Leia os sonetos de Camões e de Juó Bananére, pseudônimo de Alexandre R. Marcondes Machado.
Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se não a tivera merecida,
Começa de servir outros sete anos
Dizendo: – Mais servira, se não fora,
Para tão longo amor tão curta a vida.
Sette anno di pastore, Giacó servia Labó
Padre da Raffaela, serrana bella,
Ma non servia o pai, che illo non era trouxa nó!
Servia a Raffaela p’ra si gazá c’oella.
I os dia, na speranza di un dia só,
Apassava spiano na gianella;
Ma o páio, fugino da gombinaçó,
Deu a Lia inveiz da Raffaela.
Quano o Giacó adiscobri o ingano,
E che tigna gaido na sparella
Ficô c’um brutto d’um garó di arara,
I incominciô di servi otros sete anno
Dizeno: Si o Labó non fossi o pai d’ella
Io pigava elli e li quebrava a gara.
Constata-se que há entre os textos uma relação de intertextualidade. O poema de Juó Bananére se apresenta, em relação ao texto camoniano, como uma imitação, por paródia,