Magna Concursos
4134618 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Bom Jesus-RS

Uso desmedido do celular está cada vez mais ligado a problemas físicos e mentais

Por Diogo Sponchiato e Victória Ribeiro

Nomofobia, FOMO, text neck, cibercondria, dependência digital... O dicionário de males

plantados pela vida entre telas — quase todos com nomes derivados do inglês, a língua-mãe da

comunicação on-line — não para de ganhar novas expressões. Não são patologias propriamente ditas,

dessas com nome, sobrenome e código no receituário, mas preocupam médicos e pacientes por seus

impactos cada vez mais expressivos no __________. O motivo está à sua mão ou vista: o aparelho

que nos acompanha para conversar, trabalhar, relaxar e pedir comida. Se cada época tem suas

bênçãos e maldições, o celular do qual a sociedade já não pode se desgarrar é o símbolo máximo e

tangível de que as comodidades e a conexão têm seu preço. Um preço cobrado na forma de distúrbios

físicos e mentais que hoje protagonizam pesquisas científicas e são alvo de novas leis para resguardar

__________ de todas as idades de um aparelho que cabe no bolso, mas, quando sai de lá (e como

sai), pode incitar doenças já consagradas nos manuais médicos.

Semana sim, outra também, é publicado um estudo mostrando os efeitos colaterais e nocivos

da onipresença das telas. Entre aqueles mais esperados e conhecidos, estão as repercussões

psicológicas. Um novo trabalho do Imperial College London, na Inglaterra, com base em dados de

2.000 crianças e adolescentes, constatou que aquelas que ficavam mais de três horas por dia

navegando nas redes sociais estavam mais expostas a ansiedade e depressão. Mas há consequências

inusitadas também. Pesquisadores sul-coreanos detectaram que a postura e os movimentos cobrados

pelo smartphone aumentam a formação de rugas na região do pescoço entre mulheres com menos

de 30 anos — o esperado é que os vincos surjam depois dos 40.

Os brasileiros estão entre os povos mais conectados do planeta: são, em média, nove horas na

internet diariamente. A grande questão é que, entre o estudo, o emprego e a diversão, a maquininha

drena tempo, atenção e energia sem que a maioria das pessoas se dê conta. Mas basta algo sair do

trilho (ou da tela) para começarem os problemas. “Hoje vemos uma necessidade crescente entre os

indivíduos de permanecerem conectados, e há queixas frequentes de irritabilidade ou sofrimento

quando há perda ou restrição do acesso”, diz a psicóloga Carla Cavalheiro, do Instituto de Psiquiatria

da USP. O desafio é que plataformas como as redes sociais, a um toque dos dedos, são programadas

para pescar a atenção do usuário. E, se o cérebro curtir a isca, ficará horas fisgado. Cada vez mais

cientes desse cenário propício ao descontrole, as autoridades começam a tomar medidas, amparadas

na lei, para mitigar os danos, que, além da saúde mental, também podem afligir os olhos, a coluna...

Trata-se de um comportamento que realmente tem as características de um vício. Embora a

dependência digital ainda não seja uma classificação diagnóstica formal, especialistas afirmam que

vem decolando o número de pacientes que procuram ajuda para ter uma relação mais equilibrada

com a peça. “São pessoas com prejuízo funcional, sofrimento psíquico e perda de controle”, descreve

Cavalheiro. “Elas vão negligenciando outras áreas da vida e continuam usando o aparelho mesmo

percebendo os impactos negativos”.

Para não deixar a situação se desgovernar lá adiante, já há um consenso de que o uso de telas

deve ser restringido na infância. Factível ou não, a missão dos pais começa a ser amparada por

políticas públicas, como a proibição de celulares nas escolas brasileiras. “Um menino que passa oito

horas por dia numa tela está sendo destruído. Isso deteriora sua capacidade de prestar atenção e sua

saúde mental”, afirma o pediatra Daniel Becker. E não é só o __________ psíquico que será cobrado

no futuro. A vida em ambientes fechados e cercada de telas já foi associada ao crescimento

astronômico dos casos de miopia — metade do planeta deverá usar óculos até 2050 —, ao

sedentarismo, que alimenta a pandemia de obesidade, e a uma porção de problemas posturais e

ortopédicos que resultam em dores. A coluna que o diga. A cena é conhecida: cabeça inclinada,

ombros projetados para a frente, olhar fixo na tela... “Repetida à exaustão, essa postura vai prejudicar

a região cervical, podendo comprometer ombros, cintura e punhos e gerando dores persistentes”, diz

o ortopedista Luiz Felipe Ambra. É assim que o celular se torna um propulsor de dores crônicas, que

atacam até os dedos que não desgrudam da tela.

(Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/uso-desmedido-do-celular-esta-cada-vez-mais-ligado-aproblemas-fisicos-e-mentais – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa em que todas as palavras apresentam o mesmo fonema para a letra “x”.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Professor da Educação Infantil

40 Questões