Para responder à questão, considere o texto a seguir.
“Na sociedade feudal, o homem não ‘desempenhava um papel’; era aquilo para que nascera. A divisão capitalista do trabalho e a abertura da hierarquia social tornaram possível, no entanto, que uma mesma pessoa ocupasse diferentes degraus da escada social; podia ser ativo em ramos completamente diferentes da divisão do trabalho, ser barbeiro num dia e escritor no dia seguinte e condottiere no terceiro, adotando formas de comportamento diferentes umas a seguir às outras e continuando, apesar disso, a ser o mesmo homem. Dado que cada lugar particular na estrutura social e cada ocupação particular produzia diferentes comportamentos e um conjunto diferente de direitos e obrigações, um mesmo homem podia identificar-se com diferentes comportamentos, diferentes conjuntos de direitos e obrigações e diferentes normas concretas, continuando, no entanto, a ser ‘ele’ e não ‘eles’. Como é óbvio, não foi apenas a extensão da divisão social do trabalho que provocou o aparecimento destes comportamentos em função do papel social. Para tal, o capitalismo nascente foi obrigado a dissolver todas as comunidades, de tal modo que o homem só pudesse afirmar-se com a mediação da posição por ele ocupada na divisão social do trabalho, de tal modo que o estatuto econômico (e não a humanidade como comunidade) pudesse tornar-se a norma universal.”
De acordo com a perspectiva de Agnes Heller manifestada no excerto,