Seguindo a tendência já em curso no mundo globalizado,
o Estado brasileiro, desde os anos 1990, vem-se reconfigurando
no sentido da redução da intervenção direta e do fortalecimento
das instituições de fomento e de regulação. Num grande número
de áreas, vai-se retirando da execução para assumir papéis de
articulador das diferentes forças sociais, árbitro de conflitos e
fomentador da universalização de bens e serviços. Espera-se,
ainda, que ocupe um espaço crítico de proteção da cidadania
contra o esbulho, a violência e o arbítrio dos mais poderosos.
O cumprimento dessas funções requer uma nova
configuração da estrutura do Estado, bem como a capacitação de
quadros para lidar com a nova agenda de expectativas e pressões.
Quanto maior a vulnerabilidade da cultura política aos
desequilíbrios na distribuição de poder, maiores os desafios de
compensar esses desequilíbrios, seja mediante a concepção da
estrutura da agência, seja pelo seu funcionamento, com destaque
para a transparência do processo decisório.
A par do arcabouço legal que baliza os procedimentos de
cada agência, ganha importância o próprio modo de operação.
Nesses se incluem a ampla divulgação de normas e
procedimentos de acesso, a abertura de espaços de contencioso
no interior da agência e o uso de variados veículos para prestação
de contas e esclarecimento dos diferentes públicos.
Nesse espírito de transparência, a avaliação das ações de
regulação ou fomento constitui procedimento indispensável.
Dada a natureza da experiência nativa e as limitações inerentes
ao transplante de experiências estrangeiras, defende-se uma
estratégia gradual de implantação de práticas avaliatórias que
favoreçam os esforços de aprendizagem.
Anna Maria Campos, Jorge Paula Costa Avila e Dércio Santiago da Silva Jr. Avaliação de agências
reguladoras: uma agenda de desafios para a sociedade brasileira. In: Revista de Administração Pública
(RAP), v. 34, n.º 5, Rio de Janeiro, set.–out./2000, p. 29-46 (com adaptações).
Julgue o próximo item, relativo ao texto precedente.
No primeiro parágrafo, as locuções verbais "vem-se configurando" e "vai-se retirando" expressam continuidade e progressividade, em consonância com a ideia expressa na oração que inicia o texto.