A arte é imprescindível para a formação humana; sua função é indispensável na vida das pessoas e na sociedade e, consequentemente na escola. É um meio pelo qual se expressam, representam e comunicam sorvendo do mundo por meio da
criatividade, experimentação e singularidade. Não obstante, nem sempre foi assim, sua trajetória histórica no ensino brasileiro está imbuída de idiossincrasias. A trajetória do ensino da arte delineia no século XIX com o início da Academia de Belas
Artes, em 1816, no Rio de Janeiro. Sua origem ancorou-se no projeto da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, aprovado
pelo Decreto de 12 de agosto de 1816, que concedeu pensões a diversos artistas franceses que vieram morar no Brasil. Com
influência do século passado, é possível afirmar que o ensino da arte no início do século XX legitima uma pedagogia:
Durante o Congresso Brasileiro de Folclore, em 1955, reconceituou o termo como um “conjunto das criações culturais de uma comunidade, baseado nas suas tradições expressas individual ou coletivamente, representativo de sua identidade social. Constituem-se
fatores de identificação da manifestação folclórica: aceitação coletiva, tradicionalidade, dinamicidade, funcionalidade. (BENJAMIN, 2022.) Tal conceituação aproxima a relação entre o folclore e o campo do ensino e educação, incorporando novas características
como transmissão oral, tradicionalidade e regionalidade. No desenvolvimento do teatro brasileiro o folclore performa um
lugar significativo. As influências dos ideais regionalistas difundidos por Gilberto Freyre, sublinham o surgimento do Teatro
do Nordeste, liderado por Hermilo Bora Filho, que se fundamenta pela transmissão oral e regionalidade, tendo com maior
expressão a dramaturgia:
Na primeira metade do século XX, despontaram inovadoras descobertas no que tange às pedagogias musicais. Émile Jacques-
-Dalcroze (1865-1950) desenvolveu um método de educação musical tendo como premissa o movimento, no qual o aprendizado ocorre por meio da música, pela música e por meio da escuta ativa. Para o autor sentir a música pela via corporal
permite uma internalização dos conceitos teóricos que são trabalhados em sala. O método de Dalcroze que leva em consideração o aluno como ser corpóreo, suscitando o pensamento do que mais tarde iria se firmar como educação somática,
denomina-se:
Tratava-se de trazer para o nosso palco a ideia “de desembaraçar a cena de qualquer caráter descritivo, de qualquer imitação
realista, para exprimir a ‘essência do drama’ pela representação antinaturalista do ator, pelo simbolismo do objeto, da linha, da
cor e da iluminação técnica”. (JÚNIOR, 1963.) A produção de “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, em 1943, foi um marco simbólico para o teatro moderno no Brasil.
Com direção de Ziembinski e com cenário de Tomás Santa Rosa, a montagem atribui uma nova significação no que diz respeito à iluminação na cena teatral brasileira, tendo como estética:
O teatro popular e a educação popular são processos de construção social inseridos em um contexto histórico de sua época,
sendo, portanto, frutos das diferentes situações políticas do seu momento de produção e construção; por isso, trazem em si
princípios da realidade vivida por seus sujeitos. (BARAÚNA, 2013.) Contemporâneos, um educador e um teatrólogo, apresentam uma estreita relação em suas metodologias no que diz respeito
à realidade política de sua época, trazendo luz a questões latentes da sociedade, propiciando o debate e provocando
reflexões. Suscitando uma nova pedagogia, tem-se uma significativa contribuição para a educação e o teatro brasileiro, com
seus métodos denominados:
Camadas de sons, cheiros, temperaturas foram apresentadas nessa proposta artística a partir de ações como marcar a ferro as
vestes de carne e andar sobre brasas com calçados feitos com o mesmo material orgânico, assim como as ações de cortar e
assar a carne de charque (alimento muito consumido no Nordeste brasileiro). Notamos que as ações representavam os suplícios
públicos dos que foram torturados e queimados vivos no passado – a carne seca foi exposta como uma metáfora da própria
carne humana, do corpo humano fragmentado, esquartejado. Durante trinta minutos, aproximadamente, o próprio artista,
Everaldo Santana, Paulo César e Robson Lemos realizaram tais ações; [...] marcar a ferro quente a carne bovina da mesma
maneira que os negros escravizados foram estigmatizados por seus proprietários num passado não muito distante. (SANTOS-ZMÁRIO. Fragmento.)
O excerto evidencia uma relação corpo-memória; constrói-se uma obra que não cabe mais na boca. Torna-se necessário um
estreitamento físico, onde o artista coloca-se em situação, presentificação, descontruindo a ideia de personagem. Essa
linguagem híbrida, que retira a noção de objeto, dilata os sentidos, evidencia a presença e desloca o corpo para centralidade
da ação, pode ser definida como:
Segundo Koudela, no sistema de Jogos Teatrais de Viola Spolin, são distintos os diferentes níveis de utilização da regra dos jogos. Segundo a autora, qual é o recurso utilizado para estabelecer o repertório comum ao grupo e a liberação de ludicidade?
Segundo Koudela (2001), o objetivo explícito da obra é a transmissão de um sistema de atuação que pode ser desenvolvido por todo os que desejem se expressar através do teatro, sejam eles profissionais, amadores ou crianças.
Sua primeira técnica foi aplicada em São Paulo, em 1970, no Núcleo 2 do Teatro de Arena, com o teatro-jornal: em meio à terrível opressão que sufocava o País, dramatizavam-se notícias jornalísticas, em meritório exercício de liberdade.
Erwin Piscator encomendou a Walter Gropius (1883-1969), na década de vinte, um projeto que atendesse aos reclamos de sua nova concepção. O resultado, embora não realizado, abriu caminho para as pesquisas contemporâneas, que em grande parte acolheram seus princípios, entre eles a abolição entre lugares privilegiados e galerias. Para eles, as aspirações de igualdade social, fortalecidas em nosso século, tinham de influir na arquitetura do teatro.