionários sobre hábitos alimentares, os participantes
realizaram testes cognitivos para medir atenção e velocidade de processamento de informações.
Em média, os participantes consumiam cerca de 41% de suas calorias na forma de alimentos
ultraprocessados. O resultado foi preocupante.
O estudo associou o consumo elevado de ultraprocessados com dificuldades de
concentração e a um processamento mental mais lento, mesmo entre pessoas que, no geral,
tinham uma alimentação saudável e de qualidade. Essa relação foi observada até em
participantes que seguiam a dieta mediterrânea, considerada uma das referências mundiais em
alimentação saudável e frequentemente associada a benefícios cognitivos.
Além disso, a pesquisa sugere que o consumo excessivo de ultraprocessados contribui para
fatores de risco ligados à demência, como obesidade e hipertensão, provocando queda nítida e
mensurável na capacidade de concentração das pessoas. Um aumento de 10% no consumo de
alimentos ultraprocessados equivale a cerca de 150 gramas de comida. Na prática, seria como
adicionar um pacote de salgadinho à alimentação diária – um hábito aparentemente comum,
mas que o estudo associou a prejuízos cognitivos.
O trabalho mostra que o impacto da alimentação na cognição vai muito além dos
indicadores tradicionais de qualidade da dieta ou do simples consumo de alimentos nutritivos.
Para os autores, o estudo reforça a necessidade de aprimorar as diretrizes alimentares,
mostrando que o grau de processamento dos alimentos deve ser considerado juntamente com a
composição nutricional da dieta.
(Disponível em: https://super.abril.com.br/saude/ultraprocessados-podem-afetar-a-atencao-mesmo-com-dieta-saudavel/ – texto adaptado especialmente para esta prova)