Magna Concursos
4128865 Ano: 2023
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia os sonetos de Camões e de Juó Bananére, pseudônimo de Alexandre R. Marcondes Machado.

 

Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se não a tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos
Dizendo: – Mais servira, se não fora,
Para tão longo amor tão curta a vida.

(Luís de Camões. Lírica, 1972)

Sette anno di pastore, Giacó servia Labó
Padre da Raffaela, serrana bella,
Ma non servia o pai, che illo non era trouxa nó!
Servia a Raffaela p’ra si gazá c’oella.

I os dia, na speranza di un dia só,
Apassava spiano na gianella;
Ma o páio, fugino da gombinaçó,
Deu a Lia inveiz da Raffaela.

Quano o Giacó adiscobri o ingano,
E che tigna gaido na sparella
Ficô c’um brutto d’um garó di arara,

I incominciô di servi otros sete anno
Dizeno: Si o Labó non fossi o pai d’ella
Io pigava elli e li quebrava a gara.

(Juó Bananére, La divina increnca, 1966)

 

Constata-se que há entre os textos uma relação de intertextualidade. O poema de Juó Bananére se apresenta, em relação ao texto camoniano, como uma imitação, por paródia,

 

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